domingo, 20 de março de 2016

Cecília Marazano, no livro Se eu acredito, existe

"é, eu sei esperar, e mesmo quando não sou paciente, eu sei fingir muito bem. Tenho minhas distrações, o tempo tá a meu favor, mesmo quando ele pensa que tá contra mim. Eu tenho essa fé ingênua de que nosso dia vai chegar, e se ele não chegar de fato, esperar por ele tem me feito um grande bem. Como dizem por aí 'o melhor da festa é esperar por ela'. "

“...mas o que eu sinto por você te deixa livre como nunca deixei alguém de quem eu gostasse no sentido amoroso da palavra. Não me importo se você vai sair com outras mil, ou se você tem vontade de viver histórias paralelas a nossa. Eu acho que o que sinto é sim superior a isso. Não que eu não vá sentir ciúmes, pois sou uma mortal como outra qualquer, mas meu ciúme é pequeno perto do carinho que tenho por você e da vontade estar ao seu lado no passar dos dias, meses e anos. Gosto das suas ideias, da forma que você vê a vida, das suas palavras e até do seu jeito de fugir da realidade. Gosto da forma que te entendo, e de quando mesmo te achando um filho da puta, carente e cretino, consigo continuar gostando de você. Você despertou em mim um apego e um desprendimento que eu nem sabia que existiam.”

"Quando analiso o tudo e estou com a mente sã, consigo perceber claramente que foi por você que esperei a vida inteira, mas antes eu nem sabia o que de fato eu estava esperando. Hoje nessa fase adulta o que consigo ver, é que uma pessoa como você poderia sim fazer toda diferença na minha vida. Sei que vc nem dá bola pra isso, mas olha, num geral, hoje, não gosto mais de pessoas, e as poucas que gosto e quero manter perto, só quero manter por perto uma vez a cada quinze dias no máximo. Você mudou meus conceitos, pois pelo menos nessa fase inicial, te queria por perto todo dia. E não com aquela ilusão da adolescência de que seria pra sempre, pois eu sei bem que o pra sempre sempre acaba, mas assim de inicio eu bem que queria te esgotar e eu sei que sua companhia é aquele tipo que um dia eu ate posso enjoar de ter todo dia por perto, mas eu nunca enjoaria de ter uma vez ou duas  por semana. Eu acredito que a gente podia ser bem sucedido em iniciar um relacionamento a nossa própria moda, do nosso próprio jeito.  Digam o que quiserem, encarem como quiserem mas o que eu sinto por você te deixa livre como nunca deixei alguém de quem eu gostasse no sentido amoroso da palavra. Não me importo se você vai sair com outras mil, ou se você tem vontade de viver histórias paralelas a nossa. Eu acho que o que sinto é sim superior a isso. Não que eu não vá sentir ciúmes, pois sou uma mortal como outra qualquer, mas meu ciúme é pequeno perto do carinho que tenho por vc e da vontade estar ao seu lado no passar dos dias, meses e anos. Gosto das suas ideias, da forma que você vê a vida, das suas palavras e ate do seu jeito de fugir da realidade. Gosto da forma que te entendo, e de quando mesmo te achando um filho da puta, carente e cretino, consigo continuar gostando de você. Você despertou em mim um apego e um desprendimento que eu nem sabia que existiam . As pessoa em geral são muito pequenas e mesquinhas e vão olhar pra esse relacionamento  e simplesmente chamar-me de idiota. Dirão assim “ como ela aguenta, o cara sai com varias outras e ela continua com ele” . digo eu, que essas são pessoas de mente pequena, pouco vividas e ordinárias. Não fazem a mínima ideia do que é gostar de uma outra pessoa de forma tão livre, que você quer mais é que a pessoa esteja bem e feliz. Mesmo porquê tenho certeza de que a reciproca é verdadeira
Talvez seja tudo uma paranoia louca da minha cabeça e gostar desse jeito seja apenas aqueles relacionamentos que a gente vê por ai e chama um ou outro de idiota por continuar ao lado da pessoa apesar de tantos pesares. dane-se."

"eu tento me conter quando a gente se encontra. Não gosto de demonstrar tudo assim de cara e me entregar de bandeja. Mas desde mais nova, esse sempre foi meu maior erro: não saber disfarçar, falar de cara o que outras pessoas demoram dias e meses pra revelar. Me pergunto se isso não me traz mais ônus que bônus, mas não consigo evitar.
Com você frases clichês começam a ter sentido. Músicas que sempre julguei 'chulas' começar a martelar em minha cabeça e começo a rir sozinha enquanto espero o sinal ficar verde."

“Pode até não parecer mas eu também acho o amor uma coisa linda de se ver e de se viver. Só que eu não tenho mais a calma que ele requer e muito menos a ingenuidade. Não entendo sinais, desconfio de tudo. Se for o caso do amor me fisgar, ele precisa ser muito claro, sem rodeios, direto, e mesmo assim pode ser que eu não entenda. Apesar de ler muito a respeito, tenho pouca experiência.”

"Me ensina ai:
como é que se faz pra disfarçar o amor?
como ignorá-lo?
como voltar ao estágio anterior onde tudo era preto e banco?
e se transbordar? Odeio bagunça!"

quinta-feira, 3 de março de 2016

Charles Bukowski, escrever para não enlouquecer

"No meu jeito de ver, tudo foi por água abaixo com a Segunda Guerra Mundial. E não só as artes. Até os cigarros não tem mais o mesmo gosto. Tamales. Chili. Café. Tudo é feito de plástico. O rabanete não tem mais aquele sabor acentuado. Você descasca um ovo e, invariavelmente, o ovo sai grudado na casca. As costelas de porco são pura gordura e cor de rosa. As pessoas compram carros novos e mais nada. Essa é a vida delas: quatro rodas. As cidades só ligam um terço da iluminação pública para poupar eletricidade. Os policiais distribuem multas que nem loucos. Os bêbados são penalizados em somas atrozes, e quase todo mundo que bebe um pouco fica bêbado. Os cães devem ser contidos por coleiras, os cães devem ser vacinados. Você precisa ter uma licença de pesca para pescar peixe-rei com as mãos, os gibis são considerados perigosos para as crianças. Homens assistem a lutas de boxe sentados em suas poltronas, homens que nem faziam ideia do que era uma luta de boxe, e, quando discordam de uma decisão, escrevem cartas vis e clamorosas aos jornais, em indignado protesto.
E contos: não há nada: nenhuma vida (...)"

obs:25 de agosto de 1954

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

poema de João Francisco

se já falei
desculpa
mas vou tratar de repetir
na verdade
bem difícil fazer isso
por aqui
se eu estivesse
na sua frente
falaria como se não houvesse fim
sem ter vergonha, por favor
trate de me chamar pra sair
sem ter vegonha, por favor
talvez a gente crie discursos
sem muito nexo
faremos varias perguntas
e muito sexo.
poderíamos cantar
uma musica que não sabemos
a letra.
beberemos algumas cervejas
fumaremos
até morgar.
podemos até correr
no meu apartamento
podemos gritar
sem medo
mas só antes das dez
depois
os vizinhos vão reclamar
do barulho excessivo
de felicidade.
poderemos torcer pra que ninguém entre pela porta
ou até chuta-la
só pra pedir um pão
mais uma cerveja, e um beck
mas você não pode
esquecer de deixar
um desenho marcado
na minha parede.
nem de trocar alguns poemas
só pra ouvir
outro ritmo seu.
não só seu coração
ou sua respiração
ofegante.
não só o abraço apertado
nem o beijo
prolongado.
to falando de quando te toco
como um instrumento
que nem conheço o som.
to falando de quando olho
no fundo da sua alma
e vejo o por que.
por que tá tudo bem
entre eu e
você.
to falando do prazer
simples prazer
de te conhecer.

João Francisco

domingo, 31 de janeiro de 2016

Diego Moraes

Agora não adianta ofender
arranhar a pele
quebrar os discos do beck
agora não adianta escrever
pregar bilhetes na porta da geladeira
agora não adianta pegar leve na cocaína
agora não adianta falar em rehab
agora não adianta chorar
sentado na sarjeta do meu bar predileto
agora não adianta dedicar poemas
agora não adianta jogar as cinzas do Marbolro no ralo da pia
agora não adianta comprar a obra completa de Walt Whitman para ler nas férias abraçado contigo no sítio dos meus pais
agora não adianta obturar os dentes
agora não adianta prometer coisas que só o amor promete.

Diego Moraes

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Cecília Marazano, no livro Se eu acredito, existe."


“o abraço

Você pode mentir e omitir sobre o que quiser, mas tem uma coisa sobre a qual você não pode falar nada: você falou um monte de asneira, a gente nem se beijou naquela noite, mas caso você não se lembre, te lembro eu aqui , que enquanto você  dormia, me abraçou na madrugada. Pode ter sido mil coisas aquele abraço na madrugada enquanto você dormia meio bêbado: pode ter sido pura carência, e pode ser que você abraçaria até um cachorro que estivesse dormindo ao seu lado. Só que é ai que a história fica legal, por que até ali nunca ninguém havia me abraçado no meio do sono na madrugada, e acho que foi ali que a minha carência bateu com a sua, pois justo naquela hora em que você procurava por alguém por abraçar enquanto dormia, eu também buscava alguém que me abraçasse até mesmo dormindo. É provável que você nem se lembre desse abraço (na verdade, abraços). Mas eu lembro bem e independente do andar da carruagem, e do rumo que a vida tome pra cada um de nós, é certo que é desse abraço que eu vou lembrar, mas do que de todos os outros.

 São coisas bem pequenas que revelam a pessoa. Eu sempre peço a Deus (ou ao diabo), que abra meus olhos para as pequenas coisas, para os detalhes. Que eles me tragam as ‘manhas’. E acho que eles me atendem, ou ao menos me atendem quando me interessa. Eu vejo cada detalhe, e me demoro neles por longos dias...

Aquela noite tá me martelando, há mais de um mês. E me lembro daquela citação de Bukowski em que ele diz “Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivéssemos transado." Foi mais ou menos isso que senti. O seu abraço meio ‘inconsciente’ naquela madrugada foi melhor do que se tivéssemos transado.”

"O negócio é que você tem as palavras certas. Falando assim, até parece que ter as palavras certas é uma coisa simples, mas não é. Faz tempo que busco por elas e pra te ser sincera, acho que eu ainda não as tinha ouvido, eu procurava por elas no escuro e sabia que quando eu as ouvisse, iria reconhecê-las. Quando você as diz, por um breve momento, tudo parece ter sentido e todo o resto some. Fico diante de você e de suas palavras e isso basta."

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Osvaldo Luis Ribeiro

Às vezes, tenho a impressão de que assisto à vida de camarote. Mesmo vivendo, mesmo dentro dela, tenho a sensação de que estou o tempo todo - sim, todo o tempo - também lá fora, olhando-me a viver, olhando a vida à minha volta, a vida das pessoas, a vida. E vendo. Tenho a impressão de que as pessoas apenas vivem, mas não veem a vida. Por isso, porque apenas vivem, mas não veem a vida que vivem, não ouvem o que dizem, não conseguem avaliar nem a vida nem o que elas fazem com a vida. Arriscarei: é impossível a lucidez sem ter a capacidade de olhar a vida desde fora dela...

domingo, 13 de setembro de 2015

Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre Tête-a-tête, de Hazel Rowley





“Sartre deixara claro desde o início que a monogamia não o interessava. Gostava de mulheres (muito mais que de homens, sempre dizia) e não pretendia parar de ter casos aos 23 anos. Nem Beauvoir deveria fazê-lo, disse. O amor que tinham um pelo outro era ‘essencial’ e fundamental. Eles eram ‘dois da mesma espécie’, um o duplo do outro, e seu relacionamento seguramente duraria a vida inteira. Mas não deveriam privar-se do que chamavam ‘casos contingentes’, ou seja, secundários e mais arbitrários.
Sartre estava convencido de que o amor não era possessão. Para ele, um tipo mais generoso de amor significava amar a outra pessoa como um ser livre. Quando Beauvoir levantou a espinhosa questão do ciúme, Sartre disse que, se contassem tudo um ao outro, um nunca se sentiria excluído da vida do outro. Não deveriam ter segredos. Em casos amorosos, dúvidas, inseguranças e obsessões, deveriam ter como objetivo a abertura total. Ele chamava isso de ‘transparência’.
Beauvoir achou a ideia tão assustadora quanto estimulante. Valorizava a verdade e a sinceridade, mas também dava muito valor a sua vida interior. Na adolescência, aprendera a guardar os pensamentos para si mesma. Há muito tempo deixara de contar seus pecados ao padre confessor. Contudo, lá estava Sartre querendo que ela compartilhasse seus pensamentos – todos – com ele.”

Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre Tête-a-tête, de Hazel Rowley