sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sylvia Plath, no livro A redoma de vidro

“Imagino que eu deveria estar entusiasmada como a maioria das outras garotas, mas eu não conseguia me comover com nada. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que um olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.”

“Se tem uma coisa que eu desprezo é homem vestido de azul. Preto ou cinza tudo bem, marrom até vai. Azul me dá vontade de cair na gargalhada.”                             


“Comecei a pensar que talvez vodca fosse meu tipo de bebida. Não tinha gosto de nada, mas descia para meu estomago como a espada de um engolidor, fazendo com que me sentisse poderosa feito uma deusa.”


Sylvia Plath, no livro A redoma de vidro

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

“Eu tinha trinta anos. Era um sujeito idealista e romântico, cheio de boas intenções, convencido de que toda a humanidade se dividia em dois bandos: os bons e os maus. Eu era da turma dos bons, heroicos, fiéis e abnegados. Enfim, me sentia muito bem trabalhando como jornalista. Tínhamos todos várias coisas em comum: éramos machinhos satisfeitos, com o pênis sempre eretos, bons bebedores, mulherengos, defensores da verdade, da justiça e de tudo isso, respeitadores da ordem estabelecida. Nós a tínhamos dentro do sangue, como um vírus, e não sabíamos disso. Formávamos um bom time.
Passaram-se vinte anos. Daqui olho aquela etapa da minha vida e me assombro de ver como é fácil alcançar e manter um altíssimo nível de estupidez. Não tenho mais remédio: agora sou um punhado de dúvidas e incertezas de todo tipo. Às vezes, acumulam-se tantas que chego à perplexidade absoluta.”

“- Deus queira que você nunca se veja sozinho. Não imagina como é horrível viver sozinho. Você tem muita sorte, porque Júlia é uma mulher boa e te ama muito.
Não respondo. Cada um sabe de si. Prefiro estar sozinho do que mal acompanhado, mas engulo e penso fugazmente em um revólver e uma bala na testa de Júlia.”


domingo, 21 de dezembro de 2014

Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“Olhou para o sol. Tinha escapado da jornada de trabalho de oito horas havia apenas treze anos. Agora, todo o TEMPO era dele. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia. Cada noite. Ele era escritor. Escritor. Escritor profissional. Havia doze milhões de pessoas na América que queriam ser escritores. Ele era escritor.”

“ Escrever levava alguém para lugares rarefeitos, tornava-o estranho, um desajustado. Não foi por acaso que Hemingway explodiu os miolos sobre o suco de laranja. Não foi por acaso que Hart Crane se jogou sobre um propulsor, não foi por acaso que Chatterton tomou veneno de rato. Os únicos que continuavam eram os que escreviam best-sellers e eles não estavam escrevendo de verdade, já estavam mortos. E talvez ele também estivesse morto: tinha casa própria com sistema de segurança, uma máquina de escrever elétrica da IBM, tinha um Porsche e uma BMW na garagem. Mas até então havia resistido à piscina, à jacuzzi e à quadra de tênis. Talvez estivesse apenas meio morto?”


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Citações - Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

" Olho em silêncio para ela. Mantenho a norma de não discutir com mulheres. São muito ardilosas e perco sempre. Eu sou racional, lógico e paciente quando discuto. Elas são irracionais, ilógicas e impacientes. Me confundem rapidamente e não sei o que dizer."

"Quando Julia apareceu, achei que podia serenar meu espírito para toda vida. E nos casamos. Erro. Ao meu lado, em quatro anos, se transformou de uma mulher doce e lenta em uma mulher vertiginosa e corrosiva. O casamento destrói tudo. Ou eu destruo tudo. Não sei. "


"dizem que escrever ajuda a compreender os problemas. Comigo funciona ao contrário : cada dia estou mais confuso." 

“Quando alguém tem o poder, cresce muito o filho da puta que todos temos dentro de nós.”


“Tomei um banho. Bebi um litro de água gelada e olhei o relógio: uma e quarenta e cinco. Que bom. Fiz muitas coisas em pouco tempo. Bebi mais água e deitei ao lado de Julia. Ela roncava. Fiquei ouvindo um pouco. Abri os olhos. Pelas persianas abertas entrava a luz da lua. Olho o teto. Não estou com sono. Estou excitado talvez. O bom agora seria se Julia gostasse muito de mim e me deixasse de pau duro ao cheiras suas axilas. Uma boa trepada é sedativa. A gente se descarrega e pronto. Dorme como um urso. Ah, mas não. Ouço enquanto ronca grosseiramente. Parece um caminhoneiro, porra! E fico de mau humor. Vim todo feliz com meu pargo, me deito junto dessa mulher e já estou irritado e com vontade de lhe dar um empurrão e jogá-la para fora da cama.”

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mario Bortolotto, no livro Bagana na chuva

“Veio pra cima de mim com tudo. Eu falei.
‘Ei, calma ai, tô meio destreinado.’
Mentira, vinha transando com frequência. Mas eu sempre gostava de dizer que tava de molho e tal. As garotas se julgam especiais. Não há nada de mal em fazer uma garota se sentir especial, mesmo que você não a ame, ou sequer goste dela tanto assim. Aquela eu amava pra caralho. Resolvi gastar tudo o que tinha com ela. o problema é que ela fez um troço que na época eu achava inaceitável. Ela veio por cima. Bosta. Ela subiu em cima do meu pau e tudo ficou esquisito. Ela mexia furiosamente. Fiquei apavorado.
‘Porra, Angela, manera ai.’
‘Por quê? Tá ótimo.’
Ela mexia e eu sentia que a precoce ia emplacar. Puxei de uma vez de dentro dela antes que a porra desse as caras.
‘Merda, Cardan, por que você fez isso?’
‘Eu ia gozar.’
‘E daí? Eu também.’
Ela não aceitou minhas desculpas. Eu não aceitei o fato de ela ter ficado puta comigo e nada mais deu certo naquela noite.“


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

poemas - Carla Marti

"tenho pensado:
ainda bem que nunca morri,
ainda bem que não morri antes de nós.
porque eu não ia perdoar a Deus
se eu não tivesse
te conhecido."

"

Atenção: Desvio


Se eu um dia achei
sua bebedeira natural,
foi engano.
se um dia me pareceu
que nossos caminhos se cruzariam naturalmente,
enquanto olhava, absorta, o gelo explodir no copo,
perdi.
se pensei em tanta coisa pra dizer
e sigo muda
o tempo ente nós
acabou,
se dissolveu,
como o gelo do meu copo imaginário,
explodiu.
E qual de nós dois se manteve intacto?"

"

Outra noite


E se eu te disser
que não quero que a brincadeira acabe mais
você me perdoa?
Não quero sentir aquele
estúpido silêncio de elevador
de hoje cedo
não quero suas perguntas inconsequentes,
suas dúvidas infantis.
não quero que você me entenda,
nem eu te entendo mais.
não é amor.
eu te juro que não é paixão.
apenas não gosto de dormir sozinha
e nosso sexo nunca foi
fundamental.
ironia,
destino?
vamos ser amigos
até onde pudermos ser.
só me deixe dormir mais um pouco
antes de irmos pro bar…"

"todos os poemas que eu escrevi
- Quase todos-
Eu fiz pra um homem.
Uma paixão.
Às vezes num mesmo poema, misturo dois ou três
Numa espécie de coquetel de detalhes e recordações.
Engraçado é que alguns se identificam
Se enxergam naquele poema maltrapilho,
naquele poema
adolescente, inconsequente,
quase pueril,
que faço à noite
quando todos já foram dormir
Tem os poemas pros homens inalcançáveis,
Aqueles que admiramos,
 na surdina,
Com medo que alguém perceba
E assim o encanto se acabe.
Por isso, os chamo de poemas platônicos.
Muitas vezes esses ficam até bons,
Pena que quase sempre
seja impossível uma dedicatória.
Tem os dos rápidos affaires,
que idealizei, e que, logo depois
o mistério se dissipou
E aí só restaram os poemas - ruins –
Que usei pra conquistá-los.
As grandes paixões estão espalhadas
Em todos eles
Um relance, um olhar
Uma fisgada de dor
Do amor que se acabou.
Tem também as conquistas
Sim, poemas também podem ser feitos pra um objetivo banal
Como dormir com um homem
E esperar jamais ouvir falar dele depois.
No meio desses poemas fajutos,
uma amosfera fake
de fingir que sou alguém
que se interessa por ele
A ponto de, na madrugada, unir palavras
aleatórias,
 em busca de um sentido exato.
Mas meus poemas mancos talvez sejam
A minha verdadeira e inalcançável
Redenção."

"

IDÍLIO


Fale de mim.
Da minha poesia, não.
Fale das minhas atitudes impensadas,
que meu penteado é ridículo.
Da minha poesia, não.
Fale de minhas bebedeiras homéricas, meus vexames públicos.
Dos cheques devolvidos, do meu guarda-roupa revirado,
diga que sou inconsequente, tacanha, piranha…
Fale da minha roupa indecente, meus casos mal resolvidos,
meu ataques de nervos, de risos,
lágrimas mal colocadas.
só não quero que você mexa com a minha poesia.
Minha poesia é seu Vietnã
Minha poesia está no limite
de onde você possa ou não estar
Intransponível. Inatingível. Soberana.
Eu.
Minha poesia é a Amazônia, e você não sai daqui.
Jamais toque na minha poesia,
mesmo ela sendo
ruim,
infantil, repetitiva
ou idiota.
Minha poesia é meu consolo,
salvação,
meu karma
Minha poesia me basta.
Não você."

"Currículo
Posso te dizer
que não sou chegada a luxos,
garanto não ser ligada a compras e futilidades,
passeios em shoppings,
e jamais me verá num vestido branco,
ao som da marcha nupcial.
Pode, sim, me ver por aí,
no boteco,
na rua, pensativa,
falando besteiras e teorias conspiratórias,
bebendo algum destilado,
suspeito.
Não me interprete mal:
gosto do que é bom,
mas me acostumo com o que posso,
me acostumei com ter e não ter,
-claro que a idade já pede um whisky bom-
mas se faltar, dá-se um jeito…
Posso falar demais -
recitar sempre a mesma poesia,
ser persona non grata,
ou a rainha da festa,
endeusar Clapton,
chorar ouvindo blues,
mas, mesmo cansada de tudo,
sempre sorrio pros amigos -
ainda que escondido.
Gosto mais de ficar só,
do que em multidões,
embora sempre cercada,
vou comigo
onde quer que eu vá.
Há tempos deixei de sonhar,
sempre curti o bandido e
mandei o mocinho se danar.
Acho que ler é o melhor remédio pra ressaca,
e transar nunca teve muito a ver com amor.
Claro que minto a idade,
claro que finjo ser
normal, feliz, educada
Mas tenho minhas razões
pra disfarçar
A poesia expõe demais
feridas abertas,
que não cicatrizam
e algumas que a gente nem sabia
que estavam lá.
Dizem que meus olhos tem vida,
que não sou dublê, figurante
da puta da vida
Só sei que sou viva,
embora alguns dias,
nem queira estar.


Carla Marti


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Chuck Palahniuk, no livro O Clube da luta


“O que Tylor fala sobre sermos o lixo e os escravos da história é como me sinto. Queria destruir as coisas bonitas que nunca tive. Queimar a floresta tropical amazônica. Bombear CFC direto para a camada de ozônio. Abrir as válvulas de descarga dos tanques dos superpetroleiros e destampar as plataformas de petróleo em alto-mar. Queria matar todos os peixes que não consigo comprar para comer e sujar as praias francesas que nunca verei.
Queria que o mundo todo chegasse ao fundo do poço.
Enquanto batia naquele garoto, o que queria mesmo era atirar entre os olhos de cada panda ameaçado de extinção que não trepava para salvar sua espécie e de cada baleia ou golfinho que desistiu e se deixou encalhar na praia.
Não pense nisso como extinção pense como diminuição de pessoal.
Durante milhares de anos os humanos foderam, sujaram e fizeram merda com este planeta e agora a história espera que eu limpe tudo.
(...)
Queria queimar o Louvre. Quebraria os mármores do Panteão com uma marreta e limparia a bunda com a Mona Lisa. Esse é o meu mundo agora.
Este é o meu mundo, o meu mundo, e as pessoas antigas estão mortas.”

“- Em que tipo de confusão você se mete todo fim de semana?
Respondo que simplesmente não quero morrer sem ter algumas cicatrizes.”

“Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.”

“Você compra móveis. E pensa, este é o último sofá que vou precisar na vida. Você compra o sofá e fica satisfeito durante uns dois anos porque, aconteça o que acontecer, ao menos a parte de ter um sofá já foi resolvida. Depois precisa do aparelho de jantar certo. Depois da cama perfeita. De cortinas. E do tapete.
            Então você fica preso em seu belo ninho e as coisas que costumavam ser suas agora mandam em você.”

"_ insônia é apenas um sintoma de algo maior.- meu médico falou. - Descubra o que está errado de verdade, ouça o seu corpo."


Chuck Palahniuk, no livro O Clube da luta