sábado, 26 de julho de 2014

Citações - Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo


“Ser cruel e grosseiro com as pessoas não é bom mas acalma os nervos. Também sacaneiam com a gente e assim é a vida.”

“Ser presa dos fracassos é um traço típico dos cancerianos.”

“A inteligência e o amor não dão liga. O amor é burro. O amor só é inteligente no abstrato. Se um homem quer ser elegante e lúcido ao amar uma mulher deve fazê-lo no abstrato.”

“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”

“Nunca amei uma mulher antes, só me interessaram sexualmente. Ela também me excita, mas alguma coisa, uma estranha sensação nos nervos ameaça me sufocar se não voltar a vê-la. Será que estou ficando babaca?”

 “A minha alma está estragada.”

“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza disso.”

“Quando a gente está com alguém da mesma espécie se sente à vontade, não é preciso representar.”

“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que fazer.”

“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela. Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”

“A gente se mete a escrever porque não foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua namorada, porque não disse à mãe o muito que a amava e detestava, porque não cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que pagassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem oficio nem benefício, porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos como García Marquéz e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado, porque odeia as pessoas e quer insultá-las.”

“A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões pra isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios ou escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar uma mosca.”

“Kurt não era bom para conversar, não gostava de contar suas coisas nem de ouvir as dos outros, considerava seus pensamentos um tesouro.”

“Os professores são a coisa mais boba e indiferente que existe, é fácil enganá-los porque não dão a mínima se partirem a sua alma, só querem que chegue o fim de mês para receber seu salário miserável, só desejam que uma garota carnuda lhes de chance para trocar o óleo.”

“Sonho que uma certa garota não foi embora, que posso encontrá-la quando quiser, que não se casou com um inseto, que o tempo não aconteceu, que não tenho vinte e poucos anos e as mãos vazias, que ela continua lá, na mesma esquina de sempre.”

“Quando estou apaixonado por uma mulher, tento vê-la o menos possível; eu não me apaixono com facilidade, de maneira que quando acontece tento fazer durar.”

“Queria amar outra vez, dar o melhor de mim para uma garota. O ruim é que não sei o que é o melhor de mim, não estou certo de que haja alguma coisa melhor em mim.”

“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que fazer.”


“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza disso.”

“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela. Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”

“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”

"todo o mundo pode fingir o amor mas o ódio é muito real."

"Saber que só eu e aquele que agora é o marido dela comemos uma certa garota não me tranquiliza, talvez fosse melhor pensar num número indefinido de amantes, assim não haveria uma única e feia cara nos meus pesadelos. Às vezes penso que já não amo uma certa garota, que este amor morreu, mas todo amanhecer pequenas e vorazes criaturas chupam o meu coração. Se ela tivesse tido muitos casos seria mais fácil esquecê - la, mas ela teima em ser a mulher ideal, o meu amor perfeito. Como não encontro jeito de manchar sua lembrança, sua lembrança me mancha. Este é o axioma : entre dois há sempre um que fede. "


“Mônica sabia chupar melhor do que ninguém e sempre engolia o sêmen. Uma certa garota não era ruim mas tinha certos resquícios da sua breve militância feminista. Chupar, segundo ela, era sinal de submissão. Pensar que só fazia isso pra me agradar me tirava o tesão e decidi eliminar essa parte do nosso repertório sexual. Para me compensar, deixou-me meter por trás três vezes por mês. Isso dois muito e me parecia um sinal pior de submissão. Ela alegou que a metida por trás era um autêntico impulso selvagem e portanto aceitável. Mônica não tinha teorias nem limites, aceitava tudo mas devolvia cada golpe. Se eu metia por trás ela pegava uma banana (ainda verde) e escondia aquilo bem dentro de mim. se me chupava eu tinha que chupá-la, se eu fazia o salto do anjo ela fazia a chave do diabo e assim por diante. A Mônica quando chupava parecia não ter dentes. Eu gostava mais da sua boca que da sua boceta.”

“Na minha opinião, amar uma pessoa talvez seja mais fácil que entende-la mas muito mais perigoso porque o amor sempre dói. A gente pode tentar entender alguém mas não pode tentar amá-lo. O amor surge involuntariamente. O amor pode aumentar ou diminuir até se diluir mas não pode ser imposto. Às vezes gostaríamos de amar determinada pessoa, e até podemos comprovar que a pessoa tem todos os atributos para que a amemos, mas isso não acontece. A gente se acostuma a qualquer um com maior ou menor esforço, mas acostumar-se não é amar. Não sei se tenho razão ou se minhas ideias são absurdas mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora está fora de controle. O amor mais estupido e delirante é o da mãe pelo filho, mas pelo menos tem um fundamento biológico. Mas pensar que você encontra uma desconhecida e em pouco tempo daria a vida por ela me parece inexplicável.”


Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo

domingo, 20 de julho de 2014

Xico Sá

"Somente as pessoas que não acreditam no amor brigam por ele: os que acreditam dão uma choradinha, limpam o nariz, passam mertiolate no peito e esperam que o treco aconteça de novo."
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Hora de retrospectiva da gramática amorosa no apagar das luzes deste 2012.

Repitam comigo, esses moços, pobres moços: sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente ou no samba de Roberto Silva: SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!

Sem reticências…

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem aqui nem Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente


sábado, 12 de julho de 2014

O Último Dia - Paulinho Moska


Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...




quinta-feira, 26 de junho de 2014

citações do livro: "O amor é fodido" , do Miguel Esteves Cardoso.


"Tudo o que é dos outros é melhor. O carro, o sofrimento, o trabalho, o amor. Os outros são muito melhores que nós. Prefiro sempre os sentimentos e as coisas dos outros aos meus. Se alguém me ama, isso basta-me perfeitamente, não preciso de amar também. Se tenho algum interesse é para os outros, porque esses, coitados, não me conhecem."

"Afastem-se das mulheres que vos atraem e aproximem-se daquelas que vos repugnam. Mas não se habituem. A repugnância também pode tornar-se um vício. Mal por mal, mais vale não correrem o risco de ficarem apanhados por uma mulher má e repugnante, quando há para aí tanta rapariga bonita..."

"Um homem desapaixonado é um verdadeiro homem. Como nos filmes. É duro, honesto, corajoso, insensível. Em contrapartida, os homens apaixonados ficam moles e tornam-se meninas. Mudam de voz. Fazem olhos de perdigueiro. Começam a gostar de doces. Têm ciúmes. Têm filhos."

"Não percebemos que há mulheres más. Muitas mulheres más. Muitas muito más. Mais mulheres más que boas. Aí dez más para cada boa. Atenção: boas geralmente feias e desinteressantes."

"O fim não tem tempo. Ê fácil morrer quando está tudo acabado. E deixar de ver as árvores. E deixar de tocar os muros. Quando os há. O fim não tem pressa. Nem significado. Se ao menos fosse uma surpresa. Ou um alívio. Ou uma inevitabilidade. Poderíamos rir. Poderíamos concluir. Poderíamos conversar. Mas o fim não tem carácter. Só há uma maneira de dizer isto. Só damos por ele quando já é tarde."


"Abri os olhos e não gostei do que vi. Esperei uma eternidade. Ainda não tinha aprendido a adormecer. Quanto mais viver."
"Apaixonei-me num momento desprevenido. Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito tempo para raparigas bonitas sem este gênero de merdas acontecer."
"A semana passada dei a minha última foda. Há uma semana, ó caralho. Há uns quinze dias. Gostei. Sempre gostei. Agora tanto se me dá como se me deu. A Teresa também não pode foder. Ela até muito menos que eu. Ela que fodia tão bem. Com quem eu fodia tão bem. Durante aqueles anos todos em que nos demos tão mal. Em que nos íamos matando. Em que decidimos morrer. Teresa. Lembras-te de quando nos matámos? Eu lembro-me perfeitamente. Foda-se — já perdi."

"Dávamo-nos mal. Fodíamos bem e fodíamos mal, mas nunca nos demos bem."

"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido."

“Mesmo assim eu preferia tomar os comprimidos a aturar as raparigas que eram contra os comprimidos. A salvação pode ser muito bonita mas é preciso levar em conta o tempo infinito que demora.”

“É preciso cair num poço de água gelada para me sacudir de ti. Deixaste em destroços a minha vida, antes e depois de ti. Destruíste a velha alegria que eu tinha guardado tão cuidadosamente.”

“O que custa mais não é tanto lembrar — é não esquecer.
O que é que se faz com o que nos fica na cabeça,
quando já não há nada para fazer?”

“A certa altura decidi que mais valia estar sozinho. Nunca na minha vida arranjei tantas namoradas.”

“Não se pode ficar sozinho e bem disposto neste mundo.”


“Foder uma amiga duma amiga é chato, como sair um cromo* repetido. Então quando elas se fartam de nos imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos estejam a imaginar na cama com as amigas. Tira um bocado o tesão, esta familiaridade.” (*figurinha)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Citações

“Para mim era trabalhoso aceitar a solidão. Era difícil aprender a me auto abastecer. Eu continuava achando que era impossível. Ou que era desumano. “O homem é um ser social”, tinha me repetido muitas vezes. Isso, mais o calor do tropico, o sangue latino, minha mestiçagem fabulosa, tudo conspirava a meu redor, como uma rede, me incapacitando para a solidão. Esse era o meu problema e o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim.”

“Tomara que eu chegue aos oitenta e três anos com alguma ilusão. Nem que seja a ilusão boba de arranjar namorada e casar pensando que o amor é possível e que a miséria e a fome vão passar.”

“Às vezes, quase sempre, é bom se deixar levar pela intuição e não pensar. Os preconceitos fodem com muita coisa na vida. ”

“E, ao mesmo tempo, vou envelhecendo. E constato que estou perdendo a capacidade de cinismo. Estou perdendo a energia e a alegria e o poder de multiplicação. Já não consigo levar as coisas com o cinismo da juventude, e queria me dar sempre bem, custasse o que custasse.”

“Sempre acontece isso com os bobos. O que lhes falta de cérebro, lhes sobra de pau.”

Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana


“Cortei relações com o tempo, e venho tentando cortá-las com o mundo também, o que nem sempre é possível, já que o mundo se move e acaba te implicando no movimento dele, o que é, no mínimo, uma puta arbitrariedade por parte do mundo. ”

“Ô destino filho da puta, reclamei pros céus.”

“Eu conseguiria viver sem poesia. Aliás, eu vivo sem poesia. Não conseguiria é viver sem buceta.”

“Você sempre levou a vida nessa flauta Zé Carlos?”
“Na flauta, no cavaquinho e no pandeiro. Vida de artista Terezinha, vida de artista. Baudelaire vivia assim. Você não sabe quem é Baudelaire, mas era assim mesmo que ele vivia em Paris, e se deu bem. Fora a sífilis, a miséria e a facada que levou da amante.”


Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Guilherme Antunes - Por Priscila Pinter

“Foram os teus olhos. Apaixonei-me por ti através dos teus olhos. Não tuas pernas, não teus quadris, não o teu sexo. Foram os teus olhos a dissolver meus tempos tristes, vingar um passado inteiro em que não te amei. O teu olhar anunciou-me os dias bons, contou-me dos até então distantes milagres que nos permite o silêncio dos amantes. Por isso, calo-me para ver-te e amar-te. E pois quando me vês, chama-me a boca ao beijo e não mais aos verbos, chama-me o toque ao corpo e não mais aos gestos. O teu olhar me deu o amor, e existência. Cumprindo previstos encantos dos sonhos que guardei, devolvendo-me ao mundo e ao tempo para ser feliz. Não apenas tua boca, não apenas tuas mãos, não somente o teu ventre; teu olhar acendeu-me para incendiar-me nos desejos todos por saber-te minha. Foram os teus olhos a despir-me dos medos de mergulhar nas tuas profundidades que o amar nos concede. Foram os teus olhos.  Apaixonei-me por ti através dos teus olhos, porque são teus.”


“Sintonia acontece quando a gente põe coração um na frente do outro fantasiados de espelho. Quando primavera e outono se apaixonam. Quando impressão é certeza. Quando se sabe dois; ou quando se sabe o mesmo. Sincronia, sorte, dois patinhos na lagoa. Insight, dejà vu, andorinhas que juntas fazem verão. Acontece nos olhos que falam o mesmo silêncio, nos sorrisos que confessam os mesmos desejos, nas vidas que costuram o mesmo momento. Sintonia é mergulho e vôo que se abraçam. Verdade em par daqueles que se arrepiam juntos, sentem o mesmo e bebem do mesmo poço. Sudito e rei como amantes; reino e nobreza como amados; ressoando amores em qualquer direção, e que se encontram em qualquer lugar. Sintonia é também doer junto, amar junto, ser inteiros, ser um: são. Comunhão. Sintonia é canção que canto mas que só teu coração escuta. Identidade dos suspiros, harmonia das almas, afinidade dos passos. É o jeito manso que a vida dá para aproximar bocas que se aguardam. Sintonia é Amor confesso nas entrelinhas do óbvio. E o óbvio se torna bem mais claro quando olhos e coração afinados se sintonizam.”
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“Milagre: A dimensão do impossível que sabe o nosso nome e nos visita quando à Vida nos entregamos. Ver também: merecimento.

Merecimento: A primavera após inverno. O dia depois da noite depois do dia. Destino que se consegue carregar nos bolsos; o inevitável diante de quem somos. O resultado das nossas ações despido dos acessórios da contrariedade e da reclamação. As exatas matemáticas da Alma.”


“Sou habitante de adiados sonhos, e sou uma precariedade; um adiamento constante para ser melhor. Sofro para me despedir até do que não me serve mais, mantendo minha quota de liberdade viva com a ajuda de ilusões. Renunciei a esperança de ser inteiro. Eu queria um Amor que nunca mais soube sentir. Queria qualquer coragem que me livrasse de ser esta metade que me anestesia e me consome inteiro. Eu só tenho morrido exatamente por não viver. Passei a achar normal não ser feliz.”


“Sabe doutor, depois que o amor se vai, o que nos mata mesmo é não termos mais acertados destinos. Hoje sou uma angustiosa ausência de mim, um intervalo entre o amor e o nada a que me permiti. Sou mulher sem pressas nem vontades, não carrego mais pecados, não possuo mais virtudes. Para quê? O que quer que cultive não florescerá. Sou a agonia de um parto que se estende pelas madrugadas. A questão é que me tornei uma inexatidão pois, como caminhar com estes imprecisos passos para lugares de um futuro que meu coração dispensa?! Qual direção sabe minha própria alma? Sinto-me um incômodo para o porvir, uma pendência para os amanhãs. Se os homens são escravos de suas direções, disto doutor, eu estou livre. Eu me tornei apenas uma aparência, presa a si mesma e que continua sendo. Um eco que frustrado não se realizou. Nada mais espero das esperanças doutor, e meus sintomas são as únicas coisas que sinto. Ausente isto e não sentiria mais nada. Talvez fosse melhor. O meu sorrir é a minha mais sincera farsa; padeço de mentirosas possibilidades. Sofrer é o único sincero oficio que aprendi quando amor se despediu. Vivo por uma ingerência do tempo, um descuido da vida que se esqueceu de me esquecer. Queria um vício qualquer para me ocupar sabe? A me dar preocupações que me prendessem em algo e evitar que eu me perca diluído em mim. Acontece doutor, que o cigarro nem pra ter a decência de acender. O álcool nem pra derrubar minha atarantada lucidez. Ando bebendo a vida a conta-gotas para ao final derramar o que restou. Nem vocações para fantasma ando tendo. Salve-me doutor, pois nem o espelho reflete mais o que me tornei...”

“Há em nós a lucidez dos loucos, mas não daqueles loucos tão comuns que habitam este mundo em cada esquina. Somos da quota de loucos que não aceitaram suas prisões e que não entraram por liberalidade em suas gaiolas. Que não se amarraram ao outro com suas correntes. Somos da fração da loucura que abriu mão do dia-a-dia, do seu mais do mesmo. Há em nós a rebeldia dos que não se contentaram com o peso da realidade e abriram as novas portas -e as ideias- em busca de alcançar o horizonte...”
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 “Enraizados no ontem das nossas escolhas, custa-nos mover o mundo para habitarmos outro mais feliz, abandonando o que não nos serve mais. Enquanto a vida nos aponta repetidas razões para escolhermos o novo e com ele o risco de sermos felizes, preferimos nos apegar às justificativas e pretextos que criamos para nos mantermos no mais do mesmo e não sairmos do lugar. Vivemos presos à mesma ideia de que ainda poderemos ser felizes com o que não dá mais certo. Custa-nos tempo, energia e até equilíbrio para perceber que certas relações são hábitos e costumes, e o "amor", palavra oca na boca dos que repetem para anestesiar infelicidades e acreditar que mantém suas escolhas porque deliberadamente querem, não pelo medo dos vazios, carências e milhares de boas desculpas com que nos convencemos a ficar onde estamos, não arriscando nossos empoeirados confortos, nossa felicidade bem arrumada, nosso planejado fim de semana. Queremos a felicidade tendo medo de ser feliz. Um dia, medi os pesos e pesei as vantagens de ser feliz. Hoje sinto o gosto da liberdade.”


“Deveria ser proibido versarmos sobre liberdades e levezas enquanto não praticássemos os nossos perfumados e arrumadinhos verbos e quase sinceras frases de efeito. Deveríamos viver presos às nossas verdades sem chance nenhuma de qualquer fuga parcial, adiamento ou distração. Quem sabe, imersos e sufocados por inteiro e de uma só vez, sairíamos correndo das nossas prisões como quem desesperado busca o ar pra respirar. Quem sabe doer inteiro e não em doses homeopáticas seja a lembrança de que a felicidade não pode ser um placebo, tampouco parcelada. Por ora e enquanto não encaramos o espelho, o medo e o outro, pagamos os nossos pecados por sermos menos, ao mesmo tempo em que criamos outros pecados mais para pagar.”


“Amor, tenho urgências para dormir contigo. Sim, dormir para ganhar verdadeiras intimidades com teu corpo, com tua alma e com a tua despretensiosa e entregue horizontalidade. Preciso dormir contigo para despertar outras dimensões e vontades de ser teu. Quero dormir contigo para daqui em diante não mais te procurar no meu sonhar; desejo o descanso daquele que encontrou. Suplico para que durmamos juntos para ser contigo versão de mim que desconheces, a de que sou Amor mesmo em repouso; que embora inconsciente, sou resoluto e lúcido Amor. Logo eu, versado na arte dos descansos, contigo ainda não fiz dueto. Preciso dormir contigo para que esta seja minha incondicional rendição, quando desnudo dos medos e de mim próprio, permanecer tão-somente Amor para tuas presenças. Se fazer amor contigo é declaração de intensas sonoridades, quero agora me declarar para ti deitada sobre os silêncios. Preciso dormir contigo para, na verdade, adormecer as despedidas e, do outro lado da noite, saber você comigo nos dois lados de mim.”

“Você vem até aqui buscar por palavras que te aliviem das inevitáveis e acumuladas tristezas da vida. Você quer palavras que interpretem teus sonhos e revelem os propósitos da tua existência. Você procura por palavras que definam os indefinidos e indefiníveis dentro de ti. Você quer palavras em que identifiques o mapa dos teus interiores labirintos. Você anseia por palavras e previsões do teu próximo Amor ou o segredo e chave das tuas prisões. Palavras que serenem marés, tenham tons de milagre ou inovadoras percepções sobre os teus amanhãs. Você precisa de palavras como distração das ansiedades. Palavras que te salvem e que te curem. Que te confessem sem você precisar dizer nada. Você quer a sabedoria que em si mesma nunca encontrou. Por isso escrevo, para tentar salvarmos a todos nós, dissolvidos nos romances e nas entrelinhas. Você quer uma poesia além das páginas, no contorno dos teus caminhos. Eu também; eu busco o mesmo que você. Quem sabe um dia eu encontre entre tantas linhas, aquelas que saibam o nosso nome.”


“Como não sabemos o valor do que mora dentro; como não nos ensinaram a enxergar o que somos e quem realmente somos, através dos olhos dos outros nos reconhecemos. O nosso valor então, deixa de ser intrínseco e se torna fluído numa precária verdade, por aquilo que vestimos, pelo carro que compramos e pelo que demais ostentamos. A nossa medida é dita pelo que temos e não pelo que somos; coisa que ninguém, além de nós mesmos, podemos saber. A riqueza é mero reflexo da superfície; frágil por sinal. Assim, um sopro, um elogio ou uma crítica sempre nos atingirá e nos balançará, sejam elas sinceras ou não. Bem aventurados aqueles que fecharam os olhos e então souberam quem realmente são, para além das coisas do mundo.”


“Sou meus cigarros à sua espera; sou meu café e mais dezenas de canais sem nada demais e que não me distraem. O que me resta hoje é uma madrugada infinita, insone e triste; em que vou preenchendo meus vazios e cultivando minha desmedida aflição, sem tuas palavras a me falar sobre a vida, sem tuas cores a brilhar os meus olhos, sem tua música para os meus ouvidos. Pois era você quem tanto se fazia presente aqui dentro a me distrair da vida lá fora. Tantos anos contigo e desde o começo você me encantou. Não te namorei porque isso era impossível, você bem sabe. O tempo passou e incontáveis foram os meus sorrisos, minha inteira entrega e fiel devoção. Os muitos problemas que tivemos nunca diminuíram minha admiração ou minha atração por você. És sedutora como jamais pensei que pudesses ser. E entre altos e baixos, agora era demais. O teu silêncio tornou minha casa insuportável. Tua ausência denunciou que eu não sei mais o que fazer longe de ti. Se você não retornar até amanhã, não saberei dizer o que será de mim, ou dos meus dias seguintes. Vou ligar para quem deva ouvir meu desespero. Gritar minhas ruínas. Exigir o tempo que não volta mais. A minha internet sem conexão. O atendimento ao cliente é péssimo.”


“Pois bem! Paremos então de ser movidos por romances como se na vida nós só nos movêssemos por eles. Paremos de ser romanticóides! A vida na sua própria realidade já contém a quota de poesia necessária aos olhos e à própria vida. Não precisamos viver de livros de banca de jornal, novela das oito ou de escritoras-pop pra consumir e ter aquilo que não temos. Não precisamos acreditar na ideia de que só seremos inteiros dizendo sim no altar ou num cavalo branco a nos levar em direção a ideia de um amor-eterno. O mundo está recheado de amor-eterno que no dia seguinte se torna outra coisa. E não, não há erro nem pecado em desfazer os laços e escolher com outro a versão mais nobre de si. As nossas escolhas diariamente nos definem; ainda que sejam as mesmas. Não precisamos aceitar que a nossa vida é cinza porque não se sente borboletas no estômago ou porque não somos correspondidos. A angústia e o vazio nascem por acreditarmos em histórias pra boi dormir e idealizar a vida como pano de fundo para nossos romances com finais felizes de príncipes encantados. A vida não é isso, a vida não é só isso. Ela vai bem além. E o Amor,  o Amor é outra coisa.”

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Citações Oscar Wilde. In: O Retrato de Dorian Gray - Por Priscila Pinter


“Sinto um estranho prazer em lhe dizer coisas que depois me arrependerei de ter dito."

“A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe. Resistamo-lhe e nossa alma adoecerá de desejo do que proibimos a nós mesmos do que as suas leis monstruosas tornaram monstruosas e ilegítima .”

"... no mundo só existe uma coisa pior do que falarem de nós: é não falarem de nós."

"..., a verdadeira beleza acaba onde começa a expressão intelectual."

"A intelectualidade é em si mesma um exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto."

"..., a consciência e a covardia são a mesma coisa..."

"O riso não é um mau começo de amizade, e está longe de ser um mau fim..."

"Escolho os meus amigos pela sua boa aparência, meus meros conhecidos pelo seu bom caráter e os meus inimigos pela sua inteligência."

"...o Gênio dura muito mais que a Beleza."

"Aqueles que são fiéis conhecem apenas o lado trivial do amor. O infiel é que conhece as tragédias do amor."

"As mulheres não apreciam a beleza física. Pelo menos as mulheres honestas."

"Não existe influência boa. Toda influência é imoral... Porque influenciar uma pessoa é transmitir-lhe a nossa própria alma."

"Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, porque a ação é uma forma de purificação... O único meio de nos livrarmos de uma tentação é ceder a ela."

“Os homens se casam por cansaço, e as mulheres, por curiosidade. Ambos ficam decepcionados.”

“Uma grande paixão é privilégio dos que não tem nada para fazer.”

"Somente as coisas sagradas merecem ser tocadas."

"Todo mundo gosta de esbanjar aquilo de que mais necessita."

"A base do otimismo é o medo absoluto."

"O prazer é a única coisa digna de teoria."

"Quando somos felizes, somos sempre bons. Mas como somos bons, nem sempre somos felizes."

“Os homens se casam por cansaço, e as mulheres, por curiosidade. Ambos ficam decepcionados.”

“Uma grande paixão é privilégio dos que não tem nada para fazer.”

"Somente as coisas sagradas merecem ser tocadas."

"Todo mundo gosta de esbanjar aquilo de que mais necessita."


"Os maridos das mulheres belas pertencem à categoria dos criminosos."

"É inteiramente monstruoso o costume que tem as pessoas hoje em dia de falar mal dos outros às suas costas, afirmando coisas que são absoluta e completamente verdadeiras."

"Quando uma mulher se casa de novo é porque detestava seu primeiro marido. Quando um homem torna a se casar, é porque adorava sua primeira mulher. As mulheres tentam a sorte. Os homens arriscam a sua."

"Um homem pode ser feliz com qualquer mulher, contanto que não a ame."

"Gosto de homens que tem um futuro, e das mulheres que tem um passado."

"Para ser popular é necessário ser medíocre. Todas as boas reputações são feitas de nada."

“Nunca busquei a felicidade. Quem no mundo deseja a felicidade? Procurei apenas o prazer."