quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo

“Eu fazia e desfazia mundos para ela. Ela aceitava minhas palavras e atos sem opor resistência. Era dócil e ingênua como um bichinho de estimação. Pensei que podia fazer o que quisesse, que ela nunca iria reagir. ENGANO. Enquanto estava ao seu lado nada aconteceu. Eu matava suas dúvidas como se fossem moscas. Assim que dei espaço ela descobriu o tipo de escória que amava.”

“O que me incomoda não é o frio, não é a chuva, não é o céu cinzento. Sou feito de uma madeira rara. O calor também não me incomoda mas me parece uma desgraça. O calor é bom quando se tem iate e hotel cinco estrelas. Se você tiver que dar aula numa escola de subúrbio e atravessar a cidade ao meio dia num ônibus lotado, não vai gostar do calor.”

“Eu e ela tivemos bons momentos, tivemos diálogos e sonhos, tivemos encontros e canções, tivemos sexo com amor, sexo com magia, sexo com sangue e loucura. É provável que ela queira negar aquele tempo mas eu vou estar aqui lembrando que a ensinei a mover estrelas, a ler escritores do caralho, a entender aquilo que os nossos olhos não veem, o que não faz barulho, as criaturas do ar escuro. Ela me ensinou a saber e isso pelo menos é verdade. Ela é esquiva, silenciosa, com feridas antigas. Você tem que amá-la com cuidado, ela pode ficar fria e dura como um sapo de gesso, pode fechar-se em si mesma como um caracol ressentido.”

“(...) Mônica, era argentina, tinha um doutorado em literatura inglesa e não exigiu camisinha.”

“Você não sabe que o diabo não existe? É só Deus quando está bêbado.”


“Não sei se tenho razão ou se as minhas ideias são absurdas mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora está fora de controle.”

sábado, 11 de outubro de 2014

Diálogo entre Ernest Hemingway e Gil, no filme Meia noite em Paris

“ (...)
 - Estava com medo?
- Do quê?
- De ser morto.
- Nunca escreverá bem se tiver medo de morrer. Você tem?
- Eu tenho. Diria que esse é um dos meus maiores medos na verdade.
- É algo que todos fizeram antes de você e todos farão
- Eu sei, eu sei, mas...
- Já fez amor com uma grande mulher?
- Na verdade minha noiva é uma mulher bem sexy.
- Quando faz amor com ela sente uma paixão verdadeira, bela, e ao menos naquele momento, perde o medo de morrer?
- Não. Isso não acontece mesmo.
- Acredito que um amor verdadeiro e real cria uma trégua da morte. Toda covardia vem de não amar ou não amar bem, o que dá no mesmo. Quando um homem corajoso e verdadeiro olha a morte de frente como caçadores de rinocerontes, ou como Belmont que é muito corajoso, é por que ele ama com paixão suficiente para esquecer a morte, até ela retornar como faz com todos os homens. Você deve fazer amor bem feito. Pense nisso.”


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Por André Camargo

1. Clube da Luta - Chuck Palluhnick ( apenas após o desastre nós podemos ser ressuscitados. É apenas após você perder todas as coisas que você é livre para fazer qualquer coisa. Nada é estático, tudo está em evolução, tudo está caindo em pedaços)
2. O estrangeiro - Albert Camus (Também eu me senti pronto a reviver tudo. Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que tinha sido feliz e que ainda o era. Para que tudo se consumasse, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução e que me recebessem com gritos de ódio.)
3. Crime e Castigo - Dostóievski (os homens são divididos em ordinários e extraordinários. Os primeiros devem viver na obediência e não têm o direito de desrespeitar a lei, porque são ordinários; os segundos têm o direito de praticar todos os crimes e de violar todas as leis, pela simples razão de que são criaturas extraordinárias.)
4. Notas do Subsolo - Dostóievski (A vida toda algo me arrastava a fazer esses trejeitos, a tal ponto que acabei perdendo poder sobre mim mesmo. De outra feita quis por força apaixonar-me; isto me aconteceu duas vezes. E realmente sofri, meus senhores, assseguro-vos. No fundo da alma, não acreditamos estar sofrendo, há uma zombaria que desponta, mas, assim mesmo, sofria de verdade; tinha ciúmes, ficava fora de mim… E tudo isso por enfado, senhores, unicamente por enfado; a inércia me esmagara.)
5. Ecce Hommo - nietzsche ( Pois continuamos necessariamente estranhos a nós mesmos, não nos compreendemos, temos que nos mal-entender, a nós se aplicará para sempre a frase: 'cada qual é o mais distante de si mesmo' - para nós mesmos somos 'homens do desconhecimento)
6. O Homem revoltado - Albert Camus (Quando os dandis não se matam uns aos outros ou ficam loucos, fazem carreira e posam para a posteridade. Mesmo quando gritam que vão calar-se, seu silêncio é estrondoso.)
7. À insustentável leveza do ser - Milan Kundera (“Porque a vida humana também é assim que é composta. É composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito (uma música de Beethoven, uma morte numa estação) e faz dele um tema que, em seguida, inscreverá na partitura da sua vida. Como o compositor faz com os temas de uma sonata, está sempre a voltar a ele, a repeti-lo, a modificá-lo, a desenvolvê-lo, a transpô-lo. (...). Mesmo nos momentos da mais profunda desordem, é segundo as leis da beleza que, secretamente, o homem vai compondo a sua vida.)
8. Coisas frágeis - Neil Gaiman (ela parecia tão fria, tão focada, tão quieta e, ainda assim, seus olhos permaneciam fixos no horizonte. Você pensa que sabe tudo o que há para saber sobre ela imediatamente, mas tudo o que você pensa que sabe está errado. Paixão flui através dela como um rio de sangue. Então, por um momento, ela desvia o olhar e perde sua máscara e você cai. Todos os teus amanhãs começam aqui.)
9. Don quixote - Miguel de Cervantes (tudo o que sei é que enquanto durmo, eu não sinto medo, não tenho esperanças, conflitos ou glórias. (...) há apenas uma coisa ruim sobre o sono, ao menos que eu tenha ouvido, é que este relembra a morte, havendo pouca diferença entre um homem adormecido é um cadáver)
10. As Crônicas do Rei Arthur - Bernard Cornwell (“Only a fool wants war, but once a war starts then it cannot be fought half-heartedly. It cannot even be fought with regret, but must be waged with a savage joy in defeating the enemy, and it is that savage joy that inspires our bards to write their greatest songs about love and War")

sábado, 13 de setembro de 2014

Cesare Pavese, no livro O oficio de viver



"A gente deixa de ser jovem quando entende que falar de um sofrimento é perda de tempo."

"Gostas de coisas absolutas? Não podes construir um amor totalitário: constrói uma bondade totalitária. Mas não faças besteiras: excluí o sexo."

“Eu passava a noite sentado diante do espelho para fazer companhia a mim mesmo.”

“E sobre tudo lembrar-se de que fazer poesia é como fazer amor: a gente nunca há de saber se a alegria que sente está sendo compartilhada.”

“Será concebível matar uma pessoa para ter importância na vida dela? Nesse caso é concebível que a gente se mate para ter importância em nossa própria vida.”

“Uma ridícula lei da vida é a seguinte: não é quem dá, mas quem cobra, que é amado. Ou seja, amado é quem não ama, porque quem ama, dá. E, é claro: dar é um prazer mais profundo do que receber; a quem damos, tornamos necessário, isto é, nós o amamos.


Dar é paixão, quase vício. A pessoa a quem damos transforma-se em necessidade nossa.”

"A força da indiferença! - é a mesma que permitiu às pedras que permanecessem imutáveis por milhões de anos."

"Quem não salva a si mesmo, não pode por ninguém ser salvo."

"Só nos apiedamos das pessoas que de si não tem piedade alguma."

"A força da indiferença! - é a mesma que permitiu às pedras que permanecessem imutáveis por milhões de anos."



"somente sabemos adotar estratagemas amorosos quando não estamos apaixonados."

"Em caso de amores, só os próprios são tolerados."


domingo, 7 de setembro de 2014

bocejo... Buk




creio que adoro dormir
mais do que qualquer pessoa que já tenha
conhecido.

sou capaz de dormir por
2 ou 3 dias e noites
seguidos.

posso ir para a cama a qualquer
momento.

muitas vezes deixei minhas namoradas confusas
por causa disso-

digamos que fosse por volta de uma
e meia da tarde:

“bem, vou para cama agora, vou
dormir...”

e a maior parte delas não dava bola, iam
para a cama comigo
pensando que eu estava atrás de
sexo

mas logo eu lhes dava as costas
e começava a roncar.

isso, claro, poderia explicar
por que tantas entre as minhas namoradas
me deixaram.

dos doutores, nunca obtive qualquer
ajuda:
“escute, sinto esse desejo de
ir para a cama e dormir, quase todo o
tempo.
o que há de errado
comigo?”

“pratica exercícios regularmente?”
“sim...”
“tem se alimentado
corretamente?”
“sim...”

sempre me passavam uma
receita
que eu jogava fora
no caminho entre o consultório e o
estacionamento.

é um mal curioso
porque não consigo dormir entre
as seis da tarde e a meia noite.
precisa ocorrer depois
da meia noite
e quando me levanto
nunca pode ser
antes do meio dia

e caso o telefone toque
vamos dizer às dez e meia da manhã
tenho um surto de raiva

não pergunto sequer quem está
chamando
grito no telefone:
“POR QUE ESTÁ LIGANDO
PARA MIM NUMA HORA
DESSAS?!”

fone no
gancho...

cada pessoa, suponho, tem
suas excentricidades
das em um esforço para parecer
normal
aos olhos do
mundo
elas se superam
e desse modo
destroem seu
algo a mais.

mantive o meu
e acredito que
ele serviu à minha existência
com generosidade.

penso que foi a principal razão
por que decidi me tornar um
escritor: posso bater à máquina
a qualquer hora e
dormir
na hora em que vier a porra da
vontade.


Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária 

sábado, 30 de agosto de 2014

citações - Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“e você pode dizer o que quiser sobre os malefícios da bebida, mas sem ela jamais poderia encarar aqueles capatazes com seus olhos de roedores e suas testas incapazes. aqueles trabalhadores satisfeitos com feriados e com o seguro de vida. a verdadeira escravidão humana de homens que não sabiam que eram escravos que realmente achavam que eles eram os escolhidos. era a garrafa e somente a garrafa e todas as garrafas que me resguardaram de tudo aquilo. a cada dia sonhando com a noite quando estaria de volta em meu quarto, de pés descalços estendidos na cama, no escuro, abrindo a tampinha da garrafa tomando o primeiro e bom gole deixando a podridão, a decadência lentamente desaparecerem. acendendo um cigarro enlevado pelas paredes e pela luz da lua, através da janela eu inalava o jogo sujo e então exalava-o por completo desse jeito, então buscava outra vez a garrafa não por fraqueza mas por força: tomando aquele grande gole voltando a garrafa para seu lugar: cada homem vence a adversidade de um modo diferente.”

"... as bebidas estavam no comando e o mundo quase parecia um lugar aceitável." 

"Não brinque com a loucura, a loucura não brinca."

"Ninguém ronca como um vagabundo
exceto alguém que é casado com você."


"estava deprimido, bem, deprimido não, mas estava desanimado com a estrutura toda, o jogo todo, a vida toda."

"é comum, ele disse, depois e uma separação,
ficar ali sentado sentindo como se a alma tivesse sido
decapitada"


Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Carpinejar - Me ajude a chorar

“Prefiro estar acompanhado numa estrada real, ainda que penosa, a viver sozinho em minha idealização.”

“Quer um maior mendigo do que aquele que dorme no sofá em sua residência? Com um cobertorzinho emprestado e com a claridade das janelas violentando os segredos?”

“Quando amamos platonicamente, o amor pode durar muito tempo. Pois não tem ninguém para estragar nossa idealização. Não há convivência para nos desafiar. É uma paixão estanque, feita de sonho e névoa. É uma vontade desligada da realidade. Temos a expectativa intacta, longe de contratempos. Acordamos e dormimos com o mesmo sentimento longe de interrupção em nossa fantasia.”

“Ninguém entra numa escolha sem fechar a porta.”

"Liberdade vem com o tempo, liberdade vem devagar, liberdade é esforço. Não ser do tamanho de nossa prisão, mas ser do tamanho de nossa vontade."

"E não adianta ensinar alguém a amar a tormenta - ela deve estar no sangue." 

"Você acha que somos impossíveis, mas é do impossível que o amor gosta." 

"Eu garanto que a fuga dá mais trabalho do que se encontrar."

“Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.”

“Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.”

“É trabalho em vão soterrar o precipício.”

“A vida é simples, milagrosamente simples.”

“Não há como acalmar o coração senão vivendo.”

“As relâmpagos iluminam os loucos.”


A você que a vê passar

Invejo quem pode vê-la. Eu não posso mais, eu que estou distante, eu que estou separado dela.
Invejo o cobrador de ônibus. Invejo o motorista. Invejo quem tem a chance de conhecê-la.
Invejo quem pode enxergá-la sem taquicardia, sem sobressalto, sem temer a reação.
Invejo seus amigos que podem encontrá-la para um almoço e conversar à toa.
Invejo a família que tem sempre preferência. Invejo os balconistas das farmácias e das lojas, mesmo que só falem crédito ou débito, invejo porque ela dará uma resposta.
Invejo seus colegas de trabalho que podem gritar pelo seu nome com entusiasmo.
Invejo a moça do cafezinho, o moço da limpeza. Eles têm todo direito de se aproximar – ela é real e acessível.
Invejo desconhecidos com a fortuna de rápidas palavras. Invejo o flanelinha que lhe chama de linda. Invejo o carteiro que se engana de número e pede uma informação.
Invejo quem tem a possibilidade de telefonar ou mandar mensagem. Invejo os esbarrões de seus dias. Qualquer contato, qualquer cumprimento, invejo.
Eu me invento na inveja