sábado, 13 de setembro de 2014

Cesare Pavese, no livro O oficio de viver



"A gente deixa de ser jovem quando entende que falar de um sofrimento é perda de tempo."

"Gostas de coisas absolutas? Não podes construir um amor totalitário: constrói uma bondade totalitária. Mas não faças besteiras: excluí o sexo."

“Eu passava a noite sentado diante do espelho para fazer companhia a mim mesmo.”

“E sobre tudo lembrar-se de que fazer poesia é como fazer amor: a gente nunca há de saber se a alegria que sente está sendo compartilhada.”

“Será concebível matar uma pessoa para ter importância na vida dela? Nesse caso é concebível que a gente se mate para ter importância em nossa própria vida.”

“Uma ridícula lei da vida é a seguinte: não é quem dá, mas quem cobra, que é amado. Ou seja, amado é quem não ama, porque quem ama, dá. E, é claro: dar é um prazer mais profundo do que receber; a quem damos, tornamos necessário, isto é, nós o amamos.


Dar é paixão, quase vício. A pessoa a quem damos transforma-se em necessidade nossa.”

"A força da indiferença! - é a mesma que permitiu às pedras que permanecessem imutáveis por milhões de anos."

"Quem não salva a si mesmo, não pode por ninguém ser salvo."

"Só nos apiedamos das pessoas que de si não tem piedade alguma."

"A força da indiferença! - é a mesma que permitiu às pedras que permanecessem imutáveis por milhões de anos."



"somente sabemos adotar estratagemas amorosos quando não estamos apaixonados."

"Em caso de amores, só os próprios são tolerados."


domingo, 7 de setembro de 2014

bocejo... Buk




creio que adoro dormir
mais do que qualquer pessoa que já tenha
conhecido.

sou capaz de dormir por
2 ou 3 dias e noites
seguidos.

posso ir para a cama a qualquer
momento.

muitas vezes deixei minhas namoradas confusas
por causa disso-

digamos que fosse por volta de uma
e meia da tarde:

“bem, vou para cama agora, vou
dormir...”

e a maior parte delas não dava bola, iam
para a cama comigo
pensando que eu estava atrás de
sexo

mas logo eu lhes dava as costas
e começava a roncar.

isso, claro, poderia explicar
por que tantas entre as minhas namoradas
me deixaram.

dos doutores, nunca obtive qualquer
ajuda:
“escute, sinto esse desejo de
ir para a cama e dormir, quase todo o
tempo.
o que há de errado
comigo?”

“pratica exercícios regularmente?”
“sim...”
“tem se alimentado
corretamente?”
“sim...”

sempre me passavam uma
receita
que eu jogava fora
no caminho entre o consultório e o
estacionamento.

é um mal curioso
porque não consigo dormir entre
as seis da tarde e a meia noite.
precisa ocorrer depois
da meia noite
e quando me levanto
nunca pode ser
antes do meio dia

e caso o telefone toque
vamos dizer às dez e meia da manhã
tenho um surto de raiva

não pergunto sequer quem está
chamando
grito no telefone:
“POR QUE ESTÁ LIGANDO
PARA MIM NUMA HORA
DESSAS?!”

fone no
gancho...

cada pessoa, suponho, tem
suas excentricidades
das em um esforço para parecer
normal
aos olhos do
mundo
elas se superam
e desse modo
destroem seu
algo a mais.

mantive o meu
e acredito que
ele serviu à minha existência
com generosidade.

penso que foi a principal razão
por que decidi me tornar um
escritor: posso bater à máquina
a qualquer hora e
dormir
na hora em que vier a porra da
vontade.


Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária 

sábado, 30 de agosto de 2014

citações - Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“e você pode dizer o que quiser sobre os malefícios da bebida, mas sem ela jamais poderia encarar aqueles capatazes com seus olhos de roedores e suas testas incapazes. aqueles trabalhadores satisfeitos com feriados e com o seguro de vida. a verdadeira escravidão humana de homens que não sabiam que eram escravos que realmente achavam que eles eram os escolhidos. era a garrafa e somente a garrafa e todas as garrafas que me resguardaram de tudo aquilo. a cada dia sonhando com a noite quando estaria de volta em meu quarto, de pés descalços estendidos na cama, no escuro, abrindo a tampinha da garrafa tomando o primeiro e bom gole deixando a podridão, a decadência lentamente desaparecerem. acendendo um cigarro enlevado pelas paredes e pela luz da lua, através da janela eu inalava o jogo sujo e então exalava-o por completo desse jeito, então buscava outra vez a garrafa não por fraqueza mas por força: tomando aquele grande gole voltando a garrafa para seu lugar: cada homem vence a adversidade de um modo diferente.”

"... as bebidas estavam no comando e o mundo quase parecia um lugar aceitável." 

"Não brinque com a loucura, a loucura não brinca."

"Ninguém ronca como um vagabundo
exceto alguém que é casado com você."


"estava deprimido, bem, deprimido não, mas estava desanimado com a estrutura toda, o jogo todo, a vida toda."

"é comum, ele disse, depois e uma separação,
ficar ali sentado sentindo como se a alma tivesse sido
decapitada"


Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Carpinejar - Me ajude a chorar

“Prefiro estar acompanhado numa estrada real, ainda que penosa, a viver sozinho em minha idealização.”

“Quer um maior mendigo do que aquele que dorme no sofá em sua residência? Com um cobertorzinho emprestado e com a claridade das janelas violentando os segredos?”

“Quando amamos platonicamente, o amor pode durar muito tempo. Pois não tem ninguém para estragar nossa idealização. Não há convivência para nos desafiar. É uma paixão estanque, feita de sonho e névoa. É uma vontade desligada da realidade. Temos a expectativa intacta, longe de contratempos. Acordamos e dormimos com o mesmo sentimento longe de interrupção em nossa fantasia.”

“Ninguém entra numa escolha sem fechar a porta.”

"Liberdade vem com o tempo, liberdade vem devagar, liberdade é esforço. Não ser do tamanho de nossa prisão, mas ser do tamanho de nossa vontade."

"E não adianta ensinar alguém a amar a tormenta - ela deve estar no sangue." 

"Você acha que somos impossíveis, mas é do impossível que o amor gosta." 

"Eu garanto que a fuga dá mais trabalho do que se encontrar."

“Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.”

“Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.”

“É trabalho em vão soterrar o precipício.”

“A vida é simples, milagrosamente simples.”

“Não há como acalmar o coração senão vivendo.”

“As relâmpagos iluminam os loucos.”


A você que a vê passar

Invejo quem pode vê-la. Eu não posso mais, eu que estou distante, eu que estou separado dela.
Invejo o cobrador de ônibus. Invejo o motorista. Invejo quem tem a chance de conhecê-la.
Invejo quem pode enxergá-la sem taquicardia, sem sobressalto, sem temer a reação.
Invejo seus amigos que podem encontrá-la para um almoço e conversar à toa.
Invejo a família que tem sempre preferência. Invejo os balconistas das farmácias e das lojas, mesmo que só falem crédito ou débito, invejo porque ela dará uma resposta.
Invejo seus colegas de trabalho que podem gritar pelo seu nome com entusiasmo.
Invejo a moça do cafezinho, o moço da limpeza. Eles têm todo direito de se aproximar – ela é real e acessível.
Invejo desconhecidos com a fortuna de rápidas palavras. Invejo o flanelinha que lhe chama de linda. Invejo o carteiro que se engana de número e pede uma informação.
Invejo quem tem a possibilidade de telefonar ou mandar mensagem. Invejo os esbarrões de seus dias. Qualquer contato, qualquer cumprimento, invejo.
Eu me invento na inveja


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

quintas feiras

Muita gente não gosta da segunda feira. Outros não gostam do domingo. Outros esperam ansiosos pela sexta feira. O dia em que eu tenho uma relação especial   de ‘amor e ódio’  é a quinta feira, não me pergunte porquê, pois eu não saberia te explicar.  Mas as quintas feiras me deixam meio estranha, um pouco  mais melancolicamente feliz. É sempre na quinta feira que eu sinto mais prazer em sofrer, é sempre na quinta feira  que eu  me permito alguma loucura fora do normal, é sempre na quinta feira que sinto saudade de mim, que gosto e preciso ficar só, que tenho mais vontade de beber, que gosto de escrever. É sempre numa quinta feira que penso na  vida e na morte. Se eu fosse me matar seria numa quinta feira. E nem preciso estar de tpm...

MANIFESTO HOMENS LIBERTEM-SE! - Puig Nico

- Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.
- Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.
- Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.
- Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.
- Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.
- Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.
- Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.
- Posso recusar me embebedar e me drogar.
- Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.
- Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
- Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.
- Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.
- Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.
- Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.
- Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.
- Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.
- Eu sei que uma mulher está de saia - ou qualquer outra roupa - porque ela quer e não porque está me convidando para nada.
- Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.
- Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.
- Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.
- Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.
- Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.
- Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.
- Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.
- Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.
- Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.
- Quero ser mais que um homem, quero ser humano!
- O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!

sábado, 26 de julho de 2014

Citações - Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo


“Ser cruel e grosseiro com as pessoas não é bom mas acalma os nervos. Também sacaneiam com a gente e assim é a vida.”

“Ser presa dos fracassos é um traço típico dos cancerianos.”

“A inteligência e o amor não dão liga. O amor é burro. O amor só é inteligente no abstrato. Se um homem quer ser elegante e lúcido ao amar uma mulher deve fazê-lo no abstrato.”

“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”

“Nunca amei uma mulher antes, só me interessaram sexualmente. Ela também me excita, mas alguma coisa, uma estranha sensação nos nervos ameaça me sufocar se não voltar a vê-la. Será que estou ficando babaca?”

 “A minha alma está estragada.”

“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza disso.”

“Quando a gente está com alguém da mesma espécie se sente à vontade, não é preciso representar.”

“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que fazer.”

“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela. Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”

“A gente se mete a escrever porque não foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua namorada, porque não disse à mãe o muito que a amava e detestava, porque não cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que pagassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem oficio nem benefício, porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos como García Marquéz e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado, porque odeia as pessoas e quer insultá-las.”

“A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões pra isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios ou escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar uma mosca.”

“Kurt não era bom para conversar, não gostava de contar suas coisas nem de ouvir as dos outros, considerava seus pensamentos um tesouro.”

“Os professores são a coisa mais boba e indiferente que existe, é fácil enganá-los porque não dão a mínima se partirem a sua alma, só querem que chegue o fim de mês para receber seu salário miserável, só desejam que uma garota carnuda lhes de chance para trocar o óleo.”

“Sonho que uma certa garota não foi embora, que posso encontrá-la quando quiser, que não se casou com um inseto, que o tempo não aconteceu, que não tenho vinte e poucos anos e as mãos vazias, que ela continua lá, na mesma esquina de sempre.”

“Quando estou apaixonado por uma mulher, tento vê-la o menos possível; eu não me apaixono com facilidade, de maneira que quando acontece tento fazer durar.”

“Queria amar outra vez, dar o melhor de mim para uma garota. O ruim é que não sei o que é o melhor de mim, não estou certo de que haja alguma coisa melhor em mim.”

“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que fazer.”


“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza disso.”

“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela. Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”

“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”

"todo o mundo pode fingir o amor mas o ódio é muito real."

"Saber que só eu e aquele que agora é o marido dela comemos uma certa garota não me tranquiliza, talvez fosse melhor pensar num número indefinido de amantes, assim não haveria uma única e feia cara nos meus pesadelos. Às vezes penso que já não amo uma certa garota, que este amor morreu, mas todo amanhecer pequenas e vorazes criaturas chupam o meu coração. Se ela tivesse tido muitos casos seria mais fácil esquecê - la, mas ela teima em ser a mulher ideal, o meu amor perfeito. Como não encontro jeito de manchar sua lembrança, sua lembrança me mancha. Este é o axioma : entre dois há sempre um que fede. "


“Mônica sabia chupar melhor do que ninguém e sempre engolia o sêmen. Uma certa garota não era ruim mas tinha certos resquícios da sua breve militância feminista. Chupar, segundo ela, era sinal de submissão. Pensar que só fazia isso pra me agradar me tirava o tesão e decidi eliminar essa parte do nosso repertório sexual. Para me compensar, deixou-me meter por trás três vezes por mês. Isso dois muito e me parecia um sinal pior de submissão. Ela alegou que a metida por trás era um autêntico impulso selvagem e portanto aceitável. Mônica não tinha teorias nem limites, aceitava tudo mas devolvia cada golpe. Se eu metia por trás ela pegava uma banana (ainda verde) e escondia aquilo bem dentro de mim. se me chupava eu tinha que chupá-la, se eu fazia o salto do anjo ela fazia a chave do diabo e assim por diante. A Mônica quando chupava parecia não ter dentes. Eu gostava mais da sua boca que da sua boceta.”

“Na minha opinião, amar uma pessoa talvez seja mais fácil que entende-la mas muito mais perigoso porque o amor sempre dói. A gente pode tentar entender alguém mas não pode tentar amá-lo. O amor surge involuntariamente. O amor pode aumentar ou diminuir até se diluir mas não pode ser imposto. Às vezes gostaríamos de amar determinada pessoa, e até podemos comprovar que a pessoa tem todos os atributos para que a amemos, mas isso não acontece. A gente se acostuma a qualquer um com maior ou menor esforço, mas acostumar-se não é amar. Não sei se tenho razão ou se minhas ideias são absurdas mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora está fora de controle. O amor mais estupido e delirante é o da mãe pelo filho, mas pelo menos tem um fundamento biológico. Mas pensar que você encontra uma desconhecida e em pouco tempo daria a vida por ela me parece inexplicável.”


Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo