sábado, 9 de janeiro de 2021

O amor não acaba, nós é que mudamos


Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

- Martha Medeiros
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Sabe quando a tristeza parece maior que alma,
e quando você gosta dela e a tem como melhor companhia?
sabe quando chorar parece a coisa mais gostosa do mundo,
e quando as lágrimas contidas por anos a fio, finalmente vem a tona?
Sabe quando você teima em viver tudo que te impediram por uma vida inteira,
e quando você sente que o tempo que tem é pequeno pra viver tudo?
Sabe quando  todas as histórias vividas até ali parecem sem sentido,
e você tem medo de que seja tarde demais pra viver algo com sentido?
Sabe quando as palavras lhe vem até a garganta,
e você se sente obrigado a engoli-las de volta?
Sabe  quando a vida lhe parece tão dura,
que você enfim olha pro mar revolto em dia de tempestade e ele lhe parece calmo?
Sabe quando acordar, dormir, pegar ônibus, comer, trabalhar, parecem não ter sentido,
mas vc continua fingindo que tem e vai lá e faz?
Sabe quando você sente que o copo está prestes a transbordar e uma gota a mais poderia ser fatal,
mas mesmo assim você faz questão que essa gota caia dentro dele?
Sabe quando te abate aquela vontade de dormir, talvez por um ou dois anos,
mas a única opção que você tem é ficar acordada ou dormir para sempre?
eu sei.


Cansei de rosas



Eu procurava sim por sentimentos a todo vapor, procurava por emoções que me fizessem voltar à vida, talvez não possa nem dizer voltar à vida, pois se a vivi não tenho certeza. Procurava por sentimentos esquecidos em uma adolescência mal vivida e mal resolvida. Não posso nem dizer que a procura foi longa. Foram poucos meses de busca. Tem gente que anda por ai com uma filosofia de que ´as coisas acontecem quando tem que acontecer’, de que ‘você deve plantar seu jardim e esperar que as borboletas venham até ele’, (acho até que foi algum famoso que disse isso). Pra mim nunca foi assim, e nunca acreditei nessas coisas. Talvez esse não acreditar seja até mesmo preguiça de ‘plantar meu jardim’. Mas sempre tive que correr atrás para que miseras coisas acontecessem. Nunca tive essa facilidade, essa sorte de esperar sentada e sentir tudo cooperando a favor. Não estou com isso dizendo que conquistei grandes coisas nessa vida ou que vivi grandes emoções e aventuras. Mas as poucas coisas que guardo na mente e no meu coração não vieram por acaso. Foi eu quem de um jeito ou de outro corri atrás para que elas chegassem até mim.

Tem gente que simplesmente anda por ai. Eu mesma já fui assim. De uns tempos pra cá tenho feito diferente. Vou andando por ai porque é inevitável, faz parte da vida o ‘andar por ai’. Mas meus olhos e meus sentidos estão atentos a tudo, quero e vou aproveitar cada oportunidade. Vou me permitir viver e sentir o que vier. Que se danem as convenções. Que se danem as regras sociais. Que se dane quem quiser me atrapalhar a viver essas coisas. Já tô indo fazer isso um pouco tarde demais, já perdi muito tempo.

Não tenho mais certezas. E eu já tive muitas e achava que elas me faziam bem, achava que elas me davam segurança. Pra minha própria surpresa, a falta da certeza e esse chão meio que de areia movediça que tomou o lugar antes ocupado pelas verdades que eu trazia, acabaram dando lugar a um prazer que eu nem sabia que existia. A única coisa que é certa é que a gente muda o tempo todo... pelo menos alguns mudam o tempo todo, e é com esses que eu quero colar ainda que seja de longe. Gente que pensa igual a vida inteira, que sabe exatamente que caminho seguir, que tem tudo planejado, gente que tem tanto de si no peito que chega andar transbordando, gente se só sabe ser o óbvio, que só sabe ser o que se espera dele, desses quero distância. Gente que não abre espaço pro pensamento diferente, gente que não sabe respeitar o espaço alheio, gente que se julga dona da verdade, gente que pensa que pode mudar o mundo, gente que dá gargalhadas de tudo, dessa gente eu quero mais é ficar bem longe. Já andei tempo demais perto deles, quase que fui contaminada de forma irremediável. Vim até aqui sempre tentando entender o outro lado, tentando ‘justificar’ de alguma forma o erro alheio. Me esforçando sempre para ser compreensiva, tirar por menos. Um dia a gente cansa. Um dia a corda arrebenta, dessa vez eu vou ficar de pé e que outros caiam do outro lado da ponta dessa corda.

Talvez a pouca vida vivida que eu tenha em minha vida, seja o motivo de eu achar que tô em um bom momento. E achar que essas migalhas que tô pegando do tapete sejam lá grandes coisas. Só sei que vou valorizar o que é genuinamente meu, ainda que não sejam boas coisas. Quero coragem pra viver o que tô me propondo. Quero de agora em diante saber quem sou eu, me conhecer, mesmo que eu me assuste com o que encontrar em mim.