Muito melhor que cinquenta tons de cinza.
Leitura forte, real, envolvente. Pra quem tem sangue nas veias.
Já que viver aventuras tá difícil, então vamos ler né? isso ainda é permitido.
"A única coisa que posso fazer sempre, em Estolcomo, Havana, onde for, é construir meu próprio espaço. Não posso esperar nunca que alguém me dê a liberdade. A liberdade tem que ser construída por nós mesmos. Como? cada qual tem de descobrir por si só. Minha liberdade eu construo pintando, escrevendo, mantendo a minha visão simples do mundo, espreitando na selva como um animal, impedindo as intromissões na minha vida privada. O essencial para o homem é a liberdade. Interior e exterior. Atrever-se a ser você mesmo em qualquer circunstância e lugar. a liberdade é como a felicidade: não chega nunca. Nunca se tem completa. É só um caminho. A gente caminha atrás da liberdade e da felicidade. E assim se vive. É só isso que se pode aspirar. Faz alguns anos, e durante muito tempo, minha vida andou presa a sistemas, a conceitos, a preconceitos, a ideias preconcebidas, a decisões alheias. Aquilo era autoritário e vertical demais. Não conseguia amadurecer assim. Vivia numa jaula, como um bebê que protegem e isolam para que jamais amadureça seus músculos e desenvolva seu cérebro. Tudo desmoronou diante de mim. Dentro de mim. Com muito estrondo. E fiquei a beira do suicídio. Ou da loucura. Tinha que mudar alguma coisa no meu interior. Do contrário podia acabar louco ou cadáver. E eu queria viver. Simplesmente viver. Sem pressões. Talvez com algum dia feliz. E reduzir as angústias. Isso é imprescindível: reduzir as angústias. Quem sabe seja só uma questão de mudar de ponto de vista. É preciso estar plenamente presente onde a gente se encontra, e não escapar sempre."
"Depois pinto um pouco. Há tranquilidade e silencio nesses dias e aproveito que estou podendo me concentrar. A solidão. Quem sabe a gente escreva ou pinte não apenas para criar um espaço de liberdade em torno, mas também para se sentir acompanhado. Não exatamente para romper a solidão. Não é disso que se trata. A solidão está sempre ali. Eu a sinto, a toco, converso com ela. Faz parte da minha vida. A solidão é inevitável. E ajuda. me concentro mais. Sou mais eu quando convivemos bem apertadinhos: a solidão e eu. Nos adoramos. Não poderia viver sem a solidão."
"Por que nos comportamos como animais selvagens quando trepamos? como se não fossemos pessoas civilizadas. Comentei com um amigo, um sujeito culto e me respondeu: 'claro que tem que se sentir como animal. Impossível se sentir como uma macieira ou como uma pedra. Nós somos animais. O que acontece é que atualmente não é mais de bom gosto lembrar que somos isso, simples animais. Mamíferos, para ser preciso'. "

Nenhum comentário:
Postar um comentário