Tenho medo de que tudo não passe de
tentativas fajutas de salvar o que não tenha mais salvação. Tenho medo, não por
mim. Já estou despedaçada e consegui achar um ponto de prazer no sofrimento,
mas pra ele tudo parece ser destruidor e ampliadamente triste.
Tenho medo de estar fazendo ele
perder tempo. Tenho medo de estar sendo um empecilho no caminho dele. Tenho medo
de estar deixando que ele traga flores pra um navio que já está naufragado. Tem
flores que até sobrevivem no fundo do mar, mas não são essas que ele tem
trazido diariamente.
O que eu sei é que a gente tem que
achar um novo ponto de equilíbrio, uma nova linha em que nós dois queiramos andar
junto. Ou a gente dá um jeito de ‘virar’ peixe e arruma o navio onde ele está, ou
não sei o que fazer.
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