terça-feira, 19 de novembro de 2013

no livro O ninho da Serpente de Pedro Juan Gutiérrez




“O trem permaneceu imóvel na plataforma durante duas ou três horas. Eu olhava pela janela. Índios e mulatos. Mulheres bundudas e peitudas. Gente apressada. Alguns alegres e serenos durante um breve momento. Depois ansiedade e medo. Adrenalina e ácidos corrosivos no sangue. Não sabem o que vai acontecer e isso apavora. O subconsciente coletivo funcionando a todo vapor: que porra sou eu?, de onde sai?, pra onde vou?, o que está acontecendo? Câncer inesperado, infarto do coração, paralisia cerebral, mal de Parkinson, suicídio, depressão, cirrose hepática.

Sempre acreditei que era possível viver com ordem, equilíbrio e medida. Todos me enfiavam isso na cabeça: escola, pais, igreja, imprensa. Pátria, Ordem e Liberdade. Egalité, fraternité, leberté. A vida é pura, bela e perfeita. Como numa revista de decoração de interiores. Tudo se encaixa milimetricamente e não há sujeira à vista. Nem uma simples teia de aranha pequenininha num canto. Depois saí para a rua. Sozinho. E essas ideias se atrapalharam. Tudo confuso. À minha volta só via desordem e desequilíbrio. Nenhuma peça se encaixava na outra. Descobrir isso aos quinze anos é aterrador. Loucura, pânico, caos e vertigem.”

Frases - Amor é tudo que nós dissemos que não era - Charles Bukowski




“como num filme ruim, só que não era um filme:
eu conseguia entender Crime e Castigo e dos Dos
eu conseguia entender a lua estirada no balcão pedindo um drinque
num bar podre, mas não conseguia entender nada sobre
mim mesmo.”

“e eu sabia que até as palavras certas jamais dariam
o bote, eu era sujo, um safado, eu tinha cara de safado,
eu era sujo, sujo e safado, só queria estar dentro dela,
ficar lá, eu não era nada além de um buceteiro e
estava falido, não conseguia soletrar, não sabia nem como usar
2 ou 3 garfos num jantar, não sabia nada sobre Harvard ou
Diplomas ou ganhar 50 mil por ano, e ela sabia que tudo isso
era verdade: eu fui maltratado por muito tempo, não
sabia mais o caminho para subir ou sair ou sequer queria saber:
eu estava destinado ao fracasso.”

“conforme ela me levava pelas colinas tudo gritava dentro de
mim, e enquanto seguíamos eu continuava falando
(pra mim mesmo é claro)
vai passar, babaca,
tudo passa,
é tudo uma piada
rindo da sua cara.”

“era demais:
não consegui resistir ao seu
poder, beijei ela. beijei ela
de novo, eu parecia um colegial, toda a minha valentia
se foi.”

“ ‘fique aqui’, ela disse.
sentei num sofá e bebi, ficou
frio e vazio de repente e
me perguntei pra onde ela
foi.

aí olhei ao redor e ela estava deitada em outro sofá
nua e sorrindo
o que foi perturbador
pois eu era acostumado a despir minhas
mulheres

e a visão dela completamente nua me fez lembrar mais de
meus dias no matadouro do que
de Mozart,
mas, é claro, quem quer comer
o Mozart?

acabei meu drinque e me despi e tentei
mas acho que eu não estava à altura
foi minha culpa
e ela me
afastou.

fiz mais algumas tímidas
tentativas e então ela se levantou e saiu.

eu também me vesti e então
não me lembro de nada mais a não ser
ficar muito bêbado.”

Partes do poema Maldito Rimbaud

“o poema não é grande coisa
mas deixa eu te dizer
se não tivesse descoberto
ele
eu estaria morto.”


“estilo é a resposta para tudo –
um novo jeito de encarar algo estúpido ou
perigoso.
é preferível fazer algo estúpido com estilo
do que fazer algo perigoso
sem estilo.”

queríamos dias que
passeassem pela
vida
com alguma graça,
um pouquinho de
sentido,
uma utilidade razoável,
e não algo
apenas para
desperdiçar,
mas algo para
lembrar,
algo para
dar um soco
nas entranhas
da morte.”

“Nossa pequena agonia é
estúpida
e fútil
mas sinto que os nossos
sonhos não
são.”

parte do poema Paraíso bastardo


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

OSHO


"Se você ama uma flor, não a colha. Porque, se você colhe-la ela morre e deixa de ser o que você ama. Então se você ama a flor, deixe-a estar. O amor não está na posse. O amor está na apreciação."