sábado, 9 de janeiro de 2021


Sei lá por que, hoje olhei pros meus livros e me deu uma tristeza, um medo de que tudo acabe, medo de morrer. Tenho tantos livros que ainda não li, tantos esmaltes que estão longe de acabar, tanta coisa pra costurar, ainda quero ter um filho, ter um canto meu de verdade. Sei que são em sua maioria coisas materiais que citei aqui, mas não gosto de imaginar minha coleção de botões, minhas blythes, meus esmaltes sem mim. 

Meu marido iria dar todas essas coisas pra outras pessoas. Provavelmente outra pessoa não terá o amor que tenho pelas minhas coisas. Algumas coisas iriam pro lixo pois só fazem sentido pra mim. Não gosto de pensar minhas coisas no lixo. Também não gosto de pensar meu marido olhando pra elas e chorando. 

Deus do céu, me dê ainda muitos anos de vida e com saúde pra fazer as coisas que gosto! 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Pancho Villa não sabia esconder cavalos - Adriana Brunstein

Comece pelo meu pescoço. Evite áreas sujeitas a cócegas ou coisas deliberadamente aflitiva como língua na orelha. Tenta não ficar fazendo apologia aos meus seios com parvalhices do tipo: que bom que você nunca amamentou. Esqueça toda aquela merda de animais trepando no Animal Planet e posições de ioga que o meu corpo sedentário e inelástico não tem condições de fazer. Ombro não é nada erógeno para quem não tá numa sessão de quiropraxia. Passa batido. A falta de simetria entre os lados direito e esquerdo do meu corpo :trate como política. Declare-se de centro, fique em cima do muro mas, uma vez em cima de mim, meta um capacete amarelo na cabeça e finja que eu estou em obras. Não me faça sorrir, meu rosto fica obsceno demais e todo o resto da minha anatomia vai parecer ridículo. Não me fale de suas preferências sobre pelos quando abaixar minha calcinha, concentre-se mais em afastar meus joelhos que tendem a se atrair feito polos magnéticos opostos. Não dê nome aos bois como clitóris, vagina, ânus, use os dedos e a boca calada. Pense em qualquer pintura renascentista quando nada mais estiver cobrindo meu corpo. Há algo sagrado nisso. Agora pode me foder. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Falta de obrigação

Nunca pensei que eu ia dizer isso, mas a falta de obrigação tá me matando. Amo artesanato e sempre sonhei em ter tempo pra fazer as coisas quando bem me desse na telha, porém... Estou em casa desde de março quando começou a pandemia e eu já criei e costurei tanta coisa que agora eu tive que parar por não ter nem onde guardar mais. Sinto falta da rotina, de hora certa para levantar, pra comer. Engraçado que antes eu meio que  questionava isso, dizia pra mim mesma que era um absurdo ter q comer e cagar com hora narcada e agora fico sentindo falta. Sinto que quando tô na correria meu corpo fica mais animado e bem disposto. Nesse marasmo que tô vivendo, o corpo em repouso tende a continuar em repouso. Sem obrigação me falta coragem para  me vestir e ir comprar frutas e legumes. Quando tenho aquele horário apertadinho pra fazer as coisas, faço sem nem pensar. Com tempo livre, parece que existo para protelar. Vou até procurar um texto do Bukowski que ele fala sobre essa questão do tempo, dizendo que o trabalho ajuda muita gente a não enlouquecer. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Vamos retomar isso aqui

Tava pensando há algum tempo em fazer esse blog renascer. Nesse ano atípico de pandemia e que tive tempo de sobra poderia já ter voltado para cá desde março, porém dei bobeira e fui escrevendo um bocado de coisas e um caderninho bonitinho que tenho aqui. 
Agora tô registrando meus sonhos, toda noite me esforço p lembrar o que sonhei e anoto. Pra que? Sei lá, mas quero ir registrando pra ver se as coisas se ligam, se ao menos no meu inconsciente as coisas fazem mais sentido. Registrei também experiências passadas, da infância. Conforme for me dando vontade vou digitando do caderninho pra cá. 
Ontem comprei esses dois livros. Esse aí dos 365 dias de gratidão é um esforço que estou me propondo a fazer durante 2021, vou tentar ser mais positiva. Não é que eu não seja grata,é só que não acho legal ficar sendo grata por eu ter tanto enquanto tantos não tem nem o mínimo. E isso tenho certeza que muitas vezes acaba impedindo minha felicidade, parece que me sinto mal em estar bem só por que muitos não estão bem. Quero melhorar  isso durante o ano que vem. Falo isso mas ao mesmo tempo penso se não estou sendo egoísta. Mas acho que pra ser feliz tem que ser um pouco egoísta e um pouco alienado. Não sei se um dia vou chegar lá. Minha coleção de Bukowski tá aqui na estante mas em 2021 vou tentar não abrir esses livros, eles acabam me deixando mais negativa do que já sou.  O outro livro já estava querendo há algum tempo também, vi pessoas recomendando e como tenho visto e seguido algumas pessoas do mundo da espiritualidade que contam um pouco dessa "nossa" história antiga de fontes não registradas, achei que seria bacana ver uma fonte "científica" pra ver onde as informações vão batendo.
Tinha uns textos bem antigos que estavam na pasta de rascunhos, e ante ontem eu publiquei, ficar guardado pra que, né? Já me desculpo por qualquer vício de linguagem por aqui, vou tentar escrever as palavras completas, sem essas abreviações que a gente acaba se acostumando no mundo virtual.
Seguimos tentando. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Amadurecimento ou endurecimento


O tempo vai passando e a gente vai criando uma ilusão de que esta 'amadurecendo'. Mentira. A gente não amadurece. A gente só endurece. Vai perdendo a capacidade de se abalar com o que está ao redor. Já não se deixa mais influenciar com tanta facilidade com a dor alheia e nem com a própria dor.
Perece-me que descobri um lugar fora de mim. Não diria que ele é seguro, mas é um tanto quanto longe e de difícil acesso, e por isso muitas vezes não vou até lá.
Mas acontecem coisas inesperadas que me levam até lá em um segundo. Como pode um fato tão pequeno, percorrer esse labirinto e me tirar do meu local seguro em tão pouco tempo?
Tenho fama de durona. Acho que me faço pra poder esconder toda essa 'moleza'. Não sei porque.

Que venham os tigres! - Cecília Marazano




“Os tigres me encontraram
E eu não me importo mais.”
Charles Bukowski

Já subi em árvores bem altas pra fugir deles. Já me escondi em buracos bem profundos pra que eles não me encontrassem. Já passei merda em todo o corpo como forma de afastá-los pelo cheiro. Fiz tudo que me ensinaram, da forma que me ensinaram. Não sei, mas acredito que em outros casos, esses tigres já teriam ido embora e tentado buscar outras ‘presas’. No meu caso, esses tigres parecem ser meus. Continuam tentando me pegar independente do que eu faça, rosnam pra mim com uma selvageria tão grande que eu fico imobilizada, sem poder de ação alguma.

Hoje me pergunto porque fugi deles por tanto tempo. Será que eu queria preservar a minha vida? Se era isso que eu queria, pra que que eu queria? ‘Preservar’. Aprendi que a vida devia ser ‘economizada’. ‘Guardada’. É justo nessas intenções que a vida se perde, se esvai.

Não sei bem se optei por deixar que os tigres me encontrassem ou se foi em um momento de descuido que eles me encontraram. O encontro primeiro não foi muito amigável e simpático. Me machuquei bastante, doeu. Mas percebi que eles não queriam me matar por completo, só queriam matar um pouco de mim. O convívio com eles não é impossível. Sei que são selvagens e que por isso estou sempre propensa a ser surpreendida e até machucada por eles. Mas quer saber? Não me importo mais. A dor tem seu prazer. E uma mordida aqui e outra ali é melhor que não sentir nada.

Os tigres podem ser meus amigos. Até quando me machucam podem ser meus amigos.

Repetição




Admiro as pessoas que vão sempre até o fim nas coisas, sejam elas quais forem. Admiro pessoas que continuam se interessando pelos mesmos assuntos sempre. De verdade. Não fui dotada desse poder, não sei se foi falta de amor (ou sobra), falta de danone na infância, ‘Intelecto’ pouco estimulado, mas acho que alguma coisa não deu muito certo em mim. Todas as coisas me cansam. Fico fatigada delas. Até mesmo quando penso que achei algo que vou amar até o fim, com o passar dos dias, a coisa vai esmaecendo que nem bijuteria supostamente ‘banhada a ouro’. Até alguns anos atrás pensava eu ‘é só com isso’, da próxima vez vou até o fim. Mas o tempo foi passando e fazendo uma releitura, percebo claramente que já falei ‘foi só com isso’, mais de vinte vezes e continuo falando. Não que eu desgoste das coisas, mas elas simplesmente não ficam ocupando minha cabeça e meus pensamentos.
Tem gente que sabe exatamente o que quer, digo isso tanto relacionado a amor, profissão, hobbies, religião e tudo o mais. Por que eu não sou assim?
Algumas coisas, diante de decisões passadas que tomei, acabo me sentindo obrigada a pensar sempre no mesmo assunto. Minha profissão é um exemplo disso. Até poderia tentar outra coisa a essa altura do campeonato, mas sinto que em poucos anos isso iria acontecer de novo. E também não estou disposta a enfrentar uma longa rotina acadêmica novamente pra então seguir outro rumo. Já que investi tantos anos em formação nessa área, até por comodismo continuo por aqui mesmo. Mas não posso dizer, como vejo colegas dizendo por ai “amo meu trabalho/profissão”.  Até gosto dele, tenho momentos de prazer e alegria, como meu arroz e feijão através dele, mas confesso que as vezes ele me cansa e tenho vontade de chutar o pau da barraca e viver de migalhas do marido, da mamãe, ou mesmo virar mendiga. Suicídio e virar moradora de rua são sempre uma opção presente, mas seria uma merda se eu cansasse de virar moradora de rua e não tivesse pra onde ir, ou se eu me matasse e cansasse do outro mundo e não tivesse como voltar (caso ele exista).  Mas o trabalho ainda tá dando pra levar, e já que não decido por outra coisa, mesmo que não desse pra levar eu teria que leva-lo mesmo assim.
As outras coisas todas vão se indo... até permanece um carinho no meu coração por elas, mas não na mesma intensidade e querer de antes. Não sei se muitas pessoas são assim. Mas deve ter um grupo no mundo que seja assim, me imaginar única em algo seria pretensão demais.