quinta-feira, 12 de junho de 2014

Citações -Reinaldo Moraes - No livro Pornopopéia



“Esguichar porra na cara da mulher é o que há. Na boca, no nariz, nos olhos, nas bochechas, no cabelo - é lindo. E fica mais lindo ainda quando elas lambem e sorvem a porra, que é pra você se sentir o governador-geral da putaria. As boas fêmeas gostam disso. Algumas das más também. E não é só em filme pornô, não. Bom, você deve saber disso tanto quanto eu.”

" "Gostou?", Lolla me perguntou, empertigando o tórax para realçar seus melões artificiais. " Fiz no hospital, com médico, anestesista, tudo direitinho. Botei silicone cirúrgico, não desses industrial que as biba rampeira se injeta por aí. Aqui foi tudo de prima. Torrei um dindim retado."
"Ficou bom mesmo", murmurei. Mas lembrar daquele maldito documentário fez desandar o rudimento de tesão que eu começava a experimentar pela criatura à minha frente. Acho que você desfruta melhor de peitos artificiais e embutidos de carne em geral se não souber como são feitos, como já mais ou menos disse alguém."

“Mulher gosta de ouvir seu nome evocado pelo macho fodedor, mesmo que seja só um freguês repetindo um nome de guerra com que ela se apresentou. Mas, quando se trata de gandaia, prefiro meter numa mulher sem nome, numa buceta sem história, carne penetrável, gozável e ponto final. Isso me faz sentir vazio de nome, identidade, livre do peso de ser o velho e gasto eu mesmo, como o rio que perde forma, essência e nome quando se entrega às águas do mar. Pra que nomes quando se está dentro de uma buceta? Tanto que só dão nome às pessoas quando elas saem de lá. ”

"Fazer uma mulher rir é fundamental. Mas tem que ter cuidado: se ela ficar rindo demais, o tempo todo, é sinal de que você virou um palhaço. E palhaço não dá tesão em mulher nenhuma. Palhaço só dá medo em criança."

"a vida cotidiana pode ser bem divertida e pornográfica se você tiver olhos atentos."

"Meninas bonitas deviam todas seguir o padrão DDD de qualidade: Doidas, Dadeiras, Divertidas."



"O velho desconforto patafísico de ser e estar em mim. Mas se eu fosse um outro qualquer tenho certeza que o filhadaputa seria ainda pior que o meu atual mim mesmo."


“(...) Fiquei pensando um monte também. Pensei, por exemplo, no meu finado casamento com a Lia. Parece que agora foi pro saco mesmo. Não por ela estar dando prum bostinha chamado Júlio, de intelecto brilhante e cuzão arrombado. Pra isso tô cagando. Buceta, lavô tá nova. Não se trata disso, de ciuminhos pequeno-burgueses, nem porra nenhuma do gênero. É que tá na cara que acabou. Simples assim. Cabo, finito.”

“A famosa depressão não cola em mim, sei lá por que motivo. Acho que a minha mioleira não dispõe dos neurorreceptores da melancolia. Fico deprimido pra valer meia hora por semestre, em média, se é que não se trata apenas de azia e má digestão. Já a ansiedade é um fungo que se espalha endêmico por todo o meu aparelho volitivo – a tal história de querer tudo ao mesmo tempo agora, em outro lugar. É o bicho a ansiedade. Às vezes o bicho sossega um pouco, mas de cá de dentro, da jaula do peito, não sai de jeito nenhum.”

Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia


segunda-feira, 9 de junho de 2014

'É muito raro encontrar almas livres, mas logo se vê quando são.'


Cansada dessa gente pretensiosa que rotula a tudo e a todos. Sou livre, pelo menos venho lutando pra que minha mente seja livre, ainda que por fora eu tenha que me submeter ao sistema e as regras sociais. Gosto do que eu quiser gostar e da forma que eu quiser gostar.

As pessoas que se acham as mais ‘mente aberta’ geralmente são as maiores coxinhas que você vai encontrar. Frases como essas não cabem na minha cabeça e na minha forma de ver a vida:
“Não vou mais a tal lugar porque virou modinha. ”
“Espero que Bukowski não fique muito conhecido, vai perder a graça. ”
“Uma pessoa como você vendo novela? ”
“Bukowski não combina com isso ou aquilo. ”

Puta que pariu! Perco a paciência. Gosto de Bukowski, tenho e li todos os seus livros traduzidos para o português, compactuo com a mesma forma de ver a vida que ele deixa transparecer em seus livros. Mas, não vejo relação em certas falas e comentários. Por que um bom autor vai deixar de ser bom só por ter ficado muito conhecido? As coisas que ele diz farão menos sentido se muita gente concordar? O que é ‘muita gente’ pra você? Uma página do facebook com 120 mil pessoas não é muita gente embora talvez você ache que é. Temos cerca de 67 milhões de brasileiros com perfil no facebook, diante disso, 120 mil pessoas não é quase nada.

Não sou fã de novelas e muito menos da rede globo, mas também não tenho aversão. Se eu estiver pela sala e as pessoas estiverem assistindo, eu dou uma olhada também, não morro por isso. Acho muitos atores e atrizes globais bonitos e bonitas e vou continuar achando mesmo que eles tenham contrato vitalício com a globo. Se passar algum programa e eu for com a cara dele, mesmo que seja na globo, vou ver sim. E daí?
Bukowski não é roupa pra ter que combinar com isso ou aquilo. Povo sem noção, achar que uma pessoa que gosta de Bukowski tem que ter letra feia, fumar, viver sendo mandado embora do trabalho, depressivo.

Digo mais uma vez: faço as coisas porque quero, não por ser moda ou por ser cool ou por você esperar que eu as faça. 

domingo, 8 de junho de 2014

Pergunte ao pó - John Fante

“A igreja precisa acabar, é o refúgio da burroguesia, de bobos e brutos e todos os baratos charlatões.”

“Uma prece. Certo, uma prece: por motivos sentimentais. Deus Todo-Poderoso, lamento ser agora um ateu, mas o Senhor leu Nietzsche? Ah, que livro! Deus todo poderoso, vou jogar limpo nessa questão. Vou lhe fazer uma proposta. Faça de mim um grande escritor e eu voltarei à igreja. E Lhe peço, caro Deus, mais um favor: faça minha mãe feliz. Não me importo com o Velho, ele tem seu vinho e sua saúde, mas minha mãe se preocupa tanto. Amém.”

"Meu conselho para todos os jovens escritores é bastante simples. Eu lhes recomendaria que nunca evitassem uma nova experiência. Eu os instaria a viver a vida em estado bruto, a atracar-se com ela bravamente, a golpeá-lá com os punhos nus."

“Quando voltei ao meu quarto, joguei-me na cama e chorei um choro sentido. Deixei que as lágrimas corressem de cada parte de mim, e quando não podia mais chorar, me senti bem de novo. Sentia-me verdadeiro e limpo.”

“Ela me viu quando eu entrava. Ficou contente ao me ver; eu soube pelo jeito como seus olhos se arregalaram. Seu rosto se iluminou e senti aquele aperto na garganta. Imediatamente fiquei tão feliz, seguro de mim mesmo, limpo e consciente da minha juventude.”

John Fante, no livro Pergunte ao pó.


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Let Her Go



A deixou ir

Bem, você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol, quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixou ir
Só sabe que estava bem quando está se sentindo pra baixo
Só odeia a estrada quando está com saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixou ir
E você a deixou ir

Olhando para o fundo do seu copo
Esperando que um dia faça um sonho durar
Mas sonhos chegam devagar e passam muito rápido
Você a vê quando fecha os olhos
Talvez um dia você entenda porquê
Tudo o que você toca, certamente, morre

Mas, você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol, quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixou ir
Só sabe que estava bem quando está se sentindo pra baixo
Só odeia a estrada quando está com saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixou ir

Olhando para o teto no escuro
O mesmo velho sentimento de vazio em seu coração
O amor chega devagar e passa muito rápido
Bem, você a vê quando dorme
Mas para nunca tocar e nunca manter
Porque você a amava muito
E você mergulhou muito fundo

Bem, você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol, quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixou ir
Só sabe que estava bem quando está se sentindo pra baixo
Só odeia a estrada quando está com saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixou ir
E você a deixou ir
OO oo oo
E você a deixou ir
OO oo oo
E você a deixou ir

Pois você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol, quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixou ir
Só sabe que estava bem quando está se sentindo pra baixo
Só odeia a estrada quando está com saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixou ir
E você a deixou ir

Pois você só precisa da luz quando está escurecendo
Só sente falta do sol, quando começa a nevar
Só sabe que a ama quando a deixou ir
Só sabe que estava bem quando está se sentindo pra baixo
Só odeia a estrada quando está com saudade de casa
Só sabe que a ama quando a deixou ir

E você a deixou ir

sábado, 10 de maio de 2014

Citações do livro Cem anos de Solidão - Gabriel García Marquéz




"Alguma coisa então aconteceu dentro dele: algo misterioso e definitivo que o desenraizou do tempo presente levou-o à deriva por uma região inexplorada de recordações."

"...e a gente não é de lugar nenhum enquanto não tem um morto debaixo da terra deste lugar."

"...na verdade estavam ligados até a morte por um vínculo mais sólido que o amor: um remorso comum de consciência."

“ - E o que é que a gente sente? o irmão deu uma resposta imediata:
- É que nem um terremoto.”

“- Quero ficar com você – dizia ele – Um dia desses conto tudo pra todo mundo e se acabam os segredos.
Ela não tentou apaziguá-lo.
- Seria muito bom –disse. – Se ficarmos sozinhos, deixaremos a lâmpada acesa para nos vermos direito, e eu vou poder gritar tudo que quiser sem que ninguém se meta e você vai me dizer ao pé do ouvido todas as bandalheiras que imaginar.”


“...arrastada pela família para separá-la do homem que a tinha violado aos catorze anos e continuou a amá-la até os vinte e dois, mas que nunca se decidiu a tornar pública a situação porque era um homem comprometido com outra. Prometeu a ela que a seguiria até o fim do mundo, só que mais tarde, quando resolvesse a sua situação, e ela tinha cansado de esperar por ele, reconhecendo-o sempre nos homens altos e baixos, louros e morenos que as cartas do baralho lhe prometiam pelos caminhos de terra e os caminhos de mar, para dali a três dias, três meses ou três anos. Na espera havia perdido a força das coxas, a dureza dos seios, o habito da ternura, mas conservava intacta a loucura do coração.”

“Os filhos herdam as loucuras dos pais.”

“A adolescência havia tirado a doçura da sua voz e feito com que ele se tornasse silencioso e definitivamente solitário, mas ao mesmo tempo havia restituído a expressão intensa que tinha nos olhos ao nascer.”

“É que ela também padecia do espinho de um amor solitário.”

“Aquela mulher o atordoava. O mormaço da sua pele, seu cheiro de fumaça, a desordem da sua risada no quarto escuro perturbavam sua atenção e faziam com que tropeçasse nas coisas.”

“Depois de tantos anos de morte, era tão intensa a saudade dos vivos, tão urgente a necessidade de companhia, tão aterradora a proximidade da outra morte que existia dentro da morte, que Prudêncio Aguilar havia terminado por gostar do pior de seus inimigos.”

“Assim, os dois alugaram uma casinha em frente ao cemitério e se instalaram nele sem outro móvel além da rede de José Arcádio. Na noite de núpcias um escorpião que tinha se metido na pantufa de Rebeca mordeu o seu pé. Ela ficou com a língua dormente, mas isso não impediu que passassem uma lua de mel escandalosa. Os vizinhos se assustavam com os gritos que acordavam o bairro inteiro até oito vezes numa noite, e até três vezes durante a sesta, e rogavam que uma paixão tão desaforada não fosse perturbar a paz dos mortos.”


“... mas fosse como fosse não entendia como se chegava ao extremo de fazer uma guerra por coisas que não podiam ser tocadas com as mãos.”

Citações Charles Bukowski



“esse então
será o meu destino:
contar os centavos em pequenas salas escuras
ler poemas de que já me cansei faz
tempo.

e eu que pensava que
quem dirigia ônibus
limpava privadas
ou matava gente nos becos
era idiota.”

Parte do poema O recital de poesia, no livro Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém.



“nesse quarto
as horas do amor
ainda fazem sombras.”

Parte do poema para Jane, No livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

“quando você partiu
você levou quase
tudo.”

Parte do poema para Jane, No livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

“o que você foi
 não vai acontecer de novo.
os tigres me encontraram
e eu não me importo mais.”
Parte do poema para Jane, No livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

“amor é o que acontece
uma vez a cada dez anos.”

Parte do poema Uma definição, no livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

“e o amor é uma palavra usada
muitas vezes e muitas vezes
cedo demais.”

no livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

“os seus pés pequenos
as suas mãos pequenas
os seus dedos acariciando meus olhos e
minhas orelhas e o seu riso me
 consolando.”

no livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

“e eu queria me lembrar dela desse
jeito: em seu momento perfeito
antes que ela se cansasse do jogo e
 nós dois um do
outro.”


no livro Amor é tudo que nós dissemos que não era.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Citações Paulo Freire, no livro Pedagogia da autonomia.

“e uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas.”

“Faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A pratica preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia.”

“Está errada a educação que não reconhece na justa raiva, na raiva que protesta contra as injustiças, contra a deslealdade, contra o desamor, contra a exploração e a violência um papel altamente formador.”

“Só os seres que se tornaram éticos podem romper com a ética. Não se sabe de leões que covardemente tenham assassinado leões do mesmo ou de outro grupo familiar e depois tenham visitado os ‘familiares’ para levar-lhes solidariedade. Não se sabe de tigres africanos que tenham jogado bombas em ‘cidades’ de tigres asiáticos.”

“Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu ‘destino’ não é um dado mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismo.

Gosto der gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Está é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. A diferença entre o inacabado que não se sabe como tal e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado. Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influência das forças sociais, que não se compreende fora da tensão entre o que herdo social, cultural e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo.”


“Não podemos nos pôr diante de um aparelho de televisão ‘entregues’ ou ‘disponíveis’ ao que vier. Quanto mais nos sentamos diante da televisão – há situações de exceção – como quem, em férias, se abre ao puro repouso e entretenimento, tanto mais riscos corremos de tropeçar na compreensão de fatos e de acontecimentos. A postura crítica e desperta nos momentos necessários não pode faltar.”


“Não importa com que faixa etária trabalhe o educador ou a educadora. O nosso é um trabalho realizado com gente, miúda, jovem ou adulta, mas gente em permanente processo de busca. Gente formando-se, mudando, crescendo, reorientando-se, melhorando, mas porque gente, capaz de negar os valores, de distorcer-se, de recuar, de transgredir. Não sendo superior ou inferior a outra prática profissional, a minha, que é a prática docente, exige de mim um alto nível de responsabilidade ética de que a minha própria capacitação científica faz parte. É que lido com gente. Lido, por isso mesmo, independentemente do discurso ideológico negador dos sonhos e das utopias, com os sonhos, as esperanças tímidas, às vezes, mas às vezes, fortes, dos educandos. Se não posso, de um lado, estimular os sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem sonha o direito de sonhar. Lido com gente e não com coisas. E porque lido com gente, não posso, por mais que, inclusive, por mais que me dê prazer entregar-me a reflexão teórica e crítica em torno da própria prática docente  e discente, recusar a minha atenção dedicada e amorosa a problemática mais pessoal deste ou daquele aluno ou aluna.”


Paulo Freire, no livro Pedagogia da autonomia.