"Tudo o que é dos outros é melhor. O
carro, o sofrimento, o trabalho, o amor. Os outros são muito melhores que nós.
Prefiro sempre os sentimentos e as coisas dos outros aos meus. Se alguém me
ama, isso basta-me perfeitamente, não preciso de amar também. Se tenho algum
interesse é para os outros, porque esses, coitados, não me conhecem."
"Afastem-se das mulheres que vos atraem e
aproximem-se daquelas que vos repugnam. Mas não se habituem. A repugnância
também pode tornar-se um vício. Mal por mal, mais vale não correrem o risco de
ficarem apanhados por uma mulher má e repugnante, quando há para aí tanta
rapariga bonita..."
"Um homem desapaixonado é um
verdadeiro homem. Como nos filmes. É duro, honesto, corajoso, insensível. Em
contrapartida, os homens apaixonados ficam moles e tornam-se meninas. Mudam de
voz. Fazem olhos de perdigueiro. Começam a gostar de doces. Têm ciúmes. Têm
filhos."
"Não percebemos que há mulheres más. Muitas mulheres más.
Muitas muito más. Mais mulheres más que boas. Aí dez más para cada boa.
Atenção: boas geralmente feias e desinteressantes."
"O fim não tem tempo. Ê fácil morrer
quando está tudo acabado. E deixar de ver as árvores. E deixar de tocar os
muros. Quando os há. O fim não tem pressa. Nem significado. Se ao menos fosse
uma surpresa. Ou um alívio. Ou uma inevitabilidade. Poderíamos rir. Poderíamos
concluir. Poderíamos conversar. Mas o fim não tem carácter. Só há uma maneira
de dizer isto. Só damos por ele quando já é tarde."
"Abri os olhos e não gostei do que vi.
Esperei uma eternidade. Ainda não tinha aprendido a adormecer. Quanto mais
viver."
"Apaixonei-me num momento desprevenido.
Estava a ver um jogo de futebol, ela meteu-se à frente do televisor e, em vez
de lhe dar um grito, não reparei, pela minha saúde, fiquei ali especado a olhar
para ela. Um minuto de exposição foi quanto bastou. Não se pode olhar muito
tempo para raparigas bonitas sem este gênero de merdas acontecer."
"A semana passada dei a minha última foda.
Há uma semana, ó caralho. Há uns quinze dias. Gostei. Sempre gostei. Agora
tanto se me dá como se me deu. A Teresa também não pode foder. Ela até muito
menos que eu. Ela que fodia tão bem. Com quem eu fodia tão bem. Durante aqueles
anos todos em que nos demos tão mal. Em que nos íamos matando. Em que decidimos
morrer. Teresa. Lembras-te de quando nos matámos? Eu lembro-me perfeitamente.
Foda-se — já perdi."
"Dávamo-nos mal. Fodíamos bem e fodíamos
mal, mas nunca nos demos bem."
"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer
que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido."
“Mesmo
assim eu preferia tomar os comprimidos a aturar as raparigas que eram contra os
comprimidos. A salvação pode ser muito bonita mas é preciso levar em conta o
tempo infinito que demora.”
“É
preciso cair num poço de água gelada para me sacudir de ti. Deixaste em
destroços a minha vida, antes e depois de ti. Destruíste a velha alegria que eu
tinha guardado tão cuidadosamente.”
“O
que custa mais não é tanto lembrar — é não esquecer.
O
que é que se faz com o que nos fica na cabeça,
quando
já não há nada para fazer?”
“A certa altura
decidi que mais valia estar sozinho. Nunca na minha vida arranjei tantas
namoradas.”
“Não se pode ficar
sozinho e bem disposto neste mundo.”
“Foder uma amiga duma
amiga é chato, como sair um cromo* repetido. Então quando elas se fartam de nos
imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos
estejam a imaginar na cama com as amigas. Tira um bocado o tesão, esta
familiaridade.” (*figurinha)
Bruna, Boa noite.
ResponderExcluirPor um acaso eu encontrei o seu blog e eu gostei muito dele.
Li do começo ao fim. Conheci alguns autores marginais que eu nunca tinha ouvido falar (por isso são marginais, não é mesmo?).
O seu primeiro post traz consigo um problema que afeta os relacionamentos entre homens e mulheres. Às vezes a arte de se gentil com vocês é tomada como uma cantada de um galinha. As mulheres se mostram refratárias às gentilezas e os homens ficam com cara de bobo.
Eu também estava de saco cheio do cotidiano: levantar de madrugada, tomar banho, lecionar, voltar para casa, jantar e dormir.
Desisti disso.
Hoje eu me dedico a escrever (estou no quarto livro), escrevo matérias pagas, estou montando a minha terceira biblioteca e não quero mais saber de alunos (ou pessoas estranhas) na minha frente.
Existem alguns autores nessa vossa linha de pensamento que merecem ser observados.
Oi Paulo, que bom que gostastes do que vistes por aqui. Tenho lido mais a fundo esse tipo de literatura de uns três anos pra cá.
ResponderExcluirÀs vezes escrevo umas coisas também, mas nada profissional, apenas desabafos ou forma de organizar as ideias. Muito legal a sua história. Você tem facebook?
Bruna,
ResponderExcluirBoa noite.
Eu tenho uma página no Facebook, mas não a utilizo.
Tenho um blog "A Agonia de Prometeu" (aquele que roubou o fogo dos deuses "o conhecimento" e entregou-o aos homens).
Postei ali dois textos teus. São muito bonitos.
Procure ler um dos livros escritos por Cesare Pavese. O diario que ele deixou (O Ofício de viver) é muito bonito. Só não se deixe deprimir...
consegui comprar O ofício de viver!!
Excluiroi Paulo, uma pena que não tenhas facebook. Tenho uma página lá que está dando super certo, só com "escrita marginal", o nome da page é 'Bukowski e outras coisas', seria ótimo ter você por lá. Engraçado você mencionar o Pavese rs, tenho lido alguns textos dele nesse ultimo mês... um beijo
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