se já falei
desculpa
mas vou tratar de repetir
na verdade
bem difícil fazer isso
por aqui
se eu estivesse
na sua frente
falaria como se não houvesse fim
sem ter vergonha, por favor
trate de me chamar pra sair
sem ter vegonha, por favor
talvez a gente crie discursos
sem muito nexo
faremos varias perguntas
e muito sexo.
poderíamos cantar
uma musica que não sabemos
a letra.
beberemos algumas cervejas
fumaremos
até morgar.
podemos até correr
no meu apartamento
podemos gritar
sem medo
mas só antes das dez
depois
os vizinhos vão reclamar
do barulho excessivo
de felicidade.
poderemos torcer pra que ninguém entre pela porta
ou até chuta-la
só pra pedir um pão
mais uma cerveja, e um beck
mas você não pode
esquecer de deixar
um desenho marcado
na minha parede.
nem de trocar alguns poemas
só pra ouvir
outro ritmo seu.
não só seu coração
ou sua respiração
ofegante.
não só o abraço apertado
nem o beijo
prolongado.
to falando de quando te toco
como um instrumento
que nem conheço o som.
to falando de quando olho
no fundo da sua alma
e vejo o por que.
por que tá tudo bem
entre eu e
você.
to falando do prazer
simples prazer
de te conhecer.
João Francisco
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
domingo, 31 de janeiro de 2016
Diego Moraes
Agora não adianta ofender
arranhar a pele
quebrar os discos do beck
agora não adianta escrever
pregar bilhetes na porta da geladeira
agora não adianta pegar leve na cocaína
agora não adianta falar em rehab
agora não adianta chorar
sentado na sarjeta do meu bar predileto
agora não adianta dedicar poemas
agora não adianta jogar as cinzas do Marbolro no ralo da pia
agora não adianta comprar a obra completa de Walt Whitman para ler nas férias abraçado contigo no sítio dos meus pais
agora não adianta obturar os dentes
agora não adianta prometer coisas que só o amor promete.
arranhar a pele
quebrar os discos do beck
agora não adianta escrever
pregar bilhetes na porta da geladeira
agora não adianta pegar leve na cocaína
agora não adianta falar em rehab
agora não adianta chorar
sentado na sarjeta do meu bar predileto
agora não adianta dedicar poemas
agora não adianta jogar as cinzas do Marbolro no ralo da pia
agora não adianta comprar a obra completa de Walt Whitman para ler nas férias abraçado contigo no sítio dos meus pais
agora não adianta obturar os dentes
agora não adianta prometer coisas que só o amor promete.
Diego Moraes
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Cecília Marazano, no livro Se eu acredito, existe."
“o abraço
Você pode mentir
e omitir sobre o que quiser, mas tem uma coisa sobre a qual você não pode falar
nada: você falou um monte de asneira, a gente nem se beijou naquela noite, mas
caso você não se lembre, te lembro eu aqui , que enquanto você dormia, me abraçou na madrugada. Pode ter sido
mil coisas aquele abraço na madrugada enquanto você dormia meio bêbado: pode
ter sido pura carência, e pode ser que você abraçaria até um cachorro que
estivesse dormindo ao seu lado. Só que é ai que a história fica legal, por que
até ali nunca ninguém havia me abraçado no meio do sono na madrugada, e acho
que foi ali que a minha carência bateu com a sua, pois justo naquela hora em
que você procurava por alguém por abraçar enquanto dormia, eu também buscava alguém
que me abraçasse até mesmo dormindo. É provável que você nem se lembre desse
abraço (na verdade, abraços). Mas eu lembro bem e independente do andar da
carruagem, e do rumo que a vida tome pra cada um de nós, é certo que é desse
abraço que eu vou lembrar, mas do que de todos os outros.
São coisas bem pequenas que revelam a pessoa. Eu
sempre peço a Deus (ou ao diabo), que abra meus olhos para as pequenas coisas,
para os detalhes. Que eles me tragam as ‘manhas’. E acho que eles me atendem,
ou ao menos me atendem quando me interessa. Eu vejo cada detalhe, e me demoro
neles por longos dias...
Aquela noite
tá me martelando, há mais de um mês. E me lembro daquela citação de Bukowski em
que ele diz “Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante
quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivéssemos
transado." Foi mais ou menos isso que senti. O seu abraço meio ‘inconsciente’
naquela madrugada foi melhor do que se tivéssemos transado.”
"O negócio é que você tem as palavras certas. Falando assim, até parece
que ter as palavras certas é uma coisa simples, mas não é. Faz tempo que
busco por elas e pra te ser sincera, acho que eu ainda não as tinha
ouvido, eu procurava por elas no escuro e sabia que quando eu as
ouvisse, iria reconhecê-las. Quando você as diz, por um breve momento,
tudo parece ter sentido e todo o resto some. Fico diante de você e de
suas palavras e isso basta."
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Osvaldo Luis Ribeiro
Às vezes, tenho a impressão de que assisto à vida de camarote. Mesmo
vivendo, mesmo dentro dela, tenho a sensação de que estou o tempo todo -
sim, todo o tempo - também lá fora, olhando-me a viver, olhando a vida à
minha volta, a vida das pessoas, a vida. E vendo. Tenho a impressão de
que as pessoas apenas vivem, mas não veem a vida. Por isso, porque
apenas vivem, mas não veem a vida que vivem, não ouvem o que dizem, não
conseguem avaliar nem a vida nem o que elas fazem com a vida.
Arriscarei: é impossível a lucidez sem ter a capacidade de olhar a vida
desde fora dela...
domingo, 13 de setembro de 2015
Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre Tête-a-tête, de Hazel Rowley
“Sartre deixara claro desde o início que a monogamia não o
interessava. Gostava de mulheres (muito mais que de homens, sempre dizia) e não
pretendia parar de ter casos aos 23 anos. Nem Beauvoir deveria fazê-lo, disse. O
amor que tinham um pelo outro era ‘essencial’ e fundamental. Eles eram ‘dois da
mesma espécie’, um o duplo do outro, e seu relacionamento seguramente duraria a
vida inteira. Mas não deveriam privar-se do que chamavam ‘casos contingentes’,
ou seja, secundários e mais arbitrários.
Sartre estava convencido de que o amor não era possessão. Para
ele, um tipo mais generoso de amor significava amar a outra pessoa como um ser
livre. Quando Beauvoir levantou a espinhosa questão do ciúme, Sartre disse que,
se contassem tudo um ao outro, um nunca se sentiria excluído da vida do outro. Não
deveriam ter segredos. Em casos amorosos, dúvidas, inseguranças e obsessões,
deveriam ter como objetivo a abertura total. Ele chamava isso de ‘transparência’.
Beauvoir achou a ideia tão assustadora quanto estimulante. Valorizava
a verdade e a sinceridade, mas também dava muito valor a sua vida interior. Na adolescência,
aprendera a guardar os pensamentos para si mesma. Há muito tempo deixara de
contar seus pecados ao padre confessor. Contudo, lá estava Sartre querendo que
ela compartilhasse seus pensamentos – todos – com ele.”
Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre Tête-a-tête, de Hazel
Rowley
sábado, 5 de setembro de 2015
Tête-a-tête , Hazel Rowley
"Naturalmente, não se tem
sucesso em tudo, mas é preciso querer tudo" (Sartre)
"O homem é condenado a ser livre" (Sartre)
" Eu era muito triste porque sofria por ser feio. Livrei-me completamente dessa tristeza, porque é uma fraqueza. Quem conhece a força que tem, deve ser alegre." (Sartre)
"Para mim, uma escolha nunca é final. Esta sempre sendo feita [...] O horror da escolha definitiva é que envolve não só o eu de hoje, mas também o de amanhã" (Sartre)
"Sartre era encorajador; também estava cheio de projetos e planos para o futuro deles juntos. Teriam aventuras e viagens, trabalhariam muito, e teriam vidas de liberdade e paixão. Ele lhe daria tudo que pudesse. A única coisa que não podia lhe dar era sua individualidade. Precisava ser livre."
"Era óbvio que a ajuda de Sartre não seria do tipo convencional. Ele desdenhava qualquer coisa que soubesse a conformismo ou convencionalismo. A idéia de um emprego regular, com colegas e um chefe, era anátema para ele. Tampouco queria ser um literato profissional, escrevendo em um escritório cheirando a mofo e revestido de livros.
A idéia de se estabelecer num lugar não tinha graça. E embora já tivesse sido noivo, atualmente, a perspectiva de se casar, ter filhos e adquirir bens o horrorizava. Ele tinha uma missão: ser um grande escritor. Nada mais importava. Para escrever, tinha que experimentar o mundo.
[...] Para ele, os indivíduos viviam num estado de absurdo fundamental, ou ‘contingência’. Deus não existia; a vida não tinha um significado preexistente. Cada indivíduo tinha que assumir sua liberdade, criar sua própria vida. [...] Ser livre era assustador. A maioria das pessoas fugia de sua liberdade. Mas Sartre abraçava a dele [...] Sua vida seria sua própria construção. Beauvoir achou isso uma bela filosofia"
"Havia algo incrívelmente vital naquele homem. Ele fazia com que ela quisesse se descobrir, fazia com que quisesse descobrir o mundo. Com ele, ela sabia que nunca se estagnaria."
"Jamais gostei tanto de ler e pensar. Jamais estive tão viva e feliz, ou previ um futuro tão rico. Ah Jean-Paul, querido Jean-Paul, obrigada." (Beauvoir)
"Ele podia ser um homem pequeno, mas vivia a vida de forma tão intensa que parecia maior do que qualquer homem que ela conhecia. Tinha uma ambição ardente. Mas não no sentido mundano. Não tinha interesse nas coisas materiais, nem em estar com pessoas famosas.
Muito simplesmente, estava convencido de que seria um grande homem e que sua tarefa era conseguir isso. Sartre precisava de sua liberdade, mas também queria que Beauvoir abraçasse a dela."
"Sartre estava convencido de que amor não era possessão. Para ele, um tipo mais generoso de amor significava amar a outra pessoa como um ser livre. Quando Beauvoir levantou a espinhosa questão do ciúme, Sartre disse que, se contassem tudo um ao outro, um nunca se sentiria excluído da vida do outro.
Não deveriam ter segredos. Em casos amorosos, dúvidas, inseguranças e obsessões, deveriam ter como objetivo a abertura total. Ele chamava isso de 'transparência' [...] Beauvoir achou a idéia tão assustadora quanto estimulante [...] lá estava Sartre querendo que ela compartilhasse seus pensamentos - todos eles - com ele."
"Desde cedo, compreendera que um aventureiro precisava preservar sua liberdade. Em tudo que lia [...] o herói solitário ia se conduzindo em meio a obstáculos traiçoeiros, dos quais os mais sinistros eram as mulheres. Sartre estava determinado, diz, a evitar esta armadilha"
"A sociabilidade e generosidade de Sartre eram lendárias. Engraçado, brincalhão, criativo e brilhante imitador, fazia as pessoas chorarem de rir. Adorava ajudar e encorajar os outros, e gostava de dar presentes. Mas apesar de seu calor humano e de seu espírito gregário, possuía uma auto-suficiência desconcertante.
Gostava de gente em volta, do burburinho das vozes ao fundo. Precisava ter uma mulher apaixonada por ele, e também gostava de se sentir indispensável a essa mulher. Mas, desde que se sentisse amado, era mais feliz sozinho com sua caneta, papéis e livros.
Os amigos regularmente o acusavam de indiferença. Suas namoradas, a princípio, se deleitavam com suas atenções, depois reclamavam que não lhes dava o suficiente de seu precioso tempo. Ficavam possessivas e ciumentas, e Sartre resmungava que eram exigentes demais"
"O homem é condenado a ser livre" (Sartre)
" Eu era muito triste porque sofria por ser feio. Livrei-me completamente dessa tristeza, porque é uma fraqueza. Quem conhece a força que tem, deve ser alegre." (Sartre)
"Para mim, uma escolha nunca é final. Esta sempre sendo feita [...] O horror da escolha definitiva é que envolve não só o eu de hoje, mas também o de amanhã" (Sartre)
"Sartre era encorajador; também estava cheio de projetos e planos para o futuro deles juntos. Teriam aventuras e viagens, trabalhariam muito, e teriam vidas de liberdade e paixão. Ele lhe daria tudo que pudesse. A única coisa que não podia lhe dar era sua individualidade. Precisava ser livre."
"Era óbvio que a ajuda de Sartre não seria do tipo convencional. Ele desdenhava qualquer coisa que soubesse a conformismo ou convencionalismo. A idéia de um emprego regular, com colegas e um chefe, era anátema para ele. Tampouco queria ser um literato profissional, escrevendo em um escritório cheirando a mofo e revestido de livros.
A idéia de se estabelecer num lugar não tinha graça. E embora já tivesse sido noivo, atualmente, a perspectiva de se casar, ter filhos e adquirir bens o horrorizava. Ele tinha uma missão: ser um grande escritor. Nada mais importava. Para escrever, tinha que experimentar o mundo.
[...] Para ele, os indivíduos viviam num estado de absurdo fundamental, ou ‘contingência’. Deus não existia; a vida não tinha um significado preexistente. Cada indivíduo tinha que assumir sua liberdade, criar sua própria vida. [...] Ser livre era assustador. A maioria das pessoas fugia de sua liberdade. Mas Sartre abraçava a dele [...] Sua vida seria sua própria construção. Beauvoir achou isso uma bela filosofia"
"Havia algo incrívelmente vital naquele homem. Ele fazia com que ela quisesse se descobrir, fazia com que quisesse descobrir o mundo. Com ele, ela sabia que nunca se estagnaria."
"Jamais gostei tanto de ler e pensar. Jamais estive tão viva e feliz, ou previ um futuro tão rico. Ah Jean-Paul, querido Jean-Paul, obrigada." (Beauvoir)
"Ele podia ser um homem pequeno, mas vivia a vida de forma tão intensa que parecia maior do que qualquer homem que ela conhecia. Tinha uma ambição ardente. Mas não no sentido mundano. Não tinha interesse nas coisas materiais, nem em estar com pessoas famosas.
Muito simplesmente, estava convencido de que seria um grande homem e que sua tarefa era conseguir isso. Sartre precisava de sua liberdade, mas também queria que Beauvoir abraçasse a dela."
"Sartre estava convencido de que amor não era possessão. Para ele, um tipo mais generoso de amor significava amar a outra pessoa como um ser livre. Quando Beauvoir levantou a espinhosa questão do ciúme, Sartre disse que, se contassem tudo um ao outro, um nunca se sentiria excluído da vida do outro.
Não deveriam ter segredos. Em casos amorosos, dúvidas, inseguranças e obsessões, deveriam ter como objetivo a abertura total. Ele chamava isso de 'transparência' [...] Beauvoir achou a idéia tão assustadora quanto estimulante [...] lá estava Sartre querendo que ela compartilhasse seus pensamentos - todos eles - com ele."
"Desde cedo, compreendera que um aventureiro precisava preservar sua liberdade. Em tudo que lia [...] o herói solitário ia se conduzindo em meio a obstáculos traiçoeiros, dos quais os mais sinistros eram as mulheres. Sartre estava determinado, diz, a evitar esta armadilha"
"A sociabilidade e generosidade de Sartre eram lendárias. Engraçado, brincalhão, criativo e brilhante imitador, fazia as pessoas chorarem de rir. Adorava ajudar e encorajar os outros, e gostava de dar presentes. Mas apesar de seu calor humano e de seu espírito gregário, possuía uma auto-suficiência desconcertante.
Gostava de gente em volta, do burburinho das vozes ao fundo. Precisava ter uma mulher apaixonada por ele, e também gostava de se sentir indispensável a essa mulher. Mas, desde que se sentisse amado, era mais feliz sozinho com sua caneta, papéis e livros.
Os amigos regularmente o acusavam de indiferença. Suas namoradas, a princípio, se deleitavam com suas atenções, depois reclamavam que não lhes dava o suficiente de seu precioso tempo. Ficavam possessivas e ciumentas, e Sartre resmungava que eram exigentes demais"
"Como indivíduos, somos
livres, e agimos de 'má-fé' quando tentamos evitar nossa liberdade. A liberdade
traz consigo a angústia da escolha. Vem com o fardo da responsabilidade"
"Sartre não gostava de cíume. Achava importante que as pessoas controlassem suas paixões sem se deixar dominar por elas. Do contrário estavam negando sua liberdade, sendo reativas e não ativas" (Beauvoir)
"A tristeza anda de mãos dadas com a preguiça [...] Se, em sua noite melancólica, você fosse serrar lenha, sua tristeza desaparecia em 5 minutos. Vá serrar, mentalmente, claro. Empertigue-se, pare de representar, ocupe-se, escreva" (Sartre)
"Sartre acreditava firmemente que, com força de vontade, podia-se superar todos os desconfortos, emoções e obstáculos. Segundo ele, lágrimas e nervoso eram fraquezas"
"Nasci com uma personalidade combinando com a minha cara: boba e emotiva, covarde e auto-indulgente." (Sartre)
"Levava idéias muito a sério, mas não levava nem um pouco a sério sua posição de autoridade."
"Sartre estava ferozmente determinado a ser um homem livre; mantinha-se afastado de tudo que pudesse sobrecarregá-lo ou acorrentá-lo a um lugar. Nunca se casou; nunca adquiriu nenhum bem; não possui sequer uma cama, um quadro, um souvenir, um livro.
No entanto, o dinheiro dele sempre sai tão depressa quanto entra [...] uma característica que impressiona todos os seus amigos é sua imensa generosidade. Ele dá sem fazer conta, seu tempo, seu dinheiro e a si mesmo; está sempre pronto para se interessar pelos outros, mas não deseja nada em troca; não precisa de ninguém"
"Em dez dias você estará lá, tocarei em você. Falarei com você - estou extasiada. Sabe, mais do que Libertação [...] você é sempre minha experiência mais espantosa na vida, e a mais forte e a mais profunda e a mais verdadeira" (Beauvoir para Sartre)
"Nunca foi muito fácil para mim viver, embora eu seja sempre bem feliz - talvez por querer muito ser feliz. Gosto muito de viver e odeio a idéia de morrer um dia. E aí sou gulosíssima, quero tudo da vida, quero ser mulher e homem, ter muitos amigos e ter solidão, trabalhar muito e escrever bons livros, viajar e me divertir, ser egoísta e altruísta [...] Está vendo, é difícil ter tudo o que eu quero." (Beauvoir)
"Sartre não gostava de cíume. Achava importante que as pessoas controlassem suas paixões sem se deixar dominar por elas. Do contrário estavam negando sua liberdade, sendo reativas e não ativas" (Beauvoir)
"A tristeza anda de mãos dadas com a preguiça [...] Se, em sua noite melancólica, você fosse serrar lenha, sua tristeza desaparecia em 5 minutos. Vá serrar, mentalmente, claro. Empertigue-se, pare de representar, ocupe-se, escreva" (Sartre)
"Sartre acreditava firmemente que, com força de vontade, podia-se superar todos os desconfortos, emoções e obstáculos. Segundo ele, lágrimas e nervoso eram fraquezas"
"Nasci com uma personalidade combinando com a minha cara: boba e emotiva, covarde e auto-indulgente." (Sartre)
"Levava idéias muito a sério, mas não levava nem um pouco a sério sua posição de autoridade."
"Sartre estava ferozmente determinado a ser um homem livre; mantinha-se afastado de tudo que pudesse sobrecarregá-lo ou acorrentá-lo a um lugar. Nunca se casou; nunca adquiriu nenhum bem; não possui sequer uma cama, um quadro, um souvenir, um livro.
No entanto, o dinheiro dele sempre sai tão depressa quanto entra [...] uma característica que impressiona todos os seus amigos é sua imensa generosidade. Ele dá sem fazer conta, seu tempo, seu dinheiro e a si mesmo; está sempre pronto para se interessar pelos outros, mas não deseja nada em troca; não precisa de ninguém"
"Em dez dias você estará lá, tocarei em você. Falarei com você - estou extasiada. Sabe, mais do que Libertação [...] você é sempre minha experiência mais espantosa na vida, e a mais forte e a mais profunda e a mais verdadeira" (Beauvoir para Sartre)
"Nunca foi muito fácil para mim viver, embora eu seja sempre bem feliz - talvez por querer muito ser feliz. Gosto muito de viver e odeio a idéia de morrer um dia. E aí sou gulosíssima, quero tudo da vida, quero ser mulher e homem, ter muitos amigos e ter solidão, trabalhar muito e escrever bons livros, viajar e me divertir, ser egoísta e altruísta [...] Está vendo, é difícil ter tudo o que eu quero." (Beauvoir)
"Cada vez mais, ele achava que escrever era uma busca fútil e complacente num mundo em que havia crianças morrendo de fome e injustiça em toda parte [...] Já não ligava para belas frases. Estava convencido de que a política era importante, a literatura, não"
"Ela e Sartre acreditavam firmemente que era responsabilidade dos intelectuais dizer a verdade, e isso significava permanecer independentes"
"Ele era um foguete, com uma vida e inteligência fascinantes [...] Fazia as idéias parecerem fáceis. Nunca era abstrato" (Lanzmann sobre Sartre)
"Ela abriu seus horizontes de forma espetacular. Tinha 44 anos e estava na flor da idade, era cheia de vitalidade. Com ela, descobriu o prazer de viajar, partir num carro com mapas e guias, e explorar novos lugares. Ficava impressionado com sua alegria de viver. Nunca vira ninguém trabalhar tanto quanto ela, nem conhecera alguém com tamanha capacidade de ser feliz.
Quando dizia que faria algo, ela fazia. 'Era a pessoa mais confiável que se possa imaginar [...] Você podia lhe contar tudo [...] ela quase nunca fazia julgamentos morais [...] Sua primeira reação era forçar-se a compreender, e colocar-se na pele do outro'" (Lanzmann sobre influência de Beauvoir)
"A
única forma de aprender é questionando o que se ensina [...] O homem não é nada
se não for um contestador." (Sartre)
"O intelectual devia ouvir as massas e trabalhar com elas, ao invés de conduzí-las"
"Ela o admirava como escritor e como homem, dizia na carta. Ele escrevera os melhores livros de sua geraçã; defendera os fracos e oprimidos; era a alma da generosidade. 'Fazendo e oferecendo amor, um sedutor sempre pronto para ser seduzido, você ultrapassou todos os seus amigos com sua vitalidade, inteligência e brilho" (Françoise Sagan para Sartre)
"Uma coisa não mudou e não pode mudar: não importa o que aconteça e o que eu venha a ser; virei a ser o que eu for com você" (Sartre para Beauvoir)
"O intelectual devia ouvir as massas e trabalhar com elas, ao invés de conduzí-las"
"Ela o admirava como escritor e como homem, dizia na carta. Ele escrevera os melhores livros de sua geraçã; defendera os fracos e oprimidos; era a alma da generosidade. 'Fazendo e oferecendo amor, um sedutor sempre pronto para ser seduzido, você ultrapassou todos os seus amigos com sua vitalidade, inteligência e brilho" (Françoise Sagan para Sartre)
"Uma coisa não mudou e não pode mudar: não importa o que aconteça e o que eu venha a ser; virei a ser o que eu for com você" (Sartre para Beauvoir)
"O importante não é
aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram
de nós."
"Somos separados das coisas por nada, apenas por nossa liberdade; é ela que faz que haja coisas com toda sua indiferença, sua imprevisibilidade e sua adversidade, e que nós sejamos inelutavelmente separados delas."
"A vergonha é vergonha de si, ela é reconhecimento de que eu realmente sou esse objeto que o outro olha e julga. Só posso Ter vergonha de minha liberdade enquanto ela me escapa para tornar-se objeto dado. "
"Quanto aos homens, não é o que eles são que me interessa, mas o que eles podem se tornar."
"E são estas duas idéias - difíceis, reconheço: o homem é livre - o homem é o ser pelo qual o homem se torna objeto - que definem o nosso estatuto presente e permitem compreender a opressão."
"Nossa liberdade hoje não é nada mais que a livre escolha de lutar para nos tornarmos livres. E o aspecto paradoxal desta fórmula exprime simplesmente o paradoxo de nossa condição histórica. Não se trata de enjaular meus contemporâneos: eles já estão na jaula."
"O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter."
"Será que, no fundo, o que amedronta na doutrina que tentarei expor não é fato de que ela deixa uma possibilidade de escolha para o homem?"
"O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo."
"O existencialista declara freqüentemente que o homem é angústia. Tal afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade."
"O homem está condenado a ser livre."
"Primeiro, tenho que me engajar; em seguida, agir segundo a velha fórmula: “não é preciso ter esperança para empreender”. Isso não quer dizer que eu não deva pertencer a um partido, mas que não deverei ter ilusões e que farei o melhor que puder."
"O que o existencialista afirma é que o covarde se faz covarde, que o herói se faz herói; existe sempre, para o covarde, uma possibilidade de não mais ser covarde, e, para o herói, de deixar de o ser. O que conta é o engajamento total, e não é com um caso particular, uma ação particular, que alguém se engaja totalmente."
"A escolha é possível, em certo sentido, porém o que não é possível é não escolher. Eu posso sempre escolher, mas devo estar ciente de que, se não escolher, assim mesmo estarei escolhendo."
"O homem é apenas seu projeto, só existe na medida em que se realiza, ele é tão-somente o conjunto de seus atos."
"Todo homem se refugia na desculpa de suas paixões, todo homem que inventa um determinismo é um homem de má fé."
"Sou responsável por mim mesmo e por todos"
"Cada vez que o homem escolhe seu compromisso e seu projeto com toda sinceridade e com toda lucidez, torna-se-lhe impossível preferir um outro"
"Somos separados das coisas por nada, apenas por nossa liberdade; é ela que faz que haja coisas com toda sua indiferença, sua imprevisibilidade e sua adversidade, e que nós sejamos inelutavelmente separados delas."
"A vergonha é vergonha de si, ela é reconhecimento de que eu realmente sou esse objeto que o outro olha e julga. Só posso Ter vergonha de minha liberdade enquanto ela me escapa para tornar-se objeto dado. "
"Quanto aos homens, não é o que eles são que me interessa, mas o que eles podem se tornar."
"E são estas duas idéias - difíceis, reconheço: o homem é livre - o homem é o ser pelo qual o homem se torna objeto - que definem o nosso estatuto presente e permitem compreender a opressão."
"Nossa liberdade hoje não é nada mais que a livre escolha de lutar para nos tornarmos livres. E o aspecto paradoxal desta fórmula exprime simplesmente o paradoxo de nossa condição histórica. Não se trata de enjaular meus contemporâneos: eles já estão na jaula."
"O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter."
"Será que, no fundo, o que amedronta na doutrina que tentarei expor não é fato de que ela deixa uma possibilidade de escolha para o homem?"
"O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo."
"O existencialista declara freqüentemente que o homem é angústia. Tal afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade."
"O homem está condenado a ser livre."
"Primeiro, tenho que me engajar; em seguida, agir segundo a velha fórmula: “não é preciso ter esperança para empreender”. Isso não quer dizer que eu não deva pertencer a um partido, mas que não deverei ter ilusões e que farei o melhor que puder."
"O que o existencialista afirma é que o covarde se faz covarde, que o herói se faz herói; existe sempre, para o covarde, uma possibilidade de não mais ser covarde, e, para o herói, de deixar de o ser. O que conta é o engajamento total, e não é com um caso particular, uma ação particular, que alguém se engaja totalmente."
"A escolha é possível, em certo sentido, porém o que não é possível é não escolher. Eu posso sempre escolher, mas devo estar ciente de que, se não escolher, assim mesmo estarei escolhendo."
"O homem é apenas seu projeto, só existe na medida em que se realiza, ele é tão-somente o conjunto de seus atos."
"Todo homem se refugia na desculpa de suas paixões, todo homem que inventa um determinismo é um homem de má fé."
"Sou responsável por mim mesmo e por todos"
"Cada vez que o homem escolhe seu compromisso e seu projeto com toda sinceridade e com toda lucidez, torna-se-lhe impossível preferir um outro"
Ainda não li esse livro e estou procurando por ele. Achei essas informações e foto nesse site http://www.nicholasgimenes.com.br/2010/07/livro-tete-tete-simone-de-beauvoir-e.html
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