“Olhei através do vidro. A enfermeira apontou para a minha filha. Seu rosto estava bem vermelho e ela chorava mais alto que todos os outros bebês. A sala estava cheia de bebês, todos aos berros. Quantos nascimentos! A enfermeira parecia muito orgulhosa de meu bebê. Ao menos, esperava que aquela criança fosse a minha. Ela a ergueu de modo que eu pudesse vê-la melhor. Sorri através do vidro, não sabia como agir. Ela apenas berrou para mim. Pobrezinha, eu pensei, pobre criatura. Eu não sabia então que ela seria linda um dia, que se pareceria muito comigo, hahaha.
Gesticulei para a enfermeira que baixasse o bebê, então dei
um tchauzinho para as duas. Era uma enfermeira bacana. Boas pernas, boas
cadeiras. Seios fartos.”
Marina
majestosa, mágica
infinita
minha garotinha é o
sol
sobre o tapete –
porta afora
apanhando uma
flor, rá!,
um velho,
cansado de guerra
emerge de sua
cadeira
e ela me olha
mas vê apenas
amor
rá!, e eu me torno
rápido com o mundo
e amo de imediato
assim como eu havia sido criado
para fazer.


