domingo, 21 de dezembro de 2014

Charles Bukowski, no livro Miscelânea Septuagenária

“Olhou para o sol. Tinha escapado da jornada de trabalho de oito horas havia apenas treze anos. Agora, todo o TEMPO era dele. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia. Cada noite. Ele era escritor. Escritor. Escritor profissional. Havia doze milhões de pessoas na América que queriam ser escritores. Ele era escritor.”

“ Escrever levava alguém para lugares rarefeitos, tornava-o estranho, um desajustado. Não foi por acaso que Hemingway explodiu os miolos sobre o suco de laranja. Não foi por acaso que Hart Crane se jogou sobre um propulsor, não foi por acaso que Chatterton tomou veneno de rato. Os únicos que continuavam eram os que escreviam best-sellers e eles não estavam escrevendo de verdade, já estavam mortos. E talvez ele também estivesse morto: tinha casa própria com sistema de segurança, uma máquina de escrever elétrica da IBM, tinha um Porsche e uma BMW na garagem. Mas até então havia resistido à piscina, à jacuzzi e à quadra de tênis. Talvez estivesse apenas meio morto?”


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