domingo, 21 de dezembro de 2014

Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“Olhou para o sol. Tinha escapado da jornada de trabalho de oito horas havia apenas treze anos. Agora, todo o TEMPO era dele. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia. Cada noite. Ele era escritor. Escritor. Escritor profissional. Havia doze milhões de pessoas na América que queriam ser escritores. Ele era escritor.”

“ Escrever levava alguém para lugares rarefeitos, tornava-o estranho, um desajustado. Não foi por acaso que Hemingway explodiu os miolos sobre o suco de laranja. Não foi por acaso que Hart Crane se jogou sobre um propulsor, não foi por acaso que Chatterton tomou veneno de rato. Os únicos que continuavam eram os que escreviam best-sellers e eles não estavam escrevendo de verdade, já estavam mortos. E talvez ele também estivesse morto: tinha casa própria com sistema de segurança, uma máquina de escrever elétrica da IBM, tinha um Porsche e uma BMW na garagem. Mas até então havia resistido à piscina, à jacuzzi e à quadra de tênis. Talvez estivesse apenas meio morto?”


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Citações - Pedro Juan Gutiérrez, no livro O insaciável homem-aranha

" Olho em silêncio para ela. Mantenho a norma de não discutir com mulheres. São muito ardilosas e perco sempre. Eu sou racional, lógico e paciente quando discuto. Elas são irracionais, ilógicas e impacientes. Me confundem rapidamente e não sei o que dizer."

"Quando Julia apareceu, achei que podia serenar meu espírito para toda vida. E nos casamos. Erro. Ao meu lado, em quatro anos, se transformou de uma mulher doce e lenta em uma mulher vertiginosa e corrosiva. O casamento destrói tudo. Ou eu destruo tudo. Não sei. "


"dizem que escrever ajuda a compreender os problemas. Comigo funciona ao contrário : cada dia estou mais confuso." 

“Quando alguém tem o poder, cresce muito o filho da puta que todos temos dentro de nós.”


“Tomei um banho. Bebi um litro de água gelada e olhei o relógio: uma e quarenta e cinco. Que bom. Fiz muitas coisas em pouco tempo. Bebi mais água e deitei ao lado de Julia. Ela roncava. Fiquei ouvindo um pouco. Abri os olhos. Pelas persianas abertas entrava a luz da lua. Olho o teto. Não estou com sono. Estou excitado talvez. O bom agora seria se Julia gostasse muito de mim e me deixasse de pau duro ao cheiras suas axilas. Uma boa trepada é sedativa. A gente se descarrega e pronto. Dorme como um urso. Ah, mas não. Ouço enquanto ronca grosseiramente. Parece um caminhoneiro, porra! E fico de mau humor. Vim todo feliz com meu pargo, me deito junto dessa mulher e já estou irritado e com vontade de lhe dar um empurrão e jogá-la para fora da cama.”