“Para mim era trabalhoso aceitar a solidão. Era difícil aprender
a me auto abastecer. Eu continuava achando que era impossível. Ou que era
desumano. “O homem é um ser social”, tinha me repetido muitas vezes. Isso, mais
o calor do tropico, o sangue latino, minha mestiçagem fabulosa, tudo conspirava
a meu redor, como uma rede, me incapacitando para a solidão. Esse era o meu
problema e o meu desafio: aprender a viver e a desfrutar dentro de mim.”
“Tomara que eu chegue aos oitenta e três anos com alguma
ilusão. Nem que seja a ilusão boba de arranjar namorada e casar pensando que o
amor é possível e que a miséria e a fome vão passar.”
“Às vezes, quase sempre, é bom se deixar levar pela intuição
e não pensar. Os preconceitos fodem com muita coisa na vida. ”
“E, ao mesmo tempo, vou envelhecendo. E constato que estou
perdendo a capacidade de cinismo. Estou perdendo a energia e a alegria e o
poder de multiplicação. Já não consigo levar as coisas com o cinismo da
juventude, e queria me dar sempre bem, custasse o que custasse.”
“Sempre acontece isso com os bobos. O que lhes falta de cérebro,
lhes sobra de pau.”
Pedro Juan Gutiérrez, no livro Trilogia suja de Havana
“Cortei relações com o tempo, e venho tentando cortá-las com
o mundo também, o que nem sempre é possível, já que o mundo se move e acaba te
implicando no movimento dele, o que é, no mínimo, uma puta arbitrariedade por
parte do mundo. ”
“Ô destino filho da puta, reclamei pros céus.”
“Eu conseguiria viver sem poesia. Aliás, eu vivo sem poesia.
Não conseguiria é viver sem buceta.”
“Você sempre levou a vida nessa flauta Zé Carlos?”
“Na flauta, no cavaquinho e no pandeiro. Vida de artista Terezinha,
vida de artista. Baudelaire vivia assim. Você não sabe quem é Baudelaire, mas
era assim mesmo que ele vivia em Paris, e se deu bem. Fora a sífilis, a miséria
e a facada que levou da amante.”
Reinaldo Moraes, no livro Pornopopéia
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