segunda-feira, 1 de abril de 2013

Quando a madrugada é mais dura que um pedaço de pão velho



E ai você acorda as duas e quarenta e cinco da manhã. Olha pro escuro, tenta se concentrar mas o sono não vem. Toca uma pra ver se o corpo relaxa e o sono vem de novo, mas nem nisso você dá sorte porque ao contrário da maioria depois de fazer isso  sente vontade de dar uma faxina na casa. Você começa a ficar preocupado porque sabe que ás cinco e vinte tem que levantar e as horas de sono que estás perdendo agora vão te fazer toda falta no decorrer do dia de trabalho. Até a hora em que devo sentir sono e que devo está bem disposto eles querem me dizer. As quatro você não aguenta mais rolar pra lá e pra cá e resolve dá uma olhadinha no celular, ver como andam as coisas enquanto a maioria dorme. Ai você se depara com um texto desse:

“Monumento a um jovem monolito.

Ao completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem, o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC”.

Cê acha que o sono voltou? Melhor levantar, fazer café. Talvez ele não volte nunca mais.
Obs:Não assinaram o texto.

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