quarta-feira, 25 de junho de 2014

Citações

“Para mim era trabalhoso aceitar a solidão. Era difícil aprender a me auto abastecer. Eu continuava achando que era impossível. Ou que era desumano. “O homem é um ser social”, tinha me repetido muitas vezes. Isso, mais o calor do tropico, o sangue latino, minha mestiçagem fabulosa, tudo conspirava a meu redor, como uma rede, me incapacitando para a solidão. Esse era o meu problema e o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim.”

“Tomara que eu chegue aos oitenta e três anos com alguma ilusão. Nem que seja a ilusão boba de arranjar namorada e casar pensando que o amor é possível e que a miséria e a fome vão passar.”

“Às vezes, quase sempre, é bom se deixar levar pela intuição e não pensar. Os preconceitos fodem com muita coisa na vida. ”

“E, ao mesmo tempo, vou envelhecendo. E constato que estou perdendo a capacidade de cinismo. Estou perdendo a energia e a alegria e o poder de multiplicação. Já não consigo levar as coisas com o cinismo da juventude, e queria me dar sempre bem, custasse o que custasse.”

“Sempre acontece isso com os bobos. O que lhes falta de cérebro, lhes sobra de pau.”

Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana


“Cortei relações com o tempo, e venho tentando cortá-las com o mundo também, o que nem sempre é possível, já que o mundo se move e acaba te implicando no movimento dele, o que é, no mínimo, uma puta arbitrariedade por parte do mundo. ”

“Ô destino filho da puta, reclamei pros céus.”

“Eu conseguiria viver sem poesia. Aliás, eu vivo sem poesia. Não conseguiria é viver sem buceta.”

“Você sempre levou a vida nessa flauta Zé Carlos?”
“Na flauta, no cavaquinho e no pandeiro. Vida de artista Terezinha, vida de artista. Baudelaire vivia assim. Você não sabe quem é Baudelaire, mas era assim mesmo que ele vivia em Paris, e se deu bem. Fora a sífilis, a miséria e a facada que levou da amante.”


Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia 

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