Admiro as pessoas que vão sempre até
o fim nas coisas, sejam elas quais forem. Admiro pessoas que continuam se
interessando pelos mesmos assuntos sempre. De verdade. Não fui dotada desse
poder, não sei se foi falta de amor (ou sobra), falta de danone na infância, ‘Intelecto’
pouco estimulado, mas acho que alguma coisa não deu muito certo em mim. Todas
as coisas me cansam. Fico fatigada delas. Até mesmo quando penso que achei algo
que vou amar até o fim, com o passar dos dias, a coisa vai esmaecendo que nem
bijuteria supostamente ‘banhada a ouro’. Até alguns anos atrás pensava eu ‘é só
com isso’, da próxima vez vou até o fim. Mas o tempo foi passando e fazendo uma
releitura, percebo claramente que já falei ‘foi só com isso’, mais de vinte
vezes e continuo falando. Não que eu desgoste das coisas, mas elas simplesmente
não ficam ocupando minha cabeça e meus pensamentos.
Tem gente que sabe exatamente o que
quer, digo isso tanto relacionado a amor, profissão, hobbies, religião e tudo o
mais. Por que eu não sou assim?
Algumas coisas, diante de decisões
passadas que tomei, acabo me sentindo obrigada a pensar sempre no mesmo assunto.
Minha profissão é um exemplo disso. Até poderia tentar outra coisa a essa
altura do campeonato, mas sinto que em poucos anos isso iria acontecer de novo.
E também não estou disposta a enfrentar uma longa rotina acadêmica novamente
pra então seguir outro rumo. Já que investi tantos anos em formação nessa área,
até por comodismo continuo por aqui mesmo. Mas não posso dizer, como vejo
colegas dizendo por ai “amo meu trabalho/profissão”. Até gosto dele, tenho momentos de prazer e
alegria, como meu arroz e feijão através dele, mas confesso que as vezes ele me
cansa e tenho vontade de chutar o pau da barraca e viver de migalhas do marido,
da mamãe, ou mesmo virar mendiga. Suicídio e virar moradora de rua são sempre
uma opção presente, mas seria uma merda se eu cansasse de virar moradora de rua
e não tivesse pra onde ir, ou se eu me matasse e cansasse do outro mundo e não
tivesse como voltar (caso ele exista).
Mas o trabalho ainda tá dando pra levar, e já que não decido por outra
coisa, mesmo que não desse pra levar eu teria que leva-lo mesmo assim.
As outras coisas todas vão se indo...
até permanece um carinho no meu coração por elas, mas não na mesma intensidade
e querer de antes. Não sei se muitas pessoas são assim. Mas deve ter um grupo
no mundo que seja assim, me imaginar única em algo seria pretensão demais.

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