segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Carpinejar - Me ajude a chorar

“Prefiro estar acompanhado numa estrada real, ainda que penosa, a viver sozinho em minha idealização.”

“Quer um maior mendigo do que aquele que dorme no sofá em sua residência? Com um cobertorzinho emprestado e com a claridade das janelas violentando os segredos?”

“Quando amamos platonicamente, o amor pode durar muito tempo. Pois não tem ninguém para estragar nossa idealização. Não há convivência para nos desafiar. É uma paixão estanque, feita de sonho e névoa. É uma vontade desligada da realidade. Temos a expectativa intacta, longe de contratempos. Acordamos e dormimos com o mesmo sentimento longe de interrupção em nossa fantasia.”

“Ninguém entra numa escolha sem fechar a porta.”

"Liberdade vem com o tempo, liberdade vem devagar, liberdade é esforço. Não ser do tamanho de nossa prisão, mas ser do tamanho de nossa vontade."

"E não adianta ensinar alguém a amar a tormenta - ela deve estar no sangue." 

"Você acha que somos impossíveis, mas é do impossível que o amor gosta." 

"Eu garanto que a fuga dá mais trabalho do que se encontrar."

“Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.”

“Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.”

“É trabalho em vão soterrar o precipício.”

“A vida é simples, milagrosamente simples.”

“Não há como acalmar o coração senão vivendo.”

“As relâmpagos iluminam os loucos.”


A você que a vê passar

Invejo quem pode vê-la. Eu não posso mais, eu que estou distante, eu que estou separado dela.
Invejo o cobrador de ônibus. Invejo o motorista. Invejo quem tem a chance de conhecê-la.
Invejo quem pode enxergá-la sem taquicardia, sem sobressalto, sem temer a reação.
Invejo seus amigos que podem encontrá-la para um almoço e conversar à toa.
Invejo a família que tem sempre preferência. Invejo os balconistas das farmácias e das lojas, mesmo que só falem crédito ou débito, invejo porque ela dará uma resposta.
Invejo seus colegas de trabalho que podem gritar pelo seu nome com entusiasmo.
Invejo a moça do cafezinho, o moço da limpeza. Eles têm todo direito de se aproximar – ela é real e acessível.
Invejo desconhecidos com a fortuna de rápidas palavras. Invejo o flanelinha que lhe chama de linda. Invejo o carteiro que se engana de número e pede uma informação.
Invejo quem tem a possibilidade de telefonar ou mandar mensagem. Invejo os esbarrões de seus dias. Qualquer contato, qualquer cumprimento, invejo.
Eu me invento na inveja


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