
“e você pode dizer o que quiser sobre
os malefícios da bebida, mas sem ela jamais poderia encarar aqueles capatazes
com seus olhos de roedores e suas testas incapazes. aqueles trabalhadores
satisfeitos com feriados e com o seguro de vida. a verdadeira escravidão humana
de homens que não sabiam que eram escravos que realmente achavam que eles eram
os escolhidos. era a garrafa e somente a garrafa e todas as garrafas que me
resguardaram de tudo aquilo. a cada dia sonhando com a noite quando estaria de
volta em meu quarto, de pés descalços estendidos na cama, no escuro, abrindo a
tampinha da garrafa tomando o primeiro e bom gole deixando a podridão, a decadência
lentamente desaparecerem. acendendo um cigarro enlevado pelas paredes e pela
luz da lua, através da janela eu inalava o jogo sujo e então exalava-o por
completo desse jeito, então buscava outra vez a garrafa não por fraqueza mas
por força: tomando aquele grande gole voltando a garrafa para seu lugar: cada
homem vence a adversidade de um modo diferente.”
"...
as bebidas estavam no comando e o mundo quase parecia um lugar aceitável."
"Não
brinque com a loucura, a loucura não brinca."
"Ninguém
ronca como um vagabundo
exceto alguém que é casado com você."
"estava deprimido, bem, deprimido não, mas estava desanimado com a estrutura toda, o jogo todo, a vida toda."
"é comum, ele disse, depois e uma separação,
ficar ali sentado sentindo como se a alma tivesse sido
decapitada"
exceto alguém que é casado com você."
"estava deprimido, bem, deprimido não, mas estava desanimado com a estrutura toda, o jogo todo, a vida toda."
"é comum, ele disse, depois e uma separação,
ficar ali sentado sentindo como se a alma tivesse sido
decapitada"
Charles Bukowski, no livro Miscelânea
Septuagenária
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