“Olhou para
o sol. Tinha escapado da jornada de trabalho de oito horas havia apenas treze
anos. Agora, todo o TEMPO era dele. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada
dia. Cada noite. Ele era escritor. Escritor. Escritor profissional. Havia doze
milhões de pessoas na América que queriam ser escritores. Ele era escritor.”
“ Escrever
levava alguém para lugares rarefeitos, tornava-o estranho, um desajustado. Não
foi por acaso que Hemingway explodiu os miolos sobre o suco de laranja. Não foi
por acaso que Hart Crane se jogou sobre um propulsor, não foi por acaso que
Chatterton tomou veneno de rato. Os únicos que continuavam eram os que
escreviam best-sellers e eles não estavam escrevendo de verdade, já estavam
mortos. E talvez ele também estivesse morto: tinha casa própria com sistema de
segurança, uma máquina de escrever elétrica da IBM, tinha um Porsche e uma BMW
na garagem. Mas até então havia resistido à piscina, à jacuzzi e à quadra de
tênis. Talvez estivesse apenas meio morto?”
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