Eu procurava sim por sentimentos
a todo vapor, procurava por emoções que me fizessem voltar à vida, talvez não
possa nem dizer voltar à vida, pois se a vivi não tenho certeza. Procurava por
sentimentos esquecidos em uma adolescência mal vivida e mal resolvida. Não
posso nem dizer que a procura foi longa. Foram poucos meses de busca. Tem gente
que anda por ai com uma filosofia de que ´as coisas acontecem quando tem que
acontecer’, de que ‘você deve plantar seu jardim e esperar que as borboletas
venham até ele’, (acho até que foi algum famoso que disse isso). Pra mim nunca
foi assim, e nunca acreditei nessas coisas. Talvez esse não acreditar seja até
mesmo preguiça de ‘plantar meu jardim’. Mas sempre tive que correr atrás para que
miseras coisas acontecessem. Nunca tive essa facilidade, essa sorte de esperar
sentada e sentir tudo cooperando a favor. Não estou com isso dizendo que
conquistei grandes coisas nessa vida ou que vivi grandes emoções e aventuras.
Mas as poucas coisas que guardo na mente e no meu coração não vieram por acaso.
Foi eu quem de um jeito ou de outro corri atrás para que elas chegassem até mim.
Tem gente que simplesmente anda
por ai. Eu mesma já fui assim. De uns tempos pra cá tenho feito diferente. Vou
andando por ai porque é inevitável, faz parte da vida o ‘andar por ai’. Mas meus
olhos e meus sentidos estão atentos a tudo, quero e vou aproveitar cada
oportunidade. Vou me permitir viver e sentir o que vier. Que se danem as
convenções. Que se danem as regras sociais. Que se dane quem quiser me
atrapalhar a viver essas coisas. Já tô indo fazer isso um pouco tarde demais,
já perdi muito tempo.
Não tenho mais certezas. E eu já
tive muitas e achava que elas me faziam bem, achava que elas me davam
segurança. Pra minha própria surpresa, a falta da certeza e esse chão meio que
de areia movediça que tomou o lugar antes ocupado pelas verdades que eu trazia,
acabaram dando lugar a um prazer que eu nem sabia que existia. A única coisa
que é certa é que a gente muda o tempo todo... pelo menos alguns mudam o tempo
todo, e é com esses que eu quero colar ainda que seja de longe. Gente que pensa
igual a vida inteira, que sabe exatamente que caminho seguir, que tem tudo
planejado, gente que tem tanto de si no peito que chega andar transbordando,
gente se só sabe ser o óbvio, que só sabe ser o que se espera dele, desses
quero distância. Gente que não abre espaço pro pensamento diferente, gente que
não sabe respeitar o espaço alheio, gente que se julga dona da verdade, gente
que pensa que pode mudar o mundo, gente que dá gargalhadas de tudo, dessa gente
eu quero mais é ficar bem longe. Já andei tempo demais perto deles, quase que
fui contaminada de forma irremediável. Vim até aqui sempre tentando entender o
outro lado, tentando ‘justificar’ de alguma forma o erro alheio. Me esforçando
sempre para ser compreensiva, tirar por menos. Um dia a gente cansa. Um dia a
corda arrebenta, dessa vez eu vou ficar de pé e que outros caiam do outro lado
da ponta dessa corda.
Talvez a pouca vida vivida que eu
tenha em minha vida, seja o motivo de eu achar que tô em um bom momento. E achar
que essas migalhas que tô pegando do tapete sejam lá grandes coisas. Só sei que
vou valorizar o que é genuinamente meu, ainda que não sejam boas coisas. Quero
coragem pra viver o que tô me propondo. Quero de agora em diante saber quem sou
eu, me conhecer, mesmo que eu me assuste com o que encontrar em mim.

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