quinta-feira, 4 de junho de 2015

Take me to church Hozier

Leve-me À Igreja


Minha amada tem humor
Ela dá aquela risadinha no funeral
Ela sabe que todos desaprovam
Eu devia ter venerado ela mais cedo
Se os céus alguma vez falaram
Ela era a última profetisa verdadeira
Cada domingo fica mais triste
Um veneno fresco a cada semana

"Nós nascemos doentes"
É o que eles dizem
Minha igreja não oferece regras absolutas
Ela só me diz, "Louve entre quatro paredes"
O único paraíso para onde vou ser enviado
Vai ser quando eu estiver sozinho com você
Posso ter nascido doente, mas adoro isso
Me ordene sarar
Amém, amém, amém

Me leve à igreja
Louvarei como um cão no santuário de suas mentiras
Vou lhe confessar meus pecados
Assim você pode afiar sua faca
E me oferecer essa morte imortal
Bom Deus, me deixe te dar minha vida

Me leve à igreja
Louvarei como um cão no santuário de suas mentiras
Vou lhe confessar meus pecados
Assim você pode afiar sua faca
E me oferecer essa morte imortal
Bom Deus, me deixe te dar minha vida

Se sou um pagão dos bons tempos
Minha amante é a luz do sol
E para manter a deusa ao meu lado
Ela exige um sacrifício

Drenar todo o mar para pegar algo brilhante
Algo carnudo para o prato principal
Esse cavalo soberano é bem charmoso
O que você tem no estábulo?


Charles Bukowski, no livro As pessoas parecem flores finalmente




"o minuto é a coisa mais sagrada. lutei por cada um deles desde a minha infância. eu continuo a lutar por cada um deles. nunca fiquei chateado ou sem saber o que fazer em seguida. mesmo quando não faço nada, eu estou utilizando meu tempo.
por que as pessoas tem que ir a parques de diversão ou ao cinema ou ficar sentadas diante dos aparelhos de TV ou resolver palavras cruzadas, ou ir à piqueniques, ou visitar parentes, ou viajar, ou fazer a maior parte das coisas que elas fazem, está além da minha compreensão. elas mutilam minutos, horas, vidas, dias inteiros. elas não têm ideia do quanto um minuto é precioso."

"sou uma série de pequenas vitórias e grandes derrotas e estou tão espantado quanto qualquer outro por ter conseguido chegar até aqui sem cometer um assassinato ou ser assassinado."


"os homens mais fortes são a minoria
e as mulheres mais fortes morrem sozinhas

também."

domingo, 17 de maio de 2015

Somebody That I Used To Know

Às vezes penso em quando estávamos juntos
Como quando você disse que se sentia tão feliz que podia morrer
Disse a mim mesmo que você era certa para mim
Mas me sentia tão solitário na sua companhia
Mas era amor e é uma dor de que eu ainda me lembro

Você pode ficar viciado em um certo tipo de tristeza
Como renúncia ao fim, sempre o fim
Então, quando descobrimos que não podíamos fazer sentido
Bem, você disse que ainda seríamos amigos
Mas vou admitir que fiquei feliz que tudo acabou

Mas você não precisava me cortar
Fingir como se nunca tivesse acontecido
E que não éramos nada
E eu nem preciso do seu amor
Mas você me trata como a um estranho
E isso é tão duro

Não, você não precisava descer tão baixo
Fazer seus amigos recolher os seus discos
E depois mudar o seu número
Embora eu ache que eu não preciso disso
Agora você é apenas alguém que eu conhecia

Agora você é apenas alguém que eu conhecia
Agora você é apenas alguém que eu conhecia

Às vezes penso em todas as vezes em que você me ferrou
Mas me fazia acreditar que era sempre algo que eu tinha feito

E eu não quero viver assim
Interpretando cada palavra que você diz
Você disse que poderia deixar passar
E eu não iria pegá-lo comprometido
Com alguém que você conhecia

Mas você não precisava me cortar
Fingir como se nunca tivesse acontecido
E que não éramos nada
E eu nem preciso do seu amor
Mas você me trata como a um estranho
E isso é tão duro

Não, você não precisava descer tão baixo
Fazer seus amigos recolher os seus discos
E depois mudar o seu número
Embora eu ache que eu não preciso disso
Agora você é apenas alguém que eu conhecia

Alguém
Que eu conhecia
Alguém
(Agora você é apenas alguém que eu conhecia)
Alguém
Que eu conhecia
Alguém
(Agora você é apenas alguém que eu conhecia)

Que eu conhecia
Que eu conhecia
Que eu conhecia
Alguém















poder de reação

"Queria apenas ter o teu poder de reação. Ter algo bem próximo do teu poder de regeneração, tua habilidade em virar a página, em olhar pra cima e pro lado e simplesmente lamentar tudo, lamentar “ mais uma bola na trave”, “ mais uma relação mal-sucedida”.
Talvez a terceira, talvez a quarta, vá saber. Queria poder reagir como você.
Eu não. Eu ainda me sinto um quadrúpede, mãos e patas no chão juntando os cacos, tentando encontrar o ponto onde tudo se partira, onde tudo começou a ruir. Talvez na vã esperança de diagnosticar as primeiras rachaduras. Afinal de contas, também tenho que adquirir experiência pro próximo round, não?"

Daniel Souza



domingo, 26 de abril de 2015

Todo Errado - Mario Bortolotto

Não tem essa de ficar esquisito. Vc já nasce assim. Na sua inocência infantil você não percebe, mas já tá tudo lá. E seus pobres pais não estavam preparados para orientar o filho errado. Mesmo pq o que os pais mais desejam é que o filho trilhe o caminho certo (?) Mas quando vc vai crescendo, percebe que tem algo errado. Que algo não se encaixa. E aos poucos vc descobre que quem não se encaixa é você. Então vc começa a andar com as pessoas erradas (?), a ler os livros errados (?) e ouvir a música errada (?) e frequentar os lugares errados (bares vazios, bibliotecas, cinemas no fim da tarde). E tudo vai se clareando. Então é só contar os minutos pra dar o estalo em sua cabeça. Vc descobre que não há saída. Que vc está condenado. A ser errado. Alguns até tentam fugir. E buscar caminhos certos. E até conseguem. Ou pelo menos se enganam que sim. E conseguem os empregos certos, o cônjuge certo, os filhos certos, o deus que orienta sua vida certa. Então à noite, ele levanta da cama, olha pela janela e sente um frio na barriga e um desespero que ele não consegue diagnosticar. Pq sua vida parece que está toda certa. Mas na verdade ele sabe que foi um erro. Um erro que não vai dar mais tempo de corrigir. Pq a vida dando certa (?) ou errada (?) vai ter um fim. E essa é a única certeza em nossas vidas erradas (?)

domingo, 29 de março de 2015

Reinaldo Moraes, no livro Tanto faz & Abacaxi



“Um exilado amigo meu comparou a angustia a um urso negro que chega de mansinho por trás do freguês e lhe toca o ombro com a pata felpuda. De leve. Se o sujeito bobear, o urso lhe pula em cima, faz o maior estrago. Um perigo.

Pra mim, a angustia é um gato vira-lata com patas de pluma e corpo de chumbo. Sinto suas andanças dentro da caixa do peito, mas nunca sei onde ele está exatamente.”

“A gente se gosta sem alarde, sem futuro.”

“Ontem o sassarico rendeu que foi uma beleza. Tem horas que esse negócio de sexo até que dá certo. Acho que perdi a obsessão da penetração. Estou pondo em prática as teorias antimachistas que ajudo o Chico a desenvolver nas mesas de bar. Não estou mais dando muita bola pro meu pau. Quer subir, sobe; não quer, foda-se. Penso em outra coisa. Chega de fissura na cama, adiar meu gozo pra companheira gozar duzentas vezes, dar logo a segundinha, a terceira, a quarta... a milésima. Mostrar serviço. Never more, major. Não sou cowboy nem cangaceiro. Quero ser um dândi suave, feminino, distraído. Mulher entre as mulheres. O lésbico de que falava Baudelaire.”

“- Os amantes? Ora, os amantes... os amantes são aqueles canalhas adoráveis em quem o homem e a mulher pensam quando estão trepando com os respectivos cônjuges.”

“ – Mas é justamente esse o grande dilema da puta da vida, Marisa: ser cônjuge ou ser amante? Ter marido pode até ser muito confortável pra uma mulher, e vice versa. Alguém devia pesquisar os casamentos ditos felizes para saber como é que funciona esse troço. Porque eu conheço muitos casamentos que se seguram nos ganchos mais loucos. O Chico mesmo tem uma prima casada que recebe uma mesada especial do marido adivinha pra fazer o quê?
- Menor ideia.
- Pra coçar o saco do cidadão antes de dormir. Verdade; a fulana faz-lhe um cafuné no saco e o cara dorme de perna aberta, feliz como um buda depois de uma feijoada. E, como esse, deve ter porradas de casamentos que se seguram nessas artes, numa bela chave de buceta, no tamanho privilegiado de um cacete. Cê não acha?”

“- Me recuso a dar pro carinha, de manhã, se ele já acordar de pau ready-made. Tesão de mijo não vale. Tem que começar do zero.”


“Meu coração vai explodir qualquer dia desses e abrir um buraco no meu peito, como esses que se abrem no meio da rua quando se rompe um duto de águas públicas no subsolo.”



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Efraim Medina Reyes, no livro Pistoleiros, putas e dementes


“Uma mulher feia tem duas opções: se matar ou criar um estilo. A pior coisa que uma mulher feia pode fazer é fingir que não é feia, isto é quase tão ruim quanto não ter um pingo de beleza. É o tipo de coisa que desarcoçoa os caras simpáticos.
Não que uma mulher feia seja incapaz de ficar bonita um dia. Mas não lhe convém. Uma vez adquirido, o estilo a acompanha para sempre. Planejar a beleza e complicado e mantê-la, um verdadeiro imbróglio. Não é por acaso que as bonitas se suicidam mais frequentemente.
A beleza não é um estilo, mas o supre bastante bem, até que apodrece. A feia, no pior dos casos, só pode ficar mais feia, e isto em certo sentido é uma melhora. A beleza corre todos os riscos e não tem álibi.”



sábado, 24 de janeiro de 2015

Diego Moraes

Não sou eu que vai abraçar orelhões quando as fichas acabarem
Não sou eu que vai pedir para o tatuador apagar as iniciais do teu nome
Não sou eu que vai recair
Não sou eu que vai entupir o nariz de pó na tentativa de tapar o buraco da saudade
Não sou eu que vai chorar no canto mais escuro do bar escutando Belchior
Não sou eu que vai ligar para um amigo falando que o peito está pesando demais
Não sou eu que vai amarrar a corda no pescoço
A poesia já me defendeu do desespero que é viver longe do teu amor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mario Bortolotto, no livro Bagana na chuva

“A noite não perdoa quem não está preparado para ela. Às vezes eu penso o quanto nossos heróis podem nos fazer mal se estivermos mal preparados. E no quanto somos responsáveis pelas coisas que escrevemos. Uma vez, li em algum lugar que os livros podem mudar a vida das pessoas. Sempre penso nisso quando escrevo, embora acredite sinceramente que eu não tenha tanto poder assim, mas como é que eu vou saber o que pode passar pela cabeça de um garoto belicoso ao ler o que escrevo? Será que ele está realmente entendendo aonde quero chegar? Não quero fazer apologia de nada. Apenas passo minha visão vagabunda do mundo em que vivo. E se não vejo o mundo com olhos puros de quem acredita nele, não tenho que pagar por isso, e nem quero que algum leitor inocente um dia venha a fazer isso. As coisas que vejo me deixam muito triste, às vezes furioso, e realmente tenho vontade de sair distribuindo pancadas em pessoas, em orelhões, em muros de concreto. Mas ninguém deve fazer o mesmo. Há livros de certos autores que deviam vir com a oportuna advertência: “manter fora do alcance das crianças. Material altamente nocivo à juventude inocente que um dia ainda pode se dar bem”. Ninguém pode fazer mais nada por sujeitos como nós. Alguém ainda pode fazer algo por eles.”


“Há algo de profundamente triste em não sentir falta de alguém que não vai voltar.”

“Tinha uma garota que era afim de dar pra mim, é engraçado, pernóstico até dizer isso assim, dessa maneira, mas é que ela era mesmo afim de dar pra mim. quer dizer, ela nunca chegou pra mim e disse isso assim, na lata, mas era a fim. Eu também era a fim de mandar ver por ali. Às vezes acontece da mulher ser a fim de dar pra você e você não querer comer, é raro, mas acontece, mas no caso dela, eu era a fim, e agora pensando nisso, por que não rolou? O nome dela era Paula. Eu tava com a Angela em algum boteco e ela chegava, sentava com a gente e falava, falava – sabe como é – ai ela ia embora. Angela me olhava e detonava.
‘Essa vaca é a fim de dar pra você’.
‘Ah, que ideia.’
‘Vai ter coragem de dizer que você não sacou?’
‘Não creio que este seja um assunto estimulante a ponto da gente levar adiante.’

E assim eu ia enrolando, mas ela a fim mesmo.”


“Não é necessário uma doença terminal para descobrir a urgência da descoberta. As pessoas esperam tempo demais.”


“Não suporto neguinho tocando violão em bares. Quem contratou esses sujeitos para me encher o saco?”


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

série Sons of Anarchy











“Tem um velho ditado que diz que o que não te mata te faz mais forte. Eu não acredito nisso. Eu acho que as coisas que tentam matá-lo o fazem ficar irritado e triste. A força vem de coisas boas: sua família, seus amigos... da satisfação de um dia duro de trabalho. Essas são as coisas que te mantem inteiro, são nessas coisas que você se agarra quando está destruído.”
Jax Teller, na série Sons of Anarchy (T5, E1)

Sylvia Plath, no livro A redoma de vidro

“Imagino que eu deveria estar entusiasmada como a maioria das outras garotas, mas eu não conseguia me comover com nada. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que um olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.”

“Se tem uma coisa que eu desprezo é homem vestido de azul. Preto ou cinza tudo bem, marrom até vai. Azul me dá vontade de cair na gargalhada.”                             


“Comecei a pensar que talvez vodca fosse meu tipo de bebida. Não tinha gosto de nada, mas descia para meu estomago como a espada de um engolidor, fazendo com que me sentisse poderosa feito uma deusa.”


Sylvia Plath, no livro A redoma de vidro

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

“Eu tinha trinta anos. Era um sujeito idealista e romântico, cheio de boas intenções, convencido de que toda a humanidade se dividia em dois bandos: os bons e os maus. Eu era da turma dos bons, heroicos, fiéis e abnegados. Enfim, me sentia muito bem trabalhando como jornalista. Tínhamos todos várias coisas em comum: éramos machinhos satisfeitos, com o pênis sempre eretos, bons bebedores, mulherengos, defensores da verdade, da justiça e de tudo isso, respeitadores da ordem estabelecida. Nós a tínhamos dentro do sangue, como um vírus, e não sabíamos disso. Formávamos um bom time.
Passaram-se vinte anos. Daqui olho aquela etapa da minha vida e me assombro de ver como é fácil alcançar e manter um altíssimo nível de estupidez. Não tenho mais remédio: agora sou um punhado de dúvidas e incertezas de todo tipo. Às vezes, acumulam-se tantas que chego à perplexidade absoluta.”

“- Deus queira que você nunca se veja sozinho. Não imagina como é horrível viver sozinho. Você tem muita sorte, porque Júlia é uma mulher boa e te ama muito.
Não respondo. Cada um sabe de si. Prefiro estar sozinho do que mal acompanhado, mas engulo e penso fugazmente em um revólver e uma bala na testa de Júlia.”


domingo, 21 de dezembro de 2014

Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“Olhou para o sol. Tinha escapado da jornada de trabalho de oito horas havia apenas treze anos. Agora, todo o TEMPO era dele. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia. Cada noite. Ele era escritor. Escritor. Escritor profissional. Havia doze milhões de pessoas na América que queriam ser escritores. Ele era escritor.”

“ Escrever levava alguém para lugares rarefeitos, tornava-o estranho, um desajustado. Não foi por acaso que Hemingway explodiu os miolos sobre o suco de laranja. Não foi por acaso que Hart Crane se jogou sobre um propulsor, não foi por acaso que Chatterton tomou veneno de rato. Os únicos que continuavam eram os que escreviam best-sellers e eles não estavam escrevendo de verdade, já estavam mortos. E talvez ele também estivesse morto: tinha casa própria com sistema de segurança, uma máquina de escrever elétrica da IBM, tinha um Porsche e uma BMW na garagem. Mas até então havia resistido à piscina, à jacuzzi e à quadra de tênis. Talvez estivesse apenas meio morto?”


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Citações - Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

" Olho em silêncio para ela. Mantenho a norma de não discutir com mulheres. São muito ardilosas e perco sempre. Eu sou racional, lógico e paciente quando discuto. Elas são irracionais, ilógicas e impacientes. Me confundem rapidamente e não sei o que dizer."

"Quando Julia apareceu, achei que podia serenar meu espírito para toda vida. E nos casamos. Erro. Ao meu lado, em quatro anos, se transformou de uma mulher doce e lenta em uma mulher vertiginosa e corrosiva. O casamento destrói tudo. Ou eu destruo tudo. Não sei. "


"dizem que escrever ajuda a compreender os problemas. Comigo funciona ao contrário : cada dia estou mais confuso." 

“Quando alguém tem o poder, cresce muito o filho da puta que todos temos dentro de nós.”


“Tomei um banho. Bebi um litro de água gelada e olhei o relógio: uma e quarenta e cinco. Que bom. Fiz muitas coisas em pouco tempo. Bebi mais água e deitei ao lado de Julia. Ela roncava. Fiquei ouvindo um pouco. Abri os olhos. Pelas persianas abertas entrava a luz da lua. Olho o teto. Não estou com sono. Estou excitado talvez. O bom agora seria se Julia gostasse muito de mim e me deixasse de pau duro ao cheiras suas axilas. Uma boa trepada é sedativa. A gente se descarrega e pronto. Dorme como um urso. Ah, mas não. Ouço enquanto ronca grosseiramente. Parece um caminhoneiro, porra! E fico de mau humor. Vim todo feliz com meu pargo, me deito junto dessa mulher e já estou irritado e com vontade de lhe dar um empurrão e jogá-la para fora da cama.”

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Mario Bortolotto, no livro Bagana na chuva

“Veio pra cima de mim com tudo. Eu falei.
‘Ei, calma ai, tô meio destreinado.’
Mentira, vinha transando com frequência. Mas eu sempre gostava de dizer que tava de molho e tal. As garotas se julgam especiais. Não há nada de mal em fazer uma garota se sentir especial, mesmo que você não a ame, ou sequer goste dela tanto assim. Aquela eu amava pra caralho. Resolvi gastar tudo o que tinha com ela. o problema é que ela fez um troço que na época eu achava inaceitável. Ela veio por cima. Bosta. Ela subiu em cima do meu pau e tudo ficou esquisito. Ela mexia furiosamente. Fiquei apavorado.
‘Porra, Angela, manera ai.’
‘Por quê? Tá ótimo.’
Ela mexia e eu sentia que a precoce ia emplacar. Puxei de uma vez de dentro dela antes que a porra desse as caras.
‘Merda, Cardan, por que você fez isso?’
‘Eu ia gozar.’
‘E daí? Eu também.’
Ela não aceitou minhas desculpas. Eu não aceitei o fato de ela ter ficado puta comigo e nada mais deu certo naquela noite.“


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

poemas - Carla Marti

"tenho pensado:
ainda bem que nunca morri,
ainda bem que não morri antes de nós.
porque eu não ia perdoar a Deus
se eu não tivesse
te conhecido."

"

Atenção: Desvio


Se eu um dia achei
sua bebedeira natural,
foi engano.
se um dia me pareceu
que nossos caminhos se cruzariam naturalmente,
enquanto olhava, absorta, o gelo explodir no copo,
perdi.
se pensei em tanta coisa pra dizer
e sigo muda
o tempo ente nós
acabou,
se dissolveu,
como o gelo do meu copo imaginário,
explodiu.
E qual de nós dois se manteve intacto?"

"

Outra noite


E se eu te disser
que não quero que a brincadeira acabe mais
você me perdoa?
Não quero sentir aquele
estúpido silêncio de elevador
de hoje cedo
não quero suas perguntas inconsequentes,
suas dúvidas infantis.
não quero que você me entenda,
nem eu te entendo mais.
não é amor.
eu te juro que não é paixão.
apenas não gosto de dormir sozinha
e nosso sexo nunca foi
fundamental.
ironia,
destino?
vamos ser amigos
até onde pudermos ser.
só me deixe dormir mais um pouco
antes de irmos pro bar…"

"todos os poemas que eu escrevi
- Quase todos-
Eu fiz pra um homem.
Uma paixão.
Às vezes num mesmo poema, misturo dois ou três
Numa espécie de coquetel de detalhes e recordações.
Engraçado é que alguns se identificam
Se enxergam naquele poema maltrapilho,
naquele poema
adolescente, inconsequente,
quase pueril,
que faço à noite
quando todos já foram dormir
Tem os poemas pros homens inalcançáveis,
Aqueles que admiramos,
 na surdina,
Com medo que alguém perceba
E assim o encanto se acabe.
Por isso, os chamo de poemas platônicos.
Muitas vezes esses ficam até bons,
Pena que quase sempre
seja impossível uma dedicatória.
Tem os dos rápidos affaires,
que idealizei, e que, logo depois
o mistério se dissipou
E aí só restaram os poemas - ruins –
Que usei pra conquistá-los.
As grandes paixões estão espalhadas
Em todos eles
Um relance, um olhar
Uma fisgada de dor
Do amor que se acabou.
Tem também as conquistas
Sim, poemas também podem ser feitos pra um objetivo banal
Como dormir com um homem
E esperar jamais ouvir falar dele depois.
No meio desses poemas fajutos,
uma amosfera fake
de fingir que sou alguém
que se interessa por ele
A ponto de, na madrugada, unir palavras
aleatórias,
 em busca de um sentido exato.
Mas meus poemas mancos talvez sejam
A minha verdadeira e inalcançável
Redenção."

"

IDÍLIO


Fale de mim.
Da minha poesia, não.
Fale das minhas atitudes impensadas,
que meu penteado é ridículo.
Da minha poesia, não.
Fale de minhas bebedeiras homéricas, meus vexames públicos.
Dos cheques devolvidos, do meu guarda-roupa revirado,
diga que sou inconsequente, tacanha, piranha…
Fale da minha roupa indecente, meus casos mal resolvidos,
meu ataques de nervos, de risos,
lágrimas mal colocadas.
só não quero que você mexa com a minha poesia.
Minha poesia é seu Vietnã
Minha poesia está no limite
de onde você possa ou não estar
Intransponível. Inatingível. Soberana.
Eu.
Minha poesia é a Amazônia, e você não sai daqui.
Jamais toque na minha poesia,
mesmo ela sendo
ruim,
infantil, repetitiva
ou idiota.
Minha poesia é meu consolo,
salvação,
meu karma
Minha poesia me basta.
Não você."

"Currículo
Posso te dizer
que não sou chegada a luxos,
garanto não ser ligada a compras e futilidades,
passeios em shoppings,
e jamais me verá num vestido branco,
ao som da marcha nupcial.
Pode, sim, me ver por aí,
no boteco,
na rua, pensativa,
falando besteiras e teorias conspiratórias,
bebendo algum destilado,
suspeito.
Não me interprete mal:
gosto do que é bom,
mas me acostumo com o que posso,
me acostumei com ter e não ter,
-claro que a idade já pede um whisky bom-
mas se faltar, dá-se um jeito…
Posso falar demais -
recitar sempre a mesma poesia,
ser persona non grata,
ou a rainha da festa,
endeusar Clapton,
chorar ouvindo blues,
mas, mesmo cansada de tudo,
sempre sorrio pros amigos -
ainda que escondido.
Gosto mais de ficar só,
do que em multidões,
embora sempre cercada,
vou comigo
onde quer que eu vá.
Há tempos deixei de sonhar,
sempre curti o bandido e
mandei o mocinho se danar.
Acho que ler é o melhor remédio pra ressaca,
e transar nunca teve muito a ver com amor.
Claro que minto a idade,
claro que finjo ser
normal, feliz, educada
Mas tenho minhas razões
pra disfarçar
A poesia expõe demais
feridas abertas,
que não cicatrizam
e algumas que a gente nem sabia
que estavam lá.
Dizem que meus olhos tem vida,
que não sou dublê, figurante
da puta da vida
Só sei que sou viva,
embora alguns dias,
nem queira estar.


Carla Marti


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Chuck Palahniuk, no livro O Clube da luta


“O que Tylor fala sobre sermos o lixo e os escravos da história é como me sinto. Queria destruir as coisas bonitas que nunca tive. Queimar a floresta tropical amazônica. Bombear CFC direto para a camada de ozônio. Abrir as válvulas de descarga dos tanques dos superpetroleiros e destampar as plataformas de petróleo em alto-mar. Queria matar todos os peixes que não consigo comprar para comer e sujar as praias francesas que nunca verei.
Queria que o mundo todo chegasse ao fundo do poço.
Enquanto batia naquele garoto, o que queria mesmo era atirar entre os olhos de cada panda ameaçado de extinção que não trepava para salvar sua espécie e de cada baleia ou golfinho que desistiu e se deixou encalhar na praia.
Não pense nisso como extinção pense como diminuição de pessoal.
Durante milhares de anos os humanos foderam, sujaram e fizeram merda com este planeta e agora a história espera que eu limpe tudo.
(...)
Queria queimar o Louvre. Quebraria os mármores do Panteão com uma marreta e limparia a bunda com a Mona Lisa. Esse é o meu mundo agora.
Este é o meu mundo, o meu mundo, e as pessoas antigas estão mortas.”

“- Em que tipo de confusão você se mete todo fim de semana?
Respondo que simplesmente não quero morrer sem ter algumas cicatrizes.”

“Que eu nunca me sinta completo.
Que eu nunca me sinta satisfeito.
Que eu nunca seja perfeito.”

“Você compra móveis. E pensa, este é o último sofá que vou precisar na vida. Você compra o sofá e fica satisfeito durante uns dois anos porque, aconteça o que acontecer, ao menos a parte de ter um sofá já foi resolvida. Depois precisa do aparelho de jantar certo. Depois da cama perfeita. De cortinas. E do tapete.
            Então você fica preso em seu belo ninho e as coisas que costumavam ser suas agora mandam em você.”

"_ insônia é apenas um sintoma de algo maior.- meu médico falou. - Descubra o que está errado de verdade, ouça o seu corpo."


Chuck Palahniuk, no livro O Clube da luta

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Citações do livro Zonas úmidas, de Charlotte Roche

“Sempre penso sobre essa lenda urbana: duas garotas encomendam uma pizza para ser entregue em casa. Elas esperam e esperam, mas a pizza não chega. Elas ligam algumas vezes para o restaurante e reclamam. A pizza acaba chegando.
Ela está com a aparência meio estranha e o gosto, esquisito. Uma das meninas por acaso é filha de um funcionário da vigilância sanitária e antes de elas jogarem tudo no lixo, guardam os restos num saco e entregam para o papai.
Todos imaginam que a pizza está velha ou coisa aparecida. Mas a análise do laboratório mostra que a cinco tipos de esperma na cobertura da pizza. Acho que foi assim:  os caras do delivery estão de saco cheio dos telefonemas. Como são garotas que estão reclamando, fantasiam um estupro. Normal. Eles conversam a respeito, maquinam um plano e, em seguida, todos pegam os pintos para esguichar sobre a pizza. Os pizzaiolos veem uns os pintos dos outros. Não no estado normal, mas eretos. E ejaculando. Por isso eu invejo os homens. Eu também gostaria tanto de ver as xoxotas das minhas amigas e colegas da escola. E também os pintos dos meus amigos. Eu gostaria de ver todos eles tendo orgasmo também. Mas uma oportunidade dessas é tão rara. E não tenho as manhas de perguntar.
Vejo somente os pintos dos homens com quem transo, e as xoxotas das mulheres que pago.
Quero ver mais nessa vida!”


“Acho que se os homens querem mulheres raspadas, eles têm de assumir a raspagem. E não deixar todo o trabalho para elas. Se não fosse pelos homens, as mulheres nem se preocupariam com os próprios pelos. Para mim, a melhor das preliminares é ambos se rasparem um ao outro da maneira como gostam mais. E cada um faz no outro o penteado que acha mais excitante. É melhor do que um pedir as coisas para o outro e ficarem se explicando. Só dá encrenca.”

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo

“Eu fazia e desfazia mundos para ela. Ela aceitava minhas palavras e atos sem opor resistência. Era dócil e ingênua como um bichinho de estimação. Pensei que podia fazer o que quisesse, que ela nunca iria reagir. ENGANO. Enquanto estava ao seu lado nada aconteceu. Eu matava suas dúvidas como se fossem moscas. Assim que dei espaço ela descobriu o tipo de escória que amava.”

“O que me incomoda não é o frio, não é a chuva, não é o céu cinzento. Sou feito de uma madeira rara. O calor também não me incomoda mas me parece uma desgraça. O calor é bom quando se tem iate e hotel cinco estrelas. Se você tiver que dar aula numa escola de subúrbio e atravessar a cidade ao meio dia num ônibus lotado, não vai gostar do calor.”

“Eu e ela tivemos bons momentos, tivemos diálogos e sonhos, tivemos encontros e canções, tivemos sexo com amor, sexo com magia, sexo com sangue e loucura. É provável que ela queira negar aquele tempo mas eu vou estar aqui lembrando que a ensinei a mover estrelas, a ler escritores do caralho, a entender aquilo que os nossos olhos não veem, o que não faz barulho, as criaturas do ar escuro. Ela me ensinou a saber e isso pelo menos é verdade. Ela é esquiva, silenciosa, com feridas antigas. Você tem que amá-la com cuidado, ela pode ficar fria e dura como um sapo de gesso, pode fechar-se em si mesma como um caracol ressentido.”

“(...) Mônica, era argentina, tinha um doutorado em literatura inglesa e não exigiu camisinha.”

“Você não sabe que o diabo não existe? É só Deus quando está bêbado.”


“Não sei se tenho razão ou se as minhas ideias são absurdas mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora está fora de controle.”

sábado, 11 de outubro de 2014

Diálogo entre Ernest Hemingway e Gil, no filme Meia noite em Paris

“ (...)
 - Estava com medo?
- Do quê?
- De ser morto.
- Nunca escreverá bem se tiver medo de morrer. Você tem?
- Eu tenho. Diria que esse é um dos meus maiores medos na verdade.
- É algo que todos fizeram antes de você e todos farão
- Eu sei, eu sei, mas...
- Já fez amor com uma grande mulher?
- Na verdade minha noiva é uma mulher bem sexy.
- Quando faz amor com ela sente uma paixão verdadeira, bela, e ao menos naquele momento, perde o medo de morrer?
- Não. Isso não acontece mesmo.
- Acredito que um amor verdadeiro e real cria uma trégua da morte. Toda covardia vem de não amar ou não amar bem, o que dá no mesmo. Quando um homem corajoso e verdadeiro olha a morte de frente como caçadores de rinocerontes, ou como Belmont que é muito corajoso, é por que ele ama com paixão suficiente para esquecer a morte, até ela retornar como faz com todos os homens. Você deve fazer amor bem feito. Pense nisso.”