quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O BarbAzul, por Rubem Alves

Vivia num país, não me recordo se próximo ou distante, um homem que todos conheciam pelo apelido Barbazul. Era um homem de rara beleza. Do seu rosto o que mais impressionava eram os olhos, de um azul profundo, dos quais saía uma luz azul que envolvia sua barba numa aura azulada, razão do seu apelido.
Barbazul era um homem rico. Vivia num castelo. Numa das extremidades do seu castelo havia uma torre de sete patamares, trancados a sete chaves. Era uma torre misteriosa, interditada ao público, e sobre o que havia nela circulavam as estórias mais escabrosas.
Barbazul era um homem solitário. Nunca se casara. Tão bonito, tão rico: por que nunca se casara? – era a pergunta que todos faziam.
Muitas eram as mulheres, lindas mulheres, que por ele se apaixonavam. E Barbazul não se esquivava. Aceitava as sugestões contidas nos sorrisos… A princípio era um simples namorico, os dois passeando pelos bosques… Mas sempre chegava o momento quando a jovem lhe dizia:
“Gostaria de me casar com você...”
“Casamento é coisa muito séria“, dizia Barbazul. “Só devem se casar pessoas que se conhecem profundamente. E só existe uma forma de as pessoas se conhecerem: é preciso que vivam juntas. Você viveria comigo, no meu castelo, mesmo sem nos casarmos? Eu no meu quarto, você no seu… Até nos conhecermos?”
E assim acontecia. A jovem ia viver com Barbazul no seu castelo, cada um no seu quarto. Comiam juntos, passeavam, conversavam… Barbazul era um homem extremamente fino e delicado. Mas sempre acontecia a mesma coisa: depois de um mês assim vivendo Barbazul se dirigia à jovem e lhe dizia: “Vou fazer uma viagem de sete dias. Nesses dias você tem permissão para visitar a ‘Torre dos Sete Patamares‘. Aqui estão as sete chaves… Durante a sua visita você deverá segurar a chave do patamar que você estará visitando na sua mão esquerda, fechada com bastante força. Isso é muito importante. Porque as chaves têm propriedades mágicas…“
Com essas palavras ele partia e a jovem ficava só, com as sete chaves na mão, e a Torre dos Sete Patamares a ser visitada…
Transcorridos sete dias Barbazul regressava e após o abraço do reencontro perguntava:
“Visitou a Torre dos Sete Patamares?“
“Sim. Visitei todos os patamares…”, a jovem respondia alegremente.
“Você gostou?“
“Eu os achei maravilhosos!“
Barbazul insitia:
“Todos eles?”
“Sim, todos eles…”
“Então“, concluía com um sorriso, “é hora de você me devolver as sete chaves, aquelas que você apertou na mão esquerda, o lado do coração. Como eu lhe disse, elas são mágicas… Elas vão me contar o que você sentiu…
Assentava-se então numa poltrona, fechava os olhos, e segurava as chaves na sua mão esquerda, uma de cada vez. A magia das chaves estava nisso: elas o faziam sentir, ao segurá-las, o mesmo que a jovem havia sentido, na sua visita aos sete patamares da torre.
Só de olhar para o seu rosto era possível perceber os sentimentos guardados na chave que segurava. Eram sentimentos os mais variados, todos os que existem no leque que vai da alegria até a tristeza. As jovens sempre se emocionavam ao visitar os patamares da torre… Com uma exceção. Ao segurar a sétima chave o sorriso de Barbazul desaparecia e, no seu lugar, aparecia enfado e tédio. Era isso que a jovem havia sentido no sétimo patamar: enfado e tédio.
“Não“, dizia ele à jovem. “Não poderemos nos casar. Comigo você será para sempre infeliz. O que há de mais fundo em mim, para você é tédio e enfado.“
E sem outras explicações levava a jovem à casa de seus pais, não sem antes enchê-la com os presentes que trouxera da viagem.
E era sempre assim.
Foi então que aconteceu…
Era o entardecer, o sol se pondo no horizonte. O mar estava maravilhosamente azul. Barbazul caminhava na praia, como sempre fazia, pés descalços… Viu, ao longe, uma jovem que caminhava sozinha, molhando os seus pés na espuma do mar. Era uma cena linda, digna de uma tela de Monet: uma jovem sozinha, vestes brancas na areia branca, contra o azul do céu e o azul do mar… Ela caminhava na sua direção, distraída. Mas parecia não vê-lo, tão absorta se encontrava. Ela se assustou quando o viu…
“Eu a assustei?”, ele perguntou.
“Eu estava distraída“, ela disse, se desculpando.
“Qual é o seu nome?“
“O meu nome? Stella Maris…”
“Chamam-me de Barbazul, por causa da cor da minha barba…“
         Eles riram.
Ela não era bonita. Mas a cena era bonita, bonitos eram seus olhos, bonita era a sua voz…
Barbazul ouviu músicas no seu coração. E foi assim que caminharam juntos de pés descalços ao sol poente, caminhadas que vieram a se repetir a cada novo dia.
Até que, numa dessas caminhadas, Barbazul falou o que nunca falara.
“Você não quer morar comigo no meu castelo?“
“Você está pedindo que eu me case com você?“, ela perguntou.
“Não. Estou pedindo que você venha morar comigo. Depois de morar comigo, quem sabe, descobriremos que as nossas solidões poderão caminhar juntas pela vida…“
E assim, ela foi morar no castelo do Barbazul. E aconteceu exatamente como acontecia com todas as outras: passado um tempo Barbazul anunciou uma viagem de sete dias e lhe deu as sete chaves com a mesma recomendação. E partiu…
No primeiro dia Stella Maris tomou a primeira chave, abriu a porta do primeiro patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um enorme salão de festas cheio de gente. A orquestra tocava valsas alegres e as pessoas dançavam e riam. Parecia que todos estavam leves e felizes. Stella Maris dançou também e se sentiu leve e feliz.
No segundo dia Stella Maris tomou a segunda chave, abriu a porta do segundo patamar e segurou firmemente a chave na sua mão. Era um salão de banquetes onde se serviam as mais deliciosas comidas e se bebiam os vinhos mais caros. Muitos eram os comensais, mas não tantos quantos havia no salão de festas. Stella Maris juntou-se a eles, assentou-se, comeu, bebeu e se alegrou.
No terceiro dia Stella Maris tomou a terceira chave, abriu a porta do terceiro patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um parque cheio de crianças que brincavam dos mais variados brinquedos: balanços, gangorras, pipas, piões, cabo-de-guerra, pau de sebo, perna de pau, pula-corda, amarelinha, bolinhas de gude, bonecas, casinha, cabra-cega, escorregador, sela… Todas riam. Todas estavam felizes. Stella Maris se sentiu como criança e se juntou com elas, a brincar.
No quarto dia Stella Maris tomou a quarta chave, abriu a porta do quarto patamar e segurou a chave firmemente em sua mão. Era uma biblioteca com prateleiras cheias de livros. Havia livros de todos os tipos: livros de ciência, de história, de literatura, de poesia, de filosofia, de humor, de mistério, de crime, de ficção científica, de arte, de culinária, de sexo, de religião… Os rostos daqueles que, assentados às mesas, liam livros em silêncio, revelavam emoções que os livros continham: concentração, excitação, curiosidade, alegria, tristeza, riso… Stella Maris escolheu um livro de arte, pinturas de Monet. Vendo as ninféias de Monet ela se sentiu leve e diáfana e desejou ver uma ninféia num lago…
No quinto dia Stella Maris tomou a quinta chave, abriu a porta do quinto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma catedral gótica. A luz do sol se filtrava através dos vitrais coloridos e no silêncio do espaço vazio se ouvia o Requiem, de Fauré. E não eram muitas as pessoas que lá estavam. Havia rostos de súplica, rostos de sofrimento, rostos de paz. Stella Maris foi envolvida pelo silêncio, pelas cores dos vitrais, pela música… E a sua alma orou, chorou, agradeceu e sentiu paz.
No sexto dia Stella Maris tomou a sexta chave, abriu a porta do sexto patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era um jardim japonês. Ouvia-se o barulho da água que caía na fonte onde nadavam carpas coloridas em meio às ninféias. As cerejeiras estavam floridas. Um velho hai-kai repentinamente floresceu: “Cerejeiras ao anoitecer – Hoje também já é outrora…“ (Issa). Poucas, muito poucas eram as pessoas que andavam pelo jardim. Stella Maris se assentou sob uma cerejeira florida e o seu pensamento parou. Não era necessário pensar. A beleza era tanta que ocupava todo o lugar onde moram os pensamentos. Experimentou o paraíso…
No sétimo dia Stella Maris tomou a sétima chave, abriu a porta do sétimo patamar e segurou a chave firmemente na sua mão. Era uma ampla sala vazia, na penumbra. Ninguém, somente ela. O silêncio era absoluto. A solidão era absoluta. Dois móveis apenas, duas cadeiras. A que se encontrava no centro da sala era iluminada pela luz das velas de um candelabro que pendia do teto. Stella Maris assentou-se na cadeira que estava num canto, nas sombras.
Foi então que um homem entrou por uma porta nos fundos. Vinha abraçado com um violoncelo. Sem dizer uma única palavra ele se assentou, arrumou o violoncelo entre as pernas, tomou o arco, concentrou-se e pôs-se a tocar. A melodia, em meio ao silêncio absoluto, sem nenhum ruído ou fala que a profanasse, era de tal pureza e pungência que lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Stella Maris.
Sentiu que o seu corpo estava possuído pela beleza. Era como se ele, o seu corpo, fosse o instrumento de onde saía a música. Sim, ela já a ouvira: a Suíte n. 1, em sol maior para violoncelo, de Bach. Terminada a execução, o artista se levantou e se retirou sem nada dizer. Stella Maris permaneceu assentada, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre…
* * *
“Então“, disse Barbazul sorridente, “visitou a Torre dos Sete Patamares?“
“Visitei“, respondeu Stella Maris, entregando-lhe as chaves. Barbazul pediu para ficar sozinho e reclinando com os olhos fechados foi apertando as chaves, sucessivamente, com a mão esquerda, a mão do coração. No seu rosto se estampavam as emoções que Stella Maris havia tido em cada um dos patamares: leveza, alegria, riso, beleza, tristeza – até chegar ao último patamar, aquele que, ao segurar a sua chave, sentira o tédio e o enfado que as outras mulheres haviam sentido. O que é que Stella Maris teria sentido?
E, de repente, sentiu lágrimas rolando pelo seu rosto, as mesmas lágrimas que haviam rolado pelo rosto de Stella Maris. Era como se o seu corpo estivesse possuído pela beleza e fosse o instrumento do qual a música saía…
Barbazul sorriu. Permaneceu assentado, em silêncio; não queria que aquele momento terminasse. Queria que ele se prolongasse, para sempre…
                                                      * * *
“Stella Maris, você quer se casar comigo“, ele perguntou.
“Casar? Mas eu pensei que…“
“Sim, casar. Você compreendeu o que é a Torre dos Sete Patamares? É a minha alma. Cada patamar é um pedaço de mim. Lá se encontram os prazeres e alegrias humanos. Homens, mulheres e crianças se reúnem para compartilhar esses prazeres e alegrias. Mas, ao final da torre, há um lugar de solidão absoluta onde só entra uma pessoa de cada vez, eu permitindo. Aquele lugar é o fundo do meu coração. Quem não amar aquele lugar jamais me amará. Poderá até ser um companheiro de danças, de jantares, de discussões literárias, de brinquedos… Muitos podem ser bons companheiros. Mas, para me amar, é preciso amar a minha solidão. E aquela música é a forma sonora da minha solidão. Você a achou bela. Você permitiu que ela possuísse o seu corpo. E, por isso, eu a amo… Nossas solidões são amigas… Você quer se casar comigo?“
- Estórias são parábolas. Não podem ser tomadas literalmente. Eu usei uma figura masculina como figura central – o Barbazul – porque estou reescrevendo e transformando a velhíssima estória do Barba Azul, cheia de violências e assassinatos. Mas seria possível escrever uma estória com a mesma trama tendo uma mulher como a figura central.
- “O primeiro homem é o primeiro visionário de espíritos. A ele tudo aparece como espírito. O que são as crianças, senão primeiros homens? O fresco olhar da criança é mais transcendente que o pressentimento do mais resolutos dos visionários.“ (Novalis, Pólen, 163).
- “Eu acreditava em sacis. Até que um dia um deles mentiu para mim…“
“Todo mineiro é caboclo. Caso contrário é louco.“
“Sou mineiro, tenho brio. Não confirmo nem desminto. Desconfio”.
(Gildes Bezerra)
Rubem Alves

terça-feira, 5 de novembro de 2013

3- Trilogia suja de Havana - Pedro Juan Gutierrez







“Definitivamente, os psicólogos são sempre de classe média. Mas a classe média nunca se dá conta de nada. Por isso está sempre apavorada e quer saber o que vai bem e o que vai mal e como se pode corrigir isso e aquilo. Tudo lhe parece anormal. Deve ser terrível pertencer à classe média e querer arrazoar tudo, assim, de fora, sem molhar a bunda.”

“Sempre acontece isso com os bobos. O que lhes falta de cérebro, lhes sobra de pau.”

“Eu gostava dela desde que a vi pela primeira vez, mas não é possível se apaixonar por todas as mulheres de que se gosta.”

“A vida é assim bandida. Se a gente tem caráter forte, é intransigente e depreciativo. O rigor e a disciplina nos transformam em um sujeito implacável. Só os fracos são submissos e parasitários. E precisam do forte. E tudo sacrificam esperando alguma migalha. Sacrificam sua dignidade. Sei que é embaraçoso dizer isso em voz alta, mas a verdade é que uns mandam e outros obedecem. Eu não consigo obedecer a ninguém. Nem a mim mesmo. E isso me custa caro. Pago bem caro.”

“Bom, eu me divertia com tudo isso e não pretendia entender. É impossível entender tudo. A vida não é o suficiente para ser vivida e entendida. É preciso escolher.”

“Gosto dessa nega. Sobretudo quando ela fica um pouco em silencio. Fala bobagem e tenta ser simpática até o cansaço, e isso enche. De qualquer jeito, é só atração sexual. Só isso. Pra mim é suficiente. Fiquei com o coração empedernido e por uma mulher sou incapaz de sentir algo mais que uma ereção.”

“A expectativa destrói muitas coisas. Porém aprender a escapar dela é uma arte.”

“Cada dia gosto mais do silêncio e da solidão e não espero de mais. Não sei explicar como. Se estou rodeado de silêncio, eu sou eu. E isso me basta.”

“Gosto de gente assim. Forte. Os frouxos sempre se lamentam e choram. Os fracos acham que hoje tudo se acaba.
Na verdade é o contrário: é hoje que tudo começa.”

“Mulheres com caráter viram um manjar de coco jorrando calda quando um homem as domina bem.”

“Então me dediquei a algo mais fácil e que dá mais dinheiro. Fui ser puto. Mas com as velhas. Com as turistas. Não tenho estômago para os veados. Não mesmo. Fico violento e sinto vontade de dar porrada. Com as velhas é outra coisa. Às vezes, há velhas interessantes. O negócio é fácil. Basta botar uma camiseta sem manga. Para exibir os músculos. É só encostar num muro, perto de um hotel e pronto. As velhas com dinheiro vêm sozinhas, gulosas como moscas atrás de doce. Algumas gostam dos negros, mas têm medo deles. Acham que são ladrões e assassinos. E eu aproveito pra ganhar clientes: “ah, é, são tremendos assassinos, e muito brutos. Gostam de bater em mulher porque são filhos do diabo. Não. Não vá nunca com eles porque podem matar. Com esses pintos tão grandes arrebentam você por dentro. Eles a deixam sangrando na cama e somem com tudo que é seu. Eu conheço muitas mulheres para quem aconteceu isso.” Acreditam em tudo. Me olham horrorizadas e acreditam palavra por palavra e me pedem meu número de telefone para darem às amigas que logo virão veranear. Não vivem na realidade. Acham que todo mundo tem telefone e automóvel e come filé no almoço. Imbecis. Ingênuas, não sei. Mas eu me divertia e vivia bem, que é o importante.”

“Não tinha nada pra fazer de noite. Bom, era assim dia após dia. Nunca se faz nada. Sobravam-me cinco pesos no bolso e sentei-me no chão, encostado na beirada da porta. Dias sem tomar um trago, sem dinheiro, esperando. Esperando o quê? Nada. Esperando. Aqui todo mundo espera. Um dia atrás do outro. Ninguém sabe o que está esperando. Os dias passam. E o cérebro fica embotado. Isso é bom. O cérebro embotado é bom pra não pensar. Às vezes, penso demais e me desespero. Houve tempo em que estudei, fui disciplinado, tive objetivos para amanhã e para o ano que vem, e saí para batalhar no mundo. Depois, tudo virou sal e água e caí nessa pocilga. Uns têm sarna, outros têm piolhos ou chatos. Não há dinheiro, não há comida, nem trabalho e cada dia vem mais e mais gente.”

“Às vezes, Clotilde quer se matar. Pensou em comprimidos, em se incendiar com álcool, em se enforcar. Não se atreve. Tem medo. Mas sabe que é só questão de tempo. O medo logo passará. Já tentou de tudo. Foi à igreja. Rezou. Tentou encontrar um trabalho, mas não há. Menos ainda para uma velha magra, suja, mal vestida, com hálito de fígado apodrecido.”

“É assim mesmo. Ou a vida esmaga você ou você esmaga a vida.”

“Nunca sei o que é importante. Houve tempo em que classificava assim tudo à minha volta. Umas coisas eram importantes e outras não. Umas eram boas e outras más. Gora não mais. Para mim, tanto faz.”

“É assim que a coisa começa, mas tenho medo dessa mulata. É puta e romântica e eu gosto dela. Uma combinação perfeita demais. E nenhum de nós dois quer se complicar. Para que procurar mais confusão? Já basta a que existe.”

“No fim das contas, que fidelidade posso eu exigir? O mais infiel dos mortais.
Fechei a porta. Nos despimos devagar. Nos abraçamos e nos beijamos. Meu coração se acelerou e quase derramo uma lágrima. Mas me contive. Não posso chorar na frente dessa bandida. Penetrei-a muito devagar, acariciando-a, e ela já estava úmida e deliciosa. É como entrar no paraíso. Mas também não lhe contei isso. É melhor gostar dela a minha maneira, em silencio, sem que ela saiba.”