domingo, 4 de agosto de 2013

Sou boa fingidora.




Sei ir a aniversários de crianças e sorrir junto com todo mundo. Sei acordar cedo todo dia e sair pra trabalhar. Sei fazer compras no supermercado e escolher os melhores tomates. Sei lavar roupa e fazer as bainhas das calças do meu marido. Sei assistir televisão e as vezes até solto um sorriso desnecessário. Mas o que tenho dentro... ah, o que tenho dentro. Ainda bem que tá dentro, se não andaria por ai assustando a todos pelo caminho. E a cada um já basta se assustar com os próprios horrores que carrega.

Acho bom que ninguém saiba o que a gente tem por dentro. As pessoas acreditam no que tem diante de seus olhos, até eu me enquadro nisso. Talvez aja uma pequena diferença na minha forma de ver hoje, pois quando olho pro outro sempre penso em quanta coisa pode se ter abrigada em baixo de um doce sorriso. Claro que não sou a única a pensar nisso, mas até pouco tempo atrás eu só via ou só ‘admitia ver’ o que estava diante de mim e sei que muita gente vive assim.

Acho que a gente anda por ai se achando único e diferente, mas no fundo, somos todos bem parecidos. Pateticamente parecidos. E o que acontece pra um, acontece pra maioria do bando. Talvez existam alguns subgrupos, mas nada muito particular.

(imagem do livro 'O mundo de Sofia', de Jostein Gaarder)

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