terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Feios, bonitos, dentro e fora dos padrões





 Tem essa coisa na nossa sociedade, a valorização exacerbada da aparência. Claro que tem coisas que contam na aparência, alguns detalhes dela revelam ou te dão uma dica do que se tem por dentro. Mas essas coisas que contam não estão necessariamente ligadas ao físico da pessoa e sim na forma como se veste, se cuida , no corte de cabelo, na barba que se tem ou não. Mas a nossa sociedade tente a avaliar as pessoas, pelo formato do rosto, do nariz, da bunda, do peso. A vida da pessoa feia não deve ser muito fácil, e é claro que como tudo na vida, ser feio trará ônus e bônus. Mas as vezes fico vendo as pessoas na rua, no banco, no ônibus, no metrô e como o comportamento das pessoas é diferente quando entra uma pessoa tida como bonita na nossa sociedade. Os olhares se voltam, as pessoas chegam um pouquinho pro lado pra dar lugar pra esse bonito sentar. Portas se abrem pra essas pessoas. Sei de pessoas que “subiram” em cargos em suas empresas só por serem bonitas. E não estou falando de transar com o chefe pra subir. Se tiver uma mulher bonita e uma feia, com a mesma formação concorrendo a um cargo, podes crer que a bonita vai entrar. Estou falando a grosso modo, claro que outros fatores contam ponto, mas num geral as pessoas querem ficar perto de gente  bonita. Eu que tento ser desprovida de preconceitos  me pego pensando coisas horrendas como “não vou lá, tem muita gente feia”. Que vergonha admitir isso, mas as vezes eu penso assim. Alguém compartilhou dia desses no face  que “gente feia é igual a gente bonita, só que feia”, soa engraçado, mas é a pura verdade. Gente feia tem as mesmas necessidades, talvez algumas a menos por já terem se acostumado com a falta de beleza. Digo isso, porque geralmente a pessoa bonita já espera por certos elogios e por certos olhares quando vai aos lugares e quando posta fotos. Já a feia nem tanto, anda mais desprovida dessa expectativa e acaba não tendo essa necessidade. 

Eu sei que existem padrões e padrões de beleza. Eu sei que quem ama o feio bonito lhe parece. Eu sei que tem gente que eu acho feia e você pode achar bonita. Eu sei que aparência não é tudo. Sei de todas essas coisas. Não sou padrão de beleza nem de inteligência. Não sou uma pessoa bem resolvida. Talvez esteja eu aqui falando da vida da pessoa feia porque eu seja uma pessoa feia. Me considero uma pessoa dentro dos padrões básicos. Tenho uma prima que mora longe e dia desses veio me visitar e no sábado foi a um show, ela é uma pessoa considerada bonita nos padrões da nossa sociedade. Um metro e sessenta e pouco, loira, cinturinha de pilão, bunda grande, corpinho de violão. Fui leva-la ao ponto de ônibus. Cristo amado, vocês não tem noção de como foi. Todos os homens do caminho olhavam para ela, o cara que passou de bicicleta, o cara que atravessou a rua, o taxista que passou dirigindo, o cara que passou de mão dada com a namorada, ate algumas mulheres olharam também. Tive uma sensação de ser invisível. Eu até queria ser invisível, mas não assim. Pior foi eu falando com minha mãe ao telefone   contando essa história e ela dizendo ‘minha filha, mais vale é o que a pessoa tem no coração”, foi triste ouvir isso.

Fiquei pensando como deve ser a vida da pessoa bonita. Ter os olhos voltados pra ela o tempo  todo. Até tive um tempo quase assim quando eu era adolescente, a juventude também atrai os olhares. Tem um ‘quê’ de coisa boa em ter os olhos em você, afinal é atrás disso que tanta gente vive, o bbb taí pra provar isso. Me lembro de estar em ponto de ônibus e os caras pararem pra oferecer carona. Me lembro de taxista me oferecendo carona. Meu primeiro namorado foi um cobrador de ônibus que me via descer todo dia no mesmo ponto e no dia de folga ficou andando por ali pra ver se me via. Que coisa tosca, nem acredito que aceitei namorar com ele. Mas se eu fosse feia não teria passado por essas histórias.  Ou talvez teria, não tenho como saber. Hoje com trinta anos, alguns sinais do tempo começando a aparecer já não atraio tantos olhares. Mas tá bom, não acho isso tão ruim assim.  Vivo lutando pra perder peso, e esse ano disse pra mim mesma que iria entrar pra uma academia, embora não goste nadinha . Fico me convencendo que é por saúde. Mas acho que nem é, na verdade devo estar em busca da jovialidade perdida, da beleza lá de trás, como se ela pudesse ser recuperada. Isso também é o que a grande maioria tá em busca. Tanto botox, plásticas, malhações... tudo em busca de coisas que não voltam mais. Ai me vejo criticando a sociedade, as pessoas, e quando penso nessas coisas vejo que sou igual a elas. Igualzinha.

Pra namorar e casar nunca me imaginei ao lado  de um cara mega bonito.  Posso estar enganada, mas sempre tive a impressão de que os bonitos sabem que são bonitos e por isso são um pouco esnobes. To falando daqueles bonitos, lindos, meio modelos. Talvez seja só um pouco de insegurança que já tinha comigo. Medo de ouvir as pessoas dizerem “esse cara é muito bonito pra essa menina”, sempre preferi o contrário. A vida foi rolando e acho que casei com alguém assim como eu, dentro dos padrões de normalidade. 
Sei que toda minha fala aqui esta carregada de preconceitos. estranho seria se não estivesse.
Me perdi, nem era isso que eu queria falar.

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