quinta-feira, 14 de março de 2013

Manual de sobrevivência – antes do toque de recolher




“Faz de conta que não é com você. Quando o sacrífico for inevitável. Quando a calçada não te acolher mais com lisonjas, blues e beijos no pescoço. Quando tudo parecer uma questão de tempo. Fica ali com aquela cara de trouxa incorrigível fazendo de conta que não é com você. É um jeito confortável de reduzir sua cota de angustias. Uma tática de guerrilha silenciosa. E quando o ataque for tão forte que não der pra você simplesmente fazer de conta que ano é com você, então meneie a cabeça obsequiosamente, sempre em movimentos afirmativos. Confere lá na despensa se os suprimentos são suficientes pra essa trégua consentida. Diferencie sempre ataque de reprimenda gentil. Faz de conta que não é com você. Assobie baixinho um hino qualquer do filme Hair. Se sinta importante e quase orgulhoso por ter aprendido a negociar. Não com o mundo que ninguém é tão fodão assim. Eu tô falando de negociar contigo mesmo. Afinal você tá malaco de saber que o seu pior inimigo é você mesmo. Não culpe ninguém por sua perda de controle. Se faça acompanhar por sua escolta particular de roquezinhos manjados. Faz de conta que não é com você. Entenda que tudo é temporário. Quando sua garantia de vida apitar na curva, continua fazendo de conta que não é com você. Quando chegar a hora de cumprir as tais promessas. Quando os avisos do correio empilharem assustadoramente na sua porta. Quando a campainha intermitente soar perturbadora. Quando o cachorro uivar de frio. Quando te chacoalharem com as tais questões recorrentes. Ai você tem mais ainda que permanecer firme e fazer de conta que não é com você. Quando você se sentir totalmente desprotegido com seu coração batendo em estéreo, um alvo escandaloso pintado em sua cabeça. Quando você não tiver mais pra onde fugir. E quando o inferno libertar seus lacaios mais fiéis. Quando chutarem sua alma. Quando as bombas de gás entrarem impetuosas quebrando sua vidraça. Quando não houver mais como ficar por aqui, você vai perceber que sempre teve tudo a ver com você. Talvez seja tarde de mais”.
Mario Bortolotto - Um bom lugar para Morrer

terça-feira, 12 de março de 2013

Técnicas de masturbação entre Batman e Robin

Mal comecei a ler esse livro, e já senti que vou gostar até o fim. Até onde cheguei não achei relação do titulo com o conteúdo, mas ainda falta bastante p acabar... 

"A sexualida do homem é plana, basta-lhe esfregar-se um pouco. O sexo da mulher é um labirinto e ela está perdida dentro dele. Ela enfia seu sexo na mente do homem para refletir ali, mas o homem enlouquece ou foge. Se o homem tenta encontrar a mulher no labirinto, será presa fácil do minotauro."

                                                    ...

"Que coisa é uma água que não molha você, um sol que não ilumina e aquece você, um amor que não destrói você?"
                                                   ...

"Conheço uma mulher de 28 anos casada desde os 16 com um homem da mesma idade que ela; teem tres filhos e ela esta farta dele. Não é só o desgaste natural e os peidos hediondos, ela também sente vertigem. Considera aquilo como um erro da juventude (desejava fugir, abandonar o lar abafado, os pais azedos e envelhecidos, os irmãos que zombavam dela e caiu numa armadilha mil vezes pior). Ela jamais gostou dele, ela o despreza. O homem a persegue, a vigia, a ofende por supostas traições (diz ela que são supostas), bate nela de vez em quando: esta louco por ela, ama-a mais do que ninguém no mundo, diz que se ela o largar vai matar as crianças e depois se suicidar.
        _ Não é o que você quer?
        _ Não - diz e revira os olhos - O que eu quero é que se suicide e depois mate as crianças.
(Ela ri e eu rio. Seu olhar é frio.)
        Uma noite dessas tiveram uma discussão. Ela queria dormir no quarto de empregada (desocupado desde sempre) e ele queria lhe enfiar a vara bem fundo. Ela se defendeu - coisa que tinha feito nos ultimos anos com relativo sucesso - e então ele bateu nela. Ela apertou um joelho contra o outro. Ele estava tão ansioso que ejaculou enquanto forçava a penetração. O sêmem esguichou no rosto dela, caiu nos olhos, deixou-a cega. Do jeito que pôde, foi até o banheiro para vomitar. Quando voltou, ele roncava sonoramente. Ficou agachada ao pé da cama e chorou até ficar sem forças. Tem um sonho: caminha a beira mar segurando minha mão, depois estamos numa igreja abandonada e encontramos um delicioso vinho. Bêbados, voltamos ao mar e em seguida aparecemos na coberta de um navio e dançamos sob a lua rodeados de marinheiros loiros. Acorda. As imagens do sonho se esfumam e o corpo do marido se torna nítido.. Uma sensação esquisita a empurra para a cama. Sobe em cima dele, agarra seu vencido orgão e o esfrega. Ele abre os olhos. Sem dizer palavras, trepam duas horas seguidas.
        _ Foi incrível - me diz- A sequencia de orgasmos parecia não acabar mais.
        Ela acaricia meu rosto, diz que me adora, que me deve a vida. Cada noite sonha comigo e ao acordar arranca faíscas do marido. Ele ignora que sou eu quem atiça sua mulher (ela diz que através do marido consegue ser minha, que jamais poderia fazer sexo comigo pois acabaria com a magia). Lembro-me de ter dito a ela que entre os que se amam o sexo não tem importância (nunca calo minha estúpida bocarra). EEla jura que só eu importo, que o marido é apenas um intrumento casual. Sem dúvida, sou um cara de sorte. Você não acha?"

 Efraim Medina Reyes

segunda-feira, 11 de março de 2013

Miedo - Lenine e Julieta Venegas


Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá
Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

sábado, 2 de março de 2013

Muito irritada!!!



Sabe o que é uma pessoa muito irritada? Sou eu.
Entro no site do Itaú pra ver minha conta e carregar meu celular, sendo que deixei trinta e cinco  reais na conta para isso. Estou com um saldo negativo de cinco  reais, vou olhar o extrato e eis que estão descontando um seguro de vida da minha conta de quarenta  reais mensais e que eu nunca fiz, essa já é terceira parcela que me descontam e eu nem sabia. Eu tinha um limite  nessa conta e fui pessoalmente ao banco e pedi pra tirar o limite, pois já os conheço e sei que descontam coisas do limite sem a pessoa saber e quando vc vai olhar tem uma bela surpresa, pois o limite que eles dão serve pra eles mesmo descontarem o que quiserem já que eu mesma nunca uso. Como estou devendo cinco reais se eu não tenho limite??  Se eu tivesse dado um cheque sem fundo, o cheque voltaria, mas como esse seguro vai pro próprio banco eles até me emprestam dinheiro sem eu pedir. Vc tenta ligar pra resolver e não se resolve uma merda dessa pela internet ou pelo telefone, tem que ir ate lá. Minha agencia é conchinchina porque tive que abrir essa conta  onde meu trabalho me mandou abrir.
Vou olhar minha fatura do cartão de credito e eis que a p* do Jogatina  renovou meu contrato sem que eu pedisse. Seis vezes de dez reais. Descontaram a primeira. Entro no site do jogatina pra cancelar já que eu nem mesmo jogo mais, e no site diz que se vc cancelar a assinatura, vc não poderá mais jogar, mais terá que pagar as seis parcelas assim mesmo. Uma outra opção segundo eles é vc cancelar somente  a assinatura automática e usufruir do serviço até acabar de pagar as parcelas. Procurei e fui ate um link pra cancelar a assinatura automática, quando clico me remete a mesma página de cancelamento de assinatura. Muito bla bla bla  e no fim das contas tive que cancelar o serviço  e terei que pagar as seis parcelas sem poder usar.
Nessa mesma fatura vejo que já começaram a me cobrar a anuidade desse ano, que são seis vezes de 32 reais. Depois o Itaú vem dizer que paga a metade da entrada do meu cinema, paga porcaria nenhuma, eu mesma que pago com uma anuidade tão cara como essa e pago ainda os livrinhos infantis que eles dizem estar ‘doando’ e deixo um pouco de dinheiro de sobra pra eles.
A TIM diz que a internet no seu celular se vc for cliente infinity pré, custa cinquenta centavos o dia. Sou cliente infinity pré, coloco dezoito reais no meu  número só pra usar a internet e em menos de dez dias acaba o crédito. Ligo pra Tim pra ter certeza se realmente sou cliente  Infinity pré, a atendente pergunta meu nome, eu digo Bruna e ela insiste em me chamar de senhor e confirma que sou cliente infinity pré. Pergunto porque cargas d’agua meu crédito vai embora tão rápido, escuto dez minutos de música e a atendente me pede pra ligar daqui duas horas pois ela não consegue ver no sistema se meu uso  do crédito foi só pra internet mesmo ou não, e daqui duas horas ela conseguirá aff.
Ligo pra OI  pra saber porque meu bônus diário não tem entrado, e sou informada de que a promoção em que eu estava cadastrada expirou há um mês e para me cadastrar na nova promoção preciso carregar no mínimo quinze reais. Mas o Itaú comeu meu dinheiro numa porcaria de seguro de vida que eu não pedi. Como posso carregar?
Eu entendo porque tem gente que simplesmente vira morador de rua. Eu entendo porque tem gente que vira monge nas montanhas. Esse sistema só quer ferrar com a gente. A gente se vê obrigado a dançar conforme a música, mesmo sem gostar ou querer dançar. Piada se dizer livre. Meio dia e vinte, lá se foi metade do meu sábado e não resolvi o que eu tinha pra resolver.
Brunacansadadissotudo##

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Coração Risonho – Charles Bukowski



Sua vida é a sua vida.
Não deixe que ela seja esmagada na fria submissão.
Esteja atento.
Existem outros caminhos.
E em algum lugar, ainda existe luz.
Pode não ser muita luz, mas ela vence a escuridão.
Esteja atento.
Os deuses vão lhe oferecer oportunidades.
Conheça-as.
Agarre- as.
Você não pode vencer a morte, mas você pode vencer a morte durante a vida, às vezes.
E quanto mais você aprender a fazer isso, mais luz vai existir.
Sua vida é a sua vida.
Conheça-a enquanto ela ainda é sua.
Você é maravilhoso, os deuses esperam para se deliciar em você.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Eu que não amo você - Engenheiros do hawai


Eu que não fumo
Queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci
Dez anos ou mais
Nesse último mês...

Senti saudade
Vontade de voltar
Fazer a coisa certa
Aqui é o meu lugar
Mas sabe como é
Difícil encontrar
A palavra certa
A hora certa de voltar
A porta aberta
A hora certa de chegar...

Eu que não fumo
Queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci
Dez anos ou mais
Nesse último mês
Eu que não bebo
Pedi um conhaque
Prá enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou
Aberta ao sair...

O certo é que eu dancei
Sem querer dançar
E agora já nem sei
Qual é o meu lugar
Dia e noite sem parar
Procurei sem encontrar
A palavra certa
A hora certa de voltar
A porta aberta
A hora certa de chegar...

Eu que não fumo
Queria um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci
Dez anos ou mais
Nesse último mês
Eu que não bebo
Pedi um conhaque
Prá enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou aberta
Ao sair...

Eu que não fumo
Eu queria um cigarro
Eu que não amo você...

Eu que não fumo
Pedi um cigarro
Eu que não amo você
Envelheci
Dez anos ou mais
Nesse último mês...
Eu que não bebo
Queria um conhaque
Prá enfrentar o inverno
Que entra pela porta
Que você deixou aberta
Ao sair...


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Como recolher o leite derramado?



 

“Tinha a impressão de que todo mundo estava me vendo e, também, uma sensação esquisita de vergonha. De ser culpado, uma bosta, a quem faltava qualquer coisa, feito formiga mijada ou bala de metralhadora que não acerta o alvo.”

Pag 157 Bukowski, Fabulário geral do delírio cotidiano –ereções, ejaculações e exibicionismos – Parte II

 

Buk fala isso depois de uma situação em que estando bêbado, é levado por dois policiais  para a delegacia e seus vizinhos ficam olhando da janela.

 

Sempre que penso na “igreja” tenho essa mesma sensação. Não posso nunca negar o tanto que fizeram por mim. Se não fosse por eles hoje eu provavelmente não estaria aqui. É quase certo que minha vida teria tomado outro rumo. Estaria eu ainda lá na minha cidadezinha, casada, com dois filhos e talvez pensando em fazer faculdade agora, ou talvez já tivesse feito com muito esforço a alguns anos atrás. As coisas pra mim nunca acontecem de uma forma esperada e fácil. Sigo os mesmos caminhos que a maioria mas parece que chego a outros lugares. Quem poderia imaginar que vindo pro Rio fazer faculdade em um seminário pago por uma igreja, eu iria tomar outro rumo na vida e usar o que aprendi lá pra me distanciar da própria igreja? Me sinto como quem cospe no prato que comeu.

 

Não que alguém me cobre com palavras e na verdade nem com olhares, pois tenho me mantido tão covarde que não os tenho encarado ha tempos. Acho que isso que sinto é reflexo do que eu mesma pensaria de alguém que estudou uma faculdade paga por uma igreja e depois voou pra longe. Mas acho bom eu já estar numa fase de decisões, mesmo que elas possam mudar com o tempo e que elas não tenham sido as melhores possíveis. Fiquei anos tentando acreditar que eu ainda fazia parte, dando murro em ponta de faca, me forçando a acreditar nas velhas coisas. Mas tem coisa que não volta mais. Por mais que você se esforce e que tente, é em vão. O leite derramado, tá derramado. Peguei um pano enxuguei, espremi de volta dentro do balde, mas o leite não era mais o mesmo. Não dava nem pra beber. Ainda não joguei o leite fora. Tá lá. Mas o que fazer com ele eu ainda não sei. 

 

Engraçado e trágico é que o seminário me libertou de uma prisão que tinha sido criada pela própria igreja. Talvez se eu nunca tivesse ido pra igreja, nunca teria entrado nessa prisão. A igreja me fez muito bem, mas também me fez muito mal. Me trouxe amigos que amo até hoje e que se não fosse por ela talvez não os teria conhecido, provei amor, carinho, encontrei apoio em momentos de fraquezas. Mas essa mesma igreja também me privou de muitos amigos que poderia ter tido, me privou de muitas experiências que eu poderia ter vivido e delas sinto uma falta que não pode ser preenchida tardiamente. Mas o pior mesmo e mais triste é que sinto que ela me privou de pensar, perdi anos sem pensar. Várias questões internas, pensamentos, já poderiam estar resolvidos e não estão. Deixei de ler tanta coisa, deixei de provar tanta coisa. Espero que dê tempo ainda de recuperar algumas coisas.