sábado, 24 de agosto de 2013
Meu Jardim - Vander Lee
Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
In Textos Autobiográficos - Bukowski
“Harry olhou para os motoristas dos
carros. Pareciam infelizes. O mundo parecia infeliz. As pessoas estavam no
escuro. As pessoas estavam apavoradas e decepcionadas. As pessoas estavam
presas em armadilhas. As pessoas estavam na defensiva, nervosas. Sentiam que
suas vidas estavam sendo desperdiçadas. E elas estavam certas.
Harry seguiu seu caminho, parou no semáforo.
E, naquele momento, teve um sentimento muito estranho. Teve a impressão de que
era a única pessoa viva no mundo.”
Charles Bukowski – Textos autobiográficos
Onde Deus possa me ouvir - Vander Lee
Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano
Mas a vida anda louca
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém.
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem
Se empurram pro abismo
Se debatem, se combatem sem saber
Meu amor...
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor...
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui pode sair.
Adeus...
domingo, 18 de agosto de 2013
Partes - Manuscritos de Felipa - Adélia Prado
Eu sei que pessoas normais e cultas fazem resumos e resenhas de seus livros favoritos. Eu prefiro assim, ir lendo, grafando as partes com que me identifico ou gosto e depois então digita-las para posta-las aqui ou não. Acho que assim quando alguém quiser saber de tal livro, vai procurar por ele na internet, vai achar algumas citações aqui no meu blog e ai decide se quer ler ou não o tal livro. Acho mais justo e fiel assim.
Sempre leio sobre a Adélia nos textos do Rubem Alves quando ele faz menção as suas poesias ou textos. Nunca tinha lido um livro inteira dela. Estou quase acabando este e gostando bastante. Talvez eu até gostaria mais ainda há uns dois ou três anos atrás, pois ela sempre faz referências religiosas e hoje já não ando mais tão religiosa assim... Mas achei uma leitura bem envolvente e gostosa, com crises bem humanas de alguém que as vive e as enxerga sem fugir delas. Uma leitura bem gostosa pra um domingo frio e chuvoso como hoje.
Comprei essa belezura na estante virtual por apenas cinco reais :) .
Comprei essa belezura na estante virtual por apenas cinco reais :) .
“Só na escola achei isso bonito,
autores tuberculosos, aleijados, irados, intratáveis. Grande bobagem! Somos todos
insuportáveis por causa do medo.”
“Quero a verdade, mas não muito, não
toda, por partes, se puder, em pequenos torrões. Com chá, por causa do medo que
voltou, o deus terrível que me quer escrava e a quem temo deixar, como medo de
morrer afogada pelo excesso de ar, viciada que estou em pequeninos gritos,
suspiros abafados, lágrimas prestes a cair.”
“Minha viagem é em minha própria casa,
grande demais para o meu gosto. Quero um quarto, preciso de um cômodo só, quero
uma cela, estou entrópica.”
“Queres levar a minha alma? Não levaras.
Estou em meio a uma tentação, reconheço-a porque não tive coragem de escrever o
que pensei. Sou um soldado ferido, carregando companheiro morto as costas. Peço
ao meu general que me deixe por um momento descansar à sombra.”
“Preciso descobrir se é errado falar
palavrões. É tão bom! Se for certo, nas horas de necessidade, é claro, posso
dispensar o travesseiro que já está furado de tanto eu dar murro nele.”
“O fato de ser segunda-feira ajuda
muito. A roda gigante recomeça, o parque se movimenta, carrocinha de pipoca,
churrasquinho, bilheteira que só pensa em sexo, enfim, a delícia da vida em
porções fartas e batatas para todo mundo.”
“É muito difícil dar o mais bonito.”
“Palavra é sentido.”
“Beleza interior, consolo dado a
mulheres feias e bondosas.”
“Vou aproveitar que estou sozinha,
fechar a porta do quarto e num volume maior que o habitual vou dançar Menina veneno até a roupa me grudar no
corpo. É melhor que ficar dizendo graças a Deus, graças a Deus, com escrúpulos de
não estar bastante agradecida. O demônio adora me pegar por esta fraqueza, me
fazer cismar que não estou bastante agradecida. Mas eu estou, seu filho de uma
égua – ao demônio se pode xingar, não é? – porque eu continuo querendo xingar.”
“Não pago mais tributo a tristeza
herdada de minha mãe.”
“... e eu sem coragem de bater um
bolo se quer, de tão cansada, um cansaço que só parece aliviar-se num choro de
horas sem interrupção.”
“Isto me resume, cansaço. Estou cansado
de excessos, parece. Odiar excessos me faz cometê-los em série.”
“Um rabino ficou furioso e fez um
discurso sobre o genocídio do grande povo judeu. Já começo a achar esses
discursos antinazistas parecidos com os discursos do PT em favor dos oprimidos,
os oradores não parecem mais crer no que falam. Sou nazista, sou opressor, sou
oprimido também. Confesso e alguém acredita?”
“Alba ainda acredita que há pessoas
santinhas. Santinho é o demônio em férias.”
“Vida, o que és? Cadeia de alto luxo
com só uma porta sem trincos.”
“Concede-me chorar, Deus de Ana e
meu. Não estou mais nostálgica.”
“... tenho sempre a ideia de que
engano as pessoas que me julgam letrada. Pois sim, ou pois não, que na mesma
confusão. Não disse? Pego as palavras no palpite, nunca deu errado, porque só
falo o que dói e grito todo mundo entende.”
“No céu te conversa? Eu preciso
falar, é minha necessidade mais primeira, porque amo silêncios e o mistério,
que me derrota e me salva.”
“Livrai-nos do mal e a mim desta
mania de economizar onde não devo.”
“Gemidos de amor dizemos e não
erramos, dói o amor em quem ama.”
“Só um coração de pedra não ama recém-nascidos.”
“Tudo me é oferecido menos isto,
entender.”
“Tristão de Ataíde era ‘escritor católico’,
deve ser ruim ter um rotulo assim, escritor católico, artista operário, cantor
cego, porta bancário. Artista é artista e pronto, católico, cego ou bancário vale
tanto para arte como ter dente encavalado, lábio leporino, ou ser bonito de
doer. Artista tem que ser artista, tem que fazer coisas que as pessoas vejam e
digam: Meu deus, como que eu não vi isto! E é só.”
“É porque eu gosto ao mesmo tempo de
tudo, e tudo na mesma hora me dá enfado, saudade e vontade de chorar. Tenho dificuldade
em ser histórica.”
“Isto eu não aguento, ser obedecida
pelo homem a quem preciso e quero obedecer. Teodoro ainda não entendeu que
tenho necessidade do veneno e do travo dele.”
sábado, 10 de agosto de 2013
Partes do livro Hollywood - Charles Bukowski
“Mas estava
tudo bem porque eu me sentia superior a eles. Era assim que funcionava.”
“Ambição em excesso
pode criar erros, por que as apostas muito pesadas afetam os processos de
pensamento.”
“Voltei de
carro com a multidão trabalhadora. Que bando formavam. Putos da vida, maus e
quebrados. Com pressa de chegar em casa pra trepar, se possível, pra ver Tv,
pra ir dormir cedo afim de fazer novamente a mesma coisa no dia seguinte.”
“Todos os
resultados tem um padrão. Se a gente o descobre, está com tudo.”
“De repente
me pareceu idiotice alguém querer saber o que eu pensava. A melhor parte de um
escritor está no papel. A outra é geralmente bobagem.”
“-Você está bêbado
nesse filme?
- Estou.
- Acha que
beber é coragem?
- Não, mas também
nada mais é.”
“A pior
coisa do mundo é ficar sóbrio no meio de um bando de bêbados idiotas.”
“Os maiores
idiotas iam ao cinema e às corridas. Eu era um idiota que ia às corridas.”
“Uma vez que
se foi pobre por longo tempo, adquire-se um certo respeito pelo dinheiro.”
“Agora, décadas
depois, eu era um escritor que tinha uma mesa. Sim, senti o temor, o temor de
me tornar igual a eles.”
“Basicamente,
era por isso que eu escrevia: para salvar o meu rabo, salvar meu rabo do asilo
de doidos, das ruas, de mim mesmo.”
“Numa
sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é
preciso haver mais perdedores que vencedores. Que pensava eu? Sabia que a política
jamais resolveria isso...”
“Não deixem ninguém
convencê-los de outra coisa. A vida começa aos 65.”
“Mas não
achava sensato julgar uma pessoa pela aparência externa daquele jeito. Eu preferia
muito mais julgar uma pessoa pelo jeito de ela agir e falar.”
“de algum
modo contar histórias repetidas vezes parece tornar elas mais reais do que
devem ter sido.”
“Jon-Luc
começou a falar. Falava sem parar, olhando só pra mim. A princípio me senti lisonjeado,
mas depois de algum tempo nem tanto assim.”
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