
"Naturalmente, não se tem
sucesso em tudo, mas é preciso querer tudo" (Sartre)
"O homem é condenado a ser livre" (Sartre)
" Eu era muito triste porque sofria por ser feio. Livrei-me completamente
dessa tristeza, porque é uma fraqueza. Quem conhece a força que tem, deve ser
alegre." (Sartre)
"Para mim, uma escolha nunca é final. Esta sempre sendo feita [...] O
horror da escolha definitiva é que envolve não só o eu de hoje, mas também o de
amanhã" (Sartre)
"Sartre era encorajador; também estava cheio de projetos e planos para o
futuro deles juntos. Teriam aventuras e viagens, trabalhariam muito, e teriam
vidas de liberdade e paixão. Ele lhe daria tudo que pudesse. A única coisa que
não podia lhe dar era sua individualidade. Precisava ser livre."
"Era óbvio que a ajuda de Sartre não seria do tipo convencional. Ele
desdenhava qualquer coisa que soubesse a conformismo ou convencionalismo. A
idéia de um emprego regular, com colegas e um chefe, era anátema para ele.
Tampouco queria ser um literato profissional, escrevendo em um escritório
cheirando a mofo e revestido de livros.
A idéia de se estabelecer num lugar não tinha graça. E embora já tivesse sido
noivo, atualmente, a perspectiva de se casar, ter filhos e adquirir bens o
horrorizava. Ele tinha uma missão: ser um grande escritor. Nada mais importava.
Para escrever, tinha que experimentar o mundo.
[...] Para ele, os indivíduos viviam num estado de absurdo fundamental, ou
‘contingência’. Deus não existia; a vida não tinha um significado preexistente.
Cada indivíduo tinha que assumir sua liberdade, criar sua própria vida. [...]
Ser livre era assustador. A maioria das pessoas fugia de sua liberdade. Mas
Sartre abraçava a dele [...] Sua vida seria sua própria construção. Beauvoir
achou isso uma bela filosofia"
"Havia algo incrívelmente vital naquele homem. Ele fazia com que ela
quisesse se descobrir, fazia com que quisesse descobrir o mundo. Com ele, ela
sabia que nunca se estagnaria."
"Jamais gostei tanto de ler e pensar. Jamais estive tão viva e feliz, ou
previ um futuro tão rico. Ah Jean-Paul, querido Jean-Paul, obrigada."
(Beauvoir)
"Ele podia ser um homem pequeno, mas vivia a vida de forma tão intensa que
parecia maior do que qualquer homem que ela conhecia. Tinha uma ambição
ardente. Mas não no sentido mundano. Não tinha interesse nas coisas materiais,
nem em estar com pessoas famosas.
Muito simplesmente, estava convencido de que seria um grande homem e que sua
tarefa era conseguir isso. Sartre precisava de sua liberdade, mas também queria
que Beauvoir abraçasse a dela."
"Sartre estava convencido de que amor não era possessão. Para ele, um tipo
mais generoso de amor significava amar a outra pessoa como um ser livre. Quando
Beauvoir levantou a espinhosa questão do ciúme, Sartre disse que, se contassem
tudo um ao outro, um nunca se sentiria excluído da vida do outro.
Não deveriam ter segredos. Em casos amorosos, dúvidas, inseguranças e
obsessões, deveriam ter como objetivo a abertura total. Ele chamava isso de
'transparência' [...] Beauvoir achou a idéia tão assustadora quanto estimulante
[...] lá estava Sartre querendo que ela compartilhasse seus pensamentos - todos
eles - com ele."
"Desde cedo, compreendera que um aventureiro precisava preservar sua
liberdade. Em tudo que lia [...] o herói solitário ia se conduzindo em meio a
obstáculos traiçoeiros, dos quais os mais sinistros eram as mulheres. Sartre
estava determinado, diz, a evitar esta armadilha"
"A sociabilidade e generosidade de Sartre eram lendárias. Engraçado,
brincalhão, criativo e brilhante imitador, fazia as pessoas chorarem de rir.
Adorava ajudar e encorajar os outros, e gostava de dar presentes. Mas apesar de
seu calor humano e de seu espírito gregário, possuía uma auto-suficiência
desconcertante.
Gostava de gente em volta, do burburinho das vozes ao fundo. Precisava ter uma
mulher apaixonada por ele, e também gostava de se sentir indispensável a essa
mulher. Mas, desde que se sentisse amado, era mais feliz sozinho com sua
caneta, papéis e livros.
Os amigos regularmente o acusavam de indiferença. Suas namoradas, a princípio,
se deleitavam com suas atenções, depois reclamavam que não lhes dava o
suficiente de seu precioso tempo. Ficavam possessivas e ciumentas, e Sartre
resmungava que eram exigentes demais"
"Como indivíduos, somos
livres, e agimos de 'má-fé' quando tentamos evitar nossa liberdade. A liberdade
traz consigo a angústia da escolha. Vem com o fardo da responsabilidade"
"Sartre não gostava de cíume. Achava importante que as pessoas
controlassem suas paixões sem se deixar dominar por elas. Do contrário estavam
negando sua liberdade, sendo reativas e não ativas" (Beauvoir)
"A tristeza anda de mãos dadas com a preguiça [...] Se, em sua noite
melancólica, você fosse serrar lenha, sua tristeza desaparecia em 5 minutos. Vá
serrar, mentalmente, claro. Empertigue-se, pare de representar, ocupe-se,
escreva" (Sartre)
"Sartre acreditava firmemente que, com força de vontade, podia-se superar
todos os desconfortos, emoções e obstáculos. Segundo ele, lágrimas e nervoso
eram fraquezas"
"Nasci com uma personalidade combinando com a minha cara: boba e emotiva,
covarde e auto-indulgente." (Sartre)
"Levava idéias muito a sério, mas não levava nem um pouco a sério sua
posição de autoridade."
"Sartre estava ferozmente determinado a ser um homem livre; mantinha-se
afastado de tudo que pudesse sobrecarregá-lo ou acorrentá-lo a um lugar. Nunca
se casou; nunca adquiriu nenhum bem; não possui sequer uma cama, um quadro, um
souvenir, um livro.
No entanto, o dinheiro dele sempre sai tão depressa quanto entra [...] uma
característica que impressiona todos os seus amigos é sua imensa generosidade.
Ele dá sem fazer conta, seu tempo, seu dinheiro e a si mesmo; está sempre
pronto para se interessar pelos outros, mas não deseja nada em troca; não
precisa de ninguém"
"Em dez dias você estará lá, tocarei em você. Falarei com você - estou
extasiada. Sabe, mais do que Libertação [...] você é sempre minha experiência
mais espantosa na vida, e a mais forte e a mais profunda e a mais
verdadeira" (Beauvoir para Sartre)
"Nunca foi muito fácil para mim viver, embora eu seja sempre bem feliz -
talvez por querer muito ser feliz. Gosto muito de viver e odeio a idéia de
morrer um dia. E aí sou gulosíssima, quero tudo da vida, quero ser mulher e
homem, ter muitos amigos e ter solidão, trabalhar muito e escrever bons livros,
viajar e me divertir, ser egoísta e altruísta [...] Está vendo, é difícil ter
tudo o que eu quero." (Beauvoir)
"Cada vez mais, ele achava que escrever era uma busca fútil e complacente
num mundo em que havia crianças morrendo de fome e injustiça em toda parte
[...] Já não ligava para belas frases. Estava convencido de que a política era
importante, a literatura, não"
"Ela e Sartre acreditavam firmemente que era responsabilidade dos
intelectuais dizer a verdade, e isso significava permanecer independentes"
"Ele era um foguete, com uma vida e inteligência fascinantes [...] Fazia
as idéias parecerem fáceis. Nunca era abstrato" (Lanzmann sobre Sartre)
"Ela abriu seus horizontes de forma espetacular. Tinha 44 anos e estava na
flor da idade, era cheia de vitalidade. Com ela, descobriu o prazer de viajar,
partir num carro com mapas e guias, e explorar novos lugares. Ficava
impressionado com sua alegria de viver. Nunca vira ninguém trabalhar tanto
quanto ela, nem conhecera alguém com tamanha capacidade de ser feliz.
Quando dizia que faria algo, ela fazia. 'Era a pessoa mais confiável que se
possa imaginar [...] Você podia lhe contar tudo [...] ela quase nunca fazia
julgamentos morais [...] Sua primeira reação era forçar-se a compreender, e
colocar-se na pele do outro'" (Lanzmann sobre influência de Beauvoir)
"A
única forma de aprender é questionando o que se ensina [...] O homem não é nada
se não for um contestador." (Sartre)
"O intelectual devia ouvir as massas e trabalhar com elas, ao invés de
conduzí-las"
"Ela o admirava como escritor e como homem, dizia na carta. Ele escrevera
os melhores livros de sua geraçã; defendera os fracos e oprimidos; era a alma
da generosidade. 'Fazendo e oferecendo amor, um sedutor sempre pronto para ser
seduzido, você ultrapassou todos os seus amigos com sua vitalidade,
inteligência e brilho" (Françoise Sagan para Sartre)
"Uma coisa não mudou e não pode mudar: não importa o que aconteça e o que
eu venha a ser; virei a ser o que eu for com você" (Sartre para Beauvoir)
"O importante não é
aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram
de nós."
"Somos separados das coisas por nada, apenas por nossa liberdade; é ela
que faz que haja coisas com toda sua indiferença, sua imprevisibilidade e sua
adversidade, e que nós sejamos inelutavelmente separados delas."
"A vergonha é vergonha de si, ela é reconhecimento de que eu realmente sou
esse objeto que o outro olha e julga. Só posso Ter vergonha de minha liberdade
enquanto ela me escapa para tornar-se objeto dado. "
"Quanto aos homens, não é o que eles são que me interessa, mas o que eles
podem se tornar."
"E são estas duas idéias - difíceis, reconheço: o homem é livre - o homem
é o ser pelo qual o homem se torna objeto - que definem o nosso estatuto
presente e permitem compreender a opressão."
"Nossa liberdade hoje não é nada mais que a livre escolha de lutar para
nos tornarmos livres. E o aspecto paradoxal desta fórmula exprime simplesmente
o paradoxo de nossa condição histórica. Não se trata de enjaular meus
contemporâneos: eles já estão na jaula."
"O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que
não tem ainda, do que poderia ter."
"Será que, no fundo, o que amedronta na doutrina que tentarei expor não é
fato de que ela deixa uma possibilidade de escolha para o homem?"
"O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o
primeiro princípio do existencialismo."
"O existencialista declara freqüentemente que o homem é angústia. Tal
afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que
ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe
simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento
de sua total e profunda responsabilidade."
"O homem está condenado a ser livre."
"Primeiro, tenho que me engajar; em seguida, agir segundo a velha fórmula:
“não é preciso ter esperança para empreender”. Isso não quer dizer que eu não
deva pertencer a um partido, mas que não deverei ter ilusões e que farei o
melhor que puder."
"O que o existencialista afirma é que o covarde se faz covarde, que o
herói se faz herói; existe sempre, para o covarde, uma possibilidade de não
mais ser covarde, e, para o herói, de deixar de o ser. O que conta é o
engajamento total, e não é com um caso particular, uma ação particular, que
alguém se engaja totalmente."
"A escolha é possível, em certo sentido, porém o que não é possível é não
escolher. Eu posso sempre escolher, mas devo estar ciente de que, se não
escolher, assim mesmo estarei escolhendo."
"O homem é apenas seu projeto, só existe na medida em que se realiza, ele
é tão-somente o conjunto de seus atos."
"Todo homem se refugia na desculpa de suas paixões, todo homem que inventa
um determinismo é um homem de má fé."
"Sou responsável por mim mesmo e por todos"
"Cada vez que o homem escolhe seu compromisso e seu projeto com toda
sinceridade e com toda lucidez, torna-se-lhe impossível preferir um outro"
Ainda não li esse livro e estou procurando por ele. Achei essas informações e foto nesse site http://www.nicholasgimenes.com.br/2010/07/livro-tete-tete-simone-de-beauvoir-e.html