“Eu fazia e desfazia mundos para ela. Ela aceitava minhas
palavras e atos sem opor resistência. Era dócil e ingênua como um bichinho de
estimação. Pensei que podia fazer o que quisesse, que ela nunca iria reagir.
ENGANO. Enquanto estava ao seu lado nada aconteceu. Eu matava suas dúvidas como
se fossem moscas. Assim que dei espaço ela descobriu o tipo de escória que
amava.”
“O que me incomoda não é o frio, não é a chuva, não é o céu
cinzento. Sou feito de uma madeira rara. O calor também não me incomoda mas me
parece uma desgraça. O calor é bom quando se tem iate e hotel cinco estrelas. Se
você tiver que dar aula numa escola de subúrbio e atravessar a cidade ao meio
dia num ônibus lotado, não vai gostar do calor.”
“Eu e ela tivemos bons momentos, tivemos diálogos e sonhos,
tivemos encontros e canções, tivemos sexo com amor, sexo com magia, sexo com
sangue e loucura. É provável que ela queira negar aquele tempo mas eu vou estar
aqui lembrando que a ensinei a mover estrelas, a ler escritores do caralho, a
entender aquilo que os nossos olhos não veem, o que não faz barulho, as
criaturas do ar escuro. Ela me ensinou a saber e isso pelo menos é verdade. Ela
é esquiva, silenciosa, com feridas antigas. Você tem que amá-la com cuidado,
ela pode ficar fria e dura como um sapo de gesso, pode fechar-se em si mesma
como um caracol ressentido.”
“(...) Mônica, era argentina, tinha um doutorado em
literatura inglesa e não exigiu camisinha.”
“Você não sabe que o diabo não existe? É só Deus quando está
bêbado.”
“Não sei se tenho razão ou se as minhas ideias são absurdas
mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora
está fora de controle.”


