sábado, 10 de maio de 2014

Citações do livro Cem anos de Solidão - Gabriel García Marquéz




"Alguma coisa então aconteceu dentro dele: algo misterioso e definitivo que o desenraizou do tempo presente levou-o à deriva por uma região inexplorada de recordações."

"...e a gente não é de lugar nenhum enquanto não tem um morto debaixo da terra deste lugar."

"...na verdade estavam ligados até a morte por um vínculo mais sólido que o amor: um remorso comum de consciência."

“ - E o que é que a gente sente? o irmão deu uma resposta imediata:
- É que nem um terremoto.”

“- Quero ficar com você – dizia ele – Um dia desses conto tudo pra todo mundo e se acabam os segredos.
Ela não tentou apaziguá-lo.
- Seria muito bom –disse. – Se ficarmos sozinhos, deixaremos a lâmpada acesa para nos vermos direito, e eu vou poder gritar tudo que quiser sem que ninguém se meta e você vai me dizer ao pé do ouvido todas as bandalheiras que imaginar.”


“...arrastada pela família para separá-la do homem que a tinha violado aos catorze anos e continuou a amá-la até os vinte e dois, mas que nunca se decidiu a tornar pública a situação porque era um homem comprometido com outra. Prometeu a ela que a seguiria até o fim do mundo, só que mais tarde, quando resolvesse a sua situação, e ela tinha cansado de esperar por ele, reconhecendo-o sempre nos homens altos e baixos, louros e morenos que as cartas do baralho lhe prometiam pelos caminhos de terra e os caminhos de mar, para dali a três dias, três meses ou três anos. Na espera havia perdido a força das coxas, a dureza dos seios, o habito da ternura, mas conservava intacta a loucura do coração.”

“Os filhos herdam as loucuras dos pais.”

“A adolescência havia tirado a doçura da sua voz e feito com que ele se tornasse silencioso e definitivamente solitário, mas ao mesmo tempo havia restituído a expressão intensa que tinha nos olhos ao nascer.”

“É que ela também padecia do espinho de um amor solitário.”

“Aquela mulher o atordoava. O mormaço da sua pele, seu cheiro de fumaça, a desordem da sua risada no quarto escuro perturbavam sua atenção e faziam com que tropeçasse nas coisas.”

“Depois de tantos anos de morte, era tão intensa a saudade dos vivos, tão urgente a necessidade de companhia, tão aterradora a proximidade da outra morte que existia dentro da morte, que Prudêncio Aguilar havia terminado por gostar do pior de seus inimigos.”

“Assim, os dois alugaram uma casinha em frente ao cemitério e se instalaram nele sem outro móvel além da rede de José Arcádio. Na noite de núpcias um escorpião que tinha se metido na pantufa de Rebeca mordeu o seu pé. Ela ficou com a língua dormente, mas isso não impediu que passassem uma lua de mel escandalosa. Os vizinhos se assustavam com os gritos que acordavam o bairro inteiro até oito vezes numa noite, e até três vezes durante a sesta, e rogavam que uma paixão tão desaforada não fosse perturbar a paz dos mortos.”


“... mas fosse como fosse não entendia como se chegava ao extremo de fazer uma guerra por coisas que não podiam ser tocadas com as mãos.”

Um comentário:

  1. Bonita
    cabelos cacheados e ainda curte García e o velho Buk.
    Parabéns pelo belíssimo blog

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