sábado, 10 de agosto de 2013

Partes do livro Hollywood - Charles Bukowski



“Mas estava tudo bem porque eu me sentia superior a eles. Era assim que funcionava.”

“Ambição em excesso pode criar erros, por que as apostas muito pesadas afetam os processos de pensamento.”

“Voltei de carro com a multidão trabalhadora. Que bando formavam. Putos da vida, maus e quebrados. Com pressa de chegar em casa pra trepar, se possível, pra ver Tv, pra ir dormir cedo afim de fazer novamente a mesma coisa no dia seguinte.”

“Todos os resultados tem um padrão. Se a gente o descobre, está com tudo.”

“De repente me pareceu idiotice alguém querer saber o que eu pensava. A melhor parte de um escritor está no papel. A outra é geralmente bobagem.”

“-Você está bêbado nesse filme?
- Estou.
- Acha que beber é coragem?
- Não, mas também nada mais é.”

“A pior coisa do mundo é ficar sóbrio no meio de um bando de bêbados idiotas.”

“Os maiores idiotas iam ao cinema e às corridas. Eu era um idiota que ia às corridas.”

“Uma vez que se foi pobre por longo tempo, adquire-se um certo respeito pelo dinheiro.”

“Agora, décadas depois, eu era um escritor que tinha uma mesa. Sim, senti o temor, o temor de me tornar igual a eles.”

“Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar o meu rabo, salvar meu rabo do asilo de doidos, das ruas, de mim mesmo.”

“Numa sociedade capitalista, os perdedores são escravizados pelos vencedores, e é preciso haver mais perdedores que vencedores. Que pensava eu? Sabia que a política jamais resolveria isso...”

“Não deixem ninguém convencê-los de outra coisa. A vida começa aos 65.”

“Mas não achava sensato julgar uma pessoa pela aparência externa daquele jeito. Eu preferia muito mais julgar uma pessoa pelo jeito de ela agir e falar.”

“de algum modo contar histórias repetidas vezes parece tornar elas mais reais do que devem ter sido.”

“Jon-Luc começou a falar. Falava sem parar, olhando só pra mim. A princípio me senti lisonjeado, mas depois de algum tempo nem tanto assim.”

domingo, 4 de agosto de 2013

Virar peixe




Tenho medo de que tudo não passe de tentativas fajutas de salvar o que não tenha mais salvação. Tenho medo, não por mim. Já estou despedaçada e consegui achar um ponto de prazer no sofrimento, mas pra ele tudo parece ser destruidor e ampliadamente triste.

Tenho medo de estar fazendo ele perder tempo. Tenho medo de estar sendo um empecilho no caminho dele. Tenho medo de estar deixando que ele traga flores pra um navio que já está naufragado. Tem flores que até sobrevivem no fundo do mar, mas não são essas que ele tem trazido diariamente.

O que eu sei é que a gente tem que achar um novo ponto de equilíbrio, uma nova linha em que nós dois queiramos andar junto. Ou a gente dá um jeito de ‘virar’ peixe e arruma o navio onde ele está, ou não sei o que fazer.

Sou boa fingidora.




Sei ir a aniversários de crianças e sorrir junto com todo mundo. Sei acordar cedo todo dia e sair pra trabalhar. Sei fazer compras no supermercado e escolher os melhores tomates. Sei lavar roupa e fazer as bainhas das calças do meu marido. Sei assistir televisão e as vezes até solto um sorriso desnecessário. Mas o que tenho dentro... ah, o que tenho dentro. Ainda bem que tá dentro, se não andaria por ai assustando a todos pelo caminho. E a cada um já basta se assustar com os próprios horrores que carrega.

Acho bom que ninguém saiba o que a gente tem por dentro. As pessoas acreditam no que tem diante de seus olhos, até eu me enquadro nisso. Talvez aja uma pequena diferença na minha forma de ver hoje, pois quando olho pro outro sempre penso em quanta coisa pode se ter abrigada em baixo de um doce sorriso. Claro que não sou a única a pensar nisso, mas até pouco tempo atrás eu só via ou só ‘admitia ver’ o que estava diante de mim e sei que muita gente vive assim.

Acho que a gente anda por ai se achando único e diferente, mas no fundo, somos todos bem parecidos. Pateticamente parecidos. E o que acontece pra um, acontece pra maioria do bando. Talvez existam alguns subgrupos, mas nada muito particular.

(imagem do livro 'O mundo de Sofia', de Jostein Gaarder)