“Não estou louco, mas também não
estou são. Não, talvez eu esteja louco.”
“Tenho lido os filósofos. São uns
caras realmente estranhos, engraçados e loucos. Jogadores. Descartes veio e
disse: é pura bobagem o que esses caras estão falando. Disse que a matemática era
o modelo da verdade absoluta e óbvia. Mecanismo. Então, Hume veio com seu
ataque à validade do conhecimento cientifico causal. E depois veio Kierkegaard:
‘Enfio meu dedo na existência – não tem cheiro de nada. Onde estou?’. E depois
veio Sartre, que sustentava que a existência é absurda. Adoro esses caras. Embalam
o mundo. Será que tinham dor de cabeça por pensar dessa forma? será que uma torrente
de escuridão rugia entre seus dentes? Quando você pega homens como esses e os
compara aos homens que vejo caminhando nas ruas ou comendo em cafés ou
aparecendo na tela da TV, a diferença é tão grande que alguma coisa se contorce
dentro de mim, me chutando as tripas.”
“O computador veio outra vez da
oficina, mas não corrige mais a ortografia. Tentei de tudo para descobrir por
quê. Provavelmente terei que ligar para a loja e perguntar para o cara: ‘o que
é que faço agora?’. E ele vai dizer alguma coisa como: ‘você vai ter que
transferi-lo do disco principal para o disco rígido.’ Provavelmente, vou acabar
apagando tudo. A máquina de escrever está atrás de mim e diz: ‘Olhe, ainda
estou aqui’. “
“Raramente encontro uma pessoa rara
ou interessante. É mais que perturbador, é um choque constante. Está me
tornando um maldito mal-humorado. Qualquer um pode ser um maldito mal-humorado,
e a maioria é. Socorro!”
“Depois que você lê uma certa
quantidade de literatura decente, simplesmente não há mais nada. Nos mesmos
temos que escrever. Não há entusiasmo.”
“Acho que as pessoas que tem cadernos
e anotam seus pensamentos são umas cretinas. Só estou fazendo isso porque
alguém sugeriu que eu fizesse. Como você vê, não sou nem mesmo um cretino
original.”



