quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mario Bortolotto, no livro Bagana na chuva

“A noite não perdoa quem não está preparado para ela. Às vezes eu penso o quanto nossos heróis podem nos fazer mal se estivermos mal preparados. E no quanto somos responsáveis pelas coisas que escrevemos. Uma vez, li em algum lugar que os livros podem mudar a vida das pessoas. Sempre penso nisso quando escrevo, embora acredite sinceramente que eu não tenha tanto poder assim, mas como é que eu vou saber o que pode passar pela cabeça de um garoto belicoso ao ler o que escrevo? Será que ele está realmente entendendo aonde quero chegar? Não quero fazer apologia de nada. Apenas passo minha visão vagabunda do mundo em que vivo. E se não vejo o mundo com olhos puros de quem acredita nele, não tenho que pagar por isso, e nem quero que algum leitor inocente um dia venha a fazer isso. As coisas que vejo me deixam muito triste, às vezes furioso, e realmente tenho vontade de sair distribuindo pancadas em pessoas, em orelhões, em muros de concreto. Mas ninguém deve fazer o mesmo. Há livros de certos autores que deviam vir com a oportuna advertência: “manter fora do alcance das crianças. Material altamente nocivo à juventude inocente que um dia ainda pode se dar bem”. Ninguém pode fazer mais nada por sujeitos como nós. Alguém ainda pode fazer algo por eles.”


“Há algo de profundamente triste em não sentir falta de alguém que não vai voltar.”

“Tinha uma garota que era afim de dar pra mim, é engraçado, pernóstico até dizer isso assim, dessa maneira, mas é que ela era mesmo afim de dar pra mim. quer dizer, ela nunca chegou pra mim e disse isso assim, na lata, mas era a fim. Eu também era a fim de mandar ver por ali. Às vezes acontece da mulher ser a fim de dar pra você e você não querer comer, é raro, mas acontece, mas no caso dela, eu era a fim, e agora pensando nisso, por que não rolou? O nome dela era Paula. Eu tava com a Angela em algum boteco e ela chegava, sentava com a gente e falava, falava – sabe como é – ai ela ia embora. Angela me olhava e detonava.
‘Essa vaca é a fim de dar pra você’.
‘Ah, que ideia.’
‘Vai ter coragem de dizer que você não sacou?’
‘Não creio que este seja um assunto estimulante a ponto da gente levar adiante.’

E assim eu ia enrolando, mas ela a fim mesmo.”


“Não é necessário uma doença terminal para descobrir a urgência da descoberta. As pessoas esperam tempo demais.”


“Não suporto neguinho tocando violão em bares. Quem contratou esses sujeitos para me encher o saco?”


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