"...
não sabia se estava infeliz. Sentia-me miserável de mais para ser
infeliz".
sobre o
discurso do presidente que o personagem principal do livro finge ter assistido
para escrever o texto que a professora pediu. "...então era isso que as
pessoas queriam: Mentiras. Mentiras maravilhosas. Era disse que precisavam. As
pessoas eram idiotas. Seria fácil pra mim". A professora diz pra ele que
seu texto era maravilhoso, e que ele não ter estado no discurso tornava seu
texto ainda mais bonito.
"... que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade".
"... que tempos penosos foram aqueles anos - ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade".
"... eu também lera em algum lugar que se um homem não acreditasse piamente ou entendesse a causa que defendia, de certo modo, poderia fazer um trabalho mais convincente, o que me dava uma vantagem considerável sobre os professores"
“Fui de barril em barril. Era mágico. Por que
ninguém havia me falado a respeito disso? Com a bebida, a vida era maravilhosa,
um homem era perfeito, nada mais poderia feri-lo.”
“Apenas eles estavam no palco, e eu era a plateia
de um homem só.”
“A maioria dos professores não gostava
ou não confiava em mim, especialmente as professoras. Nunca disse nada fora do
convencional, mas alegavam que se tratava da minha “atitude”. Era algo
relacionado com o modo como eu sentava com desleixo na cadeira e também meu
“tom de voz”. Eu era frequentemente acusado de estar “escarnecendo”, embora não
tivesse consciência disso.”
“Podia ver a estrada a minha frente. Eu
era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu
sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Eu queria algum lugar para me
esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada.”
“O pensamento de ser alguém na vida não
apenas me apavorava mas também me deixava enjoado. Pensar em ser um advogado ou
um professor, ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me
impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e
retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas,
coisas simples, participar de piqueniques em família, festas de Natal, 4 de
julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães... afinal, é para isso que nasce um homem,
para enfrentar essas coisas até o dia da sua morte? Preferia ser um lavador de
pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.”
"Treinar era tudo o que
era preciso. Tudo o que um cara precisava era de uma chance. Alguém estava sempre controlando
que merecia ou não essa chance."
"Eu bebia de minhas próprias palavras como se fosse um homem sedento. Comecei a acreditar que elas representassem a verdade."
"(...) era como o fim do mundo e o recomeço e o novo término, tudo era ao mesmo tempo realidade e fantasia: o sol, as coxas, e a seda, tão macia, tão quente, tão sedutora. A sala inteira vibrava."
"Eu havia rompido com a religião alguns anos atrás. Se houvesse alguma verdade por trás dela, era uma verdade que idiotizava as pessoas ou atraía as mais idiotas. E se por acaso a religião não contivesse em si verdade nenhuma, os tolos que nela acreditavam seriam então duplamente idiotas."
"Fazia-me bem escrever sobre ele. Um homem precisava de alguém. Não tinha ninguém por perto, assim você precisava inventar uma pessoa, criar um homem do modo como ele deveria ser. Isso não era faz-de-conta ou enganação. A outra alternativa sim é que era faz-de-conta ou enganação: viver sua vida sem um homem desses por perto."
"Turguêniev era um sujeito muito sério, mas ele podia me levar ao riso porque encontrar uma verdade pela primeira vez pode ser uma experiência muito divertida. Quando a verdade de outra pessoa fecha com a sua, e parece que aquilo foi escrito só para você, é maravilhoso."
"Fechei meus olhos e fiquei escutando as ondas. Milhares de peixes mar adentro, devorando uns aos outros. Infinitas bocas e infinitos cus, engolindo e cagando. A terra inteira não era nada além de bocas e cus engolindo e cagando e fodendo."
"Ele era a possibilidade e a promessa. Era um cara incrível. Sabia como fazer as coisas. Eu tinha lido muitos livros, mas ele lera um livro que eu nunca leria."
"Ainda assim, apesar de seus corpos e mentes suaves e intocados, continuava a lhes faltar algo, porque até então, basicamente, não tinham sido testados. Quando a adversidade finalmente chegasse em suas vidas, chegaria muito tarde ou seria por demais pesada. Eu estava preparado. Talvez."
"O problema era que você precisava ficar constantemente escolhendo entre uma opção horrível e outra pavorosa, e, independente da sua escolha, eles cortavam mais um pedaço da sua carne, até que não restasse mais nada para descarnar. Por volta dos 25 anos, a maioria das pessoas estava liquidada. Uma maldita nação inteira de desgraçados dirigindo carros, comendo, tendo bebês, fazendo todas as coisas da pior maneira possível, como votar em candidatos à presidência que os fizessem lembrar de si mesmos."
"Podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enjoado. Pensar em ser um advogado ou um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível."
"A estrutura familiar. A vitória sobre a adversidade por meio da família. Ele acreditava nisso. Pegue a família, mistura com Deus e a Pátria, acrescente a jornada de trabalho de dez horas e você teria o necessário."
"Agora, pensei, empurrando meu carrinho, tenho esse emprego. É assim que as coisas devem ser? Não é de se espantar que homens assaltem bancos. Há muitos trabalhos por demais aviltantes. Por que, diabos, eu não era um juiz de uma corte superior ou um pianista de concerto? Porque isso exigia treinamento e treinamento custava dinheiro. Mas, de qualquer forma, eu não queria ser nada na vida. E nisso, certamente, eu estava sendo bem-sucedido."
"Nenhuma vida em nenhum lugar, nenhuma vida nesta cidade ou neste lugar ou nesta existência deprimente..."
"Eu tinha decidido que o campus era apenas um lugar para se esconder. Havia alguns malucos naquele campus que ficavam lá para sempre. O universo da faculdade era brando, um faz-de-conta. Jamais lhe diziam o que esperar do mundo real lá fora. Apenas entupiam você com teorias e nunca alertavam sobre a infinita dureza dos calçamentos. Uma educação universitária poderia destruir um indivíduo para sempre. Os livros podiam fazer de você um frouxo. Quando você os deixa de lado e vai ver como realmente são as cosias do lado de fora, então é preciso ter o conhecimento que não está naquelas páginas."
"As pessoas sempre falavam do cheiro limpo e gostoso de suor fresco. Deviam era pedir desculpas por dizerem tanta bobagem. Ninguém nunca falava do cheiro limpo e gostoso de merda fresca. Não havia nada mais glorioso que uma boa merda fruto da cerveja - digo, aquela merda que se caga depois de uma noite bebendo vinte ou 25 copos. O odor de um cocô de cerveja dessa categoria se espalha pelo ar e fica vivo por uma boa hora e meia. Faz com que você se dê conta de que realmente está vivo."
"Os pobres tinham o direito de foder como quisessem para vencer seus pesadelos. Sexo e bebida, e talvez amor, era tudo o que eles tinham."

Adoro o estilo violento e despudorado de sua linguagem. Bukowski sem dúvidas é o melhor.
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