- Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.
- Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.
- Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.
- Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.
- Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.
- Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.
- Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.
- Posso recusar me embebedar e me drogar.
- Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.
- Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
- Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.
- Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.
- Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.
- Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.
- Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.
- Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.
- Eu sei que uma mulher está de saia - ou qualquer outra roupa - porque ela quer e não porque está me convidando para nada.
- Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.
- Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.
- Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.
- Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.
- Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.
- Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.
- Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.
- Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.
- Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.
- Quero ser mais que um homem, quero ser humano!
- O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
sábado, 26 de julho de 2014
Citações - Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo
“Ser cruel e grosseiro com as pessoas
não é bom mas acalma os nervos. Também sacaneiam com a gente e assim é a vida.”
“Ser presa dos fracassos é um traço
típico dos cancerianos.”
“A inteligência e o amor não dão
liga. O amor é burro. O amor só é inteligente no abstrato. Se um homem quer ser
elegante e lúcido ao amar uma mulher deve fazê-lo no abstrato.”
“Eu gosto de correr todas as manhãs
porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não
me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda,
por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”
“Nunca amei uma mulher antes, só me
interessaram sexualmente. Ela também me excita, mas alguma coisa, uma estranha
sensação nos nervos ameaça me sufocar se não voltar a vê-la. Será que estou
ficando babaca?”
“A minha alma está estragada.”
“Todas as nossas invenções são
verdade, pode ter certeza disso.”
“Quando a gente está com alguém da
mesma espécie se sente à vontade, não é preciso representar.”
“Quando um avião perde a rota basta
uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há
muito o que fazer.”
“Os primeiros dias no apartamento de
Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe
deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu
assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me
lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá
(porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela.
Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela
começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e
impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol)
e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”
“A gente se mete a escrever porque não
foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou
pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua
namorada, porque não disse à mãe o muito que a amava e detestava, porque não
cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que
pagassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem oficio nem benefício,
porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos
como García Marquéz e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é
bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado,
porque odeia as pessoas e quer insultá-las.”
“A gente se mete a escrever porque não
sabe lutar boxe nem tem colhões pra isso, porque tem os dentes tortos e não
pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro
caminho, porque todos os feios ou escrevem ou assassinam e a gente não é capaz
de matar uma mosca.”
“Kurt não era bom para conversar, não
gostava de contar suas coisas nem de ouvir as dos outros, considerava seus
pensamentos um tesouro.”
“Os professores são a coisa mais boba
e indiferente que existe, é fácil enganá-los porque não dão a mínima se
partirem a sua alma, só querem que chegue o fim de mês para receber seu salário
miserável, só desejam que uma garota carnuda lhes de chance para trocar o óleo.”
“Sonho que uma certa garota não foi
embora, que posso encontrá-la quando quiser, que não se casou com um inseto,
que o tempo não aconteceu, que não tenho vinte e poucos anos e as mãos vazias,
que ela continua lá, na mesma esquina de sempre.”
“Quando estou apaixonado por uma
mulher, tento vê-la o menos possível; eu não me apaixono com facilidade, de
maneira que quando acontece tento fazer durar.”
“Queria amar outra vez, dar o melhor
de mim para uma garota. O ruim é que não sei o que é o melhor de mim, não estou
certo de que haja alguma coisa melhor em mim.”
“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para
recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que
fazer.”
“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza
disso.”
“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno.
Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se
eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão,
ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o
futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado),
ela dizia que eu tinha nojo dela. Por
fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou
a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e
por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela
aceitou que a leitura era um prazer individual.”
“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza.
Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A
sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta
gente correndo ao amanhecer.”
"todo o mundo pode fingir o amor mas o ódio é muito
real."
"Saber que só eu e aquele que agora é o marido dela
comemos uma certa garota não me tranquiliza, talvez fosse melhor pensar num
número indefinido de amantes, assim não haveria uma única e feia cara nos meus
pesadelos. Às vezes penso que já não amo uma certa garota, que
este amor morreu, mas todo amanhecer pequenas e vorazes criaturas chupam o meu
coração. Se ela tivesse tido muitos casos seria mais fácil esquecê - la, mas
ela teima em ser a mulher ideal, o meu amor perfeito. Como não encontro jeito
de manchar sua lembrança, sua lembrança me mancha. Este é o axioma : entre dois
há sempre um que fede. "
“Mônica sabia chupar melhor do que ninguém e sempre engolia
o sêmen. Uma certa garota não era ruim mas tinha certos resquícios da sua breve
militância feminista. Chupar, segundo ela, era sinal de submissão. Pensar que
só fazia isso pra me agradar me tirava o tesão e decidi eliminar essa parte do
nosso repertório sexual. Para me compensar, deixou-me meter por trás três vezes
por mês. Isso dois muito e me parecia um sinal pior de submissão. Ela alegou
que a metida por trás era um autêntico impulso selvagem e portanto aceitável. Mônica
não tinha teorias nem limites, aceitava tudo mas devolvia cada golpe. Se eu
metia por trás ela pegava uma banana (ainda verde) e escondia aquilo bem dentro
de mim. se me chupava eu tinha que chupá-la, se eu fazia o salto do anjo ela
fazia a chave do diabo e assim por diante. A Mônica quando chupava parecia não
ter dentes. Eu gostava mais da sua boca que da sua boceta.”
“Na minha opinião, amar uma pessoa
talvez seja mais fácil que entende-la mas muito mais perigoso porque o amor
sempre dói. A gente pode tentar entender alguém mas não pode tentar amá-lo. O amor
surge involuntariamente. O amor pode aumentar ou diminuir até se diluir mas não
pode ser imposto. Às vezes gostaríamos de amar determinada pessoa, e até
podemos comprovar que a pessoa tem todos os atributos para que a amemos, mas
isso não acontece. A gente se acostuma a qualquer um com maior ou menor esforço,
mas acostumar-se não é amar. Não sei se tenho razão ou se minhas ideias são absurdas
mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora
está fora de controle. O amor mais estupido e delirante é o da mãe pelo filho,
mas pelo menos tem um fundamento biológico. Mas pensar que você encontra uma
desconhecida e em pouco tempo daria a vida por ela me parece inexplicável.”
Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive
que matá-lo
domingo, 20 de julho de 2014
Xico Sá
"Somente as pessoas que não acreditam no amor brigam por ele: os que acreditam dão uma choradinha, limpam o nariz, passam mertiolate no peito e esperam que o treco aconteça de novo."
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Hora
de retrospectiva da gramática amorosa no apagar das luzes deste 2012.
Repitam comigo, esses moços, pobres moços: sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente ou no samba de Roberto Silva: SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!
Sem reticências…
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem aqui nem Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente
Repitam comigo, esses moços, pobres moços: sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente ou no samba de Roberto Silva: SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!
Sem reticências…
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem aqui nem Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente
sábado, 12 de julho de 2014
O Último Dia - Paulinho Moska
Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...
quinta-feira, 26 de junho de 2014
citações do livro: "O amor é fodido" , do Miguel Esteves Cardoso.
"Tudo o que é dos outros é melhor. O
carro, o sofrimento, o trabalho, o amor. Os outros são muito melhores que nós.
Prefiro sempre os sentimentos e as coisas dos outros aos meus. Se alguém me
ama, isso basta-me perfeitamente, não preciso de amar também. Se tenho algum
interesse é para os outros, porque esses, coitados, não me conhecem."
"Afastem-se das mulheres que vos atraem e
aproximem-se daquelas que vos repugnam. Mas não se habituem. A repugnância
também pode tornar-se um vício. Mal por mal, mais vale não correrem o risco de
ficarem apanhados por uma mulher má e repugnante, quando há para aí tanta
rapariga bonita..."
"Um homem desapaixonado é um
verdadeiro homem. Como nos filmes. É duro, honesto, corajoso, insensível. Em
contrapartida, os homens apaixonados ficam moles e tornam-se meninas. Mudam de
voz. Fazem olhos de perdigueiro. Começam a gostar de doces. Têm ciúmes. Têm
filhos."
"Não percebemos que há mulheres más. Muitas mulheres más.
Muitas muito más. Mais mulheres más que boas. Aí dez más para cada boa.
Atenção: boas geralmente feias e desinteressantes."
"O fim não tem tempo. Ê fácil morrer
quando está tudo acabado. E deixar de ver as árvores. E deixar de tocar os
muros. Quando os há. O fim não tem pressa. Nem significado. Se ao menos fosse
uma surpresa. Ou um alívio. Ou uma inevitabilidade. Poderíamos rir. Poderíamos
concluir. Poderíamos conversar. Mas o fim não tem carácter. Só há uma maneira
de dizer isto. Só damos por ele quando já é tarde."
"Abri os olhos e não gostei do que vi.
Esperei uma eternidade. Ainda não tinha aprendido a adormecer. Quanto mais
viver."
"Apaixonei-me num momento desprevenido.
Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez
de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar
para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito
tempo para raparigas bonitas sem este gênero de merdas acontecer."
"A semana passada dei a minha última foda.
Há uma semana, ó caralho. Há uns quinze dias. Gostei. Sempre gostei. Agora
tanto se me dá como se me deu. A Teresa também não pode foder. Ela até muito
menos que eu. Ela que fodia tão bem. Com quem eu fodia tão bem. Durante aqueles
anos todos em que nos demos tão mal. Em que nos íamos matando. Em que decidimos
morrer. Teresa. Lembras-te de quando nos matámos? Eu lembro-me perfeitamente.
Foda-se — já perdi."
"Dávamo-nos mal. Fodíamos bem e fodíamos
mal, mas nunca nos demos bem."
"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer
que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido."
“Mesmo
assim eu preferia tomar os comprimidos a aturar as raparigas que eram contra os
comprimidos. A salvação pode ser muito bonita mas é preciso levar em conta o
tempo infinito que demora.”
“É
preciso cair num poço de água gelada para me sacudir de ti. Deixaste em
destroços a minha vida, antes e depois de ti. Destruíste a velha alegria que eu
tinha guardado tão cuidadosamente.”
“O
que custa mais não é tanto lembrar — é não esquecer.
O
que é que se faz com o que nos fica na cabeça,
quando
já não há nada para fazer?”
“A certa altura
decidi que mais valia estar sozinho. Nunca na minha vida arranjei tantas
namoradas.”
“Não se pode ficar
sozinho e bem disposto neste mundo.”
“Foder uma amiga duma
amiga é chato, como sair um cromo* repetido. Então quando elas se fartam de nos
imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos
estejam a imaginar na cama com as amigas. Tira um bocado o tesão, esta
familiaridade.” (*figurinha)
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Citações
“Para mim era trabalhoso aceitar a solidão. Era difícil aprender
a me auto abastecer. Eu continuava achando que era impossível. Ou que era
desumano. “O homem é um ser social”, tinha me repetido muitas vezes. Isso, mais
o calor do tropico, o sangue latino, minha mestiçagem fabulosa, tudo conspirava
a meu redor, como uma rede, me incapacitando para a solidão. Esse era o meu
problema e o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim.”
“Tomara que eu chegue aos oitenta e três anos com alguma
ilusão. Nem que seja a ilusão boba de arranjar namorada e casar pensando que o
amor é possível e que a miséria e a fome vão passar.”
“Às vezes, quase sempre, é bom se deixar levar pela intuição
e não pensar. Os preconceitos fodem com muita coisa na vida. ”
“E, ao mesmo tempo, vou envelhecendo. E constato que estou
perdendo a capacidade de cinismo. Estou perdendo a energia e a alegria e o
poder de multiplicação. Já não consigo levar as coisas com o cinismo da
juventude, e queria me dar sempre bem, custasse o que custasse.”
“Sempre acontece isso com os bobos. O que lhes falta de cérebro,
lhes sobra de pau.”
Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana
“Cortei relações com o tempo, e venho tentando cortá-las com
o mundo também, o que nem sempre é possível, já que o mundo se move e acaba te
implicando no movimento dele, o que é, no mínimo, uma puta arbitrariedade por
parte do mundo. ”
“Ô destino filho da puta, reclamei pros céus.”
“Eu conseguiria viver sem poesia. Aliás, eu vivo sem poesia.
Não conseguiria é viver sem buceta.”
“Você sempre levou a vida nessa flauta Zé Carlos?”
“Na flauta, no cavaquinho e no pandeiro. Vida de artista Terezinha,
vida de artista. Baudelaire vivia assim. Você não sabe quem é Baudelaire, mas
era assim mesmo que ele vivia em Paris, e se deu bem. Fora a sífilis, a miséria
e a facada que levou da amante.”
Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia
terça-feira, 24 de junho de 2014
Guilherme Antunes - Por Priscila Pinter
“Foram os teus olhos. Apaixonei-me
por ti através dos teus olhos. Não tuas pernas, não teus quadris, não o teu
sexo. Foram os teus olhos a dissolver meus tempos tristes, vingar um passado
inteiro em que não te amei. O teu olhar anunciou-me os dias bons, contou-me dos
até então distantes milagres que nos permite o silêncio dos amantes. Por isso,
calo-me para ver-te e amar-te. E pois quando me vês, chama-me a boca ao beijo e
não mais aos verbos, chama-me o toque ao corpo e não mais aos gestos. O teu
olhar me deu o amor, e existência. Cumprindo previstos encantos dos sonhos que
guardei, devolvendo-me ao mundo e ao tempo para ser feliz. Não apenas tua boca,
não apenas tuas mãos, não somente o teu ventre; teu olhar acendeu-me para
incendiar-me nos desejos todos por saber-te minha. Foram os teus olhos a
despir-me dos medos de mergulhar nas tuas profundidades que o amar nos concede.
Foram os teus olhos. Apaixonei-me por ti
através dos teus olhos, porque são teus.”
“Sintonia acontece quando a gente põe coração um na frente do
outro fantasiados de espelho. Quando primavera e outono se apaixonam. Quando
impressão é certeza. Quando se sabe dois; ou quando se sabe o mesmo. Sincronia,
sorte, dois patinhos na lagoa. Insight, dejà vu, andorinhas que juntas fazem
verão. Acontece nos olhos que falam o mesmo silêncio, nos sorrisos que
confessam os mesmos desejos, nas vidas que costuram o mesmo momento. Sintonia é
mergulho e vôo que se abraçam. Verdade em par daqueles que se arrepiam juntos,
sentem o mesmo e bebem do mesmo poço. Sudito e rei como amantes; reino e
nobreza como amados; ressoando amores em qualquer direção, e que se encontram
em qualquer lugar. Sintonia é também doer junto, amar junto, ser inteiros, ser
um: são. Comunhão. Sintonia é canção que canto mas que só teu coração escuta.
Identidade dos suspiros, harmonia das almas, afinidade dos passos. É o jeito
manso que a vida dá para aproximar bocas que se aguardam. Sintonia é Amor
confesso nas entrelinhas do óbvio. E o óbvio se torna bem mais claro quando
olhos e coração afinados se sintonizam.”
________________________________________________________________________
“Milagre: A dimensão do impossível que sabe o nosso nome e
nos visita quando à Vida nos entregamos. Ver também: merecimento.
Merecimento: A primavera após
inverno. O dia depois da noite depois do dia. Destino que se consegue carregar
nos bolsos; o inevitável diante de quem somos. O resultado das nossas ações
despido dos acessórios da contrariedade e da reclamação. As exatas matemáticas
da Alma.”
“Sou habitante de adiados sonhos, e
sou uma precariedade; um adiamento constante para ser melhor. Sofro para me
despedir até do que não me serve mais, mantendo minha quota de liberdade viva
com a ajuda de ilusões. Renunciei a esperança de ser inteiro. Eu queria um Amor
que nunca mais soube sentir. Queria qualquer coragem que me livrasse de ser
esta metade que me anestesia e me consome inteiro. Eu só tenho morrido
exatamente por não viver. Passei a achar normal não ser feliz.”
“Sabe doutor, depois que o amor se vai, o que nos mata mesmo
é não termos mais acertados destinos. Hoje sou uma angustiosa ausência de mim,
um intervalo entre o amor e o nada a que me permiti. Sou mulher sem pressas nem
vontades, não carrego mais pecados, não possuo mais virtudes. Para quê? O que
quer que cultive não florescerá. Sou a agonia de um parto que se estende pelas
madrugadas. A questão é que me tornei uma inexatidão pois, como caminhar com
estes imprecisos passos para lugares de um futuro que meu coração dispensa?!
Qual direção sabe minha própria alma? Sinto-me um incômodo para o porvir, uma
pendência para os amanhãs. Se os homens são escravos de suas direções, disto
doutor, eu estou livre. Eu me tornei apenas uma aparência, presa a si mesma e
que continua sendo. Um eco que frustrado não se realizou. Nada mais espero das
esperanças doutor, e meus sintomas são as únicas coisas que sinto. Ausente isto
e não sentiria mais nada. Talvez fosse melhor. O meu sorrir é a minha mais
sincera farsa; padeço de mentirosas possibilidades. Sofrer é o único sincero
oficio que aprendi quando amor se despediu. Vivo por uma ingerência do tempo,
um descuido da vida que se esqueceu de me esquecer. Queria um vício qualquer
para me ocupar sabe? A me dar preocupações que me prendessem em algo e evitar
que eu me perca diluído em mim. Acontece doutor, que o cigarro nem pra ter a
decência de acender. O álcool nem pra derrubar minha atarantada lucidez. Ando
bebendo a vida a conta-gotas para ao final derramar o que restou. Nem vocações
para fantasma ando tendo. Salve-me doutor, pois nem o espelho reflete mais o
que me tornei...”
“Há em nós a lucidez dos loucos, mas não daqueles loucos tão
comuns que habitam este mundo em cada esquina. Somos da quota de loucos que não
aceitaram suas prisões e que não entraram por liberalidade em suas gaiolas. Que
não se amarraram ao outro com suas correntes. Somos da fração da loucura que
abriu mão do dia-a-dia, do seu mais do mesmo. Há em nós a rebeldia dos que não
se contentaram com o peso da realidade e abriram as novas portas -e as ideias-
em busca de alcançar o horizonte...”
_________________________________________________________________
“Enraizados no ontem
das nossas escolhas, custa-nos mover o mundo para habitarmos outro mais feliz,
abandonando o que não nos serve mais. Enquanto a vida nos aponta repetidas
razões para escolhermos o novo e com ele o risco de sermos felizes, preferimos
nos apegar às justificativas e pretextos que criamos para nos mantermos no mais
do mesmo e não sairmos do lugar. Vivemos presos à mesma ideia de que ainda
poderemos ser felizes com o que não dá mais certo. Custa-nos tempo, energia e
até equilíbrio para perceber que certas relações são hábitos e costumes, e o
"amor", palavra oca na boca dos que repetem para anestesiar infelicidades
e acreditar que mantém suas escolhas porque deliberadamente querem, não pelo
medo dos vazios, carências e milhares de boas desculpas com que nos convencemos
a ficar onde estamos, não arriscando nossos empoeirados confortos, nossa
felicidade bem arrumada, nosso planejado fim de semana. Queremos a felicidade
tendo medo de ser feliz. Um dia, medi os pesos e pesei as vantagens de ser
feliz. Hoje sinto o gosto da liberdade.”
“Deveria ser proibido versarmos sobre
liberdades e levezas enquanto não praticássemos os nossos perfumados e
arrumadinhos verbos e quase sinceras frases de efeito. Deveríamos viver presos
às nossas verdades sem chance nenhuma de qualquer fuga parcial, adiamento ou
distração. Quem sabe, imersos e sufocados por inteiro e de uma só vez,
sairíamos correndo das nossas prisões como quem desesperado busca o ar pra
respirar. Quem sabe doer inteiro e não em doses homeopáticas seja a lembrança
de que a felicidade não pode ser um placebo, tampouco parcelada. Por ora e
enquanto não encaramos o espelho, o medo e o outro, pagamos os nossos pecados
por sermos menos, ao mesmo tempo em que criamos outros pecados mais para pagar.”
“Amor, tenho urgências para dormir contigo. Sim, dormir para
ganhar verdadeiras intimidades com teu corpo, com tua alma e com a tua
despretensiosa e entregue horizontalidade. Preciso dormir contigo para
despertar outras dimensões e vontades de ser teu. Quero dormir contigo para
daqui em diante não mais te procurar no meu sonhar; desejo o descanso daquele
que encontrou. Suplico para que durmamos juntos para ser contigo versão de mim
que desconheces, a de que sou Amor mesmo em repouso; que embora inconsciente,
sou resoluto e lúcido Amor. Logo eu, versado na arte dos descansos, contigo
ainda não fiz dueto. Preciso dormir contigo para que esta seja minha
incondicional rendição, quando desnudo dos medos e de mim próprio, permanecer
tão-somente Amor para tuas presenças. Se fazer amor contigo é declaração de
intensas sonoridades, quero agora me declarar para ti deitada sobre os silêncios.
Preciso dormir contigo para, na verdade, adormecer as despedidas e, do outro
lado da noite, saber você comigo nos dois lados de mim.”
“Você vem até aqui buscar por palavras que te aliviem das
inevitáveis e acumuladas tristezas da vida. Você quer palavras que interpretem
teus sonhos e revelem os propósitos da tua existência. Você procura por
palavras que definam os indefinidos e indefiníveis dentro de ti. Você quer
palavras em que identifiques o mapa dos teus interiores labirintos. Você anseia
por palavras e previsões do teu próximo Amor ou o segredo e chave das tuas
prisões. Palavras que serenem marés, tenham tons de milagre ou inovadoras
percepções sobre os teus amanhãs. Você precisa de palavras como distração das
ansiedades. Palavras que te salvem e que te curem. Que te confessem sem você
precisar dizer nada. Você quer a sabedoria que em si mesma nunca encontrou. Por
isso escrevo, para tentar salvarmos a todos nós, dissolvidos nos romances e nas
entrelinhas. Você quer uma poesia além das páginas, no contorno dos teus
caminhos. Eu também; eu busco o mesmo que você. Quem sabe um dia eu encontre
entre tantas linhas, aquelas que saibam o nosso nome.”
“Como não sabemos o valor do que mora
dentro; como não nos ensinaram a enxergar o que somos e quem realmente somos,
através dos olhos dos outros nos reconhecemos. O nosso valor então, deixa de
ser intrínseco e se torna fluído numa precária verdade, por aquilo que
vestimos, pelo carro que compramos e pelo que demais ostentamos. A nossa medida
é dita pelo que temos e não pelo que somos; coisa que ninguém, além de nós
mesmos, podemos saber. A riqueza é mero reflexo da superfície; frágil por
sinal. Assim, um sopro, um elogio ou uma crítica sempre nos atingirá e nos
balançará, sejam elas sinceras ou não. Bem aventurados aqueles que fecharam os
olhos e então souberam quem realmente são, para além das coisas do mundo.”
“Sou meus cigarros à sua espera; sou
meu café e mais dezenas de canais sem nada demais e que não me distraem. O que
me resta hoje é uma madrugada infinita, insone e triste; em que vou preenchendo
meus vazios e cultivando minha desmedida aflição, sem tuas palavras a me falar
sobre a vida, sem tuas cores a brilhar os meus olhos, sem tua música para os
meus ouvidos. Pois era você quem tanto se fazia presente aqui dentro a me
distrair da vida lá fora. Tantos anos contigo e desde o começo você me
encantou. Não te namorei porque isso era impossível, você bem sabe. O tempo
passou e incontáveis foram os meus sorrisos, minha inteira entrega e fiel
devoção. Os muitos problemas que tivemos nunca diminuíram minha admiração ou
minha atração por você. És sedutora como jamais pensei que pudesses ser. E
entre altos e baixos, agora era demais. O teu silêncio tornou minha casa
insuportável. Tua ausência denunciou que eu não sei mais o que fazer longe de
ti. Se você não retornar até amanhã, não saberei dizer o que será de mim, ou
dos meus dias seguintes. Vou ligar para quem deva ouvir meu desespero. Gritar
minhas ruínas. Exigir o tempo que não volta mais. A minha internet sem conexão.
O atendimento ao cliente é péssimo.”
“Pois bem! Paremos então de ser movidos por romances como se
na vida nós só nos movêssemos por eles. Paremos de ser romanticóides! A vida na
sua própria realidade já contém a quota de poesia necessária aos olhos e à
própria vida. Não precisamos viver de livros de banca de jornal, novela das
oito ou de escritoras-pop pra consumir e ter aquilo que não temos. Não
precisamos acreditar na ideia de que só seremos inteiros dizendo sim no altar
ou num cavalo branco a nos levar em direção a ideia de um amor-eterno. O mundo
está recheado de amor-eterno que no dia seguinte se torna outra coisa. E não,
não há erro nem pecado em desfazer os laços e escolher com outro a versão mais
nobre de si. As nossas escolhas diariamente nos definem; ainda que sejam as
mesmas. Não precisamos aceitar que a nossa vida é cinza porque não se sente
borboletas no estômago ou porque não somos correspondidos. A angústia e o vazio
nascem por acreditarmos em histórias pra boi dormir e idealizar a vida como
pano de fundo para nossos romances com finais felizes de príncipes encantados.
A vida não é isso, a vida não é só isso. Ela vai bem além. E o Amor, o Amor é outra coisa.”
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