quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Por André Camargo

1. Clube da Luta - Chuck Palluhnick ( apenas após o desastre nós podemos ser ressuscitados. É apenas após você perder todas as coisas que você é livre para fazer qualquer coisa. Nada é estático, tudo está em evolução, tudo está caindo em pedaços)
2. O estrangeiro - Albert Camus (Também eu me senti pronto a reviver tudo. Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que tinha sido feliz e que ainda o era. Para que tudo se consumasse, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução e que me recebessem com gritos de ódio.)
3. Crime e Castigo - Dostóievski (os homens são divididos em ordinários e extraordinários. Os primeiros devem viver na obediência e não têm o direito de desrespeitar a lei, porque são ordinários; os segundos têm o direito de praticar todos os crimes e de violar todas as leis, pela simples razão de que são criaturas extraordinárias.)
4. Notas do Subsolo - Dostóievski (A vida toda algo me arrastava a fazer esses trejeitos, a tal ponto que acabei perdendo poder sobre mim mesmo. De outra feita quis por força apaixonar-me; isto me aconteceu duas vezes. E realmente sofri, meus senhores, assseguro-vos. No fundo da alma, não acreditamos estar sofrendo, há uma zombaria que desponta, mas, assim mesmo, sofria de verdade; tinha ciúmes, ficava fora de mim… E tudo isso por enfado, senhores, unicamente por enfado; a inércia me esmagara.)
5. Ecce Hommo - nietzsche ( Pois continuamos necessariamente estranhos a nós mesmos, não nos compreendemos, temos que nos mal-entender, a nós se aplicará para sempre a frase: 'cada qual é o mais distante de si mesmo' - para nós mesmos somos 'homens do desconhecimento)
6. O Homem revoltado - Albert Camus (Quando os dandis não se matam uns aos outros ou ficam loucos, fazem carreira e posam para a posteridade. Mesmo quando gritam que vão calar-se, seu silêncio é estrondoso.)
7. À insustentável leveza do ser - Milan Kundera (“Porque a vida humana também é assim que é composta. É composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito (uma música de Beethoven, uma morte numa estação) e faz dele um tema que, em seguida, inscreverá na partitura da sua vida. Como o compositor faz com os temas de uma sonata, está sempre a voltar a ele, a repeti-lo, a modificá-lo, a desenvolvê-lo, a transpô-lo. (...). Mesmo nos momentos da mais profunda desordem, é segundo as leis da beleza que, secretamente, o homem vai compondo a sua vida.)
8. Coisas frágeis - Neil Gaiman (ela parecia tão fria, tão focada, tão quieta e, ainda assim, seus olhos permaneciam fixos no horizonte. Você pensa que sabe tudo o que há para saber sobre ela imediatamente, mas tudo o que você pensa que sabe está errado. Paixão flui através dela como um rio de sangue. Então, por um momento, ela desvia o olhar e perde sua máscara e você cai. Todos os teus amanhãs começam aqui.)
9. Don quixote - Miguel de Cervantes (tudo o que sei é que enquanto durmo, eu não sinto medo, não tenho esperanças, conflitos ou glórias. (...) há apenas uma coisa ruim sobre o sono, ao menos que eu tenha ouvido, é que este relembra a morte, havendo pouca diferença entre um homem adormecido é um cadáver)
10. As Crônicas do Rei Arthur - Bernard Cornwell (“Only a fool wants war, but once a war starts then it cannot be fought half-heartedly. It cannot even be fought with regret, but must be waged with a savage joy in defeating the enemy, and it is that savage joy that inspires our bards to write their greatest songs about love and War")

sábado, 13 de setembro de 2014

Cesare Pavese, no livro O oficio de viver



"A gente deixa de ser jovem quando entende que falar de um sofrimento é perda de tempo."

"Gostas de coisas absolutas? Não podes construir um amor totalitário: constrói uma bondade totalitária. Mas não faças besteiras: excluí o sexo."

“Eu passava a noite sentado diante do espelho para fazer companhia a mim mesmo.”

“E sobre tudo lembrar-se de que fazer poesia é como fazer amor: a gente nunca há de saber se a alegria que sente está sendo compartilhada.”

“Será concebível matar uma pessoa para ter importância na vida dela? Nesse caso é concebível que a gente se mate para ter importância em nossa própria vida.”

“Uma ridícula lei da vida é a seguinte: não é quem dá, mas quem cobra, que é amado. Ou seja, amado é quem não ama, porque quem ama, dá. E, é claro: dar é um prazer mais profundo do que receber; a quem damos, tornamos necessário, isto é, nós o amamos.


Dar é paixão, quase vício. A pessoa a quem damos transforma-se em necessidade nossa.”

"A força da indiferença! - é a mesma que permitiu às pedras que permanecessem imutáveis por milhões de anos."

"Quem não salva a si mesmo, não pode por ninguém ser salvo."

"Só nos apiedamos das pessoas que de si não tem piedade alguma."

"A força da indiferença! - é a mesma que permitiu às pedras que permanecessem imutáveis por milhões de anos."



"somente sabemos adotar estratagemas amorosos quando não estamos apaixonados."

"Em caso de amores, só os próprios são tolerados."


domingo, 7 de setembro de 2014

bocejo... Buk




creio que adoro dormir
mais do que qualquer pessoa que já tenha
conhecido.

sou capaz de dormir por
2 ou 3 dias e noites
seguidos.

posso ir para a cama a qualquer
momento.

muitas vezes deixei minhas namoradas confusas
por causa disso-

digamos que fosse por volta de uma
e meia da tarde:

“bem, vou para cama agora, vou
dormir...”

e a maior parte delas não dava bola, iam
para a cama comigo
pensando que eu estava atrás de
sexo

mas logo eu lhes dava as costas
e começava a roncar.

isso, claro, poderia explicar
por que tantas entre as minhas namoradas
me deixaram.

dos doutores, nunca obtive qualquer
ajuda:
“escute, sinto esse desejo de
ir para a cama e dormir, quase todo o
tempo.
o que há de errado
comigo?”

“pratica exercícios regularmente?”
“sim...”
“tem se alimentado
corretamente?”
“sim...”

sempre me passavam uma
receita
que eu jogava fora
no caminho entre o consultório e o
estacionamento.

é um mal curioso
porque não consigo dormir entre
as seis da tarde e a meia noite.
precisa ocorrer depois
da meia noite
e quando me levanto
nunca pode ser
antes do meio dia

e caso o telefone toque
vamos dizer às dez e meia da manhã
tenho um surto de raiva

não pergunto sequer quem está
chamando
grito no telefone:
“POR QUE ESTÁ LIGANDO
PARA MIM NUMA HORA
DESSAS?!”

fone no
gancho...

cada pessoa, suponho, tem
suas excentricidades
das em um esforço para parecer
normal
aos olhos do
mundo
elas se superam
e desse modo
destroem seu
algo a mais.

mantive o meu
e acredito que
ele serviu à minha existência
com generosidade.

penso que foi a principal razão
por que decidi me tornar um
escritor: posso bater à máquina
a qualquer hora e
dormir
na hora em que vier a porra da
vontade.


Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária