terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Repetição




Admiro as pessoas que vão sempre até o fim nas coisas, sejam elas quais forem. Admiro pessoas que continuam se interessando pelos mesmos assuntos sempre. De verdade. Não fui dotada desse poder, não sei se foi falta de amor (ou sobra), falta de danone na infância, ‘Intelecto’ pouco estimulado, mas acho que alguma coisa não deu muito certo em mim. Todas as coisas me cansam. Fico fatigada delas. Até mesmo quando penso que achei algo que vou amar até o fim, com o passar dos dias, a coisa vai esmaecendo que nem bijuteria supostamente ‘banhada a ouro’. Até alguns anos atrás pensava eu ‘é só com isso’, da próxima vez vou até o fim. Mas o tempo foi passando e fazendo uma releitura, percebo claramente que já falei ‘foi só com isso’, mais de vinte vezes e continuo falando. Não que eu desgoste das coisas, mas elas simplesmente não ficam ocupando minha cabeça e meus pensamentos.
Tem gente que sabe exatamente o que quer, digo isso tanto relacionado a amor, profissão, hobbies, religião e tudo o mais. Por que eu não sou assim?
Algumas coisas, diante de decisões passadas que tomei, acabo me sentindo obrigada a pensar sempre no mesmo assunto. Minha profissão é um exemplo disso. Até poderia tentar outra coisa a essa altura do campeonato, mas sinto que em poucos anos isso iria acontecer de novo. E também não estou disposta a enfrentar uma longa rotina acadêmica novamente pra então seguir outro rumo. Já que investi tantos anos em formação nessa área, até por comodismo continuo por aqui mesmo. Mas não posso dizer, como vejo colegas dizendo por ai “amo meu trabalho/profissão”.  Até gosto dele, tenho momentos de prazer e alegria, como meu arroz e feijão através dele, mas confesso que as vezes ele me cansa e tenho vontade de chutar o pau da barraca e viver de migalhas do marido, da mamãe, ou mesmo virar mendiga. Suicídio e virar moradora de rua são sempre uma opção presente, mas seria uma merda se eu cansasse de virar moradora de rua e não tivesse pra onde ir, ou se eu me matasse e cansasse do outro mundo e não tivesse como voltar (caso ele exista).  Mas o trabalho ainda tá dando pra levar, e já que não decido por outra coisa, mesmo que não desse pra levar eu teria que leva-lo mesmo assim.
As outras coisas todas vão se indo... até permanece um carinho no meu coração por elas, mas não na mesma intensidade e querer de antes. Não sei se muitas pessoas são assim. Mas deve ter um grupo no mundo que seja assim, me imaginar única em algo seria pretensão demais.

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