terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Afrodisíaco



Nada me excita mais que inteligência. Fico me analisando e querendo saber o porquê disso. Não sei se entra dentro de algum fetiche, coisa bizarra, fora do normal. Não tô falando de um cara que tenha acumulado conhecimentos ao longo de uma vida de estudos ou não. Tô falando daquela inteligência que me desafia, que vai na lógica e até fora dela, que vai no enfrentamento, no não se render, no não se alcançar.

 Sabe quando você sabe que o cara sabe do que está falando, que fala com propriedade, e que sabe do que ta falando porque pensou sobre e não porque leu? Sabe aquela inteligência que te dá uma pontinha de inveja lá no fundinho da sua alma, e você pensa "cacete, queria ser assim"? Essa inteligência pra mim está estritamente relacionada a autoconhecimento. Vivemos diante de pessoas que não se conhecem. Acumulam conhecimentos dos mais variados tipos. As pessoas se especializam sobre os mais diversos temas, tem gente que sabe tudo sobre informática, sobre todos os teóricos da educação, sobre plantações de batata, sobre a vida dos animais aquáticos, sobre buracos negros. Dentre esses, tente achar um que se conheça, que não tenha medo de pensar, que se dê ao luxo de ser o que é. Raramente irá encontra-lo. 

Tudo coopera para que esse cara não exista. A sociedade nos molda, nos cria, para seguirmos certos padrões e nos encaixarmos nos grupos existentes de alguma forma. A estrutura da vida não coopera pra que isso ocorra. Se conhecer exige tempo e descanso. Exige mente vazia de outras coisas pra poder então se encher de si mesmo. Temos que trabalhar oito horas por dia, mas o tempo que se leva de casa ao trabalho, do trabalho em casa, tempo pra comer, arrumar as coisas. Alguns trabalham ainda aos sábados, domingo as pessoas se ocupam de outros afazeres como igreja e visita a parentes. O que sobra pra si? Quem nesse mundo atual encontra um tempo pra deitar de barriga pra cima em sua cama e olhar pro ventilador de teto sem pensar em nada? E na verdade, indo mais além, quem quer isso?  Quem tem tempo pra isso, muitas vezes tem medo de pensar e prefere ocupar seu tempo com televisão, revistas, internet, entre outras coisas. Mas alguns, poucos bem poucos, se destacam nesse meio. Tiram tempo de onde não tem pra isso. Geralmente não são os desocupados, conseguem de alguma forma deixar de dormir, mas não deixam de se dar esse tempo. Andam por ai pelas ruas como mais um pra estatística, mas quando você conversa com um desses, logo consegue diferenciá-los. 

Até ai tudo bem, acredito não ser a única a achar que esses caras tem um ‘que’ a mais, que têm um encanto diferenciado, mas o que não me entendo e fico aqui matutando gastando tempo comigo mesma e me pergunto é o porquê desses caras morarem nas minhas fantasias sexuais. O que tem a ver uma coisa com a outra? Não tenho muitos nesse patamar não, talvez dois ou três, e muito mais figuras do meu imaginário cibernético que da vida real, mas vira e mexe eles aparecem em meus pensamento nas horas mais impróprias (se é q me entendem).

Esses caras num geral passam uma imagem de autossuficiência, de um ‘não preciso de você’, de um ‘eu me basto’. Talvez seja isso que me atraia, pensando aqui enquanto escrevo, olha a que conclusão cheguei, talvez uma conclusão meio de doida, mas que tem um pouco de lógica (da minha lógica). Gosto de imaginar um cara desse ‘mortinho’ na minha mão. Sabe quando o homem sucumbe diante do prazer, da gozada? E se desmancha diante de você pelo prazer que você proporcionou naquele momento? Talvez seja isso... ver nele uma espécie de rendição, ver nele um ‘dobrar-se’ pelo prazer que eu e meu corpo tenhamos lhe proporcionado. Talvez tenha mais coisa ai que eu ainda vá descobrir...



Nem sei por que, mas nunca gostei dessa gente que escreve misturando uma frase em inglês aqui e outra acolá. Gosto de ler quando a coisa vai fluida e fluindo como quem conta uma história sem muita hesitação. Acho que é por isso que gosto de te ouvir falando, contando suas histórias. Meu mundo fica em pause em te ouvir, mesmo quando não entendo muito do que você esta falando. Sua voz vai entrando pelos meus ouvidos, eu me concentro, tento acompanhar e mesmo quando não consigo depois de mais de vinte minutos de histórias e um ou dois becks, mesmo assim é bom. Não é possível que você  que não veja em meus olhos, mas eu te venero. Não acho legal venerar alguém, mas não é  por que eu quero que te venero, sei lá por que, mas  vc cabe direitinho naquilo que não sonhei e talvez por isso me surpreenda sentir o que sinto e vejo nisso uma novidade que nunca imaginei viver.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

"Chega um dia em tudo se resume a cansaço. Até a literatura que antes te trazia respostas e refrigério, já não te diz mais nada de novo. A motivação pra ler se vai. Você se cansa de procurar as palavras certas, as respostas, o sentido, e acaba percebendo que as coisas tem o sentido que damos a elas. Ai tudo se torna tão banal, tão chato, e parece não haver saída."


Você deve achar covardia eu sair do jogo agora, né? Eu acho até que é coragem. O ditado diz que a gente não deve mexer em time que tá ganhando. O nosso já não ganha nada faz tempo. Você sabe disso, só que cê tava fazendo vista grossa. Eu sei que tem gente que vive a eternidade de uma vida inteira fazendo vista grossa. Eu tentei, mas não dava mais. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

virada

Talvez eu tenha sido mordida pelo bicho que faz dar vontade de escrever textão no dia da virada do ano. 2016 foi um ano do caralho. Tive dias de tristeza extrema, chorei como nunca pensei que iria chorar, senti aquele tipo de dor que parece ser inconsolável e tive vontade de trocar de lugar com uma amiga pra ver o sofrimento dela amenizado nem que fosse por algumas horas. Tentei imaginar minha vida sem uma pessoa, e passei três dias com o coração apertado e desconcertado, e só de pensar quase fiquei doente. Aprendi a arte de conviver e extrair coisas positivas de situações que em dias passados teria chutado o pau da barraca. Ao mesmo tempo em que fiquei mais sem paciência pra certas coisas, aprendi a tolerar outras com a paciência de um monge. Aprendi a dar mais valor a pequenos momentos com pessoas queridas, e enquanto esperava por novos momentos, aprendi também a valorizar essa espera e fazer dela um momento produtivo.
Não só nesse ano, diria eu que nos últimos anos, tenho aprendido cada dia a julgar menos e a me colocar no lugar do outro cada dia mais. As pessoas carregam histórias, alegrias, dores, sentimentos que a gente nem pode imaginar, e a gente não perde nada por ser simpático e amável com as pessoas.
Tive uma boa relação com dinheiro esse ano. Estabilidade no emprego te traz pontos negativos, mas no modelo de sociedade em que vivemos, traz muito mais pontos positivos. Mas como diria Bukowski “os anos de pobreza me tornaram cauteloso”. Não que eu não seja pobre hoje, sou sim, mas diria que sou pobre com uma certa “fartura” se é que me entendem rs. Não tem mérito nenhum em ajudar quem a gente gosta, mas poder ajudar a esses já é de grande valia em tempos de crise.
O que esperar em 2017? Que a vida sorria pra gente, ou que ao menos a gente aprenda a sorrir pra ela.

DOIS MINUTOS DE SILÊNCIO - Mário Bortolotto


Ele
aguentou ela falando de ioga, krav magá e tratamentos terapêuticos
Ela
aguentou ele falando com pavor de exames de toque retal
e tentando forçar um elogio para o tamanho do seu pau
Ele
aguentou as suas amigas histéricas nos piores bares hipsters falando de regenerador celular com pepino e lifting
Ela
aguentou ele e seus amigos estridentes em bares execráveis com telão gritando em jogos da porra do seu time
Ele
aguentou ela falando coisas como “a vida não pode ser só isso”
Ela
aguentou ele trocando ideia (e em muitos momentos até concordando) com um motorista de táxi reaça
Ele
aguentou ela falando em abdução por alienígenas super desenvolvidos
Ela
aguentou ele falando da urgência de comprar um Knight XV
Ele
raspou a cabeça
e aguentou ela dizendo que assim ele parecia o Ben Kingsley interpretando o Ghandi
Ela
aguentou ele falando sobre o que ele chamava de “sortilégios do coração”
Ele
aguentou ela falando sobre réveillon em Cabo Frio
Ela
aguentou ele falando sobre montar presépio na noite de Natal
Ele
aguentou ela falando sobre Iemanjá e banhos de mar a fim de lavar as impurezas do ano que passou (foi assim mesmo que ela falou)
Ela
Aguentou a sogra falando os amigos dele falando e contando bravatas e todos os fogos de artifício e os bilhetes de corrida e as multas de trânsito
Ele
aguentou a sogra falando os amigos dela falando
e aquele Shih Tzu tarado escalando libidinosamente a sua perna

Eles aguentaram tanto ruído desnecessário
só pra que pudessem depois de tudo
ficarem simplesmente abraçados
no fim da noite, no fim do sexo
olhando para o teto que não lhes dizia porra nenhuma
naqueles inegociáveis dois minutos de silencio.

domingo, 20 de março de 2016

Cecília Marazano, no livro Se eu acredito, existe

"é, eu sei esperar, e mesmo quando não sou paciente, eu sei fingir muito bem. Tenho minhas distrações, o tempo tá a meu favor, mesmo quando ele pensa que tá contra mim. Eu tenho essa fé ingênua de que nosso dia vai chegar, e se ele não chegar de fato, esperar por ele tem me feito um grande bem. Como dizem por aí 'o melhor da festa é esperar por ela'. "

“...mas o que eu sinto por você te deixa livre como nunca deixei alguém de quem eu gostasse no sentido amoroso da palavra. Não me importo se você vai sair com outras mil, ou se você tem vontade de viver histórias paralelas a nossa. Eu acho que o que sinto é sim superior a isso. Não que eu não vá sentir ciúmes, pois sou uma mortal como outra qualquer, mas meu ciúme é pequeno perto do carinho que tenho por você e da vontade estar ao seu lado no passar dos dias, meses e anos. Gosto das suas ideias, da forma que você vê a vida, das suas palavras e até do seu jeito de fugir da realidade. Gosto da forma que te entendo, e de quando mesmo te achando um filho da puta, carente e cretino, consigo continuar gostando de você. Você despertou em mim um apego e um desprendimento que eu nem sabia que existiam.”

"Quando analiso o tudo e estou com a mente sã, consigo perceber claramente que foi por você que esperei a vida inteira, mas antes eu nem sabia o que de fato eu estava esperando. Hoje nessa fase adulta o que consigo ver, é que uma pessoa como você poderia sim fazer toda diferença na minha vida. Sei que vc nem dá bola pra isso, mas olha, num geral, hoje, não gosto mais de pessoas, e as poucas que gosto e quero manter perto, só quero manter por perto uma vez a cada quinze dias no máximo. Você mudou meus conceitos, pois pelo menos nessa fase inicial, te queria por perto todo dia. E não com aquela ilusão da adolescência de que seria pra sempre, pois eu sei bem que o pra sempre sempre acaba, mas assim de inicio eu bem que queria te esgotar e eu sei que sua companhia é aquele tipo que um dia eu ate posso enjoar de ter todo dia por perto, mas eu nunca enjoaria de ter uma vez ou duas  por semana. Eu acredito que a gente podia ser bem sucedido em iniciar um relacionamento a nossa própria moda, do nosso próprio jeito.  Digam o que quiserem, encarem como quiserem mas o que eu sinto por você te deixa livre como nunca deixei alguém de quem eu gostasse no sentido amoroso da palavra. Não me importo se você vai sair com outras mil, ou se você tem vontade de viver histórias paralelas a nossa. Eu acho que o que sinto é sim superior a isso. Não que eu não vá sentir ciúmes, pois sou uma mortal como outra qualquer, mas meu ciúme é pequeno perto do carinho que tenho por vc e da vontade estar ao seu lado no passar dos dias, meses e anos. Gosto das suas ideias, da forma que você vê a vida, das suas palavras e ate do seu jeito de fugir da realidade. Gosto da forma que te entendo, e de quando mesmo te achando um filho da puta, carente e cretino, consigo continuar gostando de você. Você despertou em mim um apego e um desprendimento que eu nem sabia que existiam . As pessoa em geral são muito pequenas e mesquinhas e vão olhar pra esse relacionamento  e simplesmente chamar-me de idiota. Dirão assim “ como ela aguenta, o cara sai com varias outras e ela continua com ele” . digo eu, que essas são pessoas de mente pequena, pouco vividas e ordinárias. Não fazem a mínima ideia do que é gostar de uma outra pessoa de forma tão livre, que você quer mais é que a pessoa esteja bem e feliz. Mesmo porquê tenho certeza de que a reciproca é verdadeira
Talvez seja tudo uma paranoia louca da minha cabeça e gostar desse jeito seja apenas aqueles relacionamentos que a gente vê por ai e chama um ou outro de idiota por continuar ao lado da pessoa apesar de tantos pesares. dane-se."

"eu tento me conter quando a gente se encontra. Não gosto de demonstrar tudo assim de cara e me entregar de bandeja. Mas desde mais nova, esse sempre foi meu maior erro: não saber disfarçar, falar de cara o que outras pessoas demoram dias e meses pra revelar. Me pergunto se isso não me traz mais ônus que bônus, mas não consigo evitar.
Com você frases clichês começam a ter sentido. Músicas que sempre julguei 'chulas' começar a martelar em minha cabeça e começo a rir sozinha enquanto espero o sinal ficar verde."

“Pode até não parecer mas eu também acho o amor uma coisa linda de se ver e de se viver. Só que eu não tenho mais a calma que ele requer e muito menos a ingenuidade. Não entendo sinais, desconfio de tudo. Se for o caso do amor me fisgar, ele precisa ser muito claro, sem rodeios, direto, e mesmo assim pode ser que eu não entenda. Apesar de ler muito a respeito, tenho pouca experiência.”

"Me ensina ai:
como é que se faz pra disfarçar o amor?
como ignorá-lo?
como voltar ao estágio anterior onde tudo era preto e banco?
e se transbordar? Odeio bagunça!"

quinta-feira, 3 de março de 2016

Charles Bukowski, escrever para não enlouquecer

"No meu jeito de ver, tudo foi por água abaixo com a Segunda Guerra Mundial. E não só as artes. Até os cigarros não tem mais o mesmo gosto. Tamales. Chili. Café. Tudo é feito de plástico. O rabanete não tem mais aquele sabor acentuado. Você descasca um ovo e, invariavelmente, o ovo sai grudado na casca. As costelas de porco são pura gordura e cor de rosa. As pessoas compram carros novos e mais nada. Essa é a vida delas: quatro rodas. As cidades só ligam um terço da iluminação pública para poupar eletricidade. Os policiais distribuem multas que nem loucos. Os bêbados são penalizados em somas atrozes, e quase todo mundo que bebe um pouco fica bêbado. Os cães devem ser contidos por coleiras, os cães devem ser vacinados. Você precisa ter uma licença de pesca para pescar peixe-rei com as mãos, os gibis são considerados perigosos para as crianças. Homens assistem a lutas de boxe sentados em suas poltronas, homens que nem faziam ideia do que era uma luta de boxe, e, quando discordam de uma decisão, escrevem cartas vis e clamorosas aos jornais, em indignado protesto.
E contos: não há nada: nenhuma vida (...)"

obs:25 de agosto de 1954