quinta-feira, 26 de junho de 2014

citações do livro: "O amor é fodido" , do Miguel Esteves Cardoso.


"Tudo o que é dos outros é melhor. O carro, o sofrimento, o trabalho, o amor. Os outros são muito melhores que nós. Prefiro sempre os sentimentos e as coisas dos outros aos meus. Se alguém me ama, isso basta-me perfeitamente, não preciso de amar também. Se tenho algum interesse é para os outros, porque esses, coitados, não me conhecem."

"Afastem-se das mulheres que vos atraem e aproximem-se daquelas que vos repugnam. Mas não se habituem. A repugnância também pode tornar-se um vício. Mal por mal, mais vale não correrem o risco de ficarem apanhados por uma mulher má e repugnante, quando há para aí tanta rapariga bonita..."

"Um homem desapaixonado é um verdadeiro homem. Como nos filmes. É duro, honesto, corajoso, insensível. Em contrapartida, os homens apaixonados ficam moles e tornam-se meninas. Mudam de voz. Fazem olhos de perdigueiro. Começam a gostar de doces. Têm ciúmes. Têm filhos."

"Não percebemos que há mulheres más. Muitas mulheres más. Muitas muito más. Mais mulheres más que boas. Aí dez más para cada boa. Atenção: boas geralmente feias e desinteressantes."

"O fim não tem tempo. Ê fácil morrer quando está tudo acabado. E deixar de ver as árvores. E deixar de tocar os muros. Quando os há. O fim não tem pressa. Nem significado. Se ao menos fosse uma surpresa. Ou um alívio. Ou uma inevitabilidade. Poderíamos rir. Poderíamos concluir. Poderíamos conversar. Mas o fim não tem carácter. Só há uma maneira de dizer isto. Só damos por ele quando já é tarde."


"Abri os olhos e não gostei do que vi. Esperei uma eternidade. Ainda não tinha aprendido a adormecer. Quanto mais viver."
"Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este gênero de merdas acontecer."
"A semana passada dei a minha última foda. Há uma semana, ó caralho. Há uns quinze dias. Gostei. Sempre gostei. Agora tanto se me dá como se me deu. A Teresa também não pode foder. Ela até muito menos que eu. Ela que fodia tão bem. Com quem eu fodia tão bem. Durante aqueles anos todos em que nos demos tão mal. Em que nos íamos matando. Em que decidimos morrer. Teresa. Lembras-te de quando nos matámos? Eu lembro-me perfeitamente. Foda-se — já perdi."

"Dávamo-nos mal. Fodíamos bem e fodíamos mal, mas nunca nos demos bem."

"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido."

“Mesmo assim eu preferia tomar os comprimidos a aturar as raparigas que eram contra os comprimidos. A salvação pode ser muito bonita mas é preciso levar em conta o tempo infinito que demora.”

“É preciso cair num poço de água gelada para me sacudir de ti. Deixaste em destroços a minha vida, antes e depois de ti. Destruíste a velha alegria que eu tinha guardado tão cuidadosamente.”

“O que custa mais não é tanto lembrar — é não esquecer.
O que é que se faz com o que nos fica na cabeça,
quando já não há nada para fazer?”

“A certa altura decidi que mais valia estar sozinho. Nunca na minha vida arranjei tantas namoradas.”

“Não se pode ficar sozinho e bem disposto neste mundo.”


“Foder uma amiga duma amiga é chato, como sair um cromo* repetido. Então quando elas se fartam de nos imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos estejam a imaginar na cama com as amigas. Tira um bocado o tesão, esta familiaridade.” (*figurinha)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Citações

“Para mim era trabalhoso aceitar a solidão. Era difícil aprender a me auto abastecer. Eu continuava achando que era impossível. Ou que era desumano. “O homem é um ser social”, tinha me repetido muitas vezes. Isso, mais o calor do tropico, o sangue latino, minha mestiçagem fabulosa, tudo conspirava a meu redor, como uma rede, me incapacitando para a solidão. Esse era o meu problema e o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim.”

“Tomara que eu chegue aos oitenta e três anos com alguma ilusão. Nem que seja a ilusão boba de arranjar namorada e casar pensando que o amor é possível e que a miséria e a fome vão passar.”

“Às vezes, quase sempre, é bom se deixar levar pela intuição e não pensar. Os preconceitos fodem com muita coisa na vida. ”

“E, ao mesmo tempo, vou envelhecendo. E constato que estou perdendo a capacidade de cinismo. Estou perdendo a energia e a alegria e o poder de multiplicação. Já não consigo levar as coisas com o cinismo da juventude, e queria me dar sempre bem, custasse o que custasse.”

“Sempre acontece isso com os bobos. O que lhes falta de cérebro, lhes sobra de pau.”

Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana


“Cortei relações com o tempo, e venho tentando cortá-las com o mundo também, o que nem sempre é possível, já que o mundo se move e acaba te implicando no movimento dele, o que é, no mínimo, uma puta arbitrariedade por parte do mundo. ”

“Ô destino filho da puta, reclamei pros céus.”

“Eu conseguiria viver sem poesia. Aliás, eu vivo sem poesia. Não conseguiria é viver sem buceta.”

“Você sempre levou a vida nessa flauta Zé Carlos?”
“Na flauta, no cavaquinho e no pandeiro. Vida de artista Terezinha, vida de artista. Baudelaire vivia assim. Você não sabe quem é Baudelaire, mas era assim mesmo que ele vivia em Paris, e se deu bem. Fora a sífilis, a miséria e a facada que levou da amante.”


Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Guilherme Antunes - Por Priscila Pinter

“Foram os teus olhos. Apaixonei-me por ti através dos teus olhos. Não tuas pernas, não teus quadris, não o teu sexo. Foram os teus olhos a dissolver meus tempos tristes, vingar um passado inteiro em que não te amei. O teu olhar anunciou-me os dias bons, contou-me dos até então distantes milagres que nos permite o silêncio dos amantes. Por isso, calo-me para ver-te e amar-te. E pois quando me vês, chama-me a boca ao beijo e não mais aos verbos, chama-me o toque ao corpo e não mais aos gestos. O teu olhar me deu o amor, e existência. Cumprindo previstos encantos dos sonhos que guardei, devolvendo-me ao mundo e ao tempo para ser feliz. Não apenas tua boca, não apenas tuas mãos, não somente o teu ventre; teu olhar acendeu-me para incendiar-me nos desejos todos por saber-te minha. Foram os teus olhos a despir-me dos medos de mergulhar nas tuas profundidades que o amar nos concede. Foram os teus olhos.  Apaixonei-me por ti através dos teus olhos, porque são teus.”


“Sintonia acontece quando a gente põe coração um na frente do outro fantasiados de espelho. Quando primavera e outono se apaixonam. Quando impressão é certeza. Quando se sabe dois; ou quando se sabe o mesmo. Sincronia, sorte, dois patinhos na lagoa. Insight, dejà vu, andorinhas que juntas fazem verão. Acontece nos olhos que falam o mesmo silêncio, nos sorrisos que confessam os mesmos desejos, nas vidas que costuram o mesmo momento. Sintonia é mergulho e vôo que se abraçam. Verdade em par daqueles que se arrepiam juntos, sentem o mesmo e bebem do mesmo poço. Sudito e rei como amantes; reino e nobreza como amados; ressoando amores em qualquer direção, e que se encontram em qualquer lugar. Sintonia é também doer junto, amar junto, ser inteiros, ser um: são. Comunhão. Sintonia é canção que canto mas que só teu coração escuta. Identidade dos suspiros, harmonia das almas, afinidade dos passos. É o jeito manso que a vida dá para aproximar bocas que se aguardam. Sintonia é Amor confesso nas entrelinhas do óbvio. E o óbvio se torna bem mais claro quando olhos e coração afinados se sintonizam.”
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“Milagre: A dimensão do impossível que sabe o nosso nome e nos visita quando à Vida nos entregamos. Ver também: merecimento.

Merecimento: A primavera após inverno. O dia depois da noite depois do dia. Destino que se consegue carregar nos bolsos; o inevitável diante de quem somos. O resultado das nossas ações despido dos acessórios da contrariedade e da reclamação. As exatas matemáticas da Alma.”


“Sou habitante de adiados sonhos, e sou uma precariedade; um adiamento constante para ser melhor. Sofro para me despedir até do que não me serve mais, mantendo minha quota de liberdade viva com a ajuda de ilusões. Renunciei a esperança de ser inteiro. Eu queria um Amor que nunca mais soube sentir. Queria qualquer coragem que me livrasse de ser esta metade que me anestesia e me consome inteiro. Eu só tenho morrido exatamente por não viver. Passei a achar normal não ser feliz.”


“Sabe doutor, depois que o amor se vai, o que nos mata mesmo é não termos mais acertados destinos. Hoje sou uma angustiosa ausência de mim, um intervalo entre o amor e o nada a que me permiti. Sou mulher sem pressas nem vontades, não carrego mais pecados, não possuo mais virtudes. Para quê? O que quer que cultive não florescerá. Sou a agonia de um parto que se estende pelas madrugadas. A questão é que me tornei uma inexatidão pois, como caminhar com estes imprecisos passos para lugares de um futuro que meu coração dispensa?! Qual direção sabe minha própria alma? Sinto-me um incômodo para o porvir, uma pendência para os amanhãs. Se os homens são escravos de suas direções, disto doutor, eu estou livre. Eu me tornei apenas uma aparência, presa a si mesma e que continua sendo. Um eco que frustrado não se realizou. Nada mais espero das esperanças doutor, e meus sintomas são as únicas coisas que sinto. Ausente isto e não sentiria mais nada. Talvez fosse melhor. O meu sorrir é a minha mais sincera farsa; padeço de mentirosas possibilidades. Sofrer é o único sincero oficio que aprendi quando amor se despediu. Vivo por uma ingerência do tempo, um descuido da vida que se esqueceu de me esquecer. Queria um vício qualquer para me ocupar sabe? A me dar preocupações que me prendessem em algo e evitar que eu me perca diluído em mim. Acontece doutor, que o cigarro nem pra ter a decência de acender. O álcool nem pra derrubar minha atarantada lucidez. Ando bebendo a vida a conta-gotas para ao final derramar o que restou. Nem vocações para fantasma ando tendo. Salve-me doutor, pois nem o espelho reflete mais o que me tornei...”

“Há em nós a lucidez dos loucos, mas não daqueles loucos tão comuns que habitam este mundo em cada esquina. Somos da quota de loucos que não aceitaram suas prisões e que não entraram por liberalidade em suas gaiolas. Que não se amarraram ao outro com suas correntes. Somos da fração da loucura que abriu mão do dia-a-dia, do seu mais do mesmo. Há em nós a rebeldia dos que não se contentaram com o peso da realidade e abriram as novas portas -e as ideias- em busca de alcançar o horizonte...”
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 “Enraizados no ontem das nossas escolhas, custa-nos mover o mundo para habitarmos outro mais feliz, abandonando o que não nos serve mais. Enquanto a vida nos aponta repetidas razões para escolhermos o novo e com ele o risco de sermos felizes, preferimos nos apegar às justificativas e pretextos que criamos para nos mantermos no mais do mesmo e não sairmos do lugar. Vivemos presos à mesma ideia de que ainda poderemos ser felizes com o que não dá mais certo. Custa-nos tempo, energia e até equilíbrio para perceber que certas relações são hábitos e costumes, e o "amor", palavra oca na boca dos que repetem para anestesiar infelicidades e acreditar que mantém suas escolhas porque deliberadamente querem, não pelo medo dos vazios, carências e milhares de boas desculpas com que nos convencemos a ficar onde estamos, não arriscando nossos empoeirados confortos, nossa felicidade bem arrumada, nosso planejado fim de semana. Queremos a felicidade tendo medo de ser feliz. Um dia, medi os pesos e pesei as vantagens de ser feliz. Hoje sinto o gosto da liberdade.”


“Deveria ser proibido versarmos sobre liberdades e levezas enquanto não praticássemos os nossos perfumados e arrumadinhos verbos e quase sinceras frases de efeito. Deveríamos viver presos às nossas verdades sem chance nenhuma de qualquer fuga parcial, adiamento ou distração. Quem sabe, imersos e sufocados por inteiro e de uma só vez, sairíamos correndo das nossas prisões como quem desesperado busca o ar pra respirar. Quem sabe doer inteiro e não em doses homeopáticas seja a lembrança de que a felicidade não pode ser um placebo, tampouco parcelada. Por ora e enquanto não encaramos o espelho, o medo e o outro, pagamos os nossos pecados por sermos menos, ao mesmo tempo em que criamos outros pecados mais para pagar.”


“Amor, tenho urgências para dormir contigo. Sim, dormir para ganhar verdadeiras intimidades com teu corpo, com tua alma e com a tua despretensiosa e entregue horizontalidade. Preciso dormir contigo para despertar outras dimensões e vontades de ser teu. Quero dormir contigo para daqui em diante não mais te procurar no meu sonhar; desejo o descanso daquele que encontrou. Suplico para que durmamos juntos para ser contigo versão de mim que desconheces, a de que sou Amor mesmo em repouso; que embora inconsciente, sou resoluto e lúcido Amor. Logo eu, versado na arte dos descansos, contigo ainda não fiz dueto. Preciso dormir contigo para que esta seja minha incondicional rendição, quando desnudo dos medos e de mim próprio, permanecer tão-somente Amor para tuas presenças. Se fazer amor contigo é declaração de intensas sonoridades, quero agora me declarar para ti deitada sobre os silêncios. Preciso dormir contigo para, na verdade, adormecer as despedidas e, do outro lado da noite, saber você comigo nos dois lados de mim.”

“Você vem até aqui buscar por palavras que te aliviem das inevitáveis e acumuladas tristezas da vida. Você quer palavras que interpretem teus sonhos e revelem os propósitos da tua existência. Você procura por palavras que definam os indefinidos e indefiníveis dentro de ti. Você quer palavras em que identifiques o mapa dos teus interiores labirintos. Você anseia por palavras e previsões do teu próximo Amor ou o segredo e chave das tuas prisões. Palavras que serenem marés, tenham tons de milagre ou inovadoras percepções sobre os teus amanhãs. Você precisa de palavras como distração das ansiedades. Palavras que te salvem e que te curem. Que te confessem sem você precisar dizer nada. Você quer a sabedoria que em si mesma nunca encontrou. Por isso escrevo, para tentar salvarmos a todos nós, dissolvidos nos romances e nas entrelinhas. Você quer uma poesia além das páginas, no contorno dos teus caminhos. Eu também; eu busco o mesmo que você. Quem sabe um dia eu encontre entre tantas linhas, aquelas que saibam o nosso nome.”


“Como não sabemos o valor do que mora dentro; como não nos ensinaram a enxergar o que somos e quem realmente somos, através dos olhos dos outros nos reconhecemos. O nosso valor então, deixa de ser intrínseco e se torna fluído numa precária verdade, por aquilo que vestimos, pelo carro que compramos e pelo que demais ostentamos. A nossa medida é dita pelo que temos e não pelo que somos; coisa que ninguém, além de nós mesmos, podemos saber. A riqueza é mero reflexo da superfície; frágil por sinal. Assim, um sopro, um elogio ou uma crítica sempre nos atingirá e nos balançará, sejam elas sinceras ou não. Bem aventurados aqueles que fecharam os olhos e então souberam quem realmente são, para além das coisas do mundo.”


“Sou meus cigarros à sua espera; sou meu café e mais dezenas de canais sem nada demais e que não me distraem. O que me resta hoje é uma madrugada infinita, insone e triste; em que vou preenchendo meus vazios e cultivando minha desmedida aflição, sem tuas palavras a me falar sobre a vida, sem tuas cores a brilhar os meus olhos, sem tua música para os meus ouvidos. Pois era você quem tanto se fazia presente aqui dentro a me distrair da vida lá fora. Tantos anos contigo e desde o começo você me encantou. Não te namorei porque isso era impossível, você bem sabe. O tempo passou e incontáveis foram os meus sorrisos, minha inteira entrega e fiel devoção. Os muitos problemas que tivemos nunca diminuíram minha admiração ou minha atração por você. És sedutora como jamais pensei que pudesses ser. E entre altos e baixos, agora era demais. O teu silêncio tornou minha casa insuportável. Tua ausência denunciou que eu não sei mais o que fazer longe de ti. Se você não retornar até amanhã, não saberei dizer o que será de mim, ou dos meus dias seguintes. Vou ligar para quem deva ouvir meu desespero. Gritar minhas ruínas. Exigir o tempo que não volta mais. A minha internet sem conexão. O atendimento ao cliente é péssimo.”


“Pois bem! Paremos então de ser movidos por romances como se na vida nós só nos movêssemos por eles. Paremos de ser romanticóides! A vida na sua própria realidade já contém a quota de poesia necessária aos olhos e à própria vida. Não precisamos viver de livros de banca de jornal, novela das oito ou de escritoras-pop pra consumir e ter aquilo que não temos. Não precisamos acreditar na ideia de que só seremos inteiros dizendo sim no altar ou num cavalo branco a nos levar em direção a ideia de um amor-eterno. O mundo está recheado de amor-eterno que no dia seguinte se torna outra coisa. E não, não há erro nem pecado em desfazer os laços e escolher com outro a versão mais nobre de si. As nossas escolhas diariamente nos definem; ainda que sejam as mesmas. Não precisamos aceitar que a nossa vida é cinza porque não se sente borboletas no estômago ou porque não somos correspondidos. A angústia e o vazio nascem por acreditarmos em histórias pra boi dormir e idealizar a vida como pano de fundo para nossos romances com finais felizes de príncipes encantados. A vida não é isso, a vida não é só isso. Ela vai bem além. E o Amor,  o Amor é outra coisa.”

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Citações Oscar Wilde. In: O Retrato de Dorian Gray - Por Priscila Pinter


“Sinto um estranho prazer em lhe dizer coisas que depois me arrependerei de ter dito."

“A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe. Resistamo-lhe e nossa alma adoecerá de desejo do que proibimos a nós mesmos do que as suas leis monstruosas tornaram monstruosas e ilegítima .”

"... no mundo só existe uma coisa pior do que falarem de nós: é não falarem de nós."

"..., a verdadeira beleza acaba onde começa a expressão intelectual."

"A intelectualidade é em si mesma um exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto."

"..., a consciência e a covardia são a mesma coisa..."

"O riso não é um mau começo de amizade, e está longe de ser um mau fim..."

"Escolho os meus amigos pela sua boa aparência, meus meros conhecidos pelo seu bom caráter e os meus inimigos pela sua inteligência."

"...o Gênio dura muito mais que a Beleza."

"Aqueles que são fiéis conhecem apenas o lado trivial do amor. O infiel é que conhece as tragédias do amor."

"As mulheres não apreciam a beleza física. Pelo menos as mulheres honestas."

"Não existe influência boa. Toda influência é imoral... Porque influenciar uma pessoa é transmitir-lhe a nossa própria alma."

"Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, porque a ação é uma forma de purificação... O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela."

“Os homens se casam por cansaço, e as mulheres, por curiosidade. Ambos ficam decepcionados.”

“Uma grande paixão é privilégio dos que não tem nada para fazer.”

"Somente as coisas sagradas merecem ser tocadas."

"Todo mundo gosta de esbanjar aquilo de que mais necessita."

"A base do otimismo é o medo absoluto."

"O prazer é a única coisa digna de teoria."

"Quando somos felizes, somos sempre bons. Mas como somos bons, nem sempre somos felizes."

“Os homens se casam por cansaço, e as mulheres, por curiosidade. Ambos ficam decepcionados.”

“Uma grande paixão é privilégio dos que não tem nada para fazer.”

"Somente as coisas sagradas merecem ser tocadas."

"Todo mundo gosta de esbanjar aquilo de que mais necessita."


"Os maridos das mulheres belas pertencem à categoria dos criminosos."

"É inteiramente monstruoso o costume que tem as pessoas hoje em dia de falar mal dos outros às suas costas, afirmando coisas que são absoluta e completamente verdadeiras."

"Quando uma mulher se casa de novo é porque detestava seu primeiro marido. Quando um homem torna a se casar, é porque adorava sua primeira mulher. As mulheres tentam a sorte. Os homens arriscam a sua."

"Um homem pode ser feliz com qualquer mulher, contanto que não a ame."

"Gosto de homens que tem um futuro, e das mulheres que tem um passado."

"Para ser popular é necessário ser medíocre. Todas as boas reputações são feitas de nada."

“Nunca busquei a felicidade. Quem no mundo deseja a felicidade? Procurei apenas o prazer."


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Charles Bukowski - no livro Ao sul de lugar nenhum

“Até mesmo os homens mais fortes podem ser pegos em armadilhas, como Deus, na vez em que caminhou sobre a terra.”

“Nunca tinha sido mimado por nenhuma de minhas mulheres. Gostava de ser paparicado assim; senti que merecia ser mimado dessa forma.”

“Homens se tornam intelectuais porque sentem medo.”

“Não queríamos muita coisa e não conseguíamos nada. Era tudo uma merda.”

“O segredo era manter quatro paredes ao redor da gente. Dentro de quatro paredes, tinha-se uma chance.”

“ - Você não é um bom sujeito. É o filho da puta mais malvado que já conheci. É por isso que gosto de você.”

“Que sonho bom: nunca mais olhar na cara de outro ser humano.”

“Deus é muito popular em lugares como esse.”

“ – Posso sentir a dor rastejando por todo meu corpo. É como uma segunda pele. Queria poder me livrar dessa pele como uma cobra.”

“- Quase gosto daqui, da prisão – eu disse.
- Sim, você parece estar se dando bem por aqui.
- Sem tensão – eu disse -, sem aluguel, sem contas, sem brigas com namoradas, sem impostos, sem placas de licença, sem despesas com comida, sem ressacas...”

“e me ocorreu que todo mundo sofria continuamente, incluindo aqueles que fingiam não sofrer . Parecia-me que essa era uma boa descoberta.”



Charles Bukowski, no livro Ao sul de lugar nenhum

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Efraim Medina Reyes, Citações no livro Técnicas de masturbação entre Batman e Robin



“Lembre-se de que a única razão pela qual ela está com você é porque acredita que não pode ter coisa melhor.”

“Um corpo de mulher é mais que a própria mulher, existe resplendor e abismo nele e tanta distancia quanto você quiser imaginar. Para penetrar seu próprio prazer você deve ser como ela. Deixe sair o duende incendiário que destampa poços e encontra fragrâncias malignas, libere a perversidade feminina que qualquer homem sadio contém, aprenda com ela que sabe mais do que ninguém.”

“A maioria dos caras acha que ser bom no sexo consiste em resistir até que ela tenha orgasmo e depois ejacular. Se não resistem, sentem-se frustrados, isso acontece porque eles se aferram à sua vara e esquecem que o sexo, assim como todas as coisas, está na mente. Uma vara, por especial que seja, não pode dar mais prazer a uma mulher do que uma banana-prata. Se você se aferrar à sua vara, vai afundar com ela e será tragado vagina após vagina sem entender nunca por que sempre o olham como se você fosse uma estúpida banana-prata.”

“Muitos aventureiros da sedução terminaram seus dias  delirando em bares.”

“Elas usam sexo para obter os mais diversos resultados: poder, celebridade, auto-estima, estabilidade, amor e até prazer.”

“O mais importante do sexo é o ritual, saber que existem duas pessoas que estão se procurando para além do imediato prazer. Gosto de pensar que ao fazer amor duas solidões se procuram, que temos o sangue de um felino e o coração de um pássaro e por isso existem as canções.”

“... todos entardeceres se juntam em meu coração e mal posso respirar.”

“... não era a verdade que me interessava, sabia há muito tempo que de todas as histórias a verdade é a pior.”

“Por que a maldita coca-cola não é também  a bebida mais saudável e nutritiva do mundo? Por que o espinafre não tem gosto de batata frita? No fundo a gente sabe, não é? Sabe, sim. Quando você ama uma mulher gostaria de tê-la para sempre na cama, ficar ali, enterrado nela. E se isso não é possível você preferiria visitar o seu tumulo a saber que esta com outro qualquer. A cama ou o tumulo são os únicos lugares que você sonha para quem ama, o resto é retórica.”

“... odiava que as pessoas, mesmo as que jamais havia visto, partissem.”

“Sinto-me perdido e, como sempre quando isso ocorre, desejaria estar no dia seguinte ou ter nascido urso polar...”

“Pretendia indagar o sentido da minha vida, devorar livros em busca do conhecimento, mas gastei minhas noites combatendo resfriados e ouvindo baladas no rádio, mais do que em qualquer outra coisa.”


“Manter a boca fechada é difícil, mas eficaz. Quando alguém mantém a boca fechada por um longo tempo cria em torno de si uma atmosfera de mistério e inclusive de temor. Se alguma vez pronuncia umas poucas palavras (quanto mais absurdas, melhor), estas serão levadas a sério. O silencio é confundido muitas vezes com inteligência (um sábio que fala demais está perdido).”







quinta-feira, 12 de junho de 2014

Citações -Reinaldo Moraes - No livro Pornopopéia



“Esguichar porra na cara da mulher é o que há. Na boca, no nariz, nos olhos, nas bochechas, no cabelo - é lindo. E fica mais lindo ainda quando elas lambem e sorvem a porra, que é pra você se sentir o governador-geral da putaria. As boas fêmeas gostam disso. Algumas das más também. E não é só em filme pornô, não. Bom, você deve saber disso tanto quanto eu.”

" "Gostou?", Lolla me perguntou, empertigando o tórax para realçar seus melões artificiais. " Fiz no hospital, com médico, anestesista, tudo direitinho. Botei silicone cirúrgico, não desses industrial que as biba rampeira se injeta por aí. Aqui foi tudo de prima. Torrei um dindim retado."
"Ficou bom mesmo", murmurei. Mas lembrar daquele maldito documentário fez desandar o rudimento de tesão que eu começava a experimentar pela criatura à minha frente. Acho que você desfruta melhor de peitos artificiais e embutidos de carne em geral se não souber como são feitos, como já mais ou menos disse alguém."

“Mulher gosta de ouvir seu nome evocado pelo macho fodedor, mesmo que seja só um freguês repetindo um nome de guerra com que ela se apresentou. Mas, quando se trata de gandaia, prefiro meter numa mulher sem nome, numa buceta sem história, carne penetrável, gozável e ponto final. Isso me faz sentir vazio de nome, identidade, livre do peso de ser o velho e gasto eu mesmo, como o rio que perde forma, essência e nome quando se entrega às águas do mar. Pra que nomes quando se está dentro de uma buceta? Tanto que só dão nome às pessoas quando elas saem de lá. ”

"Fazer uma mulher rir é fundamental. Mas tem que ter cuidado: se ela ficar rindo demais, o tempo todo, é sinal de que você virou um palhaço. E palhaço não dá tesão em mulher nenhuma. Palhaço só dá medo em criança."

"a vida cotidiana pode ser bem divertida e pornográfica se você tiver olhos atentos."

"Meninas bonitas deviam todas seguir o padrão DDD de qualidade: Doidas, Dadeiras, Divertidas."



"O velho desconforto patafísico de ser e estar em mim. Mas se eu fosse um outro qualquer tenho certeza que o filhadaputa seria ainda pior que o meu atual mim mesmo."


“(...) Fiquei pensando um monte também. Pensei, por exemplo, no meu finado casamento com a Lia. Parece que agora foi pro saco mesmo. Não por ela estar dando prum bostinha chamado Júlio, de intelecto brilhante e cuzão arrombado. Pra isso tô cagando. Buceta, lavô tá nova. Não se trata disso, de ciuminhos pequeno-burgueses, nem porra nenhuma do gênero. É que tá na cara que acabou. Simples assim. Cabo, finito.”

“A famosa depressão não cola em mim, sei lá por que motivo. Acho que a minha mioleira não dispõe dos neurorreceptores da melancolia. Fico deprimido pra valer meia hora por semestre, em média, se é que não se trata apenas de azia e má digestão. Já a ansiedade é um fungo que se espalha endêmico por todo o meu aparelho volitivo – a tal história de querer tudo ao mesmo tempo agora, em outro lugar. É o bicho a ansiedade. Às vezes o bicho sossega um pouco, mas de cá de dentro, da jaula do peito, não sai de jeito nenhum.”

Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia