sábado, 24 de janeiro de 2015

Diego Moraes

Não sou eu que vai abraçar orelhões quando as fichas acabarem
Não sou eu que vai pedir para o tatuador apagar as iniciais do teu nome
Não sou eu que vai recair
Não sou eu que vai entupir o nariz de pó na tentativa de tapar o buraco da saudade
Não sou eu que vai chorar no canto mais escuro do bar escutando Belchior
Não sou eu que vai ligar para um amigo falando que o peito está pesando demais
Não sou eu que vai amarrar a corda no pescoço
A poesia já me defendeu do desespero que é viver longe do teu amor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mario Bortolotto, no livro Bagana na chuva

“A noite não perdoa quem não está preparado para ela. Às vezes eu penso o quanto nossos heróis podem nos fazer mal se estivermos mal preparados. E no quanto somos responsáveis pelas coisas que escrevemos. Uma vez, li em algum lugar que os livros podem mudar a vida das pessoas. Sempre penso nisso quando escrevo, embora acredite sinceramente que eu não tenha tanto poder assim, mas como é que eu vou saber o que pode passar pela cabeça de um garoto belicoso ao ler o que escrevo? Será que ele está realmente entendendo aonde quero chegar? Não quero fazer apologia de nada. Apenas passo minha visão vagabunda do mundo em que vivo. E se não vejo o mundo com olhos puros de quem acredita nele, não tenho que pagar por isso, e nem quero que algum leitor inocente um dia venha a fazer isso. As coisas que vejo me deixam muito triste, às vezes furioso, e realmente tenho vontade de sair distribuindo pancadas em pessoas, em orelhões, em muros de concreto. Mas ninguém deve fazer o mesmo. Há livros de certos autores que deviam vir com a oportuna advertência: “manter fora do alcance das crianças. Material altamente nocivo à juventude inocente que um dia ainda pode se dar bem”. Ninguém pode fazer mais nada por sujeitos como nós. Alguém ainda pode fazer algo por eles.”


“Há algo de profundamente triste em não sentir falta de alguém que não vai voltar.”

“Tinha uma garota que era afim de dar pra mim, é engraçado, pernóstico até dizer isso assim, dessa maneira, mas é que ela era mesmo afim de dar pra mim. quer dizer, ela nunca chegou pra mim e disse isso assim, na lata, mas era a fim. Eu também era a fim de mandar ver por ali. Às vezes acontece da mulher ser a fim de dar pra você e você não querer comer, é raro, mas acontece, mas no caso dela, eu era a fim, e agora pensando nisso, por que não rolou? O nome dela era Paula. Eu tava com a Angela em algum boteco e ela chegava, sentava com a gente e falava, falava – sabe como é – ai ela ia embora. Angela me olhava e detonava.
‘Essa vaca é a fim de dar pra você’.
‘Ah, que ideia.’
‘Vai ter coragem de dizer que você não sacou?’
‘Não creio que este seja um assunto estimulante a ponto da gente levar adiante.’

E assim eu ia enrolando, mas ela a fim mesmo.”


“Não é necessário uma doença terminal para descobrir a urgência da descoberta. As pessoas esperam tempo demais.”


“Não suporto neguinho tocando violão em bares. Quem contratou esses sujeitos para me encher o saco?”


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

série Sons of Anarchy











“Tem um velho ditado que diz que o que não te mata te faz mais forte. Eu não acredito nisso. Eu acho que as coisas que tentam matá-lo o fazem ficar irritado e triste. A força vem de coisas boas: sua família, seus amigos... da satisfação de um dia duro de trabalho. Essas são as coisas que te mantem inteiro, são nessas coisas que você se agarra quando está destruído.”
Jax Teller, na série Sons of Anarchy (T5, E1)

Sylvia Plath, no livro A redoma de vidro

“Imagino que eu deveria estar entusiasmada como a maioria das outras garotas, mas eu não conseguia me comover com nada. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que um olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.”

“Se tem uma coisa que eu desprezo é homem vestido de azul. Preto ou cinza tudo bem, marrom até vai. Azul me dá vontade de cair na gargalhada.”                             


“Comecei a pensar que talvez vodca fosse meu tipo de bebida. Não tinha gosto de nada, mas descia para meu estomago como a espada de um engolidor, fazendo com que me sentisse poderosa feito uma deusa.”


Sylvia Plath, no livro A redoma de vidro

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

“Eu tinha trinta anos. Era um sujeito idealista e romântico, cheio de boas intenções, convencido de que toda a humanidade se dividia em dois bandos: os bons e os maus. Eu era da turma dos bons, heroicos, fiéis e abnegados. Enfim, me sentia muito bem trabalhando como jornalista. Tínhamos todos várias coisas em comum: éramos machinhos satisfeitos, com o pênis sempre eretos, bons bebedores, mulherengos, defensores da verdade, da justiça e de tudo isso, respeitadores da ordem estabelecida. Nós a tínhamos dentro do sangue, como um vírus, e não sabíamos disso. Formávamos um bom time.
Passaram-se vinte anos. Daqui olho aquela etapa da minha vida e me assombro de ver como é fácil alcançar e manter um altíssimo nível de estupidez. Não tenho mais remédio: agora sou um punhado de dúvidas e incertezas de todo tipo. Às vezes, acumulam-se tantas que chego à perplexidade absoluta.”

“- Deus queira que você nunca se veja sozinho. Não imagina como é horrível viver sozinho. Você tem muita sorte, porque Júlia é uma mulher boa e te ama muito.
Não respondo. Cada um sabe de si. Prefiro estar sozinho do que mal acompanhado, mas engulo e penso fugazmente em um revólver e uma bala na testa de Júlia.”


domingo, 21 de dezembro de 2014

Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“Olhou para o sol. Tinha escapado da jornada de trabalho de oito horas havia apenas treze anos. Agora, todo o TEMPO era dele. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia. Cada noite. Ele era escritor. Escritor. Escritor profissional. Havia doze milhões de pessoas na América que queriam ser escritores. Ele era escritor.”

“ Escrever levava alguém para lugares rarefeitos, tornava-o estranho, um desajustado. Não foi por acaso que Hemingway explodiu os miolos sobre o suco de laranja. Não foi por acaso que Hart Crane se jogou sobre um propulsor, não foi por acaso que Chatterton tomou veneno de rato. Os únicos que continuavam eram os que escreviam best-sellers e eles não estavam escrevendo de verdade, já estavam mortos. E talvez ele também estivesse morto: tinha casa própria com sistema de segurança, uma máquina de escrever elétrica da IBM, tinha um Porsche e uma BMW na garagem. Mas até então havia resistido à piscina, à jacuzzi e à quadra de tênis. Talvez estivesse apenas meio morto?”


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Citações - Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

" Olho em silêncio para ela. Mantenho a norma de não discutir com mulheres. São muito ardilosas e perco sempre. Eu sou racional, lógico e paciente quando discuto. Elas são irracionais, ilógicas e impacientes. Me confundem rapidamente e não sei o que dizer."

"Quando Julia apareceu, achei que podia serenar meu espírito para toda vida. E nos casamos. Erro. Ao meu lado, em quatro anos, se transformou de uma mulher doce e lenta em uma mulher vertiginosa e corrosiva. O casamento destrói tudo. Ou eu destruo tudo. Não sei. "


"dizem que escrever ajuda a compreender os problemas. Comigo funciona ao contrário : cada dia estou mais confuso." 

“Quando alguém tem o poder, cresce muito o filho da puta que todos temos dentro de nós.”


“Tomei um banho. Bebi um litro de água gelada e olhei o relógio: uma e quarenta e cinco. Que bom. Fiz muitas coisas em pouco tempo. Bebi mais água e deitei ao lado de Julia. Ela roncava. Fiquei ouvindo um pouco. Abri os olhos. Pelas persianas abertas entrava a luz da lua. Olho o teto. Não estou com sono. Estou excitado talvez. O bom agora seria se Julia gostasse muito de mim e me deixasse de pau duro ao cheiras suas axilas. Uma boa trepada é sedativa. A gente se descarrega e pronto. Dorme como um urso. Ah, mas não. Ouço enquanto ronca grosseiramente. Parece um caminhoneiro, porra! E fico de mau humor. Vim todo feliz com meu pargo, me deito junto dessa mulher e já estou irritado e com vontade de lhe dar um empurrão e jogá-la para fora da cama.”