“Não sou boa
companhia, não gosto de conversar. Não quero trocar ideias – ou almas. Sou
apenas um bloco de pedra para mim mesmo. Quero ficar dentro do bloco sem ser
perturbado. Foi assim desde o começo. Resisti a meus pais, resisti à escola e
depois resisti a tornar-me um cidadão decente. O que quer que eu fosse, fui
desde o começo. Não queria que ninguém mexesse com isso. E ainda não quero.”
“A coisa
mais estranha, acho, depois que as pessoas morrem, é olhar os seus sapatos. É a
coisa mais triste. É como se a maior parte da sua personalidade permanecesse em
seus sapatos. As roupas, não. Está nos sapatos. Ou num chapéu. Ou num par de
luvas. Pegue uma pessoa que recém morreu. Coloque seu chapéu, suas luvas e seus
sapatos na cama, olhe para eles e você enlouquece. Não faça isso. De qualquer
forma, agora elas sabem algo que você não sabe. Talvez.”
“Acho que
você tem que enfiar a cara na lama, de vez em quando, acho que você tem que
saber o que é uma prisão, o que é um hospital. Acho que você tem que saber o
que é ficar sem comer por quatro ou cinco dias. Acho que viver com mulheres
loucas faz bem para a espinha. Acho que você pode escrever com satisfação e
liberdade depois de passar pelo aperto. Só digo isso porque todos os poetas que
conheci têm sido uns frouxos, uns parasitas. Não tinham nada pra escrever,
exceto sua egoísta falta de persistência.”
“Não podemos
nos examinar de perto demais ou vamos parar de viver, parar de fazer tudo.”
“Outro dia,
fiquei pensando no mundo sem mim. Há o mundo continuando a fazer o que faz. E eu
não estou lá. Muito estranho. Penso no caminhão do lixo passando e levando o
lixo e eu não estou lá. Ou o jornal jogado no jardim e eu não estou lá para
pegá-lo. Impossível. E, pior, algum tempo depois de estar morto, vou ser
verdadeiramente descoberto. E todos aqueles que tinham medo de mim ou que me
odiavam enquanto eu estava vivo vão subitamente me aceitar. Minhas palavras vão
estar em todos os lugares. Vão se formar clubes e sociedades. Será nojento. Será
feito um filme sobre a minha vida. Me farão muito mais corajoso e talentoso do
que sou. Muito mais. Será suficiente para fazer os deuses vomitarem. A raça
humana exagera tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.”
“Às vezes me
sinto como se estivéssemos todos presos num filme. Sabemos nossas falas, onde
caminhar, como atuar, só que não há uma câmera. No entanto não conseguimos sair
do filme. É um filme ruim.”
“Tive uma existência
estranha e confusa, em grande parte horrível, baixaria total. Mas acho que foi
a forma com que me arrastei pela merda que fez a diferença. Hoje, olhando para
trás, acho que exibi certa compostura e classe, independentemente do que estava
acontecendo.”
“Não estou
competindo com ninguém, não tenho ilusões com a imortalidade, não estou nem ai
pra ela.”
“A
simplicidade é essencial.”
“Quem quer
que fossem os escritores, eram mágicos pra mim. Abriam portas de um jeito
diferente. Precisavam de uma bebida forte ao acordar. A vida era demais para
eles. Cada dia era como caminhar sobre cimento fresco. Fiz deles meus heróis. Me
alimentava deles. Minhas ideias sobre eles me sustentavam no meu lugar nenhum. Pensar
sobre eles era muito melhor que lê-los.”
“Os anos na
pobreza me tornaram cauteloso.”
“E vou
morrer sem acreditar em Deus. Isso vai ser bom, posso enfrenta-la de cabeça em
pé. É uma coisa que você tem que fazer, como calçar os sapatos de manhã. Acho que
vou ter saudades de escrever. Escrever é melhor que beber.”
“Talvez haja
um inferno, será? Se houver, lá estarei, e sabem o que mais? Todos os poetas
estrão lá, lendo seus trabalhos, e eu vou ter que ouvir. Serei afogado por sua
elegante vaidade, por sua transbordante auto-estima. Se houver um inferno, este
será o meu: um poeta atrás do outro lendo sem parar.”
“Com as
mulheres, havia esperança com cada uma, mas isso era no princípio. Mesmo no
começo, eu saquei, parei de procurar a Garota Ideal; eu só queria uma que não
fosse um pesadelo.”
"Gosto de olhar os
meus gatos, eles me acalmam. Eles me fazem sentir bem. Você sabia que os gatos
dormem 20 das 24 horas do dia? Não se admira que tenham melhor aparência do que
eu. Na minha próxima vida, quero ser um gato. Dormir 20 horas por dia e esperar
ser alimentado. Sentar por aí lambendo meu cu. Os humanos são desgraçados
demais, irados demais, obcecados demais."
“Eu não buscava justiça
ou lógica. Nunca busquei. Talvez seja por isso que nunca escrevi nada de
protesto social.”
“O mundo pode viver muito
mais facilmente sem livros do que sem encanamentos.”
“A medida que vivemos, caímos
e somos destroçados por várias armadilhas. Ninguém escapa delas. Alguns até
mesmo convivem com ela. A ideia é se dar conta de que uma armadilha é uma
armadilha. Se você está numa e não se dá conta, você está fodido.”
“A maioria das pessoas
não está pronta para a morte, a sua ou a dos outros. Ela as choca, as apavora. É
como uma grande surpresa. Diabos, não deveria ser nunca. Levo a morte em meu
bolso esquerdo. Às vezes, tiro-a do bolso, e falo com ela:’ oi gata, como vai? Quando
virá me buscar? Vou estar pronto’.”
“Não há nada a lamentar
sobre a morte, assim como não há nada a reclamar sobre o crescimento de uma
flor. O que é terrível não é a morte, mas as vidas que as pessoas levam ou não
levam até a sua morte.”
“Escrever é quando vôo, escrever
é quando começo incêndios. Escrever é quando tiro a morte do meu bolso
esquerdo, atiro-a contra a parede e a pego de volta quando rebate.”

genial :D
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