quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

2 - O Ninho da Serpente - Pedro Juan Gutiérrez


“_ Nós éramos um mistério para elas. A melhor coisa para conquistar uma mulher é a intriga, o mistério. As mulheres gostam dos homens desconhecidos.
_ Você acha?
_ Está comprovado cientificamente. As mulheres amadurecem antes de nós e são mais espertas. Além disso, são muito pragmáticas e não amam. Se apaixonam um pouquinho. O único truque para controlar as mulheres é inventar um mistério. Para elas ficarem ocupadas com a investigação. Quem é esse sujeito? De onde ele saiu? O que quer comigo? E por ai vai. Elas que se perguntem muitas coisas. A mulher é curiosa por natureza. E se além disso você come ela, pronto, está feito. Você é o ídolo preferido.
_ E depois? Quando o tempo passa?
_ Ah, você se fode. Ela já tem todas as respostas para o mistério  e sabe que você é só mais um homenzinho. Comum e normal. Cheio de problemas e defeitos. O encanto se rompe.
_É fácil.
_ Por isso o casamento não funciona. É um negócio. Quem inventou o casamento foi um comerciante. O que funciona é o mistério, Pedrito, o mistério. Viver novelão romântico. Um descobrir o outro. E depois acaba, porque nenhuma novela é eterna. Depois do mistério tem um grande deserto. Rotina, tédio. Carga pesada.
_ Mas mulher gosta de casamento.
_ Não gosta mas aguenta porque lhe convém. Elas são sedentárias. Nós somos caçadores. Temos de ir de um vale para o outro atrás dos mamutes.
Bebemos em silêncio um momento. Assimilei o que ele havia dito.
_ Por isso você é marinheiro, Gustavo. Não acredita no casamento.
_ Não acredito em nada. Nós, seres humanos, somos canibais. A dor nasce com a pessoa e fica com ela pra sempre.
Para mim era abstrato de mais.
_ Que dor, Gustavo?
_ Você ainda é jovem. Vai saber quando passarem os anos. O que quero lhe dizer é que somos seres individuais. Não acredito nunca em nenhum tipo de organização e de grupo. Nem mesmo na família. É tudo mentira. Sempre tem alguém pra controlar em causa própria.
_ Você aparece um lobo.
_ Dentro de mim vive um tigre. E o difícil é manter esse tigre sobre controle.

Depois daquela não voltamos a nos ver. Ele foi embora sem se despedir. Já estava com quarenta e poucos anos. Acho que morreu em Nova York, em algum asilo, ou talvez na rua, em algum pardieiro miserável. Sujo, bêbado, sozinho. Absolutamente sozinho e sorridente.”

sábado, 11 de janeiro de 2014

Do Livro Quarto de Badulaques - Rubem Alves


Num dos meus momentos de vagabundagem, um pensamento me apareceu que fez uma ligação metafórica entre lâmpadas e inteligências que nunca me havia passado pela cabeça. Tratei, então, de seguir a trilha.

As lâmpadas servem para iluminar. Para isso são dotadas de potências de iluminação diferentes. Há lâmpadas de 60 watts, de 100 watts, de 150 watts etc. Qual é a melhor lâmpada? Parece que as de 150 watts são as melhores porque iluminam mais. Também as inteligências servem para iluminar. Tanto assim que se diz "tive uma ideia luminosa!". E nos gibis, para dizer que um personagem teve uma boa ideia, o desenhista desenha uma lâmpada acesa sobre a sua cabeça. E também as inteligências, à semelhança das lâmpadas, têm potências diferentes. Os psicólogos inventaram testes para atribuir números às inteligências. A esses números deram o nome de QI, coeficiente de inteligência. Segundo as mensurações dos psicólogos, há QIs de 100, de 150, de 200... Ah! Uma pessoa com QI200 deve ser maravilhosa! Porque, como todo mundo sabe, inteligência é coisa muito boa! Porque, como todo mundo sabe, inteligência é coisa muito boa. Todo pai quer ter filho inteligente. Mas as lâmpadas não são objetos de contemplação. Não se fica olhando para elas. Olhamos para aquilo que elas iluminam.


 Uma lâmpada de 150 watts pode iluminar o rosto contorcido de um homem numa câmara de torturas. E uma lâmpada de 60 watts pode iluminar uma mãe dando de mamar ao filhinho. As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam. As inteligências valem pelas cenas que iluminam. Há inteligências de QI 200 que só iluminam esgotos e cemitérios. E há inteligências modestas, como se fossem nada mais que a chama de uma vela, que iluminam o rosto de crianças e jardins. A inteligência pode estar a serviço da morte ou da vida. A inteligência, pobrezinha, não tem o poder para decidir o que iluminar. Ela é mandada. Só lhe compete obedecer. As ordens vêm de outro lugar. Do coração. Se o coração tem gostos suínos, a inteligência iluminará chiqueiros, porcos e lavagem. Se o coração gosta de crianças e jardins, a inteligência iluminará crianças e jardins. Por isso é mais importante educar o coração que fazer musculação na inteligência. Eu prefiro as inteligências que iluminam a vida, por modestas que sejam.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O flautista - Rubem Alves


FORTALEZA. Eu ia fazer uma fala. Aí me disseram que antes haveria um pequeno concerto de uma orquestra de flautas de crianças pobres: sorriso no rosto, camiseta abóbora, flautinhas na mão. O regente era um mocinho magro. Ao final, o Marcelo -esse era o seu nome- me convidou a visitar a orquestrinha na cidade de Aquiraz, bairro Tapera, a uma hora de Fortaleza.

O concerto seria numa chácara, à noite. Mangueiras enormes, céu estrelado. Tocaram a sua alegria. Aí o Marcelo se juntou conosco. Pedimos que contasse sua história.

Família muito pobre. Pai bravo e batedor. Comiam os peixes que tarrafeavam num rio. E era preciso trabalhar para ajudar. Marcelo trabalhava numa padaria. Ganhava R$ 10 por mês. E ainda tarrafeava, depois de terminado o trabalho na padaria.

O seu grande sonho era ser músico, baterista. Pois um dia correu a notícia de que iriam formar uma banda. Quem quisesse que se candidatasse. O Marcelo se candidatou. Mas o homem que fez a apresentação do projeto nada falou sobre baterias. Ao invés disso tocou uma flautinha. O Marcelo se esqueceu da bateria e se apaixonou pela flauta.

O pai disse um "não" grosso e definitivo quando soube das intenções do filho. "Flauta é coisa de vagabundo. Filho meu não toca flauta..." Marcelo soube então que seu namoro com a flauta teria de ser como os namoros antigos, escondido.
A inscrição pra valer acabava às cinco da tarde. Marcelo, nessa hora, estava na padaria. Só pôde sair muito mais tarde, de bicicleta. No caminho, por aflição, caiu da bicicleta. Os peixes se espalharam, e ele ficou todo escalavrado.

E foi assim que chegou ao lugar da inscrição com duas horas de atraso. Mas o homem da inscrição ficou com dó dele e o inscreveu. Ele tinha 11 anos. Acontecia que a flauta custava R$ 10, o salário de todo um mês. Precisava ajuntar dinheiro. Passou a caminhar olhando para o chão, em busca de moedas perdidas. Por um ano juntou moedas de um centavo. Juntou os R$ 10. Comprou a flauta de plástico. Como não podia estudar em casa, pela braveza do pai, passou a estudar no alto de um cajueiro, de noite, longe da casa. No cajueiro guardava a flauta. Mas, num dia de chuva, ficou com medo de que a flauta se estragasse com a água. Escondeu-a em casa. Ao final do dia, voltando do trabalho, o pai o esperava. Havia encontrado a flauta. O pai acendeu uma fogueira e a queimou, aplicando-lhe a seguir uma surra. Mas ele não desistiu.

Mais um ano juntando centavos até comprar nova flauta. Aí ele arranjou uma aluna. E ganhava R$ 10 por mês! Uma fortuna. Outra aluna, e mais outra. Nove alunas! R$ 90. O pai passou a gostar de flauta.

Foi então que o Marcelo teve a ideia de ensinar flauta para as crianças sem nada ganhar. E assim surgiu a orquestra de flautas. Naquela noite, debaixo da mangueira, ele tinha 18 anos. "Eu tenho um sonho", ele disse. "Gostaria de ter uma flauta de verdade, transversal. Mas ela custa muito caro. Vai levar muito tempo para ajuntar o dinheiro..."

Aí uma professora que estava na roda abriu-se num sorriso e disse: "Marcelo, eu tenho uma flauta guardada numa caixa de veludo. Flauta que ninguém toca... A flauta é sua!"


Isso aconteceu faz tempo. O Marcelo entrou para a universidade, tornou-se flautista e regente. E continua ensinando música para as crianças por puro prazer, sem ganhar dinheiro. E não sei por que, o fato é que me elegeu seu padrinho...Tanta gente bonita e esforçada por esse Brasil imenso. Dá esperança.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

seja gentil - Charles Bukowski



sempre nos é pedido
que entendamos os pontos de vistas das
outras pessoas
não importa o quão
ultrapassado
tolo ou
odioso.

exige-se de alguém
que encare
os erros totais dos outros
o desperdício de suas vidas
com
gentileza,
especialmente se eles já forem
velhos.

mas a idade é a soma de
nossos atos.
eles envelheceram
sem dignidade
porque
viveram
desfocados,
recusaram-se a enxergar.

e não por culpa deles?

então de quem é a culpa?
minha?

pedem-me para esconder
dessas pessoas
meu ponto de vista
por medo do medo
delas.

envelhecer não é nenhum crime.

mas a vergonha
de uma vida
deliberadamente
desperdiçada
entre tantas outras
vidas
deliberadamente
desperdiçadas

é.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Partes - Charles Bukowski


“coisas bonitas podem ser terríveis e coisas terríveis podem ser
bonitas.”
Parte do poema Da escuridão

“mulheres têm todos os problemas de uma vez”
Parte do poema Bar alemão

“mas amanhã eu vou ganhar, então
pegue essa sua calcinha do chão
dele
e volte pra
mim.”
Parte do poema Você sabe quem é melhor

“A melhor coisa a respeito das mulheres velhas é
que tudo o que elas querem de você são
as coisas simples.”
Parte do poema a teoria da classe ociosa


“O preço da criação
nunca é alto demais.

O de se conviver
com outras pessoas
sempre é.”
Parte do poema A estória final

“Minha mãe, pobre peixinha,
querendo ser feliz, apanhando duas ou três vezes
por semana, me dizendo para ser feliz:
"Henry, sorria! Porque você nunca sorri?"

E então ela sorria, para me mostrar como se fazia, e era o
sorriso mais triste que eu jamais vira.”
Parte do poema Um sorriso para lembrar


O melhor amigo do homem

Eu disse pro cara - ele estava regando o gramado -
se você molhar meu cachorro
de novo, vai se ver comigo.
Ele continuou regando, olhando para frente,
e então disse, não estou nem aí, vocês vagabundos
dizem que vão fazer, mas nunca fazem.

Ele era um velho grisalho, meio burro. Eu conseguia
sentir a burrice irradiando de dentro dele.
Tomei a mangueira da mão dele, o virei dei uma
violenta chicotada na sua barriga.
Ele caiu como uma pedra e ficou deitado de costas
no gramado, com a mão na barriga e respirando com
dificuldade.
Ele dava dó.
Peguei a mangueira e o molhei pra valer.
Encharquei suas roupas, e então lhe dei uma
boa dose na cara e fui embora.

Fui até à loja e comprei uma garrafinha de scotch
e um pacotinho de 6 cervejas.

Quando eu voltei ele já tinha sumido.
Entrei no meu apartamento e contei pra Marie que
eu tinha resolvido o assunto com o cara que molhava
nosso cachorro.
Ele me perguntou, o que você fez, matou ele?
E eu lhe disse, não, apenas expliquei algumas
coisas pra ele.
E ela quis saber, o que você quer dizer com
expliquei algumas coisas pra ele?

E eu lhe disse, deixa pra lá, onde tem copos limpos?

E então o cachorro entrou.
Koko.

Você tem que entender que eu gostava bastante
dele.





sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Volkswagen Kombi 1966 - Charles Bukowski



E lá se vai Bach novamente, mas
alguém se pergunta o quão mais nós conseguimos aguentar?
É boa música
ótima música,
mas o eu quero dizer e pergunto:
quão mais nós seremos capazes de ouvir
o que ele nos tem a dizer?
pontos de interrogação às vezes
são desencorajadores.
à medida que nos tornamos mais e mais
desapegados
gigantes como Bach desaparecerão
de nossos pensamentos e vidas e
o sabor e toque de sua música
será como encontrar o meu amor morto
apenas morto
olhos fechados
seu corpo ainda macio
ainda quente
seu cabelo escorrendo pelo meu antebraço.

Eu ouço Bach sempre que posso
e meu amor está vindo pra cá essa noite
dirigindo sua Volkswagem Kombi 1966
enquanto eu tomo vinho e espero.

Seu cabelo tem a cor mais estranha:
vermelho misturado com dourado
que como exércitos conquistadores
esmagam caramujos
esmagam narcisos.

Ela tem mãos pequenas
pés pequenos.

Nós brigamos.
Às vezes rimos.

Estou ouvindo Bach agora.
A música pára.

Ela dirige aquela maldita Kombi como um
barco a remos contra a correnteza.

Se ela ouvisse o meu coração
ela iria mais devagar
muito mais devagar.

Por favor me deixe morrer
primeiro porque
eu sou mais velho
muito mais velho.

Ouça Bach, meu deus e seu deus
são reais, mas
apenas úteis aos jorros.
Eu quero que você me
diga que tudo está
bem
e que seus cabelos vermelho e dourado estarão
espalhados
sobre o meu travesseiro de novo.

Seus pés pequenos
suas mãos pequenas
seus dedos acariciando meus olhos e
orelhas e seu sorriso me confortando.

Tradução: Jão - O Homem que não tem Facebook

domingo, 29 de dezembro de 2013

O dia ou a noite? por Egberto Turato

“Neste sábado, 5 de maio, vocês — apaixonados — já têm um compromisso. Olhar para o Céu e contemplar a maior Lua cheia dos últimos 19 anos. Às 23h35.
Confesso. Não sou do Sol. Eu sou da Lua! Raio solar ofusca ideias. Confunde sensações. Luar instiga pensamentos. Atiça percepções. As luzes do dia escancaram pessoas. As sombras da noite desvelam sujeitos. A claridade nos põe a nu ainda que estejamos vestidos. A penumbra nos recobre com seu manto ainda que estejamos despidos.
Sol é para trabalhar (que dureza!). Lua é para vadiar (que delícia!). O dia é do trampo. A noite é da balada.
Um encontro agendado às claras é para obscurecer os fatos. Um encontro desejado às escuras é para clarear as vivências. O dia é para reunião de homens que se pensam sérios. A noite é para partilha de gentes que se desejam risonhas. Na luz do dia, entra-se na fila do banco, na fila do açougue, na fila da farmácia. No brilho da noite, vai-se ao cinema, ao teatro, ao concerto. O que é mais prazeroso?
A Biofísica não explica como pode haver dois ruídos, sem significativas diferenças de propriedades sonoras entre si, ambos captados fisiologicamente do mesmo modo pelo sentido auditivo humano, porém um percebido como perturbador do sono e o outro não.
A resposta está nos significados que têm o Dia e a Noite, embora haja exceções para ambos os lados. À luz solar, os ruídos frequentemente incomodam: veículos buzinando nas esquinas, gentes tagarelando nos locais de trabalho, crianças gritando nos pátios das escolas, furadeiras atritando nas construções, faxineiros aspirando pó, pessoas gargalhando nas ruas, maquinários rangendo nas fábricas, bebuns berrando nos botecos.
Ao luar, no entanto, os ruídos em sua maioria são musicalizados e nos embalam: galos anunciando a madrugada, gatos miando nos muros, grilos cantando nos jardins, namorados cochichando ao ouvido, artistas soando violão em barzinhos.
O Sol incandesce e proíbe de ser visto. A Lua faz-se ver como um queijo… ai que vontade que dá!
O Sol é egoísta. Brilha tão intenso que não conseguimos ver os outros astros que estão lá atrás, de verdade, no espaço sideral durante o dia.
A Lua, não. Não quer roubar a cena de ninguém. Contenta-se em refletir raios de luz que a tangem. Conseguimos, na noite, ver as zilhões de outras estrelas, os planetas e até os esporádicos visitantes como os cometas.
Sol esquenta os briguentos. Lua é dos enamorados (sempre se soube disso…).
O Sol é uma bola sempre, não é pedagógico. A Lua tem fases, leva-nos ao aprendizado sobre a vida.
Quem consegue mirar o Sol ainda que por segundos? Galileu observou a Lua, observou, observou, observou…
Sol, não se aproxime, você ferve miolos! Você é grandão; assusta. Lua, chegue pertinho, você refresca a mente! Você é pedaço; dá leveza.
O Sol reina absoluto; obriga arrogantemente a Terra e seus irmãos-planetas a gravitarem em torno dele. Coitado! Um agregador sociológico, mas um solitário psicológico.
A Lua não quer governar; aceita humildemente girar em torno de nosso Planeta-Pátria. Bem-aventurada! Uma solitária em inter-relações celestes, mas uma agregadora de afetos.
Luis XIV gaba-se de ser o Rei-Sol. O Estado era ele. Pronto. Pobre alma com psicopatologia narcísica. Desconheço que alguma mulher, grande governante, pretendesse se arrogar com o título de Rainha-Lua. Imperatrizes, primeiras ministras, grandes empresárias não se identificam com um satélite. Satélite, rica alma: detém a bela psicologia do estar a serviço.
Ok, tudo isso é terna Poesia. Na frieza do discurso da Sra. Ciência, a verdade é inversa. Se o Sol se apagar, nossas vidas inexoravelmente sumirão. Se a Lua desprender-se para um ponto longínquo do Universo, é provável que pouco se alterará na terrestre biologia.
Acontece que a verdade poética é o avesso da verdade científica. No Sol se fez o Dia e ele regeu nossa Evolução. Porém na Lua se fez a Noite e ela nos deu a primazia dos Sentidos. O Sol permitiu a matéria. Importante e inferior. A Lua saltou-nos para o Símbolo. Relevante e sublime.
Querem me convidar pra jogar papo fora? Pra degustar um vinho tinto encorpado? Pra rir das coisas pequenas? Pra ouvir aquela canção na cítara?


Então esperem o Sol se pôr. Esperem a Lua aparecer. E me chamem…”