quinta-feira, 22 de agosto de 2013

In Textos Autobiográficos - Bukowski





“Harry olhou para os motoristas dos carros. Pareciam infelizes. O mundo parecia infeliz. As pessoas estavam no escuro. As pessoas estavam apavoradas e decepcionadas. As pessoas estavam presas em armadilhas. As pessoas estavam na defensiva, nervosas. Sentiam que suas vidas estavam sendo desperdiçadas. E elas estavam certas.

Harry seguiu seu caminho, parou no semáforo. E, naquele momento, teve um sentimento muito estranho. Teve a impressão de que era a única pessoa viva no mundo.”

Charles Bukowski – Textos autobiográficos

Onde Deus possa me ouvir - Vander Lee


Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém.
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber
Meu amor...
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor...
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui pode sair.
Adeus...

domingo, 18 de agosto de 2013

Adélia Prado

"Escreve-se para dizer sou mais que meu pobre corpo."


Partes - Manuscritos de Felipa - Adélia Prado



 Eu sei que pessoas normais e cultas fazem resumos e resenhas de seus livros favoritos. Eu prefiro assim, ir lendo, grafando as partes com que me identifico ou gosto e depois então digita-las para posta-las aqui ou não. Acho que assim quando alguém quiser saber de tal livro, vai procurar por ele na internet, vai achar algumas citações aqui no meu blog e ai decide se quer ler ou não o tal livro. Acho mais justo e fiel assim.
Sempre leio sobre a Adélia nos textos do Rubem Alves quando ele faz menção as suas poesias ou textos. Nunca tinha lido um livro inteira dela. Estou quase acabando este e gostando bastante. Talvez eu até gostaria mais ainda há uns dois ou três anos atrás, pois ela sempre faz referências religiosas e hoje já não ando mais tão religiosa assim...  Mas achei uma leitura bem envolvente e gostosa, com crises bem humanas de alguém que as vive e as enxerga sem fugir delas. Uma leitura bem gostosa pra um domingo frio e chuvoso como hoje.
Comprei essa belezura na estante virtual por apenas cinco reais :) .



“Só na escola achei isso bonito, autores tuberculosos, aleijados, irados, intratáveis. Grande bobagem! Somos todos insuportáveis por causa do medo.”

“Quero a verdade, mas não muito, não toda, por partes, se puder, em pequenos torrões. Com chá, por causa do medo que voltou, o deus terrível que me quer escrava e a quem temo deixar, como medo de morrer afogada pelo excesso de ar, viciada que estou em pequeninos gritos, suspiros abafados, lágrimas prestes a cair.”

“Minha viagem é em minha própria casa, grande demais para o meu gosto. Quero um quarto, preciso de um cômodo só, quero uma cela, estou entrópica.”

“Queres levar a minha alma? Não levaras. Estou em meio a uma tentação, reconheço-a porque não tive coragem de escrever o que pensei. Sou um soldado ferido, carregando companheiro morto as costas. Peço ao meu general que me deixe por um momento descansar à sombra.”

“Preciso descobrir se é errado falar palavrões. É tão bom! Se for certo, nas horas de necessidade, é claro, posso dispensar o travesseiro que já está furado de tanto eu dar murro nele.”

“O fato de ser segunda-feira ajuda muito. A roda gigante recomeça, o parque se movimenta, carrocinha de pipoca, churrasquinho, bilheteira que só pensa em sexo, enfim, a delícia da vida em porções fartas e batatas para todo mundo.”

“É muito difícil dar o mais bonito.”

“Palavra é sentido.”

“Beleza interior, consolo dado a mulheres feias e bondosas.”

“Vou aproveitar que estou sozinha, fechar a porta do quarto e num volume maior que o habitual vou dançar Menina veneno até a roupa me grudar no corpo. É melhor que ficar dizendo graças a Deus, graças a Deus, com escrúpulos de não estar bastante agradecida. O demônio adora me pegar por esta fraqueza, me fazer cismar que não estou bastante agradecida. Mas eu estou, seu filho de uma égua – ao demônio se pode xingar, não é? – porque eu continuo querendo xingar.”

“Não pago mais tributo a tristeza herdada de minha mãe.”

“... e eu sem coragem de bater um bolo se quer, de tão cansada, um cansaço que só parece aliviar-se num choro de horas sem interrupção.”

“Isto me resume, cansaço. Estou cansado de excessos, parece. Odiar excessos me faz cometê-los em série.”

“Um rabino ficou furioso e fez um discurso sobre o genocídio do grande povo judeu. Já começo a achar esses discursos antinazistas parecidos com os discursos do PT em favor dos oprimidos, os oradores não parecem mais crer no que falam. Sou nazista, sou opressor, sou oprimido também. Confesso e alguém acredita?”

“Alba ainda acredita que há pessoas santinhas. Santinho é o demônio em férias.”

“Vida, o que és? Cadeia de alto luxo com só uma porta sem trincos.”

“Concede-me chorar, Deus de Ana e meu. Não estou mais nostálgica.”

“... tenho sempre a ideia de que engano as pessoas que me julgam letrada. Pois sim, ou pois não, que na mesma confusão. Não disse? Pego as palavras no palpite, nunca deu errado, porque só falo o que dói e grito todo mundo entende.”

“No céu te conversa? Eu preciso falar, é minha necessidade mais primeira, porque amo silêncios e o mistério, que me derrota e me salva.”


“Livrai-nos do mal e a mim desta mania de economizar onde não devo.”

“Gemidos de amor dizemos e não erramos, dói o amor em quem ama.”

“Só um coração de pedra não ama recém-nascidos.”

“Tudo me é oferecido menos isto, entender.”

“Tristão de Ataíde era ‘escritor católico’, deve ser ruim ter um rotulo assim, escritor católico, artista operário, cantor cego, porta bancário. Artista é artista e pronto, católico, cego ou bancário vale tanto para arte como ter dente encavalado, lábio leporino, ou ser bonito de doer. Artista tem que ser artista, tem que fazer coisas que as pessoas vejam e digam: Meu deus, como que eu não vi isto! E é só.”

“É porque eu gosto ao mesmo tempo de tudo, e tudo na mesma hora me dá enfado, saudade e vontade de chorar. Tenho dificuldade em ser histórica.”

“Isto eu não aguento, ser obedecida pelo homem a quem preciso e quero obedecer. Teodoro ainda não entendeu que tenho necessidade do veneno e do travo dele.”

sábado, 10 de agosto de 2013

Partes do livro Hollywood - Charles Bukowski



“Mas estava tudo bem porque eu me sentia superior a eles. Era assim que funcionava.”

“Ambição em excesso pode criar erros, por que as apostas muito pesadas afetam os processos de pensamento.”

“Voltei de carro com a multidão trabalhadora. Que bando formavam. Putos da vida, maus e quebrados. Com pressa de chegar em casa pra trepar, se possível, pra ver Tv, pra ir dormir cedo afim de fazer novamente a mesma coisa no dia seguinte.”

“Todos os resultados tem um padrão. Se a gente o descobre, está com tudo.”

“De repente me pareceu idiotice alguém querer saber o que eu pensava. A melhor parte de um escritor está no papel. A outra é geralmente bobagem.”

“-Você está bêbado nesse filme?
- Estou.
- Acha que beber é coragem?
- Não, mas também nada mais é.”

“A pior coisa do mundo é ficar sóbrio no meio de um bando de bêbados idiotas.”

“Os maiores idiotas iam ao cinema e às corridas. Eu era um idiota que ia às corridas.”

“Uma vez que se foi pobre por longo tempo, adquire-se um certo respeito pelo dinheiro.”

“Agora, décadas depois, eu era um escritor que tinha uma mesa. Sim, senti o temor, o temor de me tornar igual a eles.”

“Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar o meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo.”

“Numa sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é preciso haver mais perdedores que vencedores. Que pensava eu? Sabia que a política jamais resolveria isso...”

“Não deixem ninguém convencê-los de outra coisa. A vida começa aos 65.”

“Mas não achava sensato julgar uma pessoa pela aparência externa daquele jeito. Eu preferia muito mais julgar uma pessoa pelo jeito de ela agir e falar.”

“de algum modo contar histórias repetidas vezes parece tornar elas mais reais do que devem ter sido.”

“Jon-Luc começou a falar. Falava sem parar, olhando só pra mim. A princípio me senti lisonjeado, mas depois de algum tempo nem tanto assim.”