sábado, 26 de julho de 2014

Citações - Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo


“Ser cruel e grosseiro com as pessoas não é bom mas acalma os nervos. Também sacaneiam com a gente e assim é a vida.”

“Ser presa dos fracassos é um traço típico dos cancerianos.”

“A inteligência e o amor não dão liga. O amor é burro. O amor só é inteligente no abstrato. Se um homem quer ser elegante e lúcido ao amar uma mulher deve fazê-lo no abstrato.”

“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”

“Nunca amei uma mulher antes, só me interessaram sexualmente. Ela também me excita, mas alguma coisa, uma estranha sensação nos nervos ameaça me sufocar se não voltar a vê-la. Será que estou ficando babaca?”

 “A minha alma está estragada.”

“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza disso.”

“Quando a gente está com alguém da mesma espécie se sente à vontade, não é preciso representar.”

“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que fazer.”

“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela. Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”

“A gente se mete a escrever porque não foi capaz de bater num motorista que nos afrontou na rua, porque não quebrou pratos num restaurante, porque não enfrentou um policial louco que xingou sua namorada, porque não disse à mãe o muito que a amava e detestava, porque não cuspiu num professor que dizia que a Terra é redonda, porque deixou que pagassem seu lugar na fila do cinema, porque não tem oficio nem benefício, porque pensa que é uma forma fácil de fazer fama e dinheiro, porque se paspalhos como García Marquéz e Mutis fazem isso, a gente também pode fazer, porque não é bom em matemática, porque não quer ser médico nem advogado, porque está irado, porque odeia as pessoas e quer insultá-las.”

“A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões pra isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios ou escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar uma mosca.”

“Kurt não era bom para conversar, não gostava de contar suas coisas nem de ouvir as dos outros, considerava seus pensamentos um tesouro.”

“Os professores são a coisa mais boba e indiferente que existe, é fácil enganá-los porque não dão a mínima se partirem a sua alma, só querem que chegue o fim de mês para receber seu salário miserável, só desejam que uma garota carnuda lhes de chance para trocar o óleo.”

“Sonho que uma certa garota não foi embora, que posso encontrá-la quando quiser, que não se casou com um inseto, que o tempo não aconteceu, que não tenho vinte e poucos anos e as mãos vazias, que ela continua lá, na mesma esquina de sempre.”

“Quando estou apaixonado por uma mulher, tento vê-la o menos possível; eu não me apaixono com facilidade, de maneira que quando acontece tento fazer durar.”

“Queria amar outra vez, dar o melhor de mim para uma garota. O ruim é que não sei o que é o melhor de mim, não estou certo de que haja alguma coisa melhor em mim.”

“Quando um avião perde a rota basta uma manobra para recuperar as coordenadas, mas quando um trem descarrila não há muito o que fazer.”


“Todas as nossas invenções são verdade, pode ter certeza disso.”

“Os primeiros dias no apartamento de Mônica foram um inferno. Se eu demorava no chuveiro ela ficava gritando que lhe deixasse água quente. Se eu lia um livro, ela queria lê-lo comigo. Se eu assistia futebol na televisão, ela dizia que não suportava futebol e me lembrava que Borges escreveu contra o futebol. Se eu queria dormir no sofá (porque não suportava dormir acompanhado), ela dizia que eu tinha nojo dela. Por fim me acostumei a tomar banho mais rápido e a compartilhar o sono. Ela começou a assistir jogos na televisão (eu disse q ela que Borges era cego e impotente e por isso era o único argentino para quem ficava bem odiar futebol) e ela aceitou que a leitura era um prazer individual.”

“Eu gosto de correr todas as manhãs porque aplaca a tristeza. Sei quando sonho com uma certa garota mesmo que não me lembre do sonho. A sensação de ausência no peito me diz isso. Correr ajuda, por isso tem tanta gente correndo ao amanhecer.”

"todo o mundo pode fingir o amor mas o ódio é muito real."

"Saber que só eu e aquele que agora é o marido dela comemos uma certa garota não me tranquiliza, talvez fosse melhor pensar num número indefinido de amantes, assim não haveria uma única e feia cara nos meus pesadelos. Às vezes penso que já não amo uma certa garota, que este amor morreu, mas todo amanhecer pequenas e vorazes criaturas chupam o meu coração. Se ela tivesse tido muitos casos seria mais fácil esquecê - la, mas ela teima em ser a mulher ideal, o meu amor perfeito. Como não encontro jeito de manchar sua lembrança, sua lembrança me mancha. Este é o axioma : entre dois há sempre um que fede. "


“Mônica sabia chupar melhor do que ninguém e sempre engolia o sêmen. Uma certa garota não era ruim mas tinha certos resquícios da sua breve militância feminista. Chupar, segundo ela, era sinal de submissão. Pensar que só fazia isso pra me agradar me tirava o tesão e decidi eliminar essa parte do nosso repertório sexual. Para me compensar, deixou-me meter por trás três vezes por mês. Isso dois muito e me parecia um sinal pior de submissão. Ela alegou que a metida por trás era um autêntico impulso selvagem e portanto aceitável. Mônica não tinha teorias nem limites, aceitava tudo mas devolvia cada golpe. Se eu metia por trás ela pegava uma banana (ainda verde) e escondia aquilo bem dentro de mim. se me chupava eu tinha que chupá-la, se eu fazia o salto do anjo ela fazia a chave do diabo e assim por diante. A Mônica quando chupava parecia não ter dentes. Eu gostava mais da sua boca que da sua boceta.”

“Na minha opinião, amar uma pessoa talvez seja mais fácil que entende-la mas muito mais perigoso porque o amor sempre dói. A gente pode tentar entender alguém mas não pode tentar amá-lo. O amor surge involuntariamente. O amor pode aumentar ou diminuir até se diluir mas não pode ser imposto. Às vezes gostaríamos de amar determinada pessoa, e até podemos comprovar que a pessoa tem todos os atributos para que a amemos, mas isso não acontece. A gente se acostuma a qualquer um com maior ou menor esforço, mas acostumar-se não é amar. Não sei se tenho razão ou se minhas ideias são absurdas mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora está fora de controle. O amor mais estupido e delirante é o da mãe pelo filho, mas pelo menos tem um fundamento biológico. Mas pensar que você encontra uma desconhecida e em pouco tempo daria a vida por ela me parece inexplicável.”


Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo

domingo, 20 de julho de 2014

Xico Sá

"Somente as pessoas que não acreditam no amor brigam por ele: os que acreditam dão uma choradinha, limpam o nariz, passam mertiolate no peito e esperam que o treco aconteça de novo."
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Hora de retrospectiva da gramática amorosa no apagar das luzes deste 2012.

Repitam comigo, esses moços, pobres moços: sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.

Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar…”

Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente ou no samba de Roberto Silva: SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!

Sem reticências…

Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.

O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!

O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no cigarro sem filtro da covardia e do desamor.

Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáfora.

Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.

O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.

Nem aqui nem Suécia.

Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem pelo menos uma discussão calorosa.

Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.

O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.

O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.

O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente


sábado, 12 de julho de 2014

O Último Dia - Paulinho Moska


Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...