quinta-feira, 30 de maio de 2013

Texana - Charles Bukowski



“Mais tarde, dormimos. Quer dizer, ela dormiu. Eu fiquei abraçadinho com ela. Pela primeira vez eu pensava em casamento. Sabia que seus defeitos ainda não tinham vindo à tona. O começo de uma relação era sempre a parte mais fácil. Depois o lado oculto ia se revelando, sem cessar. Mesmo assim, eu pensava em casamento. Imaginava uma casa, um cachorro e um gato, compras no supermercado. Os bagos do Henry Chinaski estavam amolecendo. E eu nem ligava.”
(no livro Mulheres, página 107)



Texana

Ela é do Texas e pesa
47 quilos
e para em frente ao
espelho penteando oceanos
de cabelos ruivos
que descem ao longo de todas
suas costas até a bunda.
O cabelo é mágico e lança
faíscas quando me deito na cama
e a vejo penteá-los.
Ela parece uma criatura
saída de um filme mas está
aqui de fato. Fazemos amor
pelo menos uma vez por dia e
ela consegue me fazer rir
sempre que deseja.
As mulheres do Texas são sempre
saudáveis e, além disso, ela
limpa meu refrigerador, minha pia,
o banheiro, e faz comida e
me serve alimentos saudáveis
e lava os pratos
também.

‘‘Hank’’, ela me disse
segurando uma lata de suco
de uva, ‘’Este é o melhor de
Todos’’.
Dizia na lata: suco natural de uva
ROSA do Texas.

Ela se parece com Katherine Hepburn
na época
do ensino médio, e vejo esses
47 quilos
penteando um metro
de cabelo ruivo
diante do espelho
e a sinto dentro de meus
pulsos, e no fundo de meus olhos,
e os dedos e as pernas e a barriga
a sentem, assim como
aquela outra parte,
e toda Los Angeles se desfaz
e chora de contentamento,
as paredes das alcovas tremem –
O oceano invade tudo e ela se vira
e me diz, “maldito cabelo!”
e eu digo,
“sim”.
(no livro O amor é um cão dos diabos, página 39)
 


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