“Os tigres me encontraram
E eu não me importo mais.”
Charles Bukowski
Já subi em árvores bem altas pra
fugir deles. Já me escondi em buracos bem profundos pra que eles não me
encontrassem. Já passei merda em todo o corpo como forma de afastá-los pelo
cheiro. Fiz tudo que me ensinaram, da forma que me ensinaram. Não sei, mas
acredito que em outros casos, esses tigres já teriam ido embora e tentado
buscar outras ‘presas’. No meu caso, esses tigres parecem ser meus. Continuam
tentando me pegar independente do que eu faça, rosnam pra mim com uma
selvageria tão grande que eu fico imobilizada, sem poder de ação alguma.
Hoje me pergunto porque fugi deles
por tanto tempo. Será que eu queria preservar a minha vida? Se era isso que eu
queria, pra que que eu queria? ‘Preservar’. Aprendi que a vida devia ser ‘economizada’.
‘Guardada’. É justo nessas intenções que a vida se perde, se esvai.
Não sei bem se optei por deixar que
os tigres me encontrassem ou se foi em um momento de descuido que eles me
encontraram. O encontro primeiro não foi muito amigável e simpático. Me
machuquei bastante, doeu. Mas percebi que eles não queriam me matar por
completo, só queriam matar um pouco de mim. O convívio com eles não é
impossível. Sei que são selvagens e que por isso estou sempre propensa a ser
surpreendida e até machucada por eles. Mas quer saber? Não me importo mais. A dor
tem seu prazer. E uma mordida aqui e outra ali é melhor que não sentir nada.
Os tigres podem ser meus amigos. Até quando
me machucam podem ser meus amigos.

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