sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Citações do livro Zonas úmidas, de Charlotte Roche

“Sempre penso sobre essa lenda urbana: duas garotas encomendam uma pizza para ser entregue em casa. Elas esperam e esperam, mas a pizza não chega. Elas ligam algumas vezes para o restaurante e reclamam. A pizza acaba chegando.
Ela está com a aparência meio estranha e o gosto, esquisito. Uma das meninas por acaso é filha de um funcionário da vigilância sanitária e antes de elas jogarem tudo no lixo, guardam os restos num saco e entregam para o papai.
Todos imaginam que a pizza está velha ou coisa aparecida. Mas a análise do laboratório mostra que a cinco tipos de esperma na cobertura da pizza. Acho que foi assim:  os caras do delivery estão de saco cheio dos telefonemas. Como são garotas que estão reclamando, fantasiam um estupro. Normal. Eles conversam a respeito, maquinam um plano e, em seguida, todos pegam os pintos para esguichar sobre a pizza. Os pizzaiolos veem uns os pintos dos outros. Não no estado normal, mas eretos. E ejaculando. Por isso eu invejo os homens. Eu também gostaria tanto de ver as xoxotas das minhas amigas e colegas da escola. E também os pintos dos meus amigos. Eu gostaria de ver todos eles tendo orgasmo também. Mas uma oportunidade dessas é tão rara. E não tenho as manhas de perguntar.
Vejo somente os pintos dos homens com quem transo, e as xoxotas das mulheres que pago.
Quero ver mais nessa vida!”


“Acho que se os homens querem mulheres raspadas, eles têm de assumir a raspagem. E não deixar todo o trabalho para elas. Se não fosse pelos homens, as mulheres nem se preocupariam com os próprios pelos. Para mim, a melhor das preliminares é ambos se rasparem um ao outro da maneira como gostam mais. E cada um faz no outro o penteado que acha mais excitante. É melhor do que um pedir as coisas para o outro e ficarem se explicando. Só dá encrenca.”

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo

“Eu fazia e desfazia mundos para ela. Ela aceitava minhas palavras e atos sem opor resistência. Era dócil e ingênua como um bichinho de estimação. Pensei que podia fazer o que quisesse, que ela nunca iria reagir. ENGANO. Enquanto estava ao seu lado nada aconteceu. Eu matava suas dúvidas como se fossem moscas. Assim que dei espaço ela descobriu o tipo de escória que amava.”

“O que me incomoda não é o frio, não é a chuva, não é o céu cinzento. Sou feito de uma madeira rara. O calor também não me incomoda mas me parece uma desgraça. O calor é bom quando se tem iate e hotel cinco estrelas. Se você tiver que dar aula numa escola de subúrbio e atravessar a cidade ao meio dia num ônibus lotado, não vai gostar do calor.”

“Eu e ela tivemos bons momentos, tivemos diálogos e sonhos, tivemos encontros e canções, tivemos sexo com amor, sexo com magia, sexo com sangue e loucura. É provável que ela queira negar aquele tempo mas eu vou estar aqui lembrando que a ensinei a mover estrelas, a ler escritores do caralho, a entender aquilo que os nossos olhos não veem, o que não faz barulho, as criaturas do ar escuro. Ela me ensinou a saber e isso pelo menos é verdade. Ela é esquiva, silenciosa, com feridas antigas. Você tem que amá-la com cuidado, ela pode ficar fria e dura como um sapo de gesso, pode fechar-se em si mesma como um caracol ressentido.”

“(...) Mônica, era argentina, tinha um doutorado em literatura inglesa e não exigiu camisinha.”

“Você não sabe que o diabo não existe? É só Deus quando está bêbado.”


“Não sei se tenho razão ou se as minhas ideias são absurdas mas tendo a acreditar que o amor existe, que é uma invenção do homem e agora está fora de controle.”

sábado, 11 de outubro de 2014

Diálogo entre Ernest Hemingway e Gil, no filme Meia noite em Paris

“ (...)
 - Estava com medo?
- Do quê?
- De ser morto.
- Nunca escreverá bem se tiver medo de morrer. Você tem?
- Eu tenho. Diria que esse é um dos meus maiores medos na verdade.
- É algo que todos fizeram antes de você e todos farão
- Eu sei, eu sei, mas...
- Já fez amor com uma grande mulher?
- Na verdade minha noiva é uma mulher bem sexy.
- Quando faz amor com ela sente uma paixão verdadeira, bela, e ao menos naquele momento, perde o medo de morrer?
- Não. Isso não acontece mesmo.
- Acredito que um amor verdadeiro e real cria uma trégua da morte. Toda covardia vem de não amar ou não amar bem, o que dá no mesmo. Quando um homem corajoso e verdadeiro olha a morte de frente como caçadores de rinocerontes, ou como Belmont que é muito corajoso, é por que ele ama com paixão suficiente para esquecer a morte, até ela retornar como faz com todos os homens. Você deve fazer amor bem feito. Pense nisso.”