Rubem Alves,
autor que mora em meu coração. Com ele aprendi muita coisa. Muito do que levo
referente a educação e a religião, foi lendo os livros dele que aprendi. O tive
por muitos anos em um altar dentro de mim. Gostava tanto de ler seus livros,
suas crônicas, que tinha em minha mente a ilusão de que ele era mais que
humano. Achava que que ele teria uma “áurea mágica”. Achava que estrelinhas iriam
brilhar ao seu redor. Achava que ele era feito de outra substancia que não a
mesma que a minha. Tive a oportunidade de conhece-lo pessoalmente, e quando o
vi pensei “só isso?”. Parecia um velhinho comum, uma pessoa apenas. Não sei
explicar bem o porquê, mas a magia se quebrou. Ele foi meu primeiro autor
favorito, e ainda mora em meu coração e em minha estante.
Agora,
depois de anos de procura por um novo autor favorito, encontrei Charles Bukowski.
Estou feliz que ele já esteja morto e eu não poderei conhece-lo pessoalmente.
Partes do
livro “Por uma educação romântica” de
Rubem Alves
“...O que
permanece de um texto, não é o que está escrito, mas aquilo que ele faz pensar.
Eu jamais pediria que um aluno repetisse o que um autor escreveu num texto.
Jamais pediria que ele ‘interpretasse’ o autor. Pediria, ao contrário, que ele
escrevesse os pensamentos que ele pensou, provocado pelo que leu...”
“...A
educação se presta aos mais variados fins. Pessoas inteligentes, que vivem
pensando e tendo ideias diferentes, são perigosas. Ao contrário, a ordem político-social,
é mais bem servida por pessoas que pensam sempre os mesmos pensamentos, isto é,
pessoas emburrecidas. Porque ser burro é precisamente isso, pensar os mesmos pensamentos,
ainda que sejam pensamentos grandiosos”.
“Escolas que
são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros
engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, seu dono pode leva-los para
onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros.
Porque a essência dos pássaros é o voo.
Escolas que
são assas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não
podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser
ensinado. Só pode ser encorajado.
Violento, o
pássaro que luta contra os arames da gaiola. Ou violenta será a imóvel gaiola,
que o prende? Violentos, os adolescentes da periferia? Ou serão as gaiolas que
são violentas? As escolas serão gaiolas?”
“Nosso corpo
não se alimenta só de pão. Ele tem fome de beleza”.
“Não há nada
que tenha ocupado tanto meu pensamento quanto a educação. Não acredito que
exista coisa mais importante para a vida dos indivíduos e do país, que a
educação. A democracia só é possível se o povo for educado. Mas ser educado não
significa ter diploma superior. Significa ter a capacidade de pensar”.
“Crescido,
os jardins passaram a ter pra mim um sentido poético e espiritual. Percebi que
a bíblia sagrada é um livro construído em torno de um jardim. Deus se cansou da
imensidão do céu e sonhou... sonhou com um jardim... Se ele –ou ela- estivesse
feliz lá no céu, ele ou ela não teria se dado ao trabalho de plantar um jardim.
A gente só cria quando aquilo que se tem não corresponde ao sonho. Todo ato de
criação tem por objetivo realizar um sonho. E quando o sonho se realiza, vem a experiência
de alegria.”


