sábado, 4 de maio de 2013

Mais do livro Mulheres de Charles Bukowski




Terceira vez que posto trechos desse livro. Tenho certeza de que quando eu o ler de novo, acharei mais coisas interessantes pra postar.

“_ O Problema é com minha infância, viu. Nunca soube o que era amor...”

“Quando eu era jovem vivia deprimido. Mas, agora, o suicídio não era mais uma saída pra mim. É o que parecia. Na minha idade já não sobrava muito o que matar. Era bom envelhecer, a despeito do que os outros diziam. Era razoável que um homem tivesse de esperar até os cinquenta para poder escrever com alguma clareza. Quanto mais rios você atravessa, mais você aprende sobre eles – quer dizer, se você consegue sobreviver à água translúcida e as rochas ocultas. De vez em quando era um osso duro de roer, a vida.”

“Meu problema é que eu não conseguia sossegar a minha divindade caralhal, do jeito que eu fazia com minha divindade datilografal. Isso por que a oferta de mulheres era sazonal e você tinha de aproveitar e transar o maior número possível, antes que a divindade de algum aventureiro entrasse no meio. Acho que o fato de eu ter abandonado a escrita por dez anos foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Alguns críticos, imagino, diriam que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido aos leitores também. Dez anos de descanso pros dois lados. O que aconteceria se eu parasse de beber por dez anos?”

“... O sexo tinha sido legal, divertido. Não conseguia me lembrar de outra história tão civilizada. Nenhum de nós ficou fazendo exigências; mesmo assim, não faltou carinho nem sentimento. Não foi na base da carne morta se acoplando a carne morta. Eu detestava esse tipo de swing sexual característico de Los Angeles, Hollywood, Bel Air, Malibu, Laguna Beach. Estranhos no primeiro encontro, estranhos na despedida – um verdadeiro ginásio olímpico de corpos anônimos masturbando-se mutuamente. Gente sem moral normalmente se considera mais livre, mas a maioria carece da capacidade de sentir, de amar. Então, viram swingrs, num troca-troca incessante de parceiro. Morto fodendo morto. Nenhum senso de humor, nada de brincadeira no jogo deles – cadáver fodendo cadáver. As morais são restritivas, mas são fundadas na experiência humana através dos séculos. Certas morais servem para encarcerar as pessoas nas fábricas, igrejas e submetê-las ao Estado. Outras fazem sentido. É como um pomar repleto de frutos envenenados e bons frutos. O negócio é saber qual apanhar pra comer, qual evitar.”


“Um apresentador idiota de noticiário de tevê tinha acabado de me desejar “feliz ano-novo”. Detesto que estranhos me desejem feliz ano-novo. Como ele sabia quem eu sou? Eu poderia ser um monstro que acabara de pendurar uma criança de cinco anos pelas canelas e começava a cortar ela lentamente em fatias.”

“As relações humanas nunca funcionavam mesmo. Só as primeiras duas semanas é que tinham alguns tchans; a partir daí, os parceiros perdiam o interesse. Caiam as máscaras e as verdadeiras pessoas começavam a aflorar: maníacas, imbecis, dementes, vingativas, sádicas, assassinas. A sociedade moderna tinha criado seres a sua imagem e semelhança e eles se festejavam mutuamente num duelo com a morte, dentro de uma cloaca. Eu já tinha notado que a duração máxima de uma história entre duas pessoas era de dois anos e meio. O rei Mongut do Sião tinha nove mil esposas e concubinas; o rei Salomão, do Velho Testamento, tinha 700 esposas; Augusto, o Forte, da Saxônia, tinha 365 mulheres, uma para cada dia do ano. Segurança em números.”


“Umas três semanas se passaram. A manhã já ia alta, num sábado. Eu não tinha dormido com Lydia na noite anterior. Tomei um banho e uma cerveja, me vesti. Eu detestava fins de semana. Todo mundo nas ruas. Todo mundo jogando pingue pongue ou cortando grama ou polindo o carro ou indo ao supermercado ou à praia ou ao parque. Multidões em toda parte. Segunda-feira era o meu dia preferido. Todo mundo de volta ao trabalho e fora de vista. Decidi ir às corridas a despeito da multidão. Isso ia ajudar a matar o sábado. Comi um ovo cozido, tomei outra cerveja, sai e tranquei a porta.”

“Dee Dee sabia umas coisas da vida. Ela sabia que o que acontece pra um, acontece também pra maior parte da tribo. Nossas vidas não são tão diferentes, embora a gente goste de achar que são”.  

“A dor é estranha. Um gato matando um passarinho, um acidente de carro, um incêndio... A dor chega, BANG, e ai está ela, instalada em você. É real. Aos olhos dos outros, parece que você está de bobeira. Um idiota, de repente. Não há cura pra dor, a menos que você conheça alguém capaz de entender seus sentimentos e saiba como ajudar.”


“Depois do jantar, Lydia e eu fomos pro quarto e nos esticamos na cama. Lydia era vidrada em cravos e espinhas. Eu tinha uma pele horrível. Ela focou a lâmpada na minha cara e começou. Eu gostava daquilo. Me dava um formigamento e, às vezes tesão também. Bem íntimo. Vez em quando, entre duas espremidas, Lydia me dava um beijo. Ela sempre começava pela minha cara, passando em seguida às costas e ao peito.
                _ Você me ama?
                _ Amo.
                _ Opa! Olha só esse aqui!
                Era um cravo com uma longa cauda amarela.
                _ Simpático – eu disse.
                Ela estava espichada em cima de mim. Parou de espremer e me olhou.
                _ Inda vou te botar na cova, seu pangaré balofo!
                Caí na risada. Lydia me beijou.
                _ E eu vou te levar de volta pro hospício – disse pra ela.”

“O telefone tocou um monte de vezes. Sempre Lydia. Berrando coisas pra mim.
_ Vou sair pra DANÇAR! Eu é que não vou ficar enfurnada aqui enquanto você bebe.
_ Você fala como se beber fosse o mesmo que sair com outra mulher.
_ É pior
Desligou.
Continuei a beber.”


“Me sentia bem em não participar dessas coisas. Me alegrava não estar apaixonado e não estar de bem com o mundo. Gostava de me sentir estranho a tudo. As pessoas apaixonadas, em geral, se tornam impacientes, perigosas. Perdem o senso de perspectiva. Perdem o senso de humor. Ficam nervosas, tornam-se chatas, psicóticas. Podem virar assassinas.”


“Lydia foi me esperar no aeroporto. Tarada, como sempre
_ Nossa mãe – ela me disse -, que tesão! Andei me bolinando esses dias, mas não resolveu.
A gente seguia de carro pra minha casa.
_ Lydia, minha perna ainda está péssima. Não sei se vou dar conta, com a perna assim.
_ Quê?!
_ É verdade. Não sei se vai dar pra trepar com a perna nesse estado.
_ Pra que serve você, então?
_ Bom, eu posso fritar uns ovos, fazer mágicas...
_Engraçadinho. Eu tô perguntando pra que serve você?
_ A perna vai sarar. Se não eles cortam ela. Um pouco de paciência.
_ Se você não estivesse bêbado, não teria caído e cortado a perna. Sempre a garrafa!
_ Não é sempre a garrafa, Lydia. A gente trepa umas quatro vezes por semana. Pra minha idade é uma boa média.
_ Às vezes, eu acho que você nem gosta muito disso.
_ Lydia, sexo não é tudo na vida! Você é obcecada. Pelo amor de Deus, dá um tempo!
_ Um tempo? Até sua perna melhorar? Como é que eu vou me virar enquanto isso?
_ Eu jogo mexe-mexe com você.
Lydia deu um berro. O carro começou a balançar na rua.
_ SEU FILHO DA PUTA! EU TE MATO!”


“Nossos beijos foram ficando mais e mais envolvente. Ela não bebia tanto quanto eu. Fomos pra cama d’água, tiramos a roupa e começamos. Eu já tinha ouvido falar desse negócio de trepar em cama d’água. Diziam que era ótimo. Eu achei complicado. A água chacoalhava debaixo da gente. Enquanto eu bimbava, a água dançava de um lado para o outro. Em vez de trazê-la para mim, a cama parecia afastá-la de mim. Talvez me faltasse prática. Parti para a selvageria costumeira, agarrando seus cabelos, e golpeando-a lá embaixo como se fosse um estupro. Ela gostava, pelo menos é o que parecia. Dava gemidos de delícia. Fiquei brutalizando ela um pouco mais, daí, de repente, pareceu que ela gozou, com todos os sons apropriados. Isso me excitou, e eu gozei logo depois dela.”


“Bebemos um pouco mais e fomos pra cama. Ela tinha um corpo incrível, glorioso. Estilo Playboy. Só que eu estava desgraçadamente bêbado. Fiquei de pau duro, porém. Bombei, bombei, agarrando seus longos cabelos; tirei de dentro, esfreguei minhas mãos no bicho; estava excitado, mas não consegui acabar. Rolei pro lado, disse boa noite para Cassie e dormi um sono culpado.”
 
 "Quando voltei, encontrei Lydia sentada numa poltrona, de cara sombria. 
- Faz tempo que você saiu. Olha aí, ela arranhou sua cara!
- Juro que não aconteceu nada.
- Tire a camisa. Quero ver suas costas!
- Que merda, Lydia.
- Tire a camisa e a camiseta.
Tirei ambas. Ela ficou atrás de mim.
- O que é esse arranhão nas suas costas. 
- Que arranhão?
- Tem um comprido aqui... de unha de mulher.
- Só se foi você...
- Tá bom. Só tem um jeito de descobrir..
- Qual?
- Vamos pra cama.
- Legal!

Passei no teste. Depois fiquei pensando, como é que um homem pode testar a fidelidade de uma mulher? Não era justo..."

“– Você se preocupou com aquele cara, né? – ela perguntou.
– É.
– Por quê?
– Parecia uma trepada, quase; talvez melhor.
– Aquilo não queria dizer nada; era só dança.
– Imagine se eu agarrasse uma mulher na rua daquele jeito. Com música ficaria tudo bem?
– Você não tá entendendo. Cada vez que eu parava de dançar eu voltava e sentava do seu lado.
– Tá legal, tá legal – eu disse. – Espere um minuto.
Vomitei outro jorro em cima das plantas agonizantes de alguém. Descemos a colina, saindo do bairro de Echo Park, e caminhamos até o Hollywood Boulevard.
Entramos no carro. Dei a partida e a gente rodou Hollywood, pro oeste, em direção a Vermont.
– Sabe como é que se chama um cara que nem você? – perguntou Lydia.
– Não.
– Se chama – disse ela – desmancha-prazeres.”

"Decidi que eu ia viver ate os oitenta. Imagine só ter oitenta anos e trepar com uma garota de dezoito. Se tem algum jeito de roubar no jogo da morte, o jeito é esse."
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O dia D


Andorinhas não voam muito pra longe dentro do mar, quando os marinheiros  veem andorinhas, sabem que já está perto de chegar em terra firme. Me identifico com isso... quero ir mais longe nos meus pensamentos, na minha vida, mas sempre volto pra terra firme, tanto no quesito religioso quanto no que se relaciona aos meus sentimentos de amor (amor?) por minha família e pelo meu marido.Não tenho capacidade nem saúde pra ter uma alma livre como Bukowski. Quando minha andorinha começa a voar, não vai muito longe, volta sempre pra terra firme. É também o pássaro azul do Bukowski, pois me sinto exatamente assim:

Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
...
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Do livro Pedaços de um caderno manchado de vinho - Charles Bukowski



“De um modo geral, há uma tendência nos homens inteligentes de não acreditar naquilo que grande parte das massas acredita, e isso na maioria das vezes acaba por coloca-los numa linha de fogo – outras vezes acabam com os rabos queimados, especialmente na arena política, onde os vencedores determinam qual o lado certo.”

“Resistência às vezes é mais importante do que a verdade.”

“Estilo significa guerrear sem escudo.
Estilo significa não ter uma frente de batalha.
Estilo significa a mais absoluta naturalidade.
Estilo significa um homem sozinho com um bilhão de homens em volta.”

“O trabalho estava me matando. Durante dez anos eu havia suportado, indignando-me apenas com a rotina, com a monotonia do trabalho. Mas no décimo primeiro ano meu corpo começou a morrer. Decidi que preferia andar descalço e morar numa favela a morrer seguro. Um homem pode ter segurança numa cadeia ou num hospício. Aos cinquenta anos, tendo que pagar pensão alimentícia, pedi demissão.”

“Minha teoria é que se você é gentil consigo mesmo, será sincero e gentil com os outros, até certo ponto.”

“Certos tipos de gênios podem ser incrivelmente enfadonhos na maior parte do tempo, até que estejam prontos para mergulhar em sua arte. Os que são articulados e expressam opiniões interessantes são sempre os embusteiros.”

“Defendo de verdade nossa poesia, vivemos na Geração das Armas Atômicas, defendo de verdade nossa poesia e o direito de recitá-la, nosso direito de escrevê-la. Sem processos. Sem que a revista seja caçada pela polícia como ‘obscena’.”

“O principal problema é que hoje em dia não basta mais ser inocente para nossas cortes. É preciso dinheiro para combater os truques da injustiça e o estado mental de nossos juízes e membros do júri.” 

“Somos as borboletas de um verão desgraçado.”

“É sempre bom saber que você pode viver sem uma pessoa que julgava jamais ser capaz de viver sem.”

“Então se você é um bom poeta, sugiro que aprenda a ser também um bom amante, pois se trata de um ato criativo em si mesmo, ser um bom amante, então aprenda. Aprenda como fazer a coisa direito, porque se você for um bom poeta terá muitas oportunidades, e ainda que não seja o mesmo que ser uma estrela do rock as mulheres virão como consequência, então trate de não desperdiça-las como os roqueiros as desperdiçam com suas performances mecânicas e medíocres. Faça as mulheres perceberem que você está realmente ali. Assim, é claro, elas continuaram comprando seus livros.”

“A escrita chega quando quer. Não há nada que você possa fazer com relação a isso. Você não pode tirar mais escrita de um mortal do que ele tem pra dar. Qualquer tentativa nesse sentido deixa a alma em pânico, torna o verso difuso e dissonante.”

“Não creio que um poeta tenha mais direito a um delicioso corpo jovem do que um mecânico de oficina, se tanto. É isso que estraga o poeta: tratamento especial ou sua própria concepção de que é especial. É claro, eu sou especial, mas não creio que isso se aplique a muitos dos outros...”

 “Desde os 35 anos eu vinha escrevendo poemas e contos. Decidi morrer no meu próprio campo de batalha. Sentei-me em frente à minha máquina de escrever e disse, agora sou um escritor profissional. É claro que não foi assim tão fácil. Quando um homem trabalha num mesmo emprego durante muitos anos, não é dono do seu tempo. Quero dizer, mesmo com uma jornada de oito horas, o dia está tomado. Some o tempo que leva para ir e voltar do trabalho, mais o trabalho em si, mais comer, dormir, tomar banho, comprar roupas, carros, pneus, baterias, pagar os impostos, copular, receber visitas, ficar doente, sofrer acidentes, ter insônia, ter que se preocupar com a roupa suja e com assaltos e com as condições climáticas e todo o resto que não dá pra mencionar, não sobra TEMPO ALGUM para se gastar consigo mesmo. E, quando é preciso fazer hora extra, muitas vezes algumas dessas necessidades têm que ficar de fora, até mesmo dormir, e, mais comumente, copular. Que porra é essa? E tem semanas em que se trabalha cinco dias e meio, seis dias, e no domingo é esperado que você vá à igreja ou visite os parentes, ou os dois. O cara que disse “o homem comum vive uma vida de silencioso desespero” tinha um pouco de razão. Mas o trabalho também acalma os homens, dá a eles alguma coisa pra fazer. E impede a maioria deles de pensar. Homens – e mulheres – não gostam de pensar. Para eles o trabalho é uma dádiva. Dizem a eles o que fazer e como fazer e quando fazer. Noventa e oito por cento dos americanos acima de 21 anos estão trabalhando, mortos-vivos. Meu corpo e minha mente me disseram que dentro de três meses eu seria um deles. Eu me opus.”

“Depois de um casamento infeliz decidi, bem, que se dane, que podia mesmo ser um escritor, isso parecia ser a escolha mais fácil, você diz qualquer coisa que der na telha e eles dizem, ei, isso é bom, você é um gênio. Por que não ser um gênio? Existem tantos gênios medíocres. Então me tornei um gênio.”

“...deviam acreditar que todos que todos os meus contos eram histórias verdadeiras. Eles são apenas meia verdade. Invenção misturada com a verdade é igual a arte.”
“Estou do lado dos que querem um mundo melhor, para minha filha, para mim mesmo, para vocês, mas é preciso ter cuidado. Uma mudança no poder não significa cura. O poder não é uma cura. O grande esforço de suas mentes não deve ser como destruir um governo, mas sim como criar um governo melhor. Não sejam mais uma vez enganados e aprisionados. E se vocês vencerem, tenham cuidado com um governo que seja mais Autoritário e que acabe por deixá-los numa situação mais opressiva do que a anterior. Não sou exatamente um patriota, mas apesar de todas as enormes e fodidas injustiças ainda se pode expressar uma opinião e protestar e agir num amplo espectro social. Digam-me, poderia eu escrever um texto contra o governo depois que vocês assumirem? Poderia ficar nas ruas e parques e dizer a vocês o que penso? Espero que sim. Mas sejam cuidadosos se for para perdermos esse direito em nome da justiça. Peço que me apresentem o seu programa para que possa escolher entre o de vocês e o deles, entre a Revolução e o governo existente. Será que não me colocarão para cortar cana? Isto me deixaria bastante chateado. Por acaso construirão novas fábricas? Passei minha vida inteira fugindo de fábricas. Teriam meu escritos, minha música, minhas pinturas que levar em conta o bem estar do estado? Deixariam que eu ficasse largado em parques e cubículos bebendo vinho, sonhando, me sentindo nem e tranquilo? Deixe-me saber o que têm reservado pra mim antes que eu saia por ai queimando bancos. Preciso de mais do que colares hippies, uma barba, um turbante indiano, maconha legalizada. Qual é o seu programa? Estou cansado de todos os mortos. Não vamos desperdiça-los mais uma vez. Se é para enfrentar a baioneta das tropas estaduais, digam-me o que vou ganhar para isso.”

“...tive sorte, arrumei um lugar legal na Kingsley Drive, uma máquina de escrever e conseguia chegar em casa todas as noites, só que em vez de jantar eu tomava dois ou mais fardos de seis cervejas. Logo me descobri escrevendo algo muito estranho: poesia.”

“Os melhores nem sempre são reconhecidos, seja na literatura, na música, na pintura, nas atuações, na política ou onde quer que seja.”

“Era obvio: o que acontecia com as pessoas, com as pessoas boas, com as pessoas más, até mesmo com as pessoas terríveis não parecia justo. Mas “justo” não passava de uma palavra no dicionário. Seguimos entre as máquinas de metal de uma vida aprisionadora em um mundo aprisionador.”

“_ Compramos essa casa anos atrás, quando John começou a trabalhar em Hollywood. Foi barato naquela época. Os anos se passaram, e quando olhamos em volta estávamos cercados por milionários.
_ Não há mal nisso – eu disse-  O problema é quando se herda dinheiro, pois enfraquece o caráter já que você nunca é exigido.”

“Recebi algumas propostas para leituras de poesia e aceitei. Não gosto de ler poesias. Era um sacrifício terrível, mas eu precisava sobreviver e essa era uma maneira rápida de pagar pela sobrevivência, mais ou menos como roubar uma loja de conveniência. Sentia que o público não estava interessado em poesia; estava interessado em personalidade. Que aparência tinha o poeta? Como falava? O que acontecia depois da leitura? Ele se parece com seus poemas? O que você achou dele? Como você acha que ele é na cama?”

“... mas há 50 mil homens nesse pais que dormem de barriga para baixo por medo de terem suas partes intimas decepadas por mulheres de olhos e facas afiadas.”

“Quando um estilo está estabelecido ele é visto como uma coisa simples. Mas um estilo não se desenvolve apenas através da técnica, desenvolve-se através da sensibilidade.”

“Se tem uma coisa que eu não suporto é a felicidade de um idiota, uma felicidade infundada.”

“É sempre bom saber que você pode viver sem uma pessoa que julgava jamais ser capaz de viver sem.”

“Elbert era praticamente retardado, mas Nina me disse que ele ‘fodia que era uma beleza’.”

“Odiamos tanto uns aos outros que isso nos dá alguma ocupação.”

“Era difícil engolir a indiferença. Eu os tinha julgado pessoas baixas, mas jamais tão baixas quanto se revelaram.”

“A melhor regra para cada situação é fazer aquilo que você quer fazer.”

“...J. K. Larkin que viria a ser meu futuro editor, me ofereceu uma quantia fixa pelo resto da vida, escrevesse ou não, para largar o correio. Aceitei e livrei meu rabo de lá...”

“É quando você esconde as coisas que acaba sendo sufocado por elas.”

“Tendo passado grande parte da minha vida como um simples trabalhador, o melhor estudo que pude fazer foi de mim mesmo.”

“A solidão era meu ás de espadas. Precisava dela para engrandecer minha realidade. Eu valorizava de verdade o ócio, era viciante. Estar sozinho comigo era o santuário.”