sábado, 25 de janeiro de 2014

Onde enfiar - Charles Bukowski

Não me culpe se seu carro quebra na rodovia.
Não me culpe se sua mulher vai embora.
Não me culpe se você foi pra guerra e descobriu que pessoas matam.

Não me cupê por você ter assassinado 4 anos votando no cara errado.
Não me culpe por a transa às vezes falhar.

Não me culpe se eu não atendo o telefone e não consigo assistir tv.

Não me culpe pelo seu pai.
Não me culpe pela igreja da esquina.
Não me culpe pela bomba de hidrogênio.

Me culpe se você estiver lendo isso.
Não me culpe se você não entender.

Não me culpe pelo mundo fervilhando de assassinos.
Não me culpe se você é um deles.
Culpe seu pai.
Culpe a igreja da esquina.

Não me culpe pelo natal ou o feriado da independência.
Culpe qualquer fudido que você quiser mas não me culpe.

Não me culpe pelos sem-teto.
Não me culpe por 162 jogos de beisebol todo ano.
Não me culpe pelo basquete.

Não me culpe por não querer entrar em elevadores cheios de gente.
Não me culpe por não ter um herói.
Não me culpe por não criar um.

Não me culpe por ficar aturdido com a risada das massas.
Não me culpe por rir sozinho.

Não me culpe pelo enjaulamento do tigre.
Não me culpe por que minha morte não será temível,


Mas não culpe a si mesmo.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Por quê? - Rubem Alves

As religiões, todas elas, na medida em que as conheço, possuem respostas para a pergunta por quê. A resposta que todas dão é a mesma. Diferenças? Nada mais que variações sobre um mesmo tema. E o que todas dizem é que Deus é a causa da dor (não importa como elas pensam que Deus é). É Deus que nos faz sofrer. Sofremos porque Deus quer. Se ele não quisesse, não sofreríamos. Lembro-me de um hino que eu cantava (ainda canto, de vez em quando, a música é bonita. Na beleza da música, freqüentemente navegam palavras absurdas!) e que dizia: “Não há dor que seja sem divino fim”. Se assim é, a dor é meio para os propósitos divinos. A dor é ferramenta de Deus. Artífice terrível ele é! E se a dor é dada por Deus, temos de ser gratos por ela. Deveria haver celebrações litúrgicas em seu louvor. O sofrimento é o avesso horrendo de uma tapeçaria cujo lado direito, maravilhoso, só Deus conhece.
Tem de ser assim? Tem de ser assim. É uma exigência da lógica. Os teólogos todos concordam em que Deus tem de ser onipotente. Se não for onipotente, ele não é Deus. Um Deus fraco é impensável. Assim, tudo o que acontece no universo acontece pela sua vontade. Se coisa houvesse que acontecesse à revelia da vontade de Deus, ele não seria onipotente. A lógica exige que para que Deus continue a ser Deus, a dor seja produzida por ele.
Por que Deus nos faz sofrer? A resposta mais comum é que a dor é um castigo divino por nossa desobediência. Deus é como Papai Noel: dá presentes para os meninos bonzinhos. Fosse verdadeira essa explicação os maus deveriam viver em desertos tórridos e os bons, em oásis verdejantes. E seria uma vantagem enorme fazer o que Deus manda: garantia de que o nenezinho jamais nasceria com Síndrome de Down, nossos filhos pequenos jamais teriam câncer, nossos filhos adolescentes jamais morreriam em acidentes, os negócios sempre iriam bem, o casamento seria feliz, a velhice seria tranqüila. E o sofrimento, além da dor, seria motivo de vergonha. Pois somente são castigados os pecadores pelos seus pecados. E assim, o mundo se dividiria entre os que não sofrem, evidência da sua inocência, e os que sofrem, evidência da sua culpa. Pobres viúvas desamparadas, pobres enfermos nos leitos de dor, pobres crianças famintas: todos sofrendo pelo justo dedo de Deus que dá prêmios aos justos e castigos aos injustos. Pascal fez uma curta anotação num dos seus cadernos: “Deus de Jesus Cristo, não o Deus dos filósofos”. Esse Deus que dá prêmios aos bons e castigos aos maus é, com certeza, o Deus dos filósofos, nascido das exigências lógicas. Deus de Jesus Cristo – é certo que ele não é. Pois ele, absurdamente, faz o seu sol nascer sobre bons e maus, e a sua chuva descer sobre justos e injustos. O Pai não soma créditos. O Pai não soma débitos. Está lá dito, na parábola chamada O filho pródigo.
Por que Deus nos faz sofrer? Respondem outros que é por razões pedagógicas. O sofrimento nos torna melhores. O sofrimento nos faz evoluir. É a pedagogia da palmatória: as crianças aprendendo não pelo amor ao saber mas pela dor. É a filosofia das penitenciárias: pelo sofrimento os homens maus ficam bons. E assim poderíamos contemplar o maravilhoso espetáculo: pela porta de entrada das prisões, entrando, os criminosos de rosto duro e cruel. E muitos anos depois, após sofrimentos sem medida, pela porta de saída, saindo, os rostos angelicais dos que haviam entrado como criminosos, transformados pelo poder da dor.
Não, não é verdade que o sofrimento torna melhores as pessoas. O sofrimento freqüentemente embrutece, tira a sensibilidade, tira a esperança, torna cruéis as pessoas. Um Deus – ou força cósmica – que usasse o sofrimento para a evolução seria muito curto de inteligência – não saberia aquilo que os homens aprenderam: que a única força capaz de fazer as pessoas ficarem melhores é o amor. E que sentido haveria em falar de evolução em relação à criancinha que sofre e morre sem ter tempo de viver? E chegaríamos então à ridícula conclusão de que os que não estão sofrendo são espíritos evoluídos, que não precisam da pedagogia da tortura, enquanto os que estão sofrendo são espíritos atrasados.
E aí eu me horrorizo com um universo assim, que seja movido pela dor dos homens. Me horrorizo com um Deus – ou força cósmica – onipotente. É impossível amá-lo! Somente um demônio seria capaz de imaginar um universo movido a dor! (Prefiro imaginar que o universo seja movido pelo poder do amor e da alegria!).
Estou olhando um pôster, pendurado na minha parede, de um vitral da catedral gótica de Chartres: a Nossa Senhora Azul, com o Menino Jesus. É de grande beleza! Na minha fantasia, de repente, uma pedra vinda do vazio parte o vitral. Os cacos coloridos se espalham pelo chão. Foi-se a beleza! Foram-se o rosto da Madona e o da criança. Gritam as pessoas: “Por quê?” Respondem as explicações religiosas: “Foi Deus que jogou a pedra.” Seria possível amar um Deus assim?
Mas, do vazio – voz de herege – se ouve outra resposta:
Não há resposta. Não há um “porque” que responda ao “por quê?” Não há razões. Ninguém lançou a pedra. Deus não lançou. Deus não queria. Ele amava o vitral. Está triste. Foi acidente. Um meteoro. Nem tudo é Deus que faz. Poderia ter caído em outro lugar. A dor é simplesmente dor, sem sentido, sem um divino fim.
E aí, olhando para os cacos do vitral espalhados pelo chão, sem sentido, vê-se um vulto, catando os cacos, um a um, e pacientemente os arranjando de novo, como um quebra-cabeça.
Num Deus assim eu gostaria de acreditar. Um Deus assim eu poderia
amar. E até me juntaria a ele, ajudando-o a catar os cacos.

citações - Charles Bukowski

Quando me penso morto 
penso em alguém fazendo amor com você
quando não estou por perto.
(quando me penso morto - O Amor é um cão dos diabos.)

E você me inventou
e eu inventei você 
e é por isso que nós não 
damos
mais certo
nesta cama.
você era a maior invenção
do mundo 
até que resolveu me mandar descarga 
abaixo.
(camas, banheiros, você e eu...- O Amor é um cão dos diabos.) 

às vezes, quando uma mulher corre assim de você 
é de perguntar se não faz isso por questões 
econômicas, bem, não se pode culpá-las-
se eu tivesse que ser comido, preferia que fosse 
por alguém com grana.
(táxi - O Amor é um cão dos diabos.)

e assim que ela o salva
está pronta para 
destruí-lo.
(ruiva de cima a baixo - O Amor é um cão dos diabos.)

estou tão acostumado à melancolia 
que 
a cumprimento como uma velha 
amiga.
(melancolia - O Amor é um cão dos diabos.)

cerveja
rios e mares de cerveja 
cerveja cerveja cerveja
o rádio toca canções de amor
enquanto o telefone permanece mudo
e as paredes seguem 
paradas e estáticas
e a cerveja é tudo o que há.
(cerveja - O Amor é um cão dos diabos.)


Ás vezes o cara tem que lutar tanto pela vida que nem dá tempo pra viver.
(Fabulário geral do delírio cotidiano)

"as pessoas não precisam de amor. Precisam é de sucesso, de uma forma ou de outra. Pode ser que seja no amor, mas não necessariamente."
(Factótum)


"Ficamos ali, olhando uns para os outros sem olhar um para os outros. Mascavamos chicletes, bebíamos café, íamos ao banheiro, mijávamos, dormíamos. Ficávamos ali sentados naqueles bancos, fumando cigarros sem querer fuma-los. Olhávamo-nos e não gostávamos do que víamos."
(Factótum)


Role os dados - Charles Bukowski

Se você vai tentar, vá com tudo
Senão, nem comece.
Se você vai tentar, vá com tudo
Isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos
e talvez a cabeça.
Vá com tudo.
Isso pode significar ficar sem comer por 3 ou 4 dias
Pode significar passar frio num banco de praça
Pode significar cadeia, menosprezo, insultos, isolamento.
Isolamento é o presente
todos os outros são um teste da sua resistência
de quanto você realmente quer fazer isso.
E você vai fazer
Apesar da rejeição e dos piores infortúnios
E isso será melhor do que qualquer coisa
que você possa imaginar.
Se você vai tentar, vá com tudo.
Não há outro sentimento como esse.
Você ficará sozinho com os deuses
e as noites irão flamejar como fogo.
Faça, Faça, Faça
Vá com tudo, por todos os caminhos
Você cavalgará a vida direto até a gargalhada perfeita


essa é a única boa luta que existe.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

2 - O Ninho da Serpente - Pedro Juan Gutiérrez


“_ Nós éramos um mistério para elas. A melhor coisa para conquistar uma mulher é a intriga, o mistério. As mulheres gostam dos homens desconhecidos.
_ Você acha?
_ Está comprovado cientificamente. As mulheres amadurecem antes de nós e são mais espertas. Além disso, são muito pragmáticas e não amam. Se apaixonam um pouquinho. O único truque para controlar as mulheres é inventar um mistério. Para elas ficarem ocupadas com a investigação. Quem é esse sujeito? De onde ele saiu? O que quer comigo? E por ai vai. Elas que se perguntem muitas coisas. A mulher é curiosa por natureza. E se além disso você come ela, pronto, está feito. Você é o ídolo preferido.
_ E depois? Quando o tempo passa?
_ Ah, você se fode. Ela já tem todas as respostas para o mistério  e sabe que você é só mais um homenzinho. Comum e normal. Cheio de problemas e defeitos. O encanto se rompe.
_É fácil.
_ Por isso o casamento não funciona. É um negócio. Quem inventou o casamento foi um comerciante. O que funciona é o mistério, Pedrito, o mistério. Viver novelão romântico. Um descobrir o outro. E depois acaba, porque nenhuma novela é eterna. Depois do mistério tem um grande deserto. Rotina, tédio. Carga pesada.
_ Mas mulher gosta de casamento.
_ Não gosta mas aguenta porque lhe convém. Elas são sedentárias. Nós somos caçadores. Temos de ir de um vale para o outro atrás dos mamutes.
Bebemos em silêncio um momento. Assimilei o que ele havia dito.
_ Por isso você é marinheiro, Gustavo. Não acredita no casamento.
_ Não acredito em nada. Nós, seres humanos, somos canibais. A dor nasce com a pessoa e fica com ela pra sempre.
Para mim era abstrato de mais.
_ Que dor, Gustavo?
_ Você ainda é jovem. Vai saber quando passarem os anos. O que quero lhe dizer é que somos seres individuais. Não acredito nunca em nenhum tipo de organização e de grupo. Nem mesmo na família. É tudo mentira. Sempre tem alguém pra controlar em causa própria.
_ Você aparece um lobo.
_ Dentro de mim vive um tigre. E o difícil é manter esse tigre sobre controle.

Depois daquela não voltamos a nos ver. Ele foi embora sem se despedir. Já estava com quarenta e poucos anos. Acho que morreu em Nova York, em algum asilo, ou talvez na rua, em algum pardieiro miserável. Sujo, bêbado, sozinho. Absolutamente sozinho e sorridente.”

sábado, 11 de janeiro de 2014

Do Livro Quarto de Badulaques - Rubem Alves


Num dos meus momentos de vagabundagem, um pensamento me apareceu que fez uma ligação metafórica entre lâmpadas e inteligências que nunca me havia passado pela cabeça. Tratei, então, de seguir a trilha.

As lâmpadas servem para iluminar. Para isso são dotadas de potências de iluminação diferentes. Há lâmpadas de 60 watts, de 100 watts, de 150 watts etc. Qual é a melhor lâmpada? Parece que as de 150 watts são as melhores porque iluminam mais. Também as inteligências servem para iluminar. Tanto assim que se diz "tive uma ideia luminosa!". E nos gibis, para dizer que um personagem teve uma boa ideia, o desenhista desenha uma lâmpada acesa sobre a sua cabeça. E também as inteligências, à semelhança das lâmpadas, têm potências diferentes. Os psicólogos inventaram testes para atribuir números às inteligências. A esses números deram o nome de QI, coeficiente de inteligência. Segundo as mensurações dos psicólogos, há QIs de 100, de 150, de 200... Ah! Uma pessoa com QI200 deve ser maravilhosa! Porque, como todo mundo sabe, inteligência é coisa muito boa! Porque, como todo mundo sabe, inteligência é coisa muito boa. Todo pai quer ter filho inteligente. Mas as lâmpadas não são objetos de contemplação. Não se fica olhando para elas. Olhamos para aquilo que elas iluminam.


 Uma lâmpada de 150 watts pode iluminar o rosto contorcido de um homem numa câmara de torturas. E uma lâmpada de 60 watts pode iluminar uma mãe dando de mamar ao filhinho. As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam. As inteligências valem pelas cenas que iluminam. Há inteligências de QI 200 que só iluminam esgotos e cemitérios. E há inteligências modestas, como se fossem nada mais que a chama de uma vela, que iluminam o rosto de crianças e jardins. A inteligência pode estar a serviço da morte ou da vida. A inteligência, pobrezinha, não tem o poder para decidir o que iluminar. Ela é mandada. Só lhe compete obedecer. As ordens vêm de outro lugar. Do coração. Se o coração tem gostos suínos, a inteligência iluminará chiqueiros, porcos e lavagem. Se o coração gosta de crianças e jardins, a inteligência iluminará crianças e jardins. Por isso é mais importante educar o coração que fazer musculação na inteligência. Eu prefiro as inteligências que iluminam a vida, por modestas que sejam.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O flautista - Rubem Alves


FORTALEZA. Eu ia fazer uma fala. Aí me disseram que antes haveria um pequeno concerto de uma orquestra de flautas de crianças pobres: sorriso no rosto, camiseta abóbora, flautinhas na mão. O regente era um mocinho magro. Ao final, o Marcelo -esse era o seu nome- me convidou a visitar a orquestrinha na cidade de Aquiraz, bairro Tapera, a uma hora de Fortaleza.

O concerto seria numa chácara, à noite. Mangueiras enormes, céu estrelado. Tocaram a sua alegria. Aí o Marcelo se juntou conosco. Pedimos que contasse sua história.

Família muito pobre. Pai bravo e batedor. Comiam os peixes que tarrafeavam num rio. E era preciso trabalhar para ajudar. Marcelo trabalhava numa padaria. Ganhava R$ 10 por mês. E ainda tarrafeava, depois de terminado o trabalho na padaria.

O seu grande sonho era ser músico, baterista. Pois um dia correu a notícia de que iriam formar uma banda. Quem quisesse que se candidatasse. O Marcelo se candidatou. Mas o homem que fez a apresentação do projeto nada falou sobre baterias. Ao invés disso tocou uma flautinha. O Marcelo se esqueceu da bateria e se apaixonou pela flauta.

O pai disse um "não" grosso e definitivo quando soube das intenções do filho. "Flauta é coisa de vagabundo. Filho meu não toca flauta..." Marcelo soube então que seu namoro com a flauta teria de ser como os namoros antigos, escondido.
A inscrição pra valer acabava às cinco da tarde. Marcelo, nessa hora, estava na padaria. Só pôde sair muito mais tarde, de bicicleta. No caminho, por aflição, caiu da bicicleta. Os peixes se espalharam, e ele ficou todo escalavrado.

E foi assim que chegou ao lugar da inscrição com duas horas de atraso. Mas o homem da inscrição ficou com dó dele e o inscreveu. Ele tinha 11 anos. Acontecia que a flauta custava R$ 10, o salário de todo um mês. Precisava ajuntar dinheiro. Passou a caminhar olhando para o chão, em busca de moedas perdidas. Por um ano juntou moedas de um centavo. Juntou os R$ 10. Comprou a flauta de plástico. Como não podia estudar em casa, pela braveza do pai, passou a estudar no alto de um cajueiro, de noite, longe da casa. No cajueiro guardava a flauta. Mas, num dia de chuva, ficou com medo de que a flauta se estragasse com a água. Escondeu-a em casa. Ao final do dia, voltando do trabalho, o pai o esperava. Havia encontrado a flauta. O pai acendeu uma fogueira e a queimou, aplicando-lhe a seguir uma surra. Mas ele não desistiu.

Mais um ano juntando centavos até comprar nova flauta. Aí ele arranjou uma aluna. E ganhava R$ 10 por mês! Uma fortuna. Outra aluna, e mais outra. Nove alunas! R$ 90. O pai passou a gostar de flauta.

Foi então que o Marcelo teve a ideia de ensinar flauta para as crianças sem nada ganhar. E assim surgiu a orquestra de flautas. Naquela noite, debaixo da mangueira, ele tinha 18 anos. "Eu tenho um sonho", ele disse. "Gostaria de ter uma flauta de verdade, transversal. Mas ela custa muito caro. Vai levar muito tempo para ajuntar o dinheiro..."

Aí uma professora que estava na roda abriu-se num sorriso e disse: "Marcelo, eu tenho uma flauta guardada numa caixa de veludo. Flauta que ninguém toca... A flauta é sua!"


Isso aconteceu faz tempo. O Marcelo entrou para a universidade, tornou-se flautista e regente. E continua ensinando música para as crianças por puro prazer, sem ganhar dinheiro. E não sei por que, o fato é que me elegeu seu padrinho...Tanta gente bonita e esforçada por esse Brasil imenso. Dá esperança.